Em busca do pensamento livre.

Sábado, 02.06.18

 

 

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Imagem:

William Snyder

Barcelona; 1992;

Jogos Olímpicos.

 

A disciplina imposta pelo euro norteia o Governo. Apesar do positivo ímpeto inicial, as políticas da educação mantêm o essencial dos governos anteriores; mesmo o não financeiro. Digamos que é explicado, como na imagem, por uma lei da física (força da gravidade): nem um salto inspirado na obra maior de Gaudi resiste à queda para o lugar comum àqueles saltadores.

Apenas mais um ponto prévio: nas mudanças curriculares que se aproximam, percebe-se a intenção, mesmo que ténue, de contrariar o "fim da história". Contudo, a escolha da imagem deveu-se à introdução de mais disciplinas na mesma carga horária e sem tocar no "coração" do que vem de trás. E lembrei-me de um texto que escrevi, algures em 2000 ou 2001, para uma revista sobre educação a propósito de uma mudança curricular. Para também respeitar o espartilho do euro, da dívida bancária e das ideias de escola, carreiras e currículos, ajustei-o.

 

Horas escolares.
 
Primeiro que tudo – e convém esclarecer – horas escolares é uma questão pessoal. Não consigo resumos para tão pouco tempo. Sou pouco dado a coisas rápidas. Sonhei viver uma eternidade acompanhado das pessoas que mais amo. A angústia da luta contra o tempo desgosta-me. Feitios. Acima de tudo, confesso, gosto da solidão do meu pensamento. Aprecio a elaboração de ideias. É um prazer indizível. É francamente o meu jogo predilecto.

Falar das horas escolares, engloba a minha, já confessada, sedução pelo tempo. Pela sua inexorável voracidade. Mais do que a impossibilidade do eterno retorno, as aulas escolares sempre me pareceram um saltitar de jaula em jaula. Ensinámos, ensinamos e ensinaremos de acordo com os tempos que correm. Com tanta pressa, pela superficialidade ficaremos. Escolarizados e condenados, mas não sages.

Todos querem ter um lugar ao sol na composição dos programas escolares. Tanto há para ensinar. Incontestável e legítima ambição. Da intuição à retórica, tudo justifica a necessidade de tempos escolares.

Das associações científicas de professores aos sindicatos, e passando pelos membros dos governos ou das oposições, todos advogaram a favor da redução do número de aulas escolares. Fez escola e foi consensual. O resultado de todas essas consultas e discussões teve, quase sempre, como resultado a manutenção de quase tudo ou o regresso a fórmulas determinadas pelos picos económicos ou ideológicos. Os argumentos repetiram-se.(...)

Por tudo isto, ser criança em tempo escolar implicará uma percepção alargada e cheia de inúmeras imagens. A sua relação com os mestres será efémera. Curtos – muitos e intermitentes - períodos de concentração serão os segredos de uma boa aprendizagem: entretanto, pouco ou nada se sabe sobre a forma como cada um aprende. A figura do mestre perder-se-á na razão da sua multiplicidade.
A criança necessitará de recorrer a fontes mais velozes, associará ao desperdício de tempo a ideia do pecado original. Terá saudades do futuro?

Na ânsia do minimalismo economicista, projectado desde as nanoteconologias à magreza corporal, nada escapa a esse círculo estonteante. O “zapismo” da vida leva-nos a esta angústia. Andamos tanto para não sairmos do mesmo sítio (e, no entanto, a ciência avança, todos os dias).

É tudo curto, rápido e impreciso. Devorar o “Em busca do tempo perdido” de Marcel Proust, sete volumes, cerca de 4000 páginas em “times new roman” 09, ficará fora de qualquer programa escolar. É pena. A eternidade toda, paradoxalmente, em sete volumosos volumes.

Volta a ser, novamente, uma questão do universo pessoal. A única revisão curricular – e com as mais variadas posições horárias - está dentro de cada um de nós: um postulado para a eternidade, digo eu.

 

O texto original, não ajustado, está aqui. 



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Terça-feira, 26.12.17
 
 
 
 

(a intemporalidade das reedições)

 
 
 
Primeiro que tudo – e convém esclarecer – horas escolares é uma questão pessoal. Não consigo resumos para tão pouco tempo. Sou pouco dado a coisas rápidas. Sonhei viver uma eternidade acompanhado das pessoas que mais amo. A angústia da luta contra o tempo desgosta-me. Feitios. Acima de tudo, confesso, gosto da solidão do meu pensamento. Aprecio a elaboração de ideias. É um prazer indizível. É francamente o meu jogo predilecto.

Falar das horas escolares, engloba a minha, já confessada, sedução pelo tempo. Pela sua inexorável voracidade. Mais do que a impossibilidade do eterno retorno, as aulas escolares sempre me pareceram um saltitar de jaula em jaula. Ensinámos, ensinamos e ensinaremos de acordo com os tempos que correm. Com tanta pressa, pela superficialidade ficaremos. Escolarizados e condenados, mas não sages.

Todos querem ter um lugar ao sol na composição dos programas escolares. Tanto há para ensinar. Incontestável e legítima ambição. Da intuição à retórica, tudo justifica a necessidade de tempos escolares.

Desde as associações científicas de professores aos sindicatos de docentes, passando pelos membros dos governos ou das respectivas oposições, todos advogaram a favor da redução do número de aulas escolares. Fez escola e foi consensual. O resultado de todas essas consultas e discussões teve, quase sempre, como resultado a manutenção de quase tudo ou o regresso a fórmulas determinadas pelos picos económicos ou ideológicos. Os argumentos repetiram-se. Até podemos imaginar um lapidar diálogo. Diz o docente da disciplina x: “Têm que reduzir o número de aulas escolares, nem sei como é que os alunos aguentam isto”. Responde o docente da disciplina y: “Sim, sim. Mas nas aulas da disciplina z, pois nas minhas, ou nas tuas, seria o caos, não te esqueças”. Tarefa inumana para o decisor.

Por tudo isto, ser criança em tempo escolar implicará uma percepção alargada e cheia de inúmeras imagens. A sua relação com os mestres será efémera. Curtos – muitos e intermitentes - períodos de concentração serão os segredos de uma boa aprendizagem: entretanto, pouco ou nada se sabe sobre a forma como cada um aprende. A figura do mestre perder-se-á na razão da sua multiplicidade.
A criança necessitará de recorrer a fontes mais velozes, associará ao desperdício de tempo a ideia do pecado original. Terá saudades do futuro?

Na ânsia do minimalismo economicista, projectado desde as nanoteconologias à magreza corporal, nada escapa a esse círculo estonteante. O “zapismo” da vida leva-nos a esta angústia. Andamos tanto para não sairmos do mesmo sítio (e, no entanto, a ciência avança, todos os dias).

É tudo curto, rápido e impreciso. Devorar o “Em busca do tempo perdido” de Marcel Proust, sete volumes, cerca de 4000 páginas em “times new roman” 09, ficará fora de qualquer programa escolar. É pena. A eternidade toda, paradoxalmente, em sete volumosos volumes.

Volta a ser, novamente, uma questão do universo pessoal. A única revisão curricular – e com as mais variadas posições horárias - está dentro de cada um de nós: um postulado para a eternidade, digo eu.
 
 
 


(Este texto não é inédito.
Publiquei-o numa revista da especialidade,
algures em 2000, 2001 ou 2002)


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Sexta-feira, 25.08.17

 

 

 

 

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Johannes Vermeer.

"A Leiteira" representa uma leiteira, de facto, uma empregada de cozinha.

É uma das mais importantes obras de Veermer.

Museu Rijksmuseum, Amsterdão, Agosto de 2017

 

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Terça-feira, 22.08.17

 

 

 

 

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Johannes Vermeer, "Rapariga com Brinco de Pérola" (holandês: Het Meisje met de Parel).

É várias vezes classficado como "Mona Lisa holandesa" ou "Mona Lisa do Norte".

Foi um pintor "eleito" por Marcel Proust.

Museu Mauritshuis, Haia, Agosto de 2017

 

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Quarta-feira, 23.11.16

 

 

 

"parece que certas realidades transcendentes emitem em torno de si radiações a que a multidão é sensível. É assim que, por exemplo, quando se dá um acontecimento, quando na fronteira está um exército em perigo ou derrotado, ou vitorioso, as notícias bastante nebulosas que dele chegam e de que o homem culto não sabe retirar grande coisa, provocam na multidão uma emoção que o surpreende e na qual, depois de os especialistas o terem posto ao corrente de verdadeira situação militar, ele reconhece a percepção pelo povo daquela aura que rodeia os grande acontecimentos e que pode ser visível a centenas de quilómetros".

 

Marcel Proust

 

Em busca do tempo perdido

 

 

(1ª edição em 20 de Outubro de 2010)

 



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Segunda-feira, 30.11.15

 

 

 

 

Impressionou-me o clima de autenticidade no almoço de ontem, em Leiria, da candidatura de Sampaio da Nóvoa. Foi um sinal muito positivo e transbordante de emoções. Era bonito se se confirmasse Proust:

"parece que certas realidades transcendentes emitem em torno de si radiações a que a multidão é sensível. É assim que, por exemplo, quando se dá um acontecimento, quando na fronteira está um exército em perigo ou derrotado, ou vitorioso, as notícias bastante nebulosas que dele chegam e de que o homem culto não sabe retirar grande coisa, provocam na multidão uma emoção que o surpreende e na qual, depois de os especialistas o terem posto ao corrente de verdadeira situação militar, ele reconhece a percepção pelo povo daquela “aura” que rodeia os grande acontecimentos e que pode ser visível a centenas de quilómetros".

 

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Sábado, 08.08.15

 

 

 

 

 

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Sábado, 07.02.15

 

 

 

Ouço muitas vezes a expressão em título sem ser na interrogativa e surpreendo-me. É necessário um distanciamento temporal para uma qualquer conclusão do género. Contudo, e num exercício exorbitante, penso que Gonçalo M. Tavares entrará no cânone.

 

Os seus dois últimos livros chegaram hoje e prometem.

 

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Quinta-feira, 29.01.15

 

 

 

Nonu Cratu dis qeu à porfeçores cum binte eros hortográficos núma mêsma frasi. U omem tava poceço cando dize u fonómeno. U inda mistro sucurreu-se di Prust i elebou u ezame. U gineal fransses fasia frazes cum oma uo daus pajinas i Cratu iscolheu u mudelo fransses há cassa dus eros (Cratu fio tamvem influciado pêlus Elénicos reçentes, u inbejoso).

  

 



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Quinta-feira, 22.01.15

 

 

 

 

Para os que há muito defendem o fim da hegemonia eleitoral do arco do poder, era bom que o efeito Syriza tivesse sensações como as descritas pelo genial Marcel Proust:

 

"parece que certas realidades transcendentes emitem em torno de si radiações a que a multidão é sensível. É assim que, por exemplo, quando se dá um acontecimento, quando na fronteira está um exército em perigo ou derrotado, ou vitorioso, as notícias bastante nebulosas que dele chegam e de que o homem culto não sabe retirar grande coisa, provocam na multidão uma emoção que o surpreende e na qual, depois de os especialistas o terem posto ao corrente de verdadeira situação militar, ele reconhece a percepção pelo povo daquela “aura” que rodeia os grande acontecimentos e que pode ser visível a centenas de quilómetros".

 

Marcel Proust

 

Em busca do tempo perdido

 

 



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Quinta-feira, 13.11.14

 

 

 

Regressei à cidade onde nasci poucos anos depois da partida "definitiva" e senti uma descida emocional que se esbateu três dias depois. A permanência por trinta dias provocou uma "dor de saudade", por se tornar aguda a consciência da perda, ainda mais intensa do que no primeiro abandono.

 

Ao ler "O essencial sobre Marcel Proust", de Mega Ferreira (obra apenas digital), percebe-se, escrito como ninguém e com uma inigualável sensibilidade como era o caso de Marcel Proust, que isso não só acontece nos regressos como se repete nas deambulações pelos espaços há muito imaginados.

 

 

 

 

 

 
 2ª edição do post. Reescrito.
 


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Segunda-feira, 24.06.13

 

 

 

 

 

Lá me vou rendendo às "leituras digitais" com a vantagem de aceder a uma impressionante quantidade de informação complementar. Também se tem de considerar a possibilidade de andar sempre com muitos livros.

 

Da lista que me acompanha aconselho, para os apaixonados, e até para quem se queira aventurar, pela obra de Marcel Proust, o livro de Mega Ferreira. Não tem grandes novidades, mas é interessante. É, a par do assombroso "Guerra e Paz", um dos não gratuitos mas custa menos do que uma bica em muitos salões.

 

 

 

 



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Segunda-feira, 12.11.12

 

 

 

 

A situação europeia, e mais propriamente o poder alemão, está a criar um clima de nervosismo e de forte contestação. Os denominados intelectuais dividem-se e há mesmo alguns que não alinham naquilo a que chamam de histerismo-dos-derrotados-da-vida.

 

É sempre bom ir aos clássicos e socorri-me de uma passagem do "Em busca do tempo perdido" de Marcel Proust:

 

"“Parece que certas realidades transcendentes emitem em torno de si radiações a que a multidão é sensível. É assim que, por exemplo, quando se dá um acontecimento, quando na fronteira está um exército em perigo ou derrotado, ou vitorioso, as notícias bastante nebulosas que dele chegam e de que o homem culto não sabe retirar grande coisa, provocam na multidão uma emoção que o surpreende e na qual, depois de os especialistas o terem posto ao corrente de verdadeira situação militar, ele reconhece a percepção pelo povo daquela “aura” que rodeia os grande acontecimentos e que pode ser visível a centenas de quilómetros”".



publicado por paulo prudêncio às 09:46 | link do post | comentar | ver comentários (1) | partilhar

Terça-feira, 31.07.12

 

 

 

Para quem não estiver com fôlego para o original, há duas traduções: Mário Quintana e Pedro Tamen. É uma obra em que está tudo; é apenas uma questão de paciência.

 

Foi com Mário Quintana que fiz a leitura, a primeira, que me "agarrou" - olho-a com um eterno agradecimento - mas Pedro Tamen passou a ser a opção.

 

 

 

 

 



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Quarta-feira, 20.07.11

 

 

 

 

 

Já tentei incluir este blogue na letra do acordo ortográfico e voltei atrás. Não tive tempo para estudar bem o assunto e não me estava a sentir cómodo. É natural que goste mais do registo anterior, mas respeito o espírito da decisão. Se fosse apenas por uma questão estética, preferia que ficássemos como estávamos. Não gosto de ler os textos na letra do acordo.

 

Há uma frase interessante de Proust, no "Em busca do tempo perdido", que é mais ou menos assim: uma nova gramática é também a legitimação dos erros em relação à anterior. Nunca me esqueço desta frase quando leio os argumentos mais dogmáticos em relação a estes assuntos.

 

Vou manter o blogue no registo pré-acordo, pelo menos até ter tempo para me informar devidamente. 

 

 



publicado por paulo prudêncio às 13:27 | link do post | comentar | ver comentários (4) | partilhar

Quinta-feira, 02.06.11

 

 

"“Parece que certas realidades transcendentes emitem em torno de si radiações a que a multidão é sensível. É assim que, por exemplo, quando se dá um acontecimento, quando na fronteira está um exército em perigo ou derrotado, ou vitorioso, as notícias bastante nebulosas que dele chegam e de que o homem culto não sabe retirar grande coisa, provocam na multidão uma emoção que o surpreende e na qual, depois de os especialistas o terem posto ao corrente de verdadeira situação militar, ele reconhece a percepção pelo povo daquela “aura” que rodeia os grande acontecimentos e que pode ser visível a centenas de quilómetros”".

 

Marcel Proust

 

Em busca do tempo perdido

 

 

(1ª edição em 20 de Outubro de 2010)



publicado por paulo prudêncio às 10:33 | link do post | comentar | partilhar

Quinta-feira, 14.04.11

 

 

 

Tal como Albertine se deixou aprisionar pelo ciúme doentio de Marcel no penúltimo volume da monumental obra de Proust, também algumas esquerdas estão condicionadas pela provável vitória da direita e nem sabem como lidar com as críticas que devem ser feitas ao chefe do governo de gestão.

 

Pela minha parte é simples: como professor e cidadão desejo a derrota eleitoral seguida duma viagem para o caloroso centro da terra ao ainda chefe do PS; considero que a crise que vivemos tem uma forte componente internacional; reafirmo que existiu um desvario corrupto interno que temos de reprovar e combater e que vai das PPP´s ao financiamento partidário passando pelas benesses ilimitadas "oferecidas" a um vasto conjunto de ingénuos e de distraídos.

 

Dito isto, importa sublinhar que a democracia deve funcionar e sem os detestáveis maniqueísmos. Apontar o dedo às agências de raiting não é defender o governo de gestão e podia ficar aqui horas a debitar exemplos.

 

Há, todavia, um dado seguro: até no aprisionamento da esquerda e num qualquer triunfo da direita mais gananciosa podemos responsabilizar o PS e o seu aclamado chefe. Quem não se lembra da gabarolice socialista com os elogios de Sarkozy, em 2007 salvo erro, a propósito das políticas educativas e das mudanças na segurança social? O chefe francês achou-se à esquerda de J. Sócrates e o pessoal dos comícios rejubilou. Agora aguentem-no até ao fim e também para lá disso. O país é que não merecia tamanho vexame.



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Domingo, 12.12.10

 

 

 

 

 

 

Admiro o pensador (poeta, jornalista e tradutor) brasileiro Mário Quintana. Não propriamente pela sua poesia ou actividade como jornalista, que não conheço, mas por ter traduzido o genial Marcel Proust, "Em busca do tempo perdido", edição de "Livros do Brasil". Foi aí que fiz a primeira leitura completa da obra.

 

Encontrei um poema de Mário Quintana, que ao contrário da extraordinária prosa de Proust, que contém frases longuíssimas, resume numa única frase muito do que me vai na alma em relação à difícil luta dos professores.

 

 

Vidinha.

 

"O mais triste de um passarinho engaiolado

é que ele se sente bem".

(1ª edição em 22 de Março de 2009)



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Domingo, 31.10.10

 

 

 

 

Li algures (fui à procura do sítio e não o encontrei) esta frase (mais ou menos, claro) de Gonçalo M. Tavares: "há pessoas que são doidas porque leram os meus livros todos". Faço parte desse grupo. Escaparam-me as peças de teatro, salvo erro.

 

Uma viagem à Índia promete. A exemplo de Jerusalém, e de partes dos livros do bairro, dá ideia que estamos na presença de mais uma grande livro. O retorno à memória faz-se partindo de Lisboa - como em Os Lusíadas -, na busca das portas da Índia e na companhia de Bloom; o mesmo, o Leopold, do Ulisses de Joyce (só depois da terceira leitura me senti confortável e porque entre a segunda e a terceira li o Retrato do artista enquanto jovem). Também o Em busca de tempo perdido de Proust inicia a monumentalidade com o regresso ao sabor infantil das madalenas.

 

Talvez por isso, Eduardo Lourenço escreva: "Uma Viagem à Índia, com consciência aguda da sua ficcionalidade, navega e vive entre os ecos de mil textos-objectos do nosso imaginário de leitores. Como todos os grandes livros, e este é um deles".

 

Gostei muito de ler: este livro é dedicado a Eduardo Prado Coelho.



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Terça-feira, 14.09.10

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Um dos textos mais interessantes que li sobre a História foi este e se o republicasse resolvia logo o problema.

 

Mas decidi aventurar-me num tema que me é raro neste registo. São pensamentos que me têm acompanhado. Não direi que são uma descoberta, mas são evidências que confirmam suposições antigas.

 

Conto-o em pouca palavras.

 

Encontro pessoas que me falam de factos antigos que conheci bem. E nesse interessante exercício de incursão na memória, acontece-me tropeçar amiúde com deturpações por parte de que quem mos relata com uma aura de certeza; contesto pouco, principalmente quando sinto que seria uma desilusão para os prazeres alheios. Tenho ideia que isso só é possível por estar a viver há vinte anos consecutivos na mesma cidade e por já não ser uma criança.

 

Mas mais: verifico nalguns casos uma intenção interesseira, digamos assim, e noutros o fenómeno de adulteração da verdade deve ter origem na socialização do facto; o conhecido revisionismo histórico não tem apenas um carácter voluntário. E por tudo isto interrogo-me: escrever a História é apenas uma missão difícil ou é mesmo impossível?

 

 

"(...) Sentimos num mundo e pensamos e qualificamos noutro;

podemos estabelecer uma concordância entre os dois,

mas não preencher o intervalo. (...)"


 

 

Marcel Proust,

"Em busca do tempo perdido",

tradução de Pedro Tamen,

volume 3, página 50.

 

(1ª edição em 9 de Setembro de 2009)



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Inauguração do blogue
25 de Abril de 2004
Autor:
Paulo Guilherme Trilho Prudêncio
Discordâncias:
Mais até por uma questão estética, este blogue discorda ortograficamente
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