Em busca do pensamento livre.

Segunda-feira, 23.04.18

 

 

 

O modelo escolar finlandês reentrou na agenda por causa da generalização da flexibilização curricular. É importante comparar, mas é fundamental que cada sistema tenha o seu caminho. A Finlândia tem um século de independência e "mandatou" os professores, nomeadamente os do primeiro ciclo, para a construção da identidade nacional. Ou seja, confiam, mas confiam mesmo, nos professores e desconhecem a lógica do "cliente escolar". Não há avaliação do desempenho, a carreira é aliciante, não existe serviço de inspecção e só existem exames nacionais no 12º ano. A Finlândia começou a ser muito mediatizada por causa dos resultados internacionais e com um ensino clássico centrado no professor. Só em 2012 é que começaram a estudar a flexibilização curricular e apenas em 2016 deram os primeiros passos. E porquê institucionalizar a transversalidade? Por causa dos futuros profissionais e do pouco entusiasmo dos alunos com as aulas (até nas raparigas que têm melhores resultados em todas as literacias). O processo tem seis anos, não muda com a queda de um Governo (Crato&Rodrigues seriam impossíveis) e registava em 2016 o pessimismo de 34% dos professores; 21% registavam benefícios. A opinião dos professores conta. Toda esta sensatez num sistema com escolas com uma dimensão civilizada, desburocratizada e autónoma e que percebeu que o imobilismo será uma irresponsabilidade perante a quarta revolução industrial em curso acelerado. Mesmo que o exercício de professor não conste explicitamente das tabelas (Klaus Schwab (2017:39), "A Quarta Revolução Industrial") das profissões mais ou menos propensas à automatização, existem alunos com futuros profissionais.

 

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Sábado, 21.04.18

 

 

 

Concursos de Educadores de Infância e de Professores dos Ensinos Básico e Secundário: ano escolar de 2018/2019

 



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Quinta-feira, 19.04.18

 

 

 

É justo.

Pode assinar aqui.



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Quarta-feira, 18.04.18

 

 

 

O universo hiperburocrático escolar está inundado de siglas que sintetizam o fatal cruzamento dos excessos e inutilidades das ciências da educação com os atavismos das ciências da administração. É uma bactéria. O Governo eliminou a sigla NEE´s (Necessidades Educativas Especiais), porque é exclusiva, substituindo-a pela CJNMMASAI (Crianças e Jovens com Necessidade de Mobilização de Medidas Adicionais de Suporte à Aprendizagem e à Inclusão). Cresce a apreensão dos professores com sala de aula. É que, e em regra acentuada pela história recente, o cruzamento referido é useiro na complicação por siglas e a leitura dos documentos afirma-o.



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Segunda-feira, 16.04.18

 

 

 

Percebeu-se, pouco depois da mudança de milénio, que o arco governativo consertaria a precarização dos professores. Se o peso dos salários do Estado atinge valores de há 29 anos (11% do PIB - como em 1989 - de acordo "com as séries publicadas pela Comissão Europeia) a degradação da carreira associada às progressões remuneratórias recuará para níveis anteriores (de 160 mil professores em 2006 sobram menos de 100 mil e com uma descida da média salarial em velocidade de cruzeiro). Os professores, por serem muitos e por outras coisas mais, pagaram, como ninguém na administração pública, o desvario bancário (mas por que é que não se divulga a identidade dos grandes devedores?). Suportaram a ferocidade de Sócrates, a ideologia além da troika de Passos e olham perplexos para a confessada obsessão do Governo com o défice. Ou seja, precarizam, é factual, com a totalidade do parlamento.

 

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Sábado, 14.04.18

 

 

 

A estrutura curricular nos países menos desenvolvidos tem uma fractura comum: predominam as disciplinas nucleares e atribui-se um papel residual aos saberes do domínio das humanidades e das artes onde se pode incluir a educação física. Objectivamente, a ruptura verifica-se na carga horária. Disciplinas como a língua materna ou a matemática atingem, desde cedo, o dobro ou o triplo das horas semanais das restantes. Estas decisões carecem de fundamentação empírica e há quem advogue que acentua a desigualdade de oportunidades.

As últimas décadas em Portugal pareciam contrariar esse atraso civilizacional e os indicadores confirmavam os progressos. Com a chegada de Sócrates e Rodrigues, agudizada com a tragédia de Passos e Crato, a ideia de escola completa, que estrutura as sociedades para uma forte e maioritária classe média, ficou comprometida. A actual solução governativa optou (?) pelo quase imobilismo.

É também por isso que a média da educação física no sacrossanto acesso ao superior faz correr tanta tinta.

 



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Quarta-feira, 11.04.18

 

 

 

Como o burnout é a doença mais comum nos professores (já fiz umas dezenas de posts sobre o assunto), leio as notícias sobre o tema. Desta vez, fui parar ao futebol. Já se conhecia a estratosfera em que vive a indústria que capturou todos os poderes, mas agora sabe-se que os protagonistas também sofrem de burnout. É um lado algo humorado (como é uma doença grave, não merecerá grandes brincadeiras) de um jogo que transportou a irracionalidade para níveis impensados.

Mas leia o que encontrei sobre o burnout.

"Tristeza, irritabilidade, perda de controlo emocional, alterações comportamentais, dificuldades de concentração ou manifestação de sintomas psicossomáticos (como falta de ar, coração acelerado, entre outros)(...)A síndrome está associada ao stresse profissional prolongado ou crónico e é reconhecida pela Organização Mundial da Saúde (OMS) como uma doença ocupacional.

Descrita pela primeira vez pelo psicoterapeuta norte-americano Herbert Freudenberger, em 1974, segundo o psiquiatra Pedro Afonso, “poderá ser definida como uma reação emocional crónica caracterizada pela desmotivação, desinteresse, e um mal-estar geral na relação com o trabalho”.

Os diferentes sintomas vão-se manifestando de forma gradual “e muitas vezes impercetível”, acrescenta o médico, que na sua página online explica que este cansaço emocional progride “para sentimentos de inadequação e fracasso com quebra do rendimento laboral, conduzindo a um absentismo e negligência”. Um estado de “exaustão”, que acaba por contaminar a vida pessoal, atingindo o relacionamento do indivíduo com a família e com os amigos. Nomeadamente, acrescenta Pedro Afonso, porque “a falta de concentração, a irritabilidade e a baixa tolerância à frustração tornam-se frequentes, acabando por provocar conflitos nas relações interpessoais”.

Do quadro evolutivo da doença constam ainda o aparecimento de perturbações depressivas e de ansiedade, associadas ou não a outros sintomas, podendo “em situações limites” levar ao suicídio.

Observado com frequência em grupos profissionais como médicos, enfermeiros e professores, o burnout pode ocorrer em qualquer atividade profissional, mas está muito ligado a desempenhos vocacionados “para o apoio permanente e direto na resolução de problemas das pessoas”, diz o psiquiatra.

Entre os fatores de risco associados ao desenvolvimento desta síndrome, Pedro Afonso salienta, “do ponto de vista pessoal, os indivíduos [...] com um idealismo exaltado, altruístas ou com traços obsessivos, que investem e se dedicam demasiadamente no seu trabalho como único meio de gratificação narcísica (ser amado, ser reconhecido)”. Por outro lado, aponta outros fatores, como “a existência de trabalho excessivo, monótono ou pouco gratificante”, “a falta de resultados imediatos”, “a presença de conflitos com as chefias, e a interferência significativa do trabalho na vida familiar”.

O psiquiatra também explica como evitar o burnout. Ajuda melhorar o ambiente de trabalho - em aspetos como o conforto ou a flexibilização de horários - assim como “estimular a divisão de responsabilidades e o planeamento do trabalho por objetivos”. “Estabelecer limites” é muito importante, sublinha."

 

Actialização às 15h25:

 

"João Santos Carvalho, psicólogo clínico, explicou do que se trata. «É uma situação clínica que tem a ver com excesso de trabalho, tem a ver com uma fase complicada na profissão. É uma entidade clínica usada para identificar pessoas que ao longo da sua vida viveram momentos de grande tensão e stress, mas sempre ligado à vida profissional. O burnout só se relaciona com a atividade profissional, é um esgotamento», explica o clínico, que revela, também, o tratamento: «É o descanso, o afastamento. Em casos de pessoas com idade mais avançada pode encaminhar-se para a reforma, o que não é o caso. Quanto à medicação, depende dos sintomas»."



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Segunda-feira, 09.04.18

 

 

 

"Podemos chegar a um futuro em que uma parte da força de trabalho desenvolverá diferentes tarefas para assegurar o seu rendimento - pode-se ser um motorista da Uber, um shopper do Instacart, um anfitrião do Airbnb e um Taskrabbit", Klaus Schwab (2017:46), "A Quarta Revolução Industrial". 

Ou seja, é pertinente a interrogação (bem fundamentada) que coloca os professores contratados neste nível de precariedade. Aliás, o facto da profissão de professor não aparecer nos quadros de probabilidades das profissões mais ou menos propensas à automatização só suprime ainda mais qualquer certeza sobre o futuro.

Mais à frente, o autor diz que

"(...)as vantagens para as empresas e, em particular, para as startups em rápido crescimento na economia global são claras. À medida que as plataformas de nuvem humana classificam os trabalhadores como independentes, ficam livres(...)dos aborrecimentos e regulamentos de empregos.(...)Para as pessoas que estão na nuvem,(...)será este o início de uma nova e flexível revolução do trabalho que capacitará qualquer indivíduo que tenha ligação à internet e que eliminará a falta de competências? Ou poderá desencadear o início de uma corrida inexorável para o fundo num mundo de exploração do trabalho virtual não regulamentado? Se o resultado for o último(...)será que isto poderá conduzir a uma poderosa fonte de instabilidade social e política?(...)"



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Quinta-feira, 05.04.18

 

 

 

 

 



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Quinta-feira, 29.03.18

 

 

 

Conheço um epicentro da municipalização escolar (Óbidos) e conheço bem uma das centralidades do grave fenómeno dos "privados" escolares (Caldas da Rainha). Digamos que 2009 foi um ano marcante: não só porque confirmou as piores expectativas desenhadas em 2004 ("privados" escolares), como lançou as bases para muito do que se seguiu (modelo de gestão das escolas). Ou seja, a conjugação dos dois fenómenos explica boa parte do receio com a municipalização (e os ambientes locais referidos confirmaram a fragilidade de acolher as piores práticas). 



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Terça-feira, 27.03.18

 

 

 

Com tanta precariedade e baixos salários, o que resta aos jovens entre os 20 e os 34 anos de idade? No caso do sistema escolar, será muito difícil renovar mais de 45 mil professores num espaço de dois ou três anos que se aproxima a toda a velocidade. É que para além do grave prolongamento da idade para a aposentação que originará a dificuldade da renovação referida, a atractividade da carreira de professor bateu no fundo.

 

"Portugal foi o país da União Europeia (UE) onde mais jovens no desemprego se mostraram disponíveis para sair do seu local de residência com o objectivo de conseguir um emprego em 2016, indicou esta terça-feira o Eurostat. Segundo o gabinete de estatísticas da União Europeia, apenas 29% dos jovens portugueses desempregados, com idades compreendidas entre os 20 e os 34 anos, não admitiam procurar emprego fora do seu local de residência, um número abaixo da média comunitária (50%).(...)"



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Domingo, 25.03.18

 

 

 

Cerca de quatro anos depois das buscas da polícia judiciária, e em consequência de reportagens televisivas e da acção de uns quantos cidadãos, o MP fez as acusações que pode ler a seguir. Encontra vários posts sobre o assunto aquiaqui, aqui e aqui. É já uma longa história, em que os actores locais - como é o caso num epicentro, as Caldas da Rainha - testemunharam e memorizaram (factos e consequências) o calibre dos comportamentos em questão. Repitamos assim: que a justiça faça o seu caminho.

"O ex-secretário de Estado Adjunto e da Administração Educativa José Manuel Canavarro e um antigo diretor regional de educação estão acusados de corrupção no caso dos colégios do grupo GPS, segundo a acusação a que a Lusa teve acesso..(...)O Ministério Público (MP) acusou também cinco administradores do grupo GPS.(...)"



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Sexta-feira, 23.03.18

 

 

 

Por muito que se apresentem estudos e mais estudos, e exemplos e mais exemplos, Portugal foi capturado pelo algoritmo da dívida, pela sociedade ausente e pelos "teóricos da selva". 

 

"(...)a Finlândia é apresentada como um modelo a seguir em matéria de ensino. Em entrevista à RTP, a ministra finlandesa da Educação aponta os professores como chave do sucesso finlandês e defende a aposta na formação de docentes. Sanni Grahn-Laasonen louva a autonomia escolar e insiste que a motivação dos alunos está relacionada com o sucesso escolar. Assume por isso o objetivo de tornar a escola "mais divertida" e sublinha que aprender passa também por deixar as crianças brincar e fazerem parte de um grupo.(...)O sucesso da educação finlandesa está associado a um sistema de ensino inteiramente gratuito, onde a escolaridade obrigatória só começa aos sete anos e as crianças passam menos tempo na escola do que em Portugal. Os trabalhos de casa são quase inexistentes e não há exames nacionais. Os professores têm autonomia para definir os recursos utilizados e não são avaliados.(...)"



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Quinta-feira, 22.03.18

 

 

 

 

Na sequência doutros estudos com conclusões semelhantes (e muito preocupantes), "a Universidade do Minho concluiu que os alunos com melhor desempenho escolar estudam 15 horas semanais para além das aulas, não valorizam outras actividades e revelam pouca criatividade. 40% têm explicações no secundário"Não é, portanto, de estranhar que, com base num grande estudo da OMSaúde, se conclua que "a falta de autonomia dos nossos adolescentes é assustadora"; e sabe-se que tudo começa cedo.

Com toda a prudência em relação às causas, é factual que os últimos anos acentuaram uma sociedade - excessivamente competitiva - que depositou na escola as tarefas educativas. Para além disso, os alunos perderam os espaços não supervisionados. O "espaço livre para brincar" desapareceu. A sociedade ausente até capturou a organização escolar com detalhes elucidativos: pavor com o tempo livre no "furo" escolar, redução de intervalos e supressão de espaços não vigiados. Interroguemos assim: ainda há quem se surpreenda com estas notícias?

 

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Subscrevo



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Sábado, 17.03.18

 

 

 

Gosto de Bolonha e dos quilómetros de arcadas em ambiente civilizado. É a única cidade que conheço onde, com um cartão recarregável (e já em 2005), se podia utilizar automóveis públicos a exemplo do sistema já usual das bicicletas. A gastronomia é muito boa. As Piadinas recomendam-se. Os melões são únicos e os gelados uma perdição. E podia escrever mais sobre uma urbe onde se sobe às torres para fotografar os telhados que fizeram com que a cidade fosse denominada de vermelha. 

É imerecida a ligação depreciativa que associa o nome de Bolonha aos diplomas do ensino superior. No caso português chega a ser exasperante. As novas gerações não têm que carregar um estigma. Esta solução foi projectada por razões financeiros. Antes da mudança, importava clarificar o processo de equivalências e a sua relação com a duração dos ciclos. Desse modo, impedir-se-ia o ruído. Nestes dias, leio coisas humoradas dos diplomados com requisitos de frequência anteriores a Bolonha (em que se interroga se bacharelato, licenciatura, mestrado - até onde me integro - e doutoramento passam ao grau seguinte). Não podia ser. O que me parece justa, e vem muito atrasada, é a equiparação, para efeitos de concurso nos diversos países do mundo, ao grau de mestre dos licenciados antes de Bolonha. A não equiparação resultava numa insuportável (injusta e evitável) exclusão.

 

Já usei esta argumentação noutras alturas.

 

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Sexta-feira, 16.03.18

 

 

 

Por vezes, é necessário um caso dramático para que as consciências acordem. Recordo-me muitas vezes do caso France Telecom: só ao 35º suicídio é que se decretou o fim do modelo kafkiano de avaliação do desempenho. 

Com as devidas distâncias, há sinais preocupantes no sistema escolar português e não apenas na avaliação dos professores ou doutros profissionais. Dá ideia que apenas um caso extremo parará os "teóricos da selva". O drama não é apenas para quem teme "não chegar ao topo", é também para quem se aterroriza com a ideia de "sair de lá".



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Quinta-feira, 15.03.18

 

 

 

Já sabemos que "os nossos jovens são os campeões da ansiedade na OCDE e que estão no topo europeu em algumas adições". O modelo de acesso ao ensino superior contribui para este caso de saúde pública e contamina os ciclos escolares até ao primeiro. Ponhamos nomes às coisas: o ensino superior "resgatou" o ensino secundário. O superior demite-se da selecção de alunos e o modelo de acesso tornou o secundário numa passagem. O secundário é um ciclo sem vida própria. É uma espécie de lugar cinzento. É um estágio muito pressionante para uma dezena de horas de exame e ponto final. E mais de 50% dos estudantes que terminam o 9º ano nem a isso aspiram.



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Segunda-feira, 12.03.18

 

 

 

"Aulas no século XXI são um escândalo. Com aulas ninguém aprende.", diz o professor José Pacheco ligado ao projecto "Escola da Ponte".

Esta antiga discussão (o fim anunciado da secular escola-indústria) emerge quando mudam governos e se lançam "novas" reformas. Foi assim, por exemplo, "na segunda metade do século XX" com Freinet, Montessori e Summerhill e mais recentemente com as plataformas de comunicação como o Moodle. No último caso, e o que pode ser uma solução prometedora com adultos ou jovens adultos, torna-se um processo descontrolado se generalizado com crianças e mais ainda em turmas numerosas. E depois há os extremos. Os entusiastas dos modismos que se apressam a classificar de acomodados os tradicionalistas da escola-indústria ou os radicais da tradição que se acham no fim da história por "irrefutabilidade" do modelo vigente.

Há alternativas. Exigem estudo e obrigam a testar (sim: testar; experimentar por amostra).

Exemplos? Se terminamos com campainhas, não o fazemos de supetão. Começamos pelo início das aulas mantendo os toques que indicam o fim dos intervalos maiores, de seguida vamos às extremidades horárias e por ai fora. Se compete ao professor decidir pelo momento de intervalar aulas de 90 minutos, escolhemos primeiro algumas disciplinas de anos iniciais de ciclo e vamos generalizando com a preocupação de manter o silêncio nos corredores. Se introduzimos telemóveis nas aulas, ou sofás como é moda nesta altura, usamos uma progressão disciplinar. Se queremos eliminar manuais e trabalhos de casa, introduzimos progressivamente versões digitais e asseguramos apoio ao estudo bem criterizado. Se acabamos com "aulas de substituição", responsabilizamos os alunos pelas escolhas "escolares" alternativas. Se precisamos de provas para avaliação externa, escolhemos os anos, mantemos o modelo durante anos e contrariamos as tentações internas de criar provas globais por disciplina e ano de forma a não condicionarmos a liberdade de aprender e ensinar e de procurar soluções que busquem a asserção fundamental: há poetas vivos.

2ª edição.



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Domingo, 11.03.18

 

 

 

Um vídeo de 7 minutos com uma interessante entrevista a "Tony Wagner, diretor do Laboratório de Inovação da Universidade de Harvard".

 

Entretanto, partilhei o vídeo no facebook com a seguinte introdução: 

É um vídeo (7 minutos) com uma interessante entrevista a Tony Wagner, diretor do Laboratório de Inovação da Universidade de Harvard. "É necessário mudar o modelo educacional atual para que todos os jovens enfrentem com garantias o futuro e repensar o papel da escola. O conhecimento está em todo o lado e acessível a todos." Os EUA enfrentam com preocupação a relação do futuro com a inclusão.
Peguemos no exemplo português. Os alunos que "querem aprender" nunca foram o problema. Quem beneficia da ambição escolar da família, e ainda de um bom estatuto sócio-económico, aprende em qualquer sistema. Nas últimas décadas, e como se comprova nos vários domínios profissionais ou académicos, os portugueses que "querem aprender", e que percorreram o sistema português, integraram o denominado primeiro mundo no sentido mais moderno e lato que se considere.
O que é difícil é elevar os que "não querem aprender". Esse é o eterno problema português (e, quiçá, norte-americano). Atenua-se quando diminui a pobreza.
E as escolas podem fazer algum coisa? Podem.
Fazem, desde logo, se forem inclusivas (cabem todos) para alunos, professores e restantes profissionais: só se inclui em ambiente de inclusão, e confiança, e não de exclusão. Fazem, e também desde logo, se não nivelarem os procedimentos pelos encarregados de educação dos que "não querem aprender" ou pelos "clientes" insensatos dos que "querem aprender"; e muito menos por "treinadores de bancada". O interesse dos alunos todos exige a supremacia dos princípios docimológicos e a aprendizagem de conhecimentos e atitudes, onde se inclui a autonomia e a responsabilidade. É um processo com inúmeras variáveis. Exige algum tempo, requer uma atmosfera de confiança e é difícil. Mas como alguém disse, o belo não é fácil mas é o ponto de partida para qualquer futuro.

 

 



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