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Correntes

em busca do pensamento livre

Correntes

em busca do pensamento livre

A Difícil Condição

18.12.18
   Para além da erosão do centro político que se vai verificando pelo mundo ocidental, e da impressionante riqueza material de líderes carismáticos da esquerda (Obama e Marie Ségolène Royal, por exemplo), Portugal enfrentará os seus problemas: a semi-periferia, as consequências da falência financeira e a condição de protectorado (ainda recentemente, o parlamento alemão "confirmou" as condições da finalização do empréstimo ao FMI). Aliás, as diferenças de tratamento (...)

A burocracia mais de uma década depois

18.12.18
    José Gil (2005:44) escreveu assim: “(...)Em contrapartida, somos um país de burocratas em que o juridismo impera, em certas zonas da administração, de maneira obsessiva. Como se, para compensar a não-acção, se devesse registar a mínima palavra ou discurso em actas, relatórios, notas, pareceres – ao mesmo tempo que não se toma, em teoria, a mais ínfima decisão, sem a remeter para a alínea x do artigo y do decreto-lei nº tal do dia tal de tal mês do ano tal.(...)”

Democracia e Limites

17.12.18
   Os totalitarismos estabelecem-se através de leis. Desde logo, com as que são impossíveis de cumprir. A velocidade legislativa também ajuda ao confundir nos destinatários uma categoria fundamental: a vigência. Faz tempo que o direito abandonou a visão positivista do primado absoluto da lei para integrar uma concepção mais moderna que se pode designar por um "ir e vir constante entre a norma e o caso". Nesse sentido, as fontes que socorrem a capacidade de decisão dos (...)

Da memória e da falta de professores

15.12.18
    Já lá estamos. Se ler o que se segue, identificará o sítio onde nos apressamos a chegar.   Em 27 de Fevereiro de 2018 escrevi assim:   A OCDE concluiu que há professores na Europa a precisar de tutorias e há quem pense de imediato em Portugal(...). Discordo. Há países onde já não há professores, tal os tratos a que o grupo (...)

Dois anos depois

14.12.18
      Na revista do Expresso (p:42:13:11:2016), Joseph Stiglitz disse, antes da vitória de Trump e pensando nos dois lados do Atlântico, que não gosta do termo "populismo", embora se preocupe com a erosão do centro político. "O "populismo" mistura coisas muitos diferentes. Podemos chamar de populista um candidato que diz preocupar-se com os 90% de pessoas que um dado governo deixou para trás? Isso não é merecedor de crítica. O populismo até pode ser um remédio contra o (...)

Dos salários e da actualidade

11.12.18
   Importa recordar que a queda dos salários deve ser acompanhada da queda dos lucros e das rendas; e com muito cuidado com a perigosa deflação. Já Adam Smith via essa queda como uma decisão circunscrita às leis e à política. Se analisasse o que se passou em Portugal, seria tão taxativo como Joseph Stiglitz: houve uma transferência inédita de recursos financeiros das classes média e baixa para a banca desregulada e foi esse radicalismo que provocou o empobrecimento.Por (...)

A fila dos professores é outra

09.12.18
  Os professores são sensatos. Nunca exigiram retroactivos (mais de 8 mil milhões de euros) e até a recuperação do tempo de serviço (600 milhões nas contas inflacionadas) admitiu um faseamento. Os professores, e não só, não exigem retroactivos, mas fartam-se de pagar retroactivamente. Explico-me.O crescimento económico não é a "maré enchente que subirá todos os barcos" porque a riqueza acumulada numa minoria não é taxada, nem redistribuída, e acentua as desigualdades. (...)

São os impostos, estúpido!

05.12.18
    A acumulação de riqueza numa minoria associada à impossibilidade de taxação do capital, impede a redistribuição dos ganhos económicos e a atenuação das desigualdades. Se conjugarmos o que foi dito com o sistemático "varrer para debaixo do tapete" das pequenas e grandes corrupções, temos a explicação para a perigosa crise (ia a escrever decadência) das democracias ocidentais.