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Correntes

da pedagogia e em busca do pensamento livre

Correntes

da pedagogia e em busca do pensamento livre

E a luz dos astros?

21.10.25, Paulo Prudêncio
  As sociedades polarizaram-se e as redes sociais ampliaram os fanatismos e os excessos de pertença: somos os melhores, somos os primeiros, os nossos primeiro e por aí fora. Classifica-se pessoas que nem se conhece e o que é preciso é ter trincheira. Desconvocou-se o mais elementar respeito pelo outro e pela sua liberdade. O ódio é o ruído de fundo crescente, tão ubíquo como outrora o silêncio. É um vórtice diário e barulhento. Transformou o espaço público num ringue à (...)

Gaza, dois anos depois

07.10.25, Paulo Prudêncio
  nesse Horto em chamas, onde bombas ceifam vidas, não há fogo no coração dos homens, que não se cansam de chamar a guerra.   (já usei este meu poema para outras guerras) Nota: há dois anos, o Hamas lançou o seu maior ataque contra Israel e matou cerca de 1200 pessoas e fez mais de 250 reféns. A resposta de Israel tem sido arrasadora. É eterno e sangrento o conflito entre os extremados israelitas e os extremados palestinianos. Não só persiste, como tem momentos de (...)

Composição escrita num exemplar da gesta de beowulf (5)

09.05.24, Paulo Prudêncio
  Pergunto a mim próprio que razões Me movem a estudar sem uma esperança De precisão, enquanto a noite avança, A língua desses ásperos saxões, Já gasta pelos anos a memória Deixa cair a em vão repetida Palavra e é assim que a minha vida Tece e destece sua exausta história Será (disse-me então) que de algum modo Secreto e suficiente a alma sabe Que é imortal e que o seu vasto e grave Círculo abarca tudo e pode tudo. Pra lém deste cuidado e deste verso Espera-me (...)

Gostaria de ir subindo (reedição porque temos mais um programa de Governo que anuncia outra explosão dos professores)

10.04.24, Paulo Prudêncio
 Gostaria de ir subindo num vidoeiro, Subindo em galhos pretos ao longo de um tronco branco como a neve Em direcção ao céu, até que a árvore não aguentasse mais, E se vergasse toda e me recolocasse no chão, As duas coisas seriam boas, tanto ir como voltar.  Robert Lee Frost (São Francisco, Califórnia, 26 de Março de 1874 — Boston,29 de Janeiro de 1963)  "Vidoeiros", tradução de Maria Murray, R. J. Lidador, 1969, p. 42. (reedição motivada pelo costume: um novo (...)

O Xadrez de Borges (repetindo os intemporais)

21.03.24, Paulo Prudêncio
"Xadrez   No seu grave recanto, os jogadores Deslocam os peões. O tabuleiro Tem-nos até à alva do altaneiro Âmbito em que se odeiam duas cores.   Dentro irradiam mágicos rigores As formas: torre homérica, ligeiro Cavalo, alta rainha, rei postreiro, Oblíquo bispo e peões agressores.   Quando os jogadores se houveram ido, Quando o tempo os tiver já consumido, Nem por isso terá cessado o rito.   A leste se ateou uma tal guerra Que hoje se propaga a toda a terra. Como o outro, (...)

Composição escrita num exemplar da gesta de beowulf (4)

22.10.23, Paulo Prudêncio
Pergunto a mim próprio que razões Me movem a estudar sem uma esperança De precisão, enquanto a noite avança, A língua desses ásperos saxões, Já gasta pelos anos a memória Deixa cair a em vão repetida Palavra e é assim que a minha vida Tece e destece sua exausta história Será (disse-me então) que de algum modo Secreto e suficiente a alma sabe Que é imortal e que o seu vasto e grave Círculo abarca tudo e pode tudo. Pra lém deste cuidado e deste verso Espera-me inesgotável (...)

E a luz dos astros?

19.10.23, Paulo Prudêncio
As sociedades polarizaram-se e ampliaram os fanatismos e as necessidades de pertença: somos os melhores, somos os primeiros, os nossos primeiro e por aí fora. Há um número inédito - de pessoas e de factos - de fantásticos, de excelentes e de históricos. A pressa pela notoriedade é instantânea e excessiva. Desconvoca a humildade. Passada a euforia, instala-se a frustração que gera mais polarização. Eleve-se o vagar. Aliás, a observação, e a passagem do tempo, recomenda (...)

Sempre Os Vidoeiros

13.09.23, Paulo Prudêncio
Gostaria de ir subindo num vidoeiro, Subindo em galhos pretos ao longo de um tronco branco como a neve Em direcção ao céu, até que a árvore não aguentasse mais, E se vergasse toda e me recolocasse no chão, As duas coisas seriam boas, tanto ir como voltar.  Robert Lee Frost (São Francisco, Califórnia, 26 de Março de 1874 — Boston, 29 de Janeiro de 1963)  "Vidoeiros", tradução de Maria Murray, R. J. Lidador, 1969, p. 42. (reedição)

Composição escrita num exemplar da gesta de beowulf (2)

03.06.23, Paulo Prudêncio
Pergunto a mim próprio que razões Me movem a estudar sem uma esperança De precisão, enquanto a noite avança, A língua desses ásperos saxões, Já gasta pelos anos a memória Deixa cair a em vão repetida Palavra e é assim que a minha vida Tece e destece sua exausta história Será (disse-me então) que de algum modo Secreto e suficiente a alma sabe Que é imortal e que o seu vasto e grave Círculo abarca tudo e pode tudo. Pra lém deste cuidado e deste verso Espera-me inesgotável (...)

Chove. É dia de Natal.

25.12.22, Paulo Prudêncio
Chove. É dia de Natal. Chove. É dia de Natal. Lá para o Norte é melhor: Há a neve que faz mal, E o frio que ainda é pior. E toda a gente é contente Porque é dia de o ficar. Chove no Natal presente. Antes isso que nevar. Pois apesar de ser esse O Natal da convenção, Quando o corpo me arrefece Tenho o frio e Natal não. Deixo sentir a quem quadra E o Natal a quem o fez, Pois se escrevo ainda outra quadra Fico gelado dos pés. Fernando Pessoa, in 'Cancioneiro'

Composição escrita num exemplar da gesta de beowulf (3)

24.10.22, Paulo Prudêncio
Pergunto a mim próprio que razões Me movem a estudar sem uma esperança De precisão, enquanto a noite avança, A língua desses ásperos saxões, Já gasta pelos anos a memória Deixa cair a em vão repetida Palavra e é assim que a minha vida Tece e destece sua exausta história Será (disse-me então) que de algum modo Secreto e suficiente a alma sabe Que é imortal e que o seu vasto e grave Círculo abarca tudo e pode tudo. Pra lém deste cuidado e deste verso Espera-me inesgotável (...)

"A Luz dos Astros, Essa, Não Morre"

22.10.22, Paulo Prudêncio
As sociedades polarizaram-se e ampliaram os fanatismos e as necessidades de pertença: somos os melhores, somos os primeiros, os nossos primeiro e por aí fora. Há um número inédito - de pessoas e de factos - de fantásticos, de excelentes e de históricos. A pressa pela notoriedade é instantânea e excessiva. Desconvoca a humildade. Passada a euforia, instala-se a frustração que gera mais polarização. Eleve-se o vagar. Aliás, a observação, e a passagem do tempo, recomenda (...)

Sempre Os Vidoeiros

17.10.22, Paulo Prudêncio
Gostaria de ir subindo num vidoeiro, Subindo em galhos pretos ao longo de um tronco branco como a neve Em direcção ao céu, até que a árvore não aguentasse mais, E se vergasse toda e me recolocasse no chão, As duas coisas seriam boas, tanto ir como voltar.  Robert Lee Frost (São Francisco, Califórnia, 26 de Março de 1874 — Boston, 29 de Janeiro de 1963)  "Vidoeiros", tradução de Maria Murray, R. J. Lidador, 1969, p. 42. (reedição)

Cálamo

04.10.22, Paulo Prudêncio
Parte de uma carta de Walt Whitman ao seu editor inglês William Rosseti, em 1867. "Cálamo é uma palavra corrente. Trata-se da erva ou juncácea aromática de grande porte que cresce nas zonas pantanosas dos vales, cujo caule mede quase um metro de altura;..." Um dos poemas de Cálamo. Separando a erva dos prados. Separando a erva dos prados, aspirando o seu raro aroma, Dela reclamo a espiritualidade, Exijo o mais íntimo e abundante companheirismo entre os homens, Peço que (...)

Rainer Maria Rilke para o Último Dia de Abril

30.04.22, Paulo Prudêncio
A poesia de Rainer Maria Rilke não é fácil. Exige leitura repetida. O resultado é sublime. É um dos meus poetas preferidos. Uma das suas obras maiores, "As elegias de Duíno", confunde-se com a aura do local onde o poeta a iniciou: o castelo de Duíno, que se situa perto da cidade de Trieste sobre o mar Adriático. Deixo-vos uma parte - na tradução de Maria Teresa Dias Furtado - da primeira elegia.   Se eu gritar quem poderá ouvir-me, nas hierarquias dos Anjos? E, (...)

Dos Crimes de Guerra na Ucrânia

03.04.22, Paulo Prudêncio
Que em Irpin os tanques não se rebelassem, que os mísseis não se "arrependessem", é o escândalo do silêncio de Deus, mas também uma falha no humano.   Adaptado de uma passagem de "Queda sem fim" de José B. de Miranda. Escolhi Irpin, mas podia ser Bucha ou Mariupol. Imagem: Ukraine March 28, 2022. REUTERS/Oleksandr Ratushniak. (tem que clicar em continuar a ler para ver a formatação que escolhi para o post)  

O xadrez de Borges não hesitaria e condenaria Putin

25.03.22, Paulo Prudêncio
"Xadrez   No seu grave recanto, os jogadores Deslocam os peões. O tabuleiro Tem-nos até à alva do altaneiro Âmbito em que se odeiam duas cores.   Dentro irradiam mágicos rigores As formas: torre homérica, ligeiro Cavalo, alta rainha, rei postreiro, Oblíquo bispo e peões agressores.   Quando os jogadores se houveram ido, Quando o tempo os tiver já consumido, Nem por isso terá cessado o rito.   A leste se ateou uma tal guerra Que hoje se propaga a toda a terra. Como o outro, (...)

Mariupol Como Guernica

22.03.22, Paulo Prudêncio
nesse Horto em chamas, onde bombas ceifam vidas, não há fogo no coração dos homens, que não se cansam de chamar a guerra. (e deu-me para a poesia) Nota: O bombardeio de Guernicaocorreu a 26 de abril de 1937. Aviões alemães reduziram a cinzas a cidade basca. Trezentas pessoas morreram imediatamente e milhares ficaram feridas. Três quartos dos prédios foram arrasados em (...)