Em busca do pensamento livre.

Segunda-feira, 21.11.16

 

 

 

A história da distribuição da riqueza é política. Não se reduz a mecanismos puramente económicos. Lê-se em dois clássicos: a "Riqueza das Nações" de Adam Smith ou "O capital no século XXI" de Thomas Piketti. Sempre foi questionável a noção de que a economia é uma ciência independente da filosofia moral e política. A foto, e a sua história, remete-nos para a complexidade do problema: há sempre uns quantos que aspiram enriquecer à custa do trabalho dos outros e o difícil, e belo, exercício democrático consiste em contrariar a natureza humana. Michael Sandel, em "O que o dinheiro não pode comprar", coloca a questão actual assim: "Quanto mais os mercados invadem esferas não económicas da vida, mais se vêem enredados em questões morais.(...)Se algumas pessoas gostam de ópera e outras de combates de cães ou lutas na lama, precisamos de facto de nos abster de tecer juízos morais e atribuir peso igual a essas preferências no cálculo utilitarista?(...)Quando os mercados corroem normas não mercantis, o economista (ou qualquer outra pessoa) tem de decidir se isso representa uma perda que deveria preocupar-nos.(...)" Daí à importância das redes públicas de escolas, como um valor inquestionável das democracias, vai um pequeno passo. Será, contudo, insuficiente, se permitirmos que os mercados invadam desde cedo a vida escolar.

 

Lewis Hine foi um fotógrafo, um dos primeiros, comprometido com a denúncia das condições de trabalho. A foto (Cotton Mill Girl) é de 1908 e foi seleccionada pela "Time como uma das 100 fotografias mais influentes da história".

 

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publicado por paulo prudêncio às 09:27 | link do post | comentar | partilhar

Segunda-feira, 14.03.16

 

 

 

 

Por mais que Draghi reme contra a corrente, as imparidades (executável inferior, muito neste caso, ao escriturado), desnudadas em 2007, transformam crescimentos económicos em "pagamento" de dívidas soberanas que requerem reestruturação ou consolidação; no segundo caso creio que só se houver vida em Marte. É um círculo vicioso que o tempo não resolve. A bancocracia absorve as "ofertas" do BCE e nada sobra para a economia.

 

Insistir no retratado na imagem, só acelera várias expressões: "luta de classes", "este capitalismo de saque é uma ofensa ao capitalismo", "a classe dos super-ricos está a fazer a guerra e a ganhá-la", "austeridade ruinosa a favor de uma minoria", "a desigualdade é uma escolha política", "os EUA exportaram o seu modelo de corrupção" e podia ficar a tarde toda a escrever, e a repetir, expressões que não são de radicais de esquerda nem nada que se aproxime. É só pesquisar. 

 

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publicado por paulo prudêncio às 17:25 | link do post | comentar | ver comentários (2) | partilhar

Sexta-feira, 05.02.16

 

 

 

 

A ausência de perspectivas de melhoria da qualidade de vida tem-se revelado fatal para as sociedades democráticas. Ou seja, o elevador social é um oxigénio da democracia. A insistência nas conhecidas, estudadas e históricas causas das desigualdades tem evidências óbvias que devem ser repetidas à exaustão. Como diz o FMI, temos estado a "espalhar" a riqueza para cima e não para baixo (basta estudar os EUA da década de 90 do século XX - a desregulação da economia - para encontrar causas). E o que mais se teme é que os tais 1% demonstrem "que acabam sempre a destruírem-se uns aos outros". Para além disso, provou-se que a ideia de que o "crescimento é uma maré enchente que faz subir todos os barcos" precisa de quem faça do combate às desigualdades um objectivo primeiro.

 

 

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publicado por paulo prudêncio às 15:41 | link do post | comentar | ver comentários (6) | partilhar

Terça-feira, 22.12.15

 

 

 

"Luta de classes", "este capitalismo de saque é uma ofensa ao capitalismo", "a classe dos super-ricos está a fazer a guerra e a ganhá-la", "austeridade ruinosa a favor de uma minoria", "a desigualdade é uma escolha política", "os EUA exportaram o seu modelo de corrupção" e podia ficar aqui a noite toda a escrever expressões-chave deste ultraliberalismo (ou totalitarismo) que capturou os estados e o poder político e que tenta convencer as pessoas que é o fim da história. As expressões que escrevi não são de radicais de esquerda nem nada que se pareça. É só pesquisar. É evidente que as imparidades (executável inferior, muito neste caso, ao escriturado) desnudadas com a crise de 2008 (o auge deste radicalismo e que não tem solução pela mão da bancocracia que o criou) estão a ser pagas pelo aumento das dívidas públicas da forma retratada pela imagem.

 

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publicado por paulo prudêncio às 19:42 | link do post | comentar | partilhar

Domingo, 20.12.15

 

 

 

"As falhas dos programas da troika são assumidas pelo próprio FMI que assume que teria sido melhor fazer uma reestruturação das dívidas públicas demasiado elevadas como a portuguesa", destaca o Público. E podemos recordar outros trios com argumentos na matéria: dois Nobel, Stiglitz e Krugman, e um a caminho, Piketti, adivinharam a tragédia lusitana sustentada por trios de colossos incompreendidos: Medina Carreira, Camilo Lourenço e Gomes Ferreira (César das Neves como suplente) ou PaFistas, Cavaquistas e "Compromisso Portugal". Do último trio espera-se que não reneguem o legado "além da troika e destruição criadora". Tragédias que a história explicará.

 

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publicado por paulo prudêncio às 17:02 | link do post | comentar | partilhar

Quarta-feira, 02.12.15

 

 

 

"A desigualdade é uma escolha política", argumentam StiglitzKrugman e Piketti que assim contrariam economistas métricos e incompreendidos como Passos Coelho, Maria Luís, César das Neves, Camilo Lourenço, Gomes Ferreira, Medina Carreira e Pedro Arroja. É injusto que o mundo conhecido despreze a sapiência destes lusitanos que remetem toda a sua fulminante erudição para um-quarto-de-folha-A4 de economia doméstica (das donas de casa, como derrapam em vocabulário petrificado).

 

Stiglitz, ontem na Gulbenkian, voltou a ser taxativo: "A desigualdade é uma escolha. Uma escolha que não é feita pelos mais pobres mas pelos nossos sistemas políticos”, afirmou, recordando o que foram os passos políticos dados nos Estados Unidos durante os anos 80 do século passado e que conduziram ao agravamento das desigualdades, tanto de riqueza e rendimento como de oportunidades."

 

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publicado por paulo prudêncio às 14:04 | link do post | comentar | partilhar

Sexta-feira, 16.10.15

 

 

 

 

"(...)Em particular, a redução das desigualdades observada nos países desenvolvidos entre os anos 1990-1910 e os anos 1950-1960 é antes de mais o produto das guerras e das políticas públicas levavas a cabo na sequência desses embates. Da mesma forma, a subida das desigualdades desde os conflitos dos anos 1970-1980 deve muito às reviravoltas políticas ocorridas nas últimas décadas, nomeadamente em matéria fiscal e financeira. A história das desigualdades depende das representações dos actores económicos, políticos e sociais sobre o que é justo e o que não o é, das relações de poder entre esses actores, e das escolhas colectivas que daí decorrem; essa história tem a forma que lhes dá o conjunto dos actores envolvidos.(...)" Piketti, Thomas, "O capital no século XXI", (2014:41).



publicado por paulo prudêncio às 09:44 | link do post | comentar | partilhar

Quinta-feira, 15.10.15

 

 

 

Confesso alguma estranheza com esta súbita luta pelo poder em Portugal e não excluo a autenticidade e o optimismo. Da "Riqueza das Nações" de Adam Smith a "O capital no século XXI" de Thomas Piketti, e passando por Marx, Kuznets e alguns outros, que se pode concluir: "a história da distribuição da riqueza é sempre uma história profundamente política e não poderia ser reduzida a mecanismos puramente económicos". Como se desconfia que a Alemanha e a França desesperam por outro tratado orçamental, e que nem por acaso anunciaram há dias uma possível guerra na Europa, podemos supor que Merkel, Hollande, Juncker e o BCE tenham avisado Cavaco Silva que dispensam "bons alunos" e que "syrizaram".



publicado por paulo prudêncio às 18:23 | link do post | comentar | partilhar

Terça-feira, 13.10.15

 

 

 

 

O "excesso" de meritocracia, ou a meritocracia insensata e mergulhada no capitalismo selvagem, elimina a meritocracia como alicerce das sociedades democráticas do nosso tempo. É uma conclusão que vai ganhando força e que não é contraditória. "Desde o momento em que as taxas de rentabilidade do capital ultrapassam de forma duradoura as taxas de crescimento da produção e do rendimento - o que foi o caso até ao século XIX e indiscutivelmente parece voltar a ser a norma no século XXI -, o capitalismo produz de forma mecânica desigualdades insustentáveis, arbitrárias, voltando a pôr radicalmente em causa os valores meritocráticos nos quais se fundam as nossas sociedades democráticas.(...)". Piketti, Thomas, "O capital no século XXI", (2014:16).



publicado por paulo prudêncio às 11:46 | link do post | comentar | partilhar


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Autor:
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