Em busca do pensamento livre.

Terça-feira, 24.07.18

 

 

 

Foi a 17 de Abril de 2018 que Mário Centeno afirmou que "o Orçamento de 2019 depende menos de mim do que imaginam". Como ontem afirmou, a propósito dos professores, que o “o OE é para todos os portugueses”, concluo que aguarda pela comissão técnica, que vai definitivamente apurar os números da recuperação do tempo de serviço, para ter uma influência equitativa no orçamento. Aliás, a justiça é a única questão orçamental: ou seja, a distribuição é sempre para todos a justiça é que nem por isso.

 

Nota: é curial que o desempenho da comissão técnica seja tornado público até ao final de Julho de 2018; como acordado. Espera-se a publicitação dos números e dos instrumentos de gestão utilizados.



publicado por paulo prudêncio às 14:52 | link do post | comentar | ver comentários (2) | partilhar

Sábado, 10.12.16

 

 

 

A obsessão com o aumento da escala é a resposta apressada à supressão do tempo. A humanização como categoria organizacional impor-se-á à escala e será a resposta para contrariar a absolutização do presente. Se isso não acontecer, o caos impor-se-á.

 

É imperativo devolver aos cidadãos o poder democrático em todos os detalhes e, como diz Michael Sandel, repetir muitas perguntas do género:(...)Se algumas pessoas gostam de ópera e outras de combates de cães ou lutas na lama, precisamos de facto de nos abster de tecer juízos morais e atribuir peso igual a essas preferências no cálculo utilitarista?(...). 

 

A globalização instalou-se.

 

Recordo uma boa entrevista (2013?) de Gilles Lipovetsky, o célebre autor da "Era do vazio", a propósito do consumo dos artigos de luxo. A Gucci, empresa com mais audiência no sector e que passou, em cerca de dez anos, de três para cento e trinta lojas, tinha cem milhões de consumidores na China. O autor avisava: quando o consumo dos seus produtos se banalizar, a empresa desaparecerá.

 

Qual é a relação que este pequeno exemplo tem com o que estava a escrever? O efeito do aumento da escala pode levar ao empobrecimento e à desumanização, mesmo que, por ironia, a partir dos artigos de luxo; no sentido mais lato do termo.

 

 

(Já usei parte deste texto noutro post)

 


publicado por paulo prudêncio às 15:47 | link do post | comentar | partilhar

Segunda-feira, 29.08.16

 

 

 

Enuncia-se um suposto rigor na rede escolar e na distribuição do serviço docente, mas a histórica desorganização do Estado, e principalmente a malfadada ocupação dos serviços centrais e locais por "girls & boys", fica todos os anos espelhada no seguinte:

"Respeitar os professores é dar-lhes tempo para fazerem as malas...é um post muito certeiro do Alexandre Henriques do blogue ComRegras.

 

394504_189644917835470_91333175_n.jpg

 



publicado por paulo prudêncio às 09:44 | link do post | comentar | ver comentários (2) | partilhar

Sexta-feira, 29.04.16

 

 

 

Impressiona a febre do despacho na nossa organização escolar. Por mau centralismo ou por tiques de caciquismo nas propaladas ideias de autonomia e desconcentração, o que se evidencia no estado febril crónico é a desconfiança, a irresponsabilidade e, em sentido mais profundo, o facto de estarmos nos primeiros passos da gestão escolar propriamente dita.

 

Há vozes preocupadas com o "regresso" de Lurdes Rodrigues. Encontrei outro sinal desses tempos de muito má memória. Leio a proposta de despacho para a organização do ano lectivo 2016/17 que o Governo enviou aos sindicatos e detecto a "presença" do pesadelo Valter Lemos.

 

Ora leia:

 

19538995_zsFGd.jpeg

19539002_ltZok.jpeg

 



publicado por paulo prudêncio às 09:50 | link do post | comentar | ver comentários (2) | partilhar

Sábado, 10.01.15

 

 

 

 

Os últimos governos da AD alteraram a lei orgânica do MEC. Os do PS iniciaram a megalomania inédita de agrupar escolas a eito e criaram um modelo de gestão escolar que leva para dentro das escolas o pior da política partidária local. Está tudo comprovadíssimo.

 

Mas olhemos para os primeiros: Durão Barroso eliminou 27 centros de área educativa (CAE´s) quando começavam a ter massa crítica, "colocavam professores na hora" (imagine-se se tivessem a facilidade dos meios actuais) e "caiu" na Educação por causa dos concursos de professores. Passos Coelho extinguiu 5 Direcções Regionais de Educação (DRE´s), que deviam ter sido eliminadas em vez dos CAE´s, quando começavam a perceber a sua nova função e "caiu" na Educação por causa dos concursos de professores.

 

Tudo implodido, eis que a mesma área política tem uma epifania de 180 graus e inventa um quadro orgânico que admite 308 agências municipais descentralizadas (sim, 308 porque nós somos uns 400 milhões; essa coisa dos 10 milhões e da quebra de natalidade é só para impressionar o pessoal dos fundos) depois de ter assinado centenas de contratos de autonomia (vulgo, papelada) com estruturas escolares desconcentradas. É confuso, sei disso, mas é mesmo assim. As trapalhadas são ininteligíveis.

 

Se olharmos para os segundos numa altura em que se preparam para voltar a governar, até se torna curioso assistir às ideias sobre desconcentração e descentralização do sistema escolar e à análise crítica das mega-estruturas que inventaram e ao modelo respectivo. É bom sublinhar que os legados socialistas mais nefastos têm a assinatura de duas personagens exemplares no uso do poder: Sócrates & Rodrigues.

 

 

 Já usei estes argumentos noutros posts.

 

 

 



publicado por paulo prudêncio às 17:46 | link do post | comentar | ver comentários (2) | partilhar

Domingo, 20.07.14

 

 

 

 

Há umas semanas, e a propósito da municipalização do sistema escolar, fiz um post, que teve como título "A ideia em curso de municipalização é uma explicação para a bancarrota", que diz assim:

 

 

"Os últimos governos da direita, PSD/CDS, alteraram a lei orgânica do MEC. Durão Barroso eliminou 27 centros de área educativa (CAE´s) quando começavam a ter massa crítica e Passos Coelho extinguiu 5 Direcções Regionais de Educação (DRE´s), que deviam ter sido eliminadas em vez dos CAE´s,quando começavam a perceber a sua nova função. Tudo eliminado, eis que a mesma direita tem uma epifania de 180 graus e inventa um quadro orgânico com 308 agências municipais (sim, 308 porque nós somos uns 400 milhões; essa coisa dos 10 milhões e da quebra de natalidade é só para impressionar a malta dos fundos) depois de ter assinado centenas de contratos de autonomia com estruturas escolares inexistentes no sistema solar: os mega-agrupamentos. Só uma nota e uma conclusão: os governos de direita referidos iniciaram os seus mandatos com a divisão do território entregue ao mesmo incompreendido estratega, como exemplo para a importância que dão ao assunto: Miguel Relvas. A conclusão é óbvia: não estamos na bancarrota apenas por culpa dos outros."

 

 

Na última edição da revista do Expresso, a jornalista Clara Ferreira Alves sublinhou a seguinte passagem na sua "Pluma Caprichosa" com o título, veja-se lá, o "Perigo de voar na TAP": 

 

 

 

 

 

 



publicado por paulo prudêncio às 19:47 | link do post | comentar | partilhar

Domingo, 06.07.14

 

 

 

 

 

Os últimos governos da direita, PSD/CDS, alteraram a lei orgânica do MEC.

 

Durão Barroso eliminou 27 centros de área educativa (CAE´s) quando começavam a ter massa crítica e Passos Coelho extinguiu 5 Direcções Regionais de Educação (DRE´s), que deviam ter sido eliminadas em vez dos CAE´s, quando começavam a perceber a sua nova função. 

 

Tudo eliminado, eis que a mesma direita tem uma epifania de 180 graus e inventa um quadro orgânico com 308 agências municipais (sim, 308 porque nós somos uns 400 milhões; essa coisa dos 10 milhões e da quebra de natalidade é só para impressionar a malta dos fundos) depois de ter assinado centenas de contratos de autonomia com estruturas escolares inexistentes no sistema solar: os mega-agrupamentos.

 

Só uma nota e uma conclusão: os governos de direita referidos iniciaram os seus mandatos com a divisão do território entregue ao mesmo incompreendido estratega, como exemplo para a importância que dão ao assunto: Miguel Relvas. A conclusão é óbvia: não estamos na bancarrota apenas por culpa dos outros.

 

 



publicado por paulo prudêncio às 22:14 | link do post | comentar | partilhar

Domingo, 24.11.13

 

 

 

 

 

Tudo indica que a obsessão com o aumento da escala é a resposta aflita à supressão do tempo. A humanização como categoria organizacional impor-se-á à escala e será a resposta para contrariar a absolutização do presente. O que se está a fazer nas nossas sociedades não é o melhor caminho para gerir as organizações. A anarquia impor-se-á em forma de caos, por muito interessante que seja o estudo dessa imagem organizacional.

 

Para além de ser imperativo devolver aos cidadãos o poder democrático, será necessário consolidar as especificidades de cada organização e afirmar planos estratégicos no âmbito de um quadro de divisão administrativa do país que se identifique como moderno e razoável.

 

É fundamental definir de vez o papel dos municípios na gestão dos territórios. Não faz sentido que a participação das autarquias se exerça, por exemplo, em cada escola, agrupamento ou agregação. Deve focar-se nos Conselhos Municipais de Educação com um nível exigente de prestação de contas nas políticas de educação e nos números do abandono escolar.

 

Quase que só temos conseguido substituir a atomização desresponsabilizadora do centralismo pelo caciquismo local.

 

Se não formos capazes de civilizar as ideias de compromisso, de cooperação, de mobilização, de contrato e de poder democrático, andaremos muito, depressa e em aumento de escala, mas sem resultados positivos. Voltaremos atrás a sítios que nos pareceram seguros.

 

A denominada globalização instalou-se.

 

Ainda há tempos li uma boa entrevista de Gilles Lipovetsky, o célebre autor da "Era do vazio", a propósito do consumo dos artigos de luxo. A Gucci, empresa com mais audiência no sector e que passou, em cerca de dez anos, de três para cento e trinta lojas, tem cem milhões de consumidores na China. O autor avisa (no meio de outras reflexões): quando o consumo dos seus produtos se banalizar a empresa desaparecerá; a Nokia, por exemplo, deve andar a fazer muitas contas e quase que encerrou as portas.

 

Qual é a relação que este pequeno exemplo tem com o que estava a escrever? O efeito do aumento da escala pode levar ao empobrecimento e à desumanização, mesmo que, por ironia, a partir dos artigos de luxo.

 

 

(Já usei parte deste texto noutro post)




publicado por paulo prudêncio às 22:09 | link do post | comentar | ver comentários (2) | partilhar

Sexta-feira, 01.11.13

 

 

 

 

Informam-me que irá para o ar no dia 4 de Novembro (2ª feira), no jornal das 20h00 da TVI, a grande reportagem "Verdade inconveniente", da autoria da equipa da jornalista Ana Leal, sobre o público-privado na Educação. Dizem-me que é imperdível. Para quem não se lembra, volto a publicar a última grande reportagem da TVI sobre o assunto e que se denominou "Dinheiros públicos, Vícios privados".

 

Numa altura em que se discute o orçamento 2014, que inscreve cortes a eito em todas as rubricas da Educação com excepção do chocante aumento no financiamento às cooperativas de ensino, esta reportagem não pode ser mais oportuna.

 

 

 

 



publicado por paulo prudêncio às 15:41 | link do post | comentar | ver comentários (2) | partilhar

Terça-feira, 30.07.13

 

 

 

 

É evidente que existiu o célebre telefonema de um dirigente escolar para o MEC a perguntar o lado onde se colocava o selo branco e serão inúmeras as situações semelhantes que fazem com que os pulmões do poder central se encham de "sabedoria".

 

Mas quando se constrói um modelo de gestão escolar com base na exigência de formação especializada no modo como lidar com a má burocracia ou acreditando que a chave está em pessoas que nada têm a ver com a docência, só podemos concluir: a traquitana do MEC não só não implodiu, como continua a convencer os decisores políticos que a nossa bancarrota não é também causada pelo monstro de má burocracia dos subsistemas estatais, que as exigências desse tipo de especialização são uma panaceia para resolver problemas a que a traquitana é alheia e que até está cansada de aturar. E sentenciarão: escolas, salas de aula e professores são entraves que não se dão bem com as inovações.



publicado por paulo prudêncio às 09:32 | link do post | comentar | ver comentários (2) | partilhar

Terça-feira, 23.07.13

 

 

Desculpem-me o título, mas é de perder a paciência. O MEC lança, a 23 de Julho 2013, o Lançamento do Ano Lectivo para 2013/14 (cortesia do Paulo Guinote). O LAL vem, ao que parece, substituir o OAL que já tinha substituído o LAL. Não temos mesmo remédio. Espera-se, no mínimo, que ponha na letra da lei o que foi acordado com os sindicatos de professores.


(Já passei os olhos, mesmo que na diagonal, pelas 249 páginas; valha-nos não sei o quê para o lançamento de tanto dado que traduz que a desconfiança insuportável entre o MEC e as escolas atingiu um pico; aguardo pelo veredicto de quem esteve na mesa negocial).



publicado por paulo prudêncio às 21:23 | link do post | comentar | ver comentários (3) | partilhar

Quarta-feira, 29.05.13

 

 

 

 

Entrei no Público online e fotografei a primeira página onde Relvas e Passos, numa notícia que é sei lá o quê, nos colocam ainda mais à mercê dos gulosos que nos dominam.

 

Ainda há dias se soube da inconstitucionalidade da proposta intermunicipal de Relvas. Para além de tudo e do desplante de terem colocado esta figura numa área fundamental, foi a ideia de se criar mais um "patamar" quando a parte da administração pública não dependente dos aparelhos partidários sofre cortes a eito. Como se pode ler na imagem, as tentativas de atropelo à constituição são diárias.

 

E ainda temos Gaspar a denunciar o mau acordo do primeiro memorando. Não devem ter usado o Excel e Gaspar não aprecia a ideia.

 

 

 

 

 

 

 



publicado por paulo prudêncio às 18:41 | link do post | comentar | ver comentários (10) | partilhar

Terça-feira, 19.02.13

 

 

 

 

A agenda mediática está preenchida pela nobre e valente "Grândola, Vila Morena" como a voz que resta contra a tragédia que nos assola. Miguel Relvas, uma figura que abomino, pode ser classificado como um bode expiatório. Não me parece. Este ministro representa uma espécie de triunfo da chicoespertice que se esconde em dois radicalismos: ultraliberalismo e uma espécie de chavismo. Ambos detestam as classes média e baixa, usam com inimigo de estimação a escola e os professores, como armas a férrea burocracia e como táctica o confronto de grupos de cidadãos alimentados pelo tédio e pela inveja social.

 

Para se perceber o fenómeno Relvas, tem de se reflectir sobre a organização administrativa do país (a sério que acredito no que escrevi). A babilónia que origina que um mesmo centro urbano pertença a áreas geográficas diferentes ao gosto dos sub-sistemas do Estado é a causa principal do nosso desgoverno. É moderno e razoável que um país tenha um quadro de divisão administrativa e Portugal tem mais de quarenta. Ouvi o social-democrata António Capucho afirmar que o ministro Miguel Relvas não tinha condições para orientar a reorganização que promoveu. Lá saberá os motivos.

 

Para além da capital, vivi em Trás-os-Montes, no Minho, no Douro Litoral, no Alentejo e na Estremadura. À excepção de Lisboa, encontrei duas comprovadas irritações: a incerteza da identidade local e o centralismo da capital.

 

Quando, em 2004 salvo erro, um amigo me convidou para assistir a uma conferência sobre a divisão da moda na altura, comunidades urbanas e por aí fora, aceitei com interesse. Não aguentámos até ao fim e saímos envergonhados. Sem qualquer gosto pela fulanização, o conferencista, o governante Miguel Relvas, era inclassificável. Caiu pouco depois numa sucessão de casos com membros do mesmo Governo que não me admiraram por raciocínio de indução.

 

Foi com espanto que verifiquei que Miguel Relvas era uma espécie de número dois do actual governo e que tinha a incumbência de dirigir uma tarefa nuclear. Hoje, nada disso me espanta.



publicado por paulo prudêncio às 19:48 | link do post | comentar | ver comentários (9) | partilhar

Terça-feira, 05.02.13

 

 

 

 

Luís Valadares Tavares, ex-presidente do Instituto Nacional da Administração, é um adepto do SIADAP (Sistema Integrado de Avaliação do Desempenho na Administração Pública). Bem sei que a linguagem do sistema é sedutora e bem-pensante, mas a sua aplicação é desastrosa.

 

Nas respostas a esta entrevista, levanta uma questão pertinente depois de afirmar que o Governo está a "esmagar" a função pública (é mais um que chegou atrasado à tragédia que ajudou a perpetrar).

 

 

"(...)Cortar nas aquisições.


Sim, mas há cinco administrações públicas. A directa está controlada, o Governo não tem conseguido controlar é as despesas nas empresas públicas, institutos públicos e nas administrações regional e local.(...)"



publicado por paulo prudêncio às 16:27 | link do post | comentar | ver comentários (3) | partilhar

Terça-feira, 05.06.12

 

 

O que deveiria estar resolvido em Janeiro é publicado em Junho e os despachadores ficam extenuados com tanta obra feita. Acreditam que regulam milhares de escolas duma penada, devem sentir alguma subida de temperatura, mas pensam que é do verão e que a aproximação a Mercúrio não está próxima.

 

O despacho sobre a organização do próximo ano lectivo está aqui e com data de publicação anterior ao primeiro dia de aulas.



publicado por paulo prudêncio às 20:34 | link do post | comentar | partilhar

Segunda-feira, 04.06.12

 

 

 

 

O último documento do MEC sobre as agregações de escolas e agrupamentos tem uma nova denominação: desagregação. Querem ver que daqui a uns poucos anos os professores consultarão listas para confirmarem se a sua escola foi desagregada?

 

Todos os processos nas sociedades têm um pico. Já tivémos estabelecimentos de ensino e delegações escolares, seguiram-se escolas, unidades autónomas e agrupamentos e vamos em unidades administrativas e agregações. Talvez tenhamos chegado a um qualquer cimo e a primeira desagregação pode indicar a curva descendente.

 

Tirando o lado risível da formulação, é de considerar que a modernice do aumento de escala aplicado à gestão escolar não parará por aqui. Para além de estar decretado que para o ano seguem mais fases agregadoras, há toda uma lei orgânica da traquitana do MEC em permanente ebulição a que se associarão a divisão administrativa do país e a previsível desumanização das relações escolares.

 

A desconcentração ou descentralização de competências do poder central, e a consequente municipalização, obrigarão a rever o novo quadro criado com as duas primeiras fases das agregações. O que mais custa observar é o deserto de ideias em relação ao corte da despesa. A desorganização do território é inultrapassável e os modelos de gestão também. Portugal soma à supressão do tempo um sério problema de organização do espaço.

 

No poder central, e nos municípios, a única receita passa pelo financiamento à custa dos cidadãos. Desde os cortes salariais ao IMI, nada escapa à ausência do fundamental. Dá ideia que daqui por uns anos estaremos mais pobres e no mesmo lugar do início da crise.



publicado por paulo prudêncio às 21:54 | link do post | comentar | ver comentários (4) | partilhar

Sábado, 02.06.12

 

 

 

Apesar de tudo indicar que a obsessão com o aumento da escala é apenas a resposta aflita à supressão do tempo, a humanização como categoria organizacional impor-se-á à escala e será uma resposta para contrariar a absolutização do presente. No mundo e no país, e dos municípios às escolas, o que se anuncia não é o melhor caminho para gerir as organizações. A anarquia impor-se-á em forma de caos, por muito interessante que seja o estudo dessa imagem organizacional.

 

Para além de ser imperativo devolver aos cidadãos o poder democrático, será necessário consolidar as especificidades de cada organização e afirmar os planos estratégicos educativos locais no âmbito de um quadro de divisão administrativa do país que se identifique como moderno e razoável.

 

É fundamental definir de vez o papel dos municípios na gestão dos territórios educativos que não se devem circunscrever ao escolar. Não faz sentido que a participação das autarquias se exerça em cada escola, agrupamento ou agregação. Deve focar-se nos Conselhos Municipais de Educação (existem?) com um nível exigente de prestação de contas nas políticas de educação e nos números do abandono escolar.

 

Quase que só temos conseguido substituir a atomização desresponsabilizadora do centralismo pelo caciquismo local.

 

Se não formos capazes de civilizar as ideias de compromisso, de cooperação, de mobilização, de contrato e de poder democrático, andaremos muito, depressa e em aumento de escala, mas sem resultados positivos. Voltaremos atrás a sítios que nos pareceram seguros.

 

A denominada globalização instalou-se. Ainda ontem li uma boa entrevista de Gilles Lipovetsky, o célebre autor da "Era do vazio", a propósito do consumo dos artigos de luxo. A Gucci, empresa com mais audiência no sector e que passou, em cerca de dez anos, de três para cento e trinta lojas, tem cem milhões de consumidores na China. O autor avisa (no meio de outras reflexões): quando o consumo dos seus produtos se banalizar a empresa desaparece.

 

Qual é a relação que este pequeno exemplo tem com o que estava a escrever? O efeito do aumento da escala pode levar ao empobrecimento e à desumanização, mesmo que, por ironia, a partir dos artigos de luxo.

 

 

(Já usei parte deste texto noutro post)



publicado por paulo prudêncio às 10:13 | link do post | comentar | partilhar

Terça-feira, 22.05.12

 

 

 

Por solicitação que agradeço, sem teleponto e à sexta tentativa (a tecnologia não estava a ajudar e a certa altura a repetida improvisação impedia a percepção se o que ia dizer já tinha acontecido naquela filmagem ou numa anterior) o vídeo que pode ver obedeceu a um convite para uma conferência sobre autonomia escolar e que circunstâncias de agenda impediram que fosse presencial. Pediram-me que disponibilizasse o vídeo por aqui de modo a possibilitar outros visionamentos.

 

O vídeo foi exibido no dia 19 de Maio de 2012, num âmbito de um trabalho realizado pelos mestrandos Francisco Valentim e Nuno Cruz, sobre gestão, avaliação e supervisão escolares (GASE), na Escola Superior de Educação e Ciências Sociais (IPLeiria), no âmbito da unidade curricular de Direcção e Gestão Escolares, sob a orientação do Professor José Manuel Silva.

 

Foi-me solicitada uma intervenção de cerca de 15 minutos (controlava o tempo noutro computador à minha esquerda) que incluísse uns conteúdos que referi noutras circunstâncias. Verifiquei que o tempo impediu que terminasse a explicação sobre um algoritmo, mas pode encontrar neste link a sua descrição. É sempre bom sublinhar que sem os professores, e apesar dos 10%, nada acontece.

 

Também, e num ou noutro ponto de vista, gostaria de ter aprofundado mais algumas questões, nomeadamente as que se prendem com o processo de agregação de escolas e de agrupamentos e com o actual modelo de gestão escolar. Os interessados encontram vários posts sobre os assuntos nos arquivos do blogue na coluna respectiva.

 

Obrigado pela atenção.

 

 

 



publicado por paulo prudêncio às 18:22 | link do post | comentar | ver comentários (17) | partilhar

Segunda-feira, 09.04.12

 

 



publicado por paulo prudêncio às 14:22 | link do post | comentar | ver comentários (2) | partilhar

Sexta-feira, 02.03.12

 

 

 

A discussão sobre a organização administrativa do país é nuclear. A babilónia que origina que um mesmo centro urbano pertença a áreas geográficas diferentes ao gosto dos sub-sistemas do Estado é a causa principal do nosso desgoverno. É moderno e razoável que um país tenha um quadro de divisão administrativa e Portugal tem mais de quarenta. Ouvi há pouco, numa estação da rádio, o social-democrata António Capucho afirmar que o ministro Miguel Relvas não tem condições para orientar a reorganização em curso.

 

Para além da capital, vivi em Trás-os-Montes, no Minho, no Douro Litoral, no Alentejo e na Estremadura. À excepção de Lisboa, encontrei duas comprovadas irritações: a incerteza da identidade local e o centralismo da capital.

 

Quando, em 2004 salvo erro, um amigo me convidou para assistir a uma conferência sobre a divisão da moda na altura, comunidades urbanas e por aí fora, aceitei com interesse. Não aguentámos até ao fim e saímos envergonhados. Sem qualquer gosto pela fulanização, o conferencista, o governante Miguel Relvas, era inclassificável. Caiu pouco depois numa sucessão de casos com membros do mesmo Governo que não me admiraram por raciocínio de indução.

 

Foi com espanto que verifiquei que Miguel Relvas era uma espécie de número dois do actual governo e que tinha a incumbência de dirigir uma tarefa nuclear. Para me deixar ainda mais perplexo, só faltava que os mandatários da candidatura do primeiro-ministro a presidente do seu partido fossem caciques comprovados.



publicado por paulo prudêncio às 21:30 | link do post | comentar | partilhar


Inauguração do blogue
25 de Abril de 2004
Autor:
Paulo Guilherme Trilho Prudêncio
Discordâncias:
Mais até por uma questão estética, este blogue discorda ortograficamente
arquivo
comentários recentes
Mas mais do que isso, se o GOVERNO NÃO TEM INTENÇÕ...
Obrigado António Duarte. Claro que dou. Vai em mui...
Excelente!Vou, se me dás licença, "roubar"...
E se a dívida não baixa...
Já não digo nada sobre os processos paralelos.
Só em juros da dívida ronda os 23 milhões/dia!
Sim, Paulo, concordo. É mesmo insaciável!Desconfio...
subscrever feeds
mais sobre mim
Por precaução
https://www.createspace.com/5386516
ligações
blog participante - Educaá∆o - correntes .jpg
tags

antero

avaliação do desempenho

bancarrota

bartoon

blogues

campanhas eleitorais

cartoon

circunstâncias pessoais

concursos de professores

contributos

corrupção

crise da democracia

crise da europa

crise financeira

desenhos

direitos

economia

educação

escolas em luta

estatuto da carreira

falta de pachorra

filosofia

fotografia

gestão escolar

história

humor

ideias

literatura

luís afonso

movimentos independentes

música

paulo guinote

política

política educativa

professores contratados

público-privado

queda de crato

rede escolar

ultraliberais

vídeos

todas as tags

favoritos

bloco da precaução

pensar o sistema escolar ...

escolas sem oxigénio

e lembrei-me de kafka

as minhas calças brancas ...

as minhas calças brancas ...

reformas e remédios (1) -...

sua excelência e os númer...

posts mais comentados
Um projecto (livro) para gerir Escolas Portuguesas agrupadas
De Paulo Prudêncio