Em busca do pensamento livre.

Segunda-feira, 02.07.18

 

 

 

Contributo de Maria Silva (um comentário que passei a post).

 

"A má vontade mal resolvida contra os professores comporta vários fatores:


1- Um imaginário limitado em relação à importância da cultura e do saber, enformado por uma sociedade cujo perfil, no momento em que acontece o 25 de abril, apresenta a mais alta taxa de analfabetismo da Europa, situação que não foi resolvida, como deveria, com uma revolução cultural, mas que foi varrida para debaixo do tapete com a massificação da escola. Assim a massificação de diplomados que é hoje constituída por decisores e “opinion makers” deste país é oriunda deste perfil social e reconhece mais valor ao futebol do que ao teatro, por exemplo.
2- O facto da expetativa em relação à escola ser irrealista, de se atribuírem à escola missões impossíveis que obviamente só pode falhar. Por exemplo, espera-se da escola que descubra o brilhantismo oculto que existe em cada um nós, antes mesmo de que ele seja revelado perante o próprio. O professor tem o ónus de modelar mentes e vontades até ao infinito, tarefa que não se espera de psicólogos e psiquiatras que são especialistas na mente humana. A indefinição clara das incumbências da escola e das limitações da sua ação, servem a correlativa indefinição acusatória que flutua contra a escola e contra os seus agentes, os professores.
3- A assimetria social, não existem quotas de género para o grupo profissional dos professores, predominantemente constituído por indivíduos do sexo feminino. Esta situação é afetada por alguma simbologia social. O facto da sua imagem social não ser representada por executivos de fato e gravata, com um ar grave, influencia o estatuto social do grupo profissional dos professores, que são tuteados na praça pública com a familiaridade de quem vive na porta ao lado, sem se vislumbrar que a educação é um sector tão estratégico como as finanças, uma vez que a principal riqueza que este país possui são os recursos humanos, e todos: juízes, políticos, artistas, cientistas, metalúrgicos etc. são formados na escola.
A nossa sociedade atribui ao grupo profissional dos professores (apesar da exigente tarefa que lhe cobra) um estatuto remuneratório inferior ao de outros grupos profissionais com graus académicos equivalentes, porque aceita que o contributo para o orçamento familiar da mulher seja secundário em relação ao do homem.
O tradicional espírito de entrega e de sacrifício das mulheres e a sua capacidade de multitarefas, paradoxalmente, não ajuda ao seu reconhecimento."

 

Maria Silva.



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Terça-feira, 26.06.18

 

 

 

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Pode ler aqui.



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Pode ler aqui.



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Segunda-feira, 25.06.18

 

 

 

Contributo de Mário Silva.

 

"O próximo ataque do ME à reputação dos docentes.

 

Através do ‘Iavé’, o ME vai atacar a reputação dos professores no próximo mês de julho. Como? Quem acompanha os exames nacionais, detetou que houve alterações na estrutura deles e nas cotações (aumentaram nas questões de escolha múltipla). Estas alterações têm potencial para piorar as classificações dos exames e obviamente que isso será usado para atacar os professores com a falácia ‘estão-a-ver-esta-gente-a-reivindicar-que-lhes-paguem-as-progressões-e-afinal-os resultados-foram-piores’.

O ME que se arvora o protetor dos ‘coitadinhos-dos-estudantes-que-são-prejudicados-pelos-professores’, depois insidiosamente promove ações que prejudicam os mesmos estudantes nas suas médias de classificação final, usando subrepticiamente como ‘bode expiatório’ a classe docente; nem Maquiavel conseguia ser mais ignóbil…

“Os alunos concordaram que a derradeira questão da prova era a mais complicada e estavam também alinhados no principal assunto de quase todas as conversas: a estrutura do exame deste ano. Ao contrário do que vinha sendo habitual nos anos anteriores, o exame nacional de Matemática A foi dividido em dois cadernos.

«Nós somos sempre as cobaias do Iave», queixa-se Ana, já fora da escola. «Se quisesse voltar atrás a alguma das perguntas do 1.º caderno, não podia», explica.

 

Jornal Público (25/06/2018)



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Quinta-feira, 21.06.18

 

 

 

É um bom exercício comparar o muito bom vídeo de Joana Mortágua (JM), que está mais abaixo, com "o texto de opinião" de Alexandra Leitão (AL) hoje no Público. Duas políticas jovens que pertencem à maioria que apoia o Governo. Espera-se que remem para o mesmo lado, embora devam discordar para que se iluminem. A 1ª informa. A 2ª desinforma. A 1ª é imparcial. A 2ª não o consegue e constrói os argumentos de modo a manipular quem a leia sem informação. Aliás, basta ver o vídeo de JM e ler de seguida o texto de AL. Serão 5 a 6 minutos elucidativos e é pena que assim seja.



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Quarta-feira, 06.06.18

 

 

 

Há educação sem professores?

 

 

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Sexta-feira, 15.12.17

 

 

 

É um facto: os professores venceram muitas batalhas, mas perderam a principal. Mas leia e continue na ligação que vale a pena.

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"Não há nenhuma classe profissional tão hostilizada nos jornais como os professores. De um modo geral, todas as reivindicações dos professores são consideradas ilegítimas e a classe profissional é vista como detentora de uma força sindical da qual faz um uso abusivo. Diga-se, em boa verdade, que antes de enfrentar a hostilidade do jornalismo, os professores tiveram de enfrentar as hostilidades do modelo de gestão da escola e do ensino, numa guerra da qual saíram vencidos. Foi-se reduzindo progressivamente o tempo de trabalho autónomo, que era uma parte importante do tempo de trabalho de um professor (porque se entendia que o saber – manual ou intelectual, técnico ou teórico, académico ou não — é um direito à autonomia) e aumentando o tempo de trabalho controlado, que é hoje a quase totalidade do trabalho docente. O professor ficou assim submetido ao trabalho das classes proletárias, mas continua a recair sobre ele a imagem de que é um animal de luxo. E aí começa a caça ao professor. Há já algum tempo que começou a prosperar, por todo o lado, uma bibliografia que consiste em testemunhos desencantados de professores e ex-professores.(...)"



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Quinta-feira, 23.11.17

 

 

 

 

"Nós, os professores'", é o título de um texto muito bom mesmo de Francisco Teixeira no Público on-line.

 

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Segunda-feira, 30.10.17

 

 

 

Para além de tudo, temos, como sempre, os valores.

 

"(...)Restringir a inovação em Educação à utilização de tecnologias é pois extremamente pobre e equívoco, dado que as tecnologias podem ser usadas para segregar e excluir da mesma forma que podem ser usadas para incluir e para melhorar a participação de todos os alunos. Depende dos valores que lhes são precedentes.(...)"

 

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Sábado, 28.10.17

 

 

 

"Um país sem Estado e apenas com impostos" é um texto de opinião de José Pacheco Pereira.

 

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Nota: para os OCS parece que ontem não houve greve. Nas escolas, e apesar de se prever o encerramento com a greve de outros profissionais, a adesão dos professores foi elevada, com números semelhantes a 2013 e com sinais de que a contestação continuará.

 



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Sábado, 06.05.17

 

 

 

Claro que há todo um poderoso spin que considerará a dívida pública e externa intocável e que encherá a agenda mediática com o anúncio do caos se um Governo europeu pensar em recuperar direitos dos cidadãos. Para esse spin, só há uma cartilha: cortar a eito nos 99%.

É importante que grupos de economistas lancem a discussão. Aconteceu nas últimas semanas em Portugal. A discussão continua com o seguinte texto de opinião: "Há algum outro bom momento para discutir a dívida pública e externa?" Tem um subtítulo lapidar: "As instituições (BCE, MEE, etc.) e as pessoas que as dirigem deverão ser capazes de responder às críticas ou começar a trabalhar para as alterar."



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Sábado, 25.03.17

 

 

 

José Pacheco Pereira, no Público, e Clara Ferreira Alves, no Expresso, entre outros, claro, escrevem textos de arrepiar (esta semana parece que combinaram na análise do trumpismo), mas que retratam, se me permitem, as sociedades actuais a partir de um ângulo de análise certeiro. Há um estilo de exercício do poder ("Trump não é um epifenómeno", de Pacheco Pereira) que se faz através do bullying. É triste, mas é assim; embora o feitiço se acabe por virar, e como sempre, contra o feiticeiro, como também parece ser o caso Trump.

 

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Quinta-feira, 16.03.17

 

 

 

"Não tendo surgido informações publicadas sobre um procedimento que está a ocorrer em vários agrupamentos de escolas para implementação obrigatória de supervisão pedagógica (vulgo, observação de aulas) a todos os professores da escola, informo que existem vários agrupamentos escolares cujas direcções estão a invocar a obrigatoriedade de supervisão pedagógica entre pares, com títulos pomposos que disfarçam a intenção, mas que nitidamente se operacionalizam como observação de aulas: selecção de conjuntos de professores que durante o ano vão observar aulas mutuamente. O processo ocorre sem quaisquer atribuição de horas letivas ou não letivas e sem respeitar o Decreto 26/2012, sendo inicialmente proposto em regime de voluntariado, mas existindo a natural exigência de enquadramento legal por parte dos profissionais, invoca-se uma suposta exigência da IGE como medida de melhoria de resultados na avaliação externa das escolas (por exemplo, transcrevo uma comunicação interna sobre um projeto chamado “Colaborar para aprender”, nome dado ao processo de supervisão mútua de professores, com observação de aulas: Informa-se que todas as atividades e metas estabelecidas são para cumprir. Uma vez validadas pelos órgãos de gestão do Agrupamento, são de cumprimento obrigatório. A Inspeção Geral da Educação encontra-se a efetuar ações de acompanhamento”).
 Estando definida legalmente a avaliação de desempenho e respetiva obrigatoriedade de observação de aulas, este processo subrepticio que se instalou nas escolas é uma forma encapotada de exercer uma avaliação de desempenho sem alteração legislativa, sem respeitar o cumprimento do decreto 26/2012 e sem ouvir legalmente as partes interessadas nessa suposta vontade de alteração. Torna-se mais lamentável este processo quando são também professores a tentar implementá-lo desta forma…
Este aviso é para alertar para este tipo de acções que estão a acontecer, e informar os docentes de que esse procedimento não pode ser considerado obrigatório só porque a “IGE está a acompanhar” mas tem de ser enquadrado na legislação em vigor.
 
Com os melhores cumprimentos,
 
Mário Silva"


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Sábado, 02.05.15

 

 

 

 

Já li algumas coisas sobre a desnivelada opinião de Pulido Valente, ontem no Público, a propósito da candidatura de Sampaio da Nóvoa. Jorge Luis Borges incluiria o pedaço da ira na História Universal da Infâmia, mas seria apenas por inspiração: a redacção seria, naturalmente, de outra qualidade. Mas reparem na foto da edição impressa (está fiel ao original, talvez até melhor): os editores do jornal encontrariam coisa melhor em meia-dúzia de segundos, mas a escolha de Pulido Valente mistura a inveja e a mesquinhez, mascaradas como desprezo, tão próprias das figuras menores. Não é de todo surpreendente, já que o cronista opinador tem oscilações enigmáticas. Há uma direita irada com Sampaio da Nóvoa e isso é um bom sinal para a candidatura por muito que lhe custe ler coisas destas. A cólera tem "Degradação" como título e começa assim: "Não percebe António Nóvoa que a sua própria candidatura é o mais grave e humilhante sinal da “degradação da nossa vida pública”?(...)"

 

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Quinta-feira, 19.02.15

 

 

 

 

A maioria que governa em Portugal foi apanhada do lado errado da história. Para compreender o recente fatalismo português, temos de considerar que os governos deste milénio inclinaram o plano e que o actual cavalgou uma onda sufragada por eleitores que teimaram em não perceber que a ideologia se confundia com a corrupção. É até um mistério como há tanta gente que empobrece e continua a defender tenazmente o enriquecimento ilícito. Não há arrependimento possível, como se pode ler em mais um muito bom artigo de opinião.

 

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"(...)Razão tinha o malogrado ex-presidente do Bundesbank, Karl-Otto Pöhl, quando em maio de 2010 acusou o resgate da Grécia de não ter em consideração nem o interesse do povo grego nem o da Europa, destinando-se apenas "a salvar bancos [alemães e franceses] e os gregos mais ricos" (Der Spiegel, 18-05-2010). O que parece iminente é mais do que pecado. Uma ofensa contra a humanidade, cuja reparação exigirá algo mais do que o tribunal da história."



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Quinta-feira, 12.02.15

 

 

 

 

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"Nuno Crato, Poiares Maduro e os autarcas experimentalistas trataram a Educação como se fosse uma grande rotunda e os professores como pacientes sujeitos a raio X: quietinhos, não respirem, já está!(...)"

 

 

 

 

 



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Terça-feira, 10.02.15

 

 

 

Um contributo de Mário Silva.

 

 

"A verdade esfregada na cara.

 

"Desta vez, vamos fazer com que a classificação seja executada exactamente nos mesmos moldes em que é executada para qualquer exame nacional, ou seja, através de despacho, todas as tarefas inerentes à classificação passam a ser obrigatórias.”

Este responsável admite que a medida poderá causar contestação, mas está confiante que acabará por ser aceite: “A percepção que tenho é que, como em tudo na vida, como em tudo o que implica mudança, há um impacto inicial que gera muito ruído e, depois, esse ruído vai tendencialmente diminuindo”, nota Hélder Sousa. jornal Público

 

Esta declaração marca o dia em que um dirigente assume publicamente que os professores e o povo em geral são como um ‘cão que ladra e não morde’. Os dirigentes políticos têm esta perceção do povo e por isso sabem que podem decidir a seu bel-prazer, e que apesar de muito ladrar, nunca serão mordidos e tudo se fará como planeado. Rui Zink, num debate, declamou que a caravana passa e os cães ladram, ladram, ladram, mas um dia mordem. É um cenário tentador mas desfasado da realidade: eles jamais morderão. A única situação em que poderão morder, é se aparecer um dono que os conduza.

No caso dos professores, vão legislar como quiserem, os profs vão estrebuchar mas vão cumprir docilmente o que lhes impingirem. Foi assim com a ADD (que ficou com a estrutura que a ministra idealizou), com os cortes salariais, o congelamento da carreira, a alteração curricular, a última greve aos exames e avaliações (onde existiram profs de direções que assumiram as funções do secretariado que fez greve). Para mim, não é novidade há vários anos, e por isso, agora rosnam mas obedecem com o rabinho entre as pernas.

Existem formas individuais de resistência, com efeitos nefastos e insidiosos, que cada um imagine quais serão, sendo neste momento o que resta a todos aqueles que, quando ladram, ainda mordem…"

 

 

 



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Sexta-feira, 30.01.15

 

 

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"Dezenas de analfabetos que gostam de se dar ares fizeram um escândalo com o aparente excesso de erros de ortografia, pontuação e sintaxe dos 2490 professores que se apresentaram à “Prova de Avaliação de Conhecimentos e Capacidades” (PACC). Deus lhes dê juízo.

Para começar, não há em Portugal uma ortografia estabelecida pelo uso ou pela autoridade. Antes do acordo com o Brasil – um inqualificável gesto de servilismo e de ganância –, já era tudo uma confusão. Hoje, mesmo nos jornais, muita gente se sente obrigada a declarar que espécie de ortografia escolheu. Pior ainda, as regras de pontuação e de sintaxe variam de tal maneira que se tornaram largamente arbitrárias. Já para não falar na redundância e na impropriedade da língua pública que por aí se usa, nas legendas da televisão, que transformaram o português numa caricatura de si próprio; ou na importação sistemática de anglicismos, derivados do “baixo” inglês da economia e de Bruxelas.

De qualquer maneira, a pergunta da PACC em que os professores mais falharam acabou por ser a seguinte: “O seleccionador nacional convocou 17 jogadores para o próximo jogo de futebol (para que seria?). Destes 17 jogadores, 6 ficarão no banco como suplentes. Supondo que o seleccionador pode escolher os seis suplentes sem qualquer critério que restrinja a sua escolha, poderemos afirmar que o número de grupos diferentes de jogadores suplentes (é inferior, superior ou igual) ao número de grupos diferentes de jogadores efectivos.” Excepto se a palavra “grupo” designar um conceito matemático universalmente conhecido, a pergunta não faz sentido. Grupos de quê? De jogadores de ataque, de médios, de defesas? Grupos dos que jogam no estrangeiro e dos que, por acaso, jogam aqui? Não se sabe e não existe maneira de descobrir ou de responder. O dr. Crato perdeu a cabeça.

Na terceira pergunta em que os professores mais falharam, o dr. Crato agarrou nas considerações tristemente acéfalas de um cavalheiro americano sobre “impressão e fabrico” de livros. Esse cavalheiro pensa que há “livros em que a beleza é um desiderato” (ou seja, a beleza do objecto) e outros “em que o encanto não é factor de importância material” (em inglês, “material” não significa o que o autor da PACC manifestamente julga). E o homenzinho acrescenta pressurosamente: “Quando tentamos uma classificação, a distinção parece assentar entre uma obra útil e uma obra de arte literária”. A obra de arte pede beleza ao tipógrafo (ao tipógrafo?), a obra útil só pede “legibilidade e comodidade de consulta”. Perante este extraordinário cretinismo, a PACC exige que os professores digam se o “excerto” “ilustra” os dois termos de uma comparação, o primeiro, o segundo ou nenhum deles. Uma pessoa pasma como indivíduos com tão pouca educação e tão pouca inteligência se atrevem a “avaliar” alguém."

 

 

 

 



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Terça-feira, 27.01.15

 

 

 

 

Texto de Pedro Bidarra.

 

 

 

Holocausto, dívida e alemães

 

"Quis o destino que eu lesse, na semana passada, dois textos sobre o mesmo assunto. Textos que junto aqui porque foram feitos um para o outro. Se acharem demagogia ou mau gosto juntar holocausto e economia, culpem o destino que os emparelhou no meu stream noticioso.

 

Um li no Público, “Milagre económico alemão teve ajuda de perdão de dívida”, o outro no New York Times, “The Holocaust just got more shocking”. O Público relembra-nos que, em 1953, setenta países perdoaram a dívida alemã acumulada antes e depois da guerra – e que ajudou a financiar. O montante do perdão equivaleu a 62,6% da dívida, tendo sido também acordados valores de juro abaixo do mercado e uma amortização, da dívida e do juro, limitada a 5% do valor das exportações.

(Espero que estes valores, que li no Público, estejam certos que eu é mais Ciências Sociais e História).

Para conseguir este perdão, continua o artigo, foi decisiva a pressão dos EUA e o assentimento dos outros dois membros da troika da altura: França e Inglaterra.

Já o New York Times dá conta de outros números e de uma contabilidade mais negra. Os números são apresentados pelos investigadores e historiadores do Holocaust Memorial Museum. Segundo eles, durante o reino de terror nazi, de 1933 a 1945, os alemães implementaram, da França à Rússia, uma rede de 42.500 campos de terror. Quando esta investigação começou, no ano 2000, estimava-se que o número andasse pelos 7 mil, mas a História veio a revelar-se seis vezes mais negra. A contabilidade é esta: 30 mil campos de trabalho escravo, 1150 guetos judaicos, 1000 campos de prisioneiros de guerra, 980 campos de concentração, 500 bordéis de escravatura sexual e mais uns milhares de sítios dedicados à eutanásia de velhos e doentes e à prática de abortos forçados.

O curioso é que, apenas oito anos depois de toda esta germânica atrocidade, setenta países, encabeçados por uma troika deles, resolveram perdoar 62,6% dívida alemã, reconhecendo que, se assim não fosse, Berlim nunca recuperaria e todos tinham a perder ainda mais.

Talvez a explicação esteja no ensaio “Morale and National Character”, escrito pelo antropólogo G. Bateson em 1942, sobre americanos, ingleses e alemães. Diz ele que americanos e ingleses, mais dados a padrões de relacionamento simétricos – um cresce quando o outro cresce e um relaxa quando o outro relaxa – não têm normalmente estômago para “bater em quem já está no chão”; ao contrário dos alemães, mais dados a relacionamentos complementares, do tipo dominação/submissão – quando mais fraco te sentes mais forte me sinto. Segundo escreveu, impor punições à Alemanha implicaria uma dominação constante dos vencedores o que, a médio prazo, resultaria num abrandamento e numa nova escalada alemã.

Em 1953, por muitas razões, fez-se o que estava certo. Perdoou-se. Perdoou-se, ao povo que implementou 42.500 campos de terror, o dinheiro que deviam e que tinha sido usado (também) para os financiar.

O perdão é a dívida da Alemanha. É bom lembrar e, já agora, cobrar."

 

 

Publicitário, psicossociólogo e autor
Escreve à sexta-feira
Escreve de acordo com a antiga ortografia

 

 

 

 



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Segunda-feira, 26.01.15

 

 

 

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O maravilhoso mundo do mercado da Educação

 

 

 



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Inauguração do blogue
25 de Abril de 2004
Autor:
Paulo Guilherme Trilho Prudêncio
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