Em busca do pensamento livre.

Terça-feira, 27.02.18

 

 

 

 


A OCDE concluiu que há professores na Europa a precisar de tutorias e há quem pense de imediato em Portugal e no regresso dos professores titulares. Discordo. Há países onde já não há professores, tal os tratos a que o grupo profissional tem sido alvo. No Reino Unido e na Alemanha, por exemplo e lido assim de repente, precisam de tutorias porque há pessoas sem formação académica, e muito menos profissional, que recorrem ao ensino "apenas" para terem um salário. Em Portugal, como em França ou Espanha, ainda não é tanto assim. Mas não tarda. Por cá, lá abrirão os telejornais com a falta de professores porque o estatuto da carreira se degradou. Quase que não existem alunos no não superior candidatos aos cursos de formação de professores e os excessos no tempo para a aposentação provocam baixas médicas em catadupa e uma atmosfera de substituições temporárias pouco apelativa.



publicado por paulo prudêncio às 14:53 | link do post | comentar | ver comentários (7) | partilhar

Quarta-feira, 14.02.18

 

 

 

Estamos no 4.0: da indústria à política e passando pela Europa, com o sublinhado nas pessoas e "no que significa ser humano" ("A Quarta Revolução Industrial" de Klaus Schwab). Apesar da escala global e da complexidade inédita, há um conjunto controlável de mudanças.

E o que é preciso mudar, por cá, na educação 4.0? Encontrar questões chave. A OCDE "agendou" a queda do modelo de acesso ao ensino superior. Entre outras conclusões, os nossos jovens são os campeões da ansiedade: "sempre acima da média. Quando começam a estudar, ou vão fazer um teste, ou em muitas outras situações.Há uma legião de medicados para a concentração (um eufemismo), outra de viciados em jogos de computador (são horas a esquecer o mundo) e ainda outra com dificuldades relacionais (os desportos de grupo, por exemplo, "desapareceram" na idade 14-18; sobrevive o ubíquo futebol). Se todas as idades são belas e inesquecíveis, a dos 14-18 ficará marcada pela substituição de amigos por rivais e pela falta de tempo para ter tempo. É uma tristeza, um imperativo de saúde pública e um processo que se arrasta às idades inferiores. É por causa destas consequências, e de um rol de injustiças comprovadas, que defendo há muito alterações no sacrossanto acesso ao superior, como defendi o fim de provas nacionais anuais (finais ou intermédias) nos mais pequenos, a par de toda a parafernália de procedimentos que publicitam e hierarquizam as classificações das crianças e sobrecarregam a competição. E nada disto se relaciona com rigor na avaliação ou exigência. Talvez, e aí confesso algum arcaísmo, coloque em lugar cimeiro a confiança nos professores.

 

Nota: o esgotamento, e a desorientação, do modelo de acesso fica patente na argumentação (prós e contras) à volta da nota de Educação Física.

Industrie4.0

 



publicado por paulo prudêncio às 16:59 | link do post | comentar | ver comentários (2) | partilhar

Sábado, 10.02.18

 

 

 

 

Alterar o sacrossanto acesso ao ensino superior, que condiciona o sistema escolar desde a entrada na escola.

 

"O director do Departamento de Educação da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE), Andreas Schleicher, manifestou nesta sexta-feira a esperança de que Portugal acabe “por deixar cair” o sistema de exames nacionais ligado ao acesso ensino superior, uma realidade que identificou como um dos “principais problemas” do sistema educativo português, pela pressão que exerce sobre professores, alunos e famílias e pela uniformização do ensino que promove.(...) “Porque é que os estudantes portugueses estão sempre muito mais ansiosos do que os colegas dos seus países?”, questionou Schleicher a propósito dos resultados das entrevistas realizadas a jovens de 15 anos no âmbito do PISA, os testes da OCDE que avaliam a literacia dos alunos naquela idade. Os portugueses ficam sempre acima da média quando se trata de ansiedade. Seja quando começam a estudar ou quando vão fazer um teste ou em muitas outras situações.(...)

 



publicado por paulo prudêncio às 11:33 | link do post | comentar | partilhar

Terça-feira, 06.02.18

 

 

 

Numa pesquisa dentro do blogue, fui parar a um post de 10 de Fevereiro de 2017 com o título "do Pisa e do óbvio".

 

Escrevi assim (antes de o leitor continuar, olhe para a imagem que acompanhou o post e recorde-se da recente desobediência da ex-ministra no preenchimento de uma plataforma com a sua avaliação; sorria, abane a cabeça na horizontal, mantenha-se sentado e continue; se for caso disso, claro):

 

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Os resultados dos alunos melhoram em proporcionalidade directa com os aumentos da escolarização da sociedade e do número de pessoas da classe média (ou da redução de pobres), num processo que exige tempo. Este princípio elementar é confirmado por Portugal nos resultados PISA, de 2000 a 2015, que testa alunos de 15 anos em competências (e não nos tradicionais conteúdos disciplinares) de leitura, ciência e matemática. Mesmo que as principais políticas educativas dos diversos governos tenham sido (em regra e reconhecido pelos próprios) inaplicáveis, inexequíveis, com radicalismo ideológico, contraditórias ou incoerentes, a ambição escolar das famílias, associada à capacidade dos professores na adaptação das aulas aos alunos (os professores portugueses são os melhores da OCDE neste requisito), assegura o progresso dos resultados.

A Europa "concluiu" a massificação escolar no período em que Portugal a iniciou: a década de setenta do século passado. Em 2003, já iniciávamos uma recessão escolar coordenada pelos ministros que se vêem na imagem, com excepção do moderador, Marçal Grilo, que é do tempo expansionista. Esse despovoamento a eito do território, em modo de mega-escala desconhecida no mundo estudado, foi a linha condutora entre os ministros (como nestes assuntos os resultados são a médio e longo prazos, o INE acaba de anunciar que o abandono escolar precoce aumentou em 2016, depois de 13 anos em queda, com saliência para o número de jovens que não concluiu o 12º ano; desde 2002 que isso não acontecia). A jornalista do Público titulou a notícia do encontro de ministros com mais um momento de delírio revisionista: "Maria de Lurdes Rodrigues diz que a avaliação de professores terminou em Portugal". É difícil ler o texto sem abanar a cabeça ou sorrir e a culpa não será da jornalista.



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Terça-feira, 12.09.17

 

 

 

 

Como há muito se sabe, a taxa de conclusão do ensino secundário (escolaridade obrigatória) em Portugal continua longe do aceitável. O "Relatório da OCDE destaca as altas taxas de abandono dos estudantes nacionais. Cerca de 40% dos nossos alunos não conseguem concluir o secundário em três anos. Mais de metade da população ativa portuguesa não tem o ensino secundário e apenas cerca de 60% dos alunos que entram nesse nível de ensino conseguem concluir os estudos sem atrasos significativos. Esta é uma das principais conclusões do Education at a Glance 2017, o relatório que analisa a educação nos países da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico. Tendo em conta dados de 2016, cerca de um terço (31%) dos jovens adultos entre os 25 e os 34 anos abandonaram o secundário, quase o dobro da média da OCDE. Para a OCDE este é mesmo um dos grandes desafios do nosso país: "em primeiro lugar assegurar o acesso à educação e depois assegurar que os estudantes completam os estudos..."

 

Adenda:

"...PROFESSORES: UMA PROFISSÃO EM CRISE.

Entre os aspetos que são destacados na apresentação do "Education at a Glance" há ainda referência à situação dos professores, que são a "espinha dorsal" de qualquer sistema educativo. No entanto, alerta-se, "a profissão está a tornar-se cada vez menos atrativa para os jovens e a população docente está a ficar cada vez mais velha".

Não é a regra em todos os países (Portugal é uma das exceções), mas os professores ganham, em média, menos do que outros trabalhadores com qualificação superior. E a crise iniciada em 2008 não ajudou: "Entre 2005 e 2015 o salário dos professores diminuiu em termos reais num terço dos países", lembra a OCDE...."



publicado por paulo prudêncio às 12:52 | link do post | comentar | partilhar

Sábado, 01.04.17

 

 

 

OCDE veio dizer que há professores na Europa a precisar de tutorias e há quem pense de imediato em Portugal e no regresso dos professores titulares. Não é assim. Há países onde já não há professores, tal os tratos a que o grupo profissional tem sido alvo. No Reino Unido e na Alemanha, por exemplo e lido assim de repente, precisam de tutorias porque há pessoas sem formação académica, e muito menos profissional, que recorrem ao ensino "apenas" para terem um salário. Em Portugal, como na França ou na Espanha, ainda não é assim. Mas não tarda. Por cá, lá abrirão os telejornais com a falta de professores que começa a ser uma preocupação porque a insanidade organizacional, e os excessos no tempo para a aposentação nos do costume, provoca baixas médicas em catadupa.



publicado por paulo prudêncio às 14:29 | link do post | comentar | ver comentários (1) | partilhar

Sexta-feira, 17.02.17

 

 

 

OCDE conclui com base em indicadores financeiros. Um Governo que não pode viver para lá do défice, receia modificar numa área "sem" receitas como a Educação. Depois de anos a fio de cortes, a OCDE olhará para os orçamentos da Educação desde 2005 (construídos na escola do Goldman Sachs com números que diferem de instituição para instituição: OCDE-Eurostat, INE, Pordata/DGO e ME) e receitará pelo "seguro". A recomendação da manutenção dos agrupamentos de escolas obedece a estes receios e "não reconhece" o aumento de despesa em algumas rubricas nem as variáveis com visibilidade a médio e longo prazos. Até as variáveis de "tolerância" (nomeadamente a partilha de professores e de outros profissionais) seriam tratadas, com vantagens, num modelo de proximidade como o que já existiu antes da empreitada do Governo de Durão BarrosoComo alguém disse, é bom que não "se confunda a árvore com a floresta" porque disso já tivemos que chegue.

 

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Sexta-feira, 10.02.17

 

 

 

Os resultados dos alunos melhoram em proporcionalidade directa com os aumentos da escolarização da sociedade e do número de pessoas da classe média (ou da redução de pobres), num processo que exige tempo. Este princípio elementar é confirmado por Portugal nos resultados PISA, de 2000 a 2015, que testa alunos de 15 anos em competências (e não nos tradicionais conteúdos disciplinares) de leitura, ciência e matemática. Mesmo que as principais políticas educativas dos diversos governos tenham sido (em regra e reconhecido pelos próprios) inaplicáveis, inexequíveis, com radicalismo ideológico, contraditórias ou incoerentes, a ambição escolar das famílias, associada à capacidade dos professores na adaptação das aulas aos alunos (os professores portugueses são os melhores da OCDE neste requisito), assegura o progresso dos resultados.

A Europa "concluiu" a massificação escolar no período em que Portugal a iniciou: a década de setenta do século passado. Em 2003, já iniciávamos uma recessão escolar coordenada pelos ministros que se vêem na imagem, com excepção do moderador, Marçal Grilo, que é do tempo expansionista. Esse despovoamento a eito do território, em modo de mega-escala desconhecida no mundo estudado, foi a linha condutora entre os ministros (como nestes assuntos os resultados são a médio e longo prazos, o INE acaba de anunciar que o abandono escolar precoce aumentou em 2016, depois de 13 anos em queda, com saliência para o número de jovens que não concluiu o 12º ano; desde 2002 que isso não acontecia). A jornalista do Público titulou a notícia do encontro de ministros com mais um momento de delírio revisionista: "Maria de Lurdes Rodrigues diz que a avaliação de professores terminou em Portugal". É difícil ler o texto sem abanar a cabeça ou sorrir e a culpa não será da jornalista.

 

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Sexta-feira, 07.10.16

 

 

 

A imagem, sobre horas escolares por ano, é de um estudo da OCDE de 2014. Um estudo da mesma organização publicado ontem, "Society at a Glance 2016", tem outro dado impressionante: as crianças até aos dois anos ficam, em média, 25 a 35 horas em creches. Em Portugal, o tempo sobe para 40 horas: uma jornada de oito horas diárias, cinco vezes por semana.

 

Nota: O estudo de 2014 tem outra conclusão da mesma família: Portugal é o terceiro país da OCDE, a seguir ao México e à Turquia, com mais jovens a abandonar precocemente a escola: em cada três alunos, um não conclui o secundário; são os mais afectados pela crise; e pela "eterna" sociedade ausente.

 

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publicado por paulo prudêncio às 16:27 | link do post | comentar | ver comentários (2) | partilhar

Sábado, 01.10.16

 

 

 

 

O ministro da Educação citou a OCDE para concluir que os agrupamentos são referência em alguns indicadores financeiros. Importa centrar a discussão. O Governo não vive para lá do défice, e ponto final, e receia modificar indicadores contabilísticos. Depois de anos a fio de cortes, os funcionários da OCDE olharam para os orçamentos da Educação desde 2005 (construídos na melhor escola do Goldman Sachs com números que diferem, pasme-se, de instituição para instituição: OCDE-Eurostat, INE, Pordata/DGO e ME) e "baralharam-se". A conclusão representa uma ínfima parte do corte, existindo até mais despesa em algumas rubricas dessa vertente da austeridade a eito. Os agrupamentos, como o modelo de gestão, são negativos em qualquer ponto de vista; os próprios "criadores+arrependidos" o confirmam. As variáveis de "tolerância" (nomeadamente a partilha de professores, e de outros profissionais, em risco de ausência de serviço) seriam tratadas, com vantagens, sem estas epifanias. Como alguém disse, é bom que não "se confunda a árvore com a floresta" porque disso já tivemos que chegue.

 

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Domingo, 07.08.16

 

 

Precisamos de mais escola a tempo inteiro ou de sociedade democratizada a tempo inteiro? Em 2014, 11 mil alunos reprovaram no 2º ano (números chocantes) e o insucesso subiu em todos os anos.

 

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publicado por paulo prudêncio às 16:20 | link do post | comentar | ver comentários (4) | partilhar

Sexta-feira, 04.12.15

 

 

 

 

"O insucesso escolar subiu em todos os anos de escolaridade em 2012, 2013 e 2014", conclui o relatório CNE 2015 e a tendência manter-se-á em 2015 e nos anos seguintes se nada de substancial acontecer.

 

São variados os ângulos por onde iniciar uma análise à regressão civilizacional enunciada pelo CNE. Mas olhemos pelo funil do neoliberalismo, que nos invadiu e que os suecos, por exemplo, desesperem por abandonar no domínio escolar.

 

Mesmo que se veja boa fé nas teses de Milton Friedman, a conclusão é óbvia: as ideologias totalitárias, de mercado total neste caso, "esquecem-se" da natureza humana e atingem objectivos contrários aos enunciados. É evidente que a escola devia estar fora dessa lógica. Para além da sua histórica natureza organizacional assentar na regra, na finalidade, na exigência e em processos de inovação e emancipação social, o confronto entre a pedagogia e o senso comum não deve ser mercantilizado. O risco de sobreposição do segundo é elevado e relega o efeito de elevador social ou de gerador de igualdade de oportunidades do primeiro para uma ordem muito secundária. Esse nivelamento por baixo invadiu o sistema escolar português e os números do insucesso escolar são elucidativos.

 

São muitos os que apontam os exemplos nórdicos. Na Finlândia, com cerca de um século de independência, os professores são independentes de qualquer tutela, mesmo que inspectiva ou avaliativa, uma vez que a acção pedagógica lhes foi conferida pela sociedade para uma espécie de "evangelização" dos ideais de unidade nacional depois de séculos de ocupação: sueca durante mais tempo e russa num exercício temporal muito inferior. Os finlandeses optaram pelo primeiro vector no confronto da pedagogia com o senso comum. Já os seus invasores suecos, e depois de conviverem mais de um século sem analfabetismo, acharam-se em condições de estabelecer um mercado total. O desastre já foi assumido e as causas do processo de "nacionalizações" em curso deviam ser muito divulgadas.

 

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Sábado, 05.09.15

 

 

 

 

A ideologia dominante absorveu todas as áreas e os tayloristas impuseram-se no mundo organizacional. Os sistemas escolares mais expostos às agendas pato-bravistas não escaparam à voragem, como se observa em Portugal. Alguns professores e investigadores avisaram com a devida antecedência.

 

O ensino, como um lugar de liberdade a preservar a todo o custo por questões democráticas e civilizacionais, levou um abalo considerável. Os promotores da ideia dominante nem sempre tiveram consciência, a exemplo doutros momentos da história, do lado em que se situavam. Aplica-se ao ensino o que Robert Linhart (1978), "Lês Archipels du Capital", registou nos factores de produção: 

 

"toda a indústria e toda a população são "pacóvias": o capital já não é um factor de produção, é a produção que é um simples factor do capital."

 

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publicado por paulo prudêncio às 11:45 | link do post | comentar | partilhar

Sexta-feira, 10.07.15

 

 

 

 

"Gregos são os que trabalham mais horas na Europa, alemães no pólo oposto", diz o Expresso através de mais um estudo da OCDE que se confessa pouco rigoroso. Até dá jeito que se contem as horas assim, mas já se sabe que o argumentário também permite afirmar que os alemães trabalham menos horas mas produzem muito mais e por aí fora. Os olhos do fanatismo ideológico até ajeitam as folhas excel e a tese dos preguiçosos desorganizados ganha logo força. O que se sabe é que a maioria desses relatórios, e salvo melhor opinião, servem para alimentar tecnocratas que estão na estratosfera, mas que têm que produzir uns clássicos (com todo o respeito pelos verdadeiros clássicos).



publicado por paulo prudêncio às 17:37 | link do post | comentar | ver comentários (2) | partilhar

Sábado, 07.03.15

 

 

 

 

 

A ideologia dominante absorveu todas as áreas, os tayloristas impuseram-se no mundo organizacional e as escolas não escaparam à voragem como se observa em Portugal. Alguns professores e investigadores avisaram com a devida antecedência.

 

O ensino, como um lugar de liberdade a preservar a todo o custo por questões democráticas e civilizacionais, levou um abalo considerável. Os promotores da ideia dominante nem sempre tiveram consciência, a exemplo doutros momentos da história, do lado em que se situavam. Aplica-se ao ensino o que Robert Linhart (1978), "Lês Archipels du Capital", registou nos factores de produção: 

 

"toda a indústria e toda a população são "pacóvias": o capital já não é um factor de produção, é a produção que é um simples factor do capital."

 

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publicado por paulo prudêncio às 11:22 | link do post | comentar | partilhar

Quarta-feira, 04.02.15

 

 

 

 

 

 

A conclusão que acabou de ler é tão óbvia como a necessidade da roda ter uma forma circular. Por mais estudos que se façam, este algoritmo parece-me sensato e difícil de refutar:

 

"(...)A história dos sistemas escolares evidencia: sociedades com mais ambição escolar e com meios económicos que a sustentem atingem taxas mais elevadas de sucesso escolar. É irrefutável. Podíamos até atribuir a essa condição uma percentagem próxima dos 90%. Ou seja: se conseguíssemos sujeitar 100 crianças a uma escolaridade em duas sociedades de sinal contrário, os resultados seriam reveladores. Deixemos esta responsabilidade nos 60% para que sobre espaço para os outros níveis.(...)"

 

A democracia portuguesa até à mudança de milénio estava a esforçar-se para que a sociedade atenuasse a desigualdade de oportunidades. Mais sociedade e mais escola são contributos essenciais para esbater as tais diferenças. Mas já se sabe: veio o "país da tanga" e os "reformistas" entraram em roda livre tendo como alvo os professores. Foi, paulatinamente, uma razia a que se acrescentou o empobrecimento da sociedade. As nossas "elites" cansam-se depressa com o investimento em Educação.

 

O relatório da OCDE com base no PISA 2012 faz um retrato que tenderá a agravar-se com os cortes a eito perpetrados, embora a redução do número de alunos que frequentam o ensino regular ajuste as estatísticas.

 

Os estudantes portugueses têm conseguido melhorar o seu desempenho nos testes PISA, um exercício repetido a cada três em três anos pela Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE). Mas são sobretudo os filhos das famílias com empregos mais qualificados e por isso com mais recursos económicos que conseguem melhores resultados. A conclusão é de um novo estudo daquele organismo internacional, que compara os resultados dos alunos com as profissões dos pais. Portugal está longe de conseguir mitigar os efeitos das diferenças familiares nos percursos escolares, ao contrário do que fazem outros países(...)".

 

 

 1ª edição em 19 de Fevereiro de 2014.



publicado por paulo prudêncio às 21:59 | link do post | comentar | ver comentários (10) | partilhar

Terça-feira, 06.01.15

 

 

 

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A "cultura da nota" em Portugal está num pico mediático e os argumentos prós e contra são ancestrais. Mas há uma evidência: a "cultura da nota" em Portugal já chegou ao primeiro ciclo e o pré-escolar deve ser a próxima etapa. Até o importante senso comum concordará com a seguinte asserção: crianças de 10 anos não podem ser tratadas como jovens de 17 ou 18 anos. Há tempos distantes escrevi o que vai ler a seguir e acrescento: quadros de mérito e avaliação sumativa pública só a partir do 7º ano de escolaridade.

 

"é fundamental que a publicação dos resultados escolares seja adaptada aos níveis de escolaridade e, naturalmente, à idade dos alunos. Para começar, devem discutir-se os procedimentos de publicitação dos resultados escolares individualizados até ao sexto ano de escolaridade".

 

 

 



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Quarta-feira, 29.10.14

 

 

 

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publicado por paulo prudêncio às 14:40 | link do post | comentar | partilhar

Terça-feira, 28.10.14

 

 

... e não é porque a OCDE veio dizer que temos professores e polícias a mais. Até a ministra das finanças já afirmou que os dados estão desactualizados.

 

O que se percebe é que a maioria desses relatórios, e salvo melhor opinião, servem para alimentar tecnocratas que estão a milhas, a quilómetros, das escolas, mas que têm que fazer os seus estudos.

 

Até se aceitam regressões lineares múltiplas desde que tenham a coragem de publicar as conclusões que nada concluem, e passe a redundância. Se a variável independente não é influenciada pelas dependentes escolhidas, que o digam e que não inventem conclusões de sentido único e ultraliberal. E vamos lá, também temos de gramar umas coisas assim de quando em vez para que o desemprego não seja praga também aí.

 

E há sempre a hipótese do Governo justificar porque é que à entrada de Novembro ainda não conseguiu colocar os professores. Francamente: nunca vi tanta incompetência em simultâneo.

 

 

 



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Terça-feira, 08.07.14

 

 

 

 

Passava pelos órgãos de comunicação social e parei no terceiro com "receio" de estar a viver numa economia emergente sem dar por isso. A coisa conta-se com poucas linhas e imagens.

 

Anda por aí a OCDE e ouvi as conclusões de um jornalista da TSF seguidas de uns devaneios desse CEO e Guru da gestão que exerce funções de chefe do Governo que me deixaram com o sorriso igual ao da audição da última tirada de Passos Coelho: "estamos a criar uma sociedade de pleno emprego".

 

Parece que a OCDE anuncia um crescimento do PIB até 2020 por obra das reformas estruturais (essa expressão mágica que preenche os vazios das sinapses).

 

No Público é de 3,5%.

 

 

 

 

 

No Expresso subiu para 5,5%.

 

 

 

 

No Ionline atingiu 8,5%.

 

 

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Ainda passei no angolano SOL, mas desconheço as relações da família (Espíritos e) Santos com a OCDE (o jornal é mesmo bélico: fala em disparar o PIB). Nem me atrevi a passar pelo novel Observador de JMFernandes que era um fervoroso Lurditas D'Oiro até 2007, passando depois a um registo oposto e igualmente fervoroso. Enfim: o Observador pode ter o PIB 2020 com mais ou menos 20%.

 

Dos restantes nem é bom falar, claro.

 

A nossa desconhecida emergência medir-se-á em crescimento ou em desconfiança?

 

 

 

 

 



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Inauguração do blogue
25 de Abril de 2004
Autor:
Paulo Guilherme Trilho Prudêncio
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