Em busca do pensamento livre.

Quinta-feira, 15.11.18

 

 

 

Durante a invasão alemã, na segunda guerra mundial, estima-se que oitenta por cento dos franceses colaboraram com o regime nazi. Os vinte por cento sobrantes organizaram a resistência. No dia da derrota final do regime hitleriano, a maioria festejou com emoção a liberdade. Dá ideia que a Europa não aprende com a história ou a memória recua muito pouco; ou são os dois factos que se impõem.



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Terça-feira, 09.10.18

 

 

 

A história da distribuição da riqueza é política. Não se reduz a mecanismos puramente económicos. Lê-se em dois clássicos: a "Riqueza das Nações" de Adam Smith ou "O capital no século XXI" de Thomas Piketti. Sempre foi questionável a noção de que a economia é uma ciência independente da filosofia moral e política. A foto, e a sua história, remete-nos para a complexidade do problema: há sempre uns quantos que aspiram enriquecer à custa do trabalho dos outros e o difícil, e belo, exercício democrático consiste em contrariar a natureza humana. Michael Sandel, em "O que o dinheiro não pode comprar", coloca a questão actual assim:

"Quanto mais os mercados invadem esferas não económicas da vida, mais se vêem enredados em questões morais.(...)Se algumas pessoas gostam de ópera e outras de combates de cães ou lutas na lama, precisamos de facto de nos abster de tecer juízos morais e atribuir peso igual a essas preferências no cálculo utilitarista?(...)Quando os mercados corroem normas não mercantis, o economista (ou qualquer outra pessoa) tem de decidir se isso representa uma perda que deveria preocupar-nos.(...)"

 

Daí à importância das redes públicas de escolas, como um valor inquestionável das democracias, vai um pequeno passo. Será, contudo, insuficiente, se permitirmos que os mercados invadam desde cedo a vida escolar.

 

Lewis Hine foi um fotógrafo, um dos primeiros, comprometido com a denúncia das condições de trabalho. A foto (Cotton Mill Girl) é de 1908 e foi seleccionada pela "Time como uma das 100 fotografias mais influentes da história".

 

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Sexta-feira, 31.08.18

 

 

 

 

 

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Cabo de S.Vicente. Sagres. Agosto de 2018.



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Quarta-feira, 29.08.18

 

 

Há uma dicotomia no aproveitamento europeu dos impérios: Grécia, Itália, Espanha e Portugal (nem todos na mesma escala) não mantiveram muitas das riquezas materiais até à actualidade; pelo contrário, Holanda, Bélgica, Noruega, Reino Unido, Suécia, Alemanha e França (e ainda a Suiça e o Luxemburgo) mantêm os domínios essenciais. E não basta olhar para a bandeira das multinacionais europeias bem sucedidas. Há ainda negócios de biliões que passam pela energia e existem interesses fundamentais no ouro e nos diamantes (até nos de sangue). É também isso que o eurogrupo não deve esquecer quando analisa as políticas de austeridade e as acusações de despesismo dos povos do sul. Aliás, a bandeira portuguesa, hasteada no ponto mais setentrional da Europa, é um bom ponto de partida histórico que Centeno não desconhecerá.

 

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Sagres. Agosto de 2018.

 

 

 



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Domingo, 26.08.18

 

 

 

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Agosto 2018.

 



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Quinta-feira, 23.08.18

 

 

 

 

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Quinta-feira, 28.06.18

 

 

 

"A História não ensina nada a ninguém”. O tempo vigente na educação é a prova provada da afirmação de Vasco Pulido Valente. É que nem com a história recente se aprende. Os governos adiam o inadiável, perdem a noção do que existe e radicalizam; depois, é tarde.



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Quarta-feira, 02.05.18

 

 

 

Rafael Valladares, historiador espanhol, tem um livro sobre a restauração da nossa independência - "A Independência de Portugal - Guerra e Restauração 1640 - 1680" é o título da obra, editado pela "A Esfera dos Livros" -.


"Ao contrário do que dizia a historiografia nacionalista dos séculos XIX e XX, a Restauração não foi um movimento geral da nação portuguesa contra Castela e muito menos contra a Espanha. Foi uma revolta das elites portuguesas, principalmente uma parte da nobreza e da Igreja, que viam os seus privilégios, e "liberdades", como eles diziam, atacadas pela política reformista de Filipe IV. O que triunfou em Portugal foi uma economia senhorial, de rendas, e que não privilegiava os investimentos nem nada que fosse inovador".

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Terça-feira, 01.05.18

 

 

 

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1º de Maio.

Milhares de trabalhadores nas ruas.



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Quinta-feira, 19.04.18

 

 

 

Durante a invasão alemã, na segunda guerra mundial, estima-se que oitenta por cento dos franceses colaboraram com o regime nazi. Os vinte por cento sobrantes organizaram a resistência e sofreram na pele as agruras da ousadia. No dia da derrota final do regime hitleriano, a maioria festejou com emoção a liberdade. Dá ideia que a Europa não aprende com a história ou a memória recua muito pouco; ou são as duas variáveis que se impõem.



publicado por paulo prudêncio às 14:16 | link do post | comentar | ver comentários (2) | partilhar

Segunda-feira, 01.01.18

 

 

 

Com todos os riscos de quem retira do contexto uma passagem, não resisto a citar Ulrich Beck (2015:22) "Sociedade de risco mundial - em busca da segurança perdida", Lisboa, Edições 70,

 

"(...)o risco constitui o modelo de percepção e de pensamento da dinâmica mobilizadora de uma sociedade, confrontada com a abertura, as inseguranças e os bloqueios de um futuro produzido por ela própria e não determinada pela religião, pela tradição ou pelo poder superior da natureza, mas que também perdeu a fé no poder redentor das utopias.(...)".

 

A perda de "fé no poder redentor das utopias" indicia um risco de decadência se não se circunscrever ao inevitável cinismo com que a maturidade olha para a prevalência do mal. Se a descrença nas utopias e no combate às desigualdades atravessar todas as gerações, a decadência entranha-se; como a história, de resto, já nos explicou.

 

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Segunda-feira, 18.12.17

 

 

 

"(...)A História distingue-se da Pré-História quando começou a informação escrita. Acho que daqui a 100 anos as pessoas vão olhar para trás e dizer que até ao segundo milénio estávamos na Pré-História. O que sabemos dos gregos é o que Heródoto e mais alguns escreveram. Mas só agora estamos finalmente a registar tudo e vai ser possível compreender muito melhor o presente.(...)"

 

 

Pedro Domingos, Revista do Expresso 

de 13 Agosto de 2016:23

Autor de "The Master Algorithm"

2ª edição



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Sábado, 11.11.17

 

 

 

Há quem tente antigas instrumentalizações na actual luta dos professores. Desde logo, usando uma falácia. Nos OCS, mas também nas redes sociais, diz-se com frequência que os professores ficaram em silêncio durante os governos da PàF. Não é verdade. Consulte os posts do mês de Junho de 2013 e terá a documentação necessária. A esse propósito, escrevi ontem num debate.

 

(...)Um dos momentos mais difíceis da já longa luta dos professores portugueses da escola pública ocorreu em 2013 contra as políticas do governo PàF. Era muito difícil contestar na altura. Estávamos isolados num país derrotado e anestesiado. Em Junho desse ano, ocorreu uma histórica greve aos exames do 12ª ano (estive num directo de uma opinião pública especial da sic notícias e senti na pele a animosidade - tenho tudo documentado -) seguida de uma greve às avaliação do final de ano que foi comovente de tanta resistência; com a adesão das duas federações de sindicatos. Foi muito mais difícil do que as históricas manifestações de 2008 onde, na semana seguinte, a maioria entregava objectivos individuais ou uns meses depois dava corpo ao nefasto modelo de gestão. Evitou-se, para além de outras coisas, que 15 mil professores do quadro com horário zero fossem de imediato requalificados. É muito injusto que se ignore isto.(...)

 



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Quarta-feira, 25.10.17

 

 

 

 

Com todos os riscos de quem retira do contexto uma passagem, não resisto a citar Ulrich Beck (2015:22) "Sociedade de risco mundial - em busca da segurança perdida", Lisboa, Edições 70,

"(...)o risco constitui o modelo de percepção e de pensamento da dinâmica mobilizadora de uma sociedade, confrontada com a abertura, as inseguranças e os bloqueios de um futuro produzido por ela própria e não determinada pela religião, pela tradição ou pelo poder superior da natureza, mas que também perdeu a fé no poder redentor das utopias.(...)".

A perda da "fé no poder redentor das utopias" indicia um risco de decadência se não se circunscrever ao inevitável cinismo com que a maturidade olha para a prevalência do mal. Se a descrença nas utopias e no combate às desigualdades atravessar todas as gerações, a decadência entranha-se; como a história, de resto, já nos explicou.



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Quinta-feira, 13.07.17

 

 

 

É muito interessante a reportagem do Público sobre o agente da PIDE que continua a ligar pelo natal ao primeiro homem que viu torturar. Cheguei à notícia quando li o seguinte: "Quem assim pensa, ingenuamente acredita que nunca mais haverá torturadores, ditadores e informadores. Sou mais pessimista, e quero perceber o que faz um ser humano torturar, maltratar, reprimir e perseguir por razões políticas outro ser humano."

 

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Quinta-feira, 22.06.17

 

 

 

Hoje, no Jornal de Letras



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Sábado, 17.06.17

 

 

 

Como caminhamos para férias, que é também um tempo de memórias, revisitei alguns momentos marcantes na crise da escola pública que vai em mais de uma década (2002 - 2015) de plano inclinado. Durão Barroso mostrou-se, há cerca de dois anos, "nostálgico da escola da ditadura". Sei pouco do que pensa este ex-primeiro-ministro, para além destes sound bites. O seu percurso político foi sempre silencioso, à excepção de uma fraquíssima campanha eleitoral para primeiro-ministro (2002). O seu legado, e do seu Governo, traçou a fronteira da descida da escola pública e da desconfiança nos professores. Os governos seguintes fizeram o resto.



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Segunda-feira, 12.06.17

 

 

 

Passos Coelho apressou-se a dizer "que não éramos a Grécia (2011)". Foi uma vergonha. Agora, ficamos a saber que um "acordo secreto de Merkel isolou Schäuble e Portugal. A chanceler alemã fez um acordo com a Grécia, em 2015, contra a vontade do seu ministro das Finanças. Numa reunião do Eurogrupo, Schäuble opôs-se, em vão, e só teve o apoio de Portugal e da Espanha, conta Yanis Varoufakis, o ex-ministro grego". Aguardemos os desenvolvimentos.



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Terça-feira, 23.05.17

 

 

 

Rafael Valladares, historiador espanhol, tem um livro sobre a restauração da nossa independência. "A Independência de Portugal - Guerra e Restauração 1640 - 1680" é o título da obra, editado pela "A Esfera dos Livros".


"Ao contrário do que dizia a historiografia nacionalista dos séculos XIX e XX, a Restauração não foi um movimento geral da nação portuguesa contra Castela e muito menos contra a Espanha. Foi uma revolta das elites portuguesas, principalmente uma parte da nobreza e da Igreja, que viam os seus privilégios, e "liberdades", como eles diziam, atacadas pela política reformista de Filipe IV"

"O que triunfou em Portugal foi uma economia senhorial, de rendas, e que não privilegiava os investimentos nem nada que fosse inovador".

 

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Sexta-feira, 12.05.17

 

 

 

 

 



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Inauguração do blogue
25 de Abril de 2004
Autor:
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