Em busca do pensamento livre.

Quinta-feira, 01.11.18

 

 

 

artigo 42º do Estatuto do Aluno é taxativo e devia atenuar, no mínimo isso, o inferno de invenções burocráticas (incluindo a digital) que alimenta a cultura organizacional de muitas escolas estimulada, em grande parte, pelos serviços centrais do respectivo ministério.

 

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Quarta-feira, 31.10.18

 

 

 

As infernais grelhas são um modo de vida no tratamento da informação escolar. A coisa já não se intensifica apenas nos finais de período. Começa nas tais intercalares com um registo info-excluído traduzido em ficheiros excel e word. A escola actual é, realmente e em modo crescente, uma organização que adoece os professores.



publicado por paulo prudêncio às 15:46 | link do post | comentar | ver comentários (2) | partilhar

Segunda-feira, 29.10.18

 

 

 

Li. Voltei a ler. Francamente que me surpreendi. Ou seja, os governantes não identificam a má burocracia na organização escolar. É até estranho. Às tantas, nunca leccionaram numa escola do não superior. Se não é assim, estão mal informados ou há qualquer outra explicação.

"(...)Na última reunião realizada com o Secretário de Estado da Educação e a Secretária de Estado Adjunta e da Educação, os governantes pediram que a FENPROF lhes enviasse uma lista de atividades que considera burocráticas, pois, em sua opinião, a maior parte delas não são dessa natureza.(...)"



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Domingo, 28.10.18

 

 

 

Não se conhece uma assumpção de culpa quando a democracia é empurrada para um degrau inferior. Mas decerto que há justificações. A escola pode dar um importante contributo, em duas ou três gerações, para a consolidação da democracia ou para a sua fragilização. Comprova-se, por exemplo, a relação directa e proporcional entre a qualidade democrática das escolas, a ambição escolar dos alunos e a confiança nos professores, por muito difíceis que sejam esses estudos empíricos. E a ambição escolar é tão determinante como as condições socioeconómicas.

Como Portugal tem elevadas taxas de insucesso e abandono escolares, é natural que a desorientação, e a constante alteração de políticas, seja simultaneamente causa e consequência e se transforme em autofagia. Há uma justificação no longo prazo se nos compararmos com quem eliminou o analfabetismo no século XIX e onde a ambição escolar é inquestionável. Contudo, há variáveis importantes no curto prazo e a confiança nos professores é preciosa. É um requisito relacional decisivo para a robustez da democracia. Para além de tudo, a desconfiança nos professores é intuída pelos alunos, desautoriza salas de aula, prejudica o ensino, afecta todos os alunos e "cria" escolas para os "mais informados". E é essa segregação social (porque as escolas têm limites de vagas) que dificulta a redução do abandono escolar. A "miscigenação das diversas condições" é tão determinante para a elevação das escolas e dos sistemas escolares como é, em sentido lato, para o crescimento da decisiva classe média que fortalece a democracia (é ler Hannah Arendt).

Regredimos na última década e meia. Houve um choque de desconfiança nos professores evidenciada, desde logo, pela hiperburocracia, pela avaliação de professores (a farsa "meritocrática"), pelo estatuto do aluno (o "cliente tem sempre razão" não se pode aplicar à escola) e pelo modelo de gestão escolar (um recuo democrático já desaconselhado no século passado). São instrumentos fundamentais que entraram num caminho disruptivo, e em que a actual maioria estranhamente não toca, contribuindo assim de modo indesculpável para a fragilização da democracia (e, depois, admiramo-nos).

 

Reescrito.

1ª edição em 10 de Maio de 2012.

 

 

Imagem do célebre "Clube dos Poetas Mortos",

uma intemporal homenagem à democracia.

 

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Sexta-feira, 19.10.18

 

 

 

"Governo proíbe garrafas, sacos e louça de plástico na Administração Pública. A resolução, aprovada em Conselho de Ministros, prevê ainda a redução em 25% da despesa em papel e consumíveis". Esta decisão de 18 de Outubro de 2018 não é assim tão moderna. Ou seja, do ponto de vista escolar é até do século XX. Claro que há papelada e toneladas de plástico, mas a versão digital dos procedimentos está imparável e e com o pensamento na "repartição pública de meados do século XX". Moderno, mas moderno mesmo, seria reduzir também, mas em 95%, a circulação infernal de ficheiros excel e word na gestão da informação. Para quem desconheça (confissão dos actuais governantes), as grelhas já acrescentam hiper-grelhas: as grelhas que aglutinam as grelhas. Sempre que muda o ano com uma "reforma", a hiperburocracia digital acrescenta um patamar sem eliminar delírios anteriores.

 

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Foto:  Mohamed Azakir/Reuters



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Domingo, 23.09.18

 

 

 

"O fundamental é descobrir o fio à meada", disse Confúcio. Enquanto não temos mais classe média (o fio inquestionável da meada do sucesso escolar), o caderno de encargos da escola continua pesado. Mudar o acesso ao ensino superior (AES), por causa da saúde dos jovens e da industria dos exames e da desigualdade, será um fio comprovado que responsabilizará as instituições do ensino superior na escolha de alunos. A OCDE concluiu que os nossos estudantes são os mais ansiosos (e a Universidade do Minho diz "que a falta de autonomia dos nossos adolescentes é assustadora"), e haverá uns dois países, em quarenta e cinco, com um AES tão "stressante". Se dermos nomes às coisas, perceberemos a contradição educativa em manter este AES e, simultaneamente, lançar três eixos: flexibilidade curricular, inclusão e sucesso escolar.

O Governo ficou-se pelo mais fácil. Legislou os eixos e não tocou no AES. Parou a meio da ponte e estacionou as escolas por lá. Não teve suporte parlamentar, e muito menos selfie presidencial e autorização do eurogrupo, para o fundamental: a dimensão civilizada e democrática das escolas (mudar ordens de grandeza: turmas a eito, horários ao minuto - e recheados de trabalho inútil, esse flagelo da actualidade -, estatuto dos professores e de outros profissionais, mega-agrupamentos e gestão de escolas e hiperburocracia). Há um risco de derrapagem nas melhores intenções (flexibilidade curricular e inclusão) e de queda da exigência através de um sucesso escolar de gabinete e dos papéis. 

Obtive a imagem a meio do tabuleiro superior da Ponte D. Luís, no Porto. A ribeira é encantadora, mas a imagem não traduz a sua complexidade quando se passeia com atenção pelas ruas "ouvindo" portuenses e o que resta dos moradores: "estamos como um tolo no meio da ponte".

 

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Ribeira do Porto.

 

 



publicado por paulo prudêncio às 14:39 | link do post | comentar | ver comentários (2) | partilhar

Sábado, 07.07.18

 

 

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 Usei alguns argumentos num post recente.

 

Sabia-se deste caso de saúde pública, mas "metade dos professores com sinais "preocupantes" de exaustão emocional" ultrapassa os limites. Há muito que se concluiu da responsabilidade das denominadas "Novas Políticas de Gestão Pública" (perpetradas desde 2006, com sinais desde 2003, e que os países europeus sensatos nem quiseram ouvir falar) agravadas pelo radicalismo que a troika facilitou. A desconfiança nos professores tomou conta das escolas, com a seguinte cronologia: divisão da carreira, inutilidades horárias, avaliação do desempenho inaplicável, hiperburocracia, contratados eternos, "cliente tem sempre razão", escola a tempo inteiro a eito, horários ao minuto, inferno da medição, concursos injustos, alunos por turma, horários zero e idade da reforma. E depois temos a tal doença grave, silenciosa e ubíqua, que destrói a atmosfera relacional porque facilita modelos de baixo perfil (autocráticos e hiperburocráticos) e transporta a partidocracia para o interior da escola (a tal teia Tutti-Frutti autárquica): o modelo de gestão agravado com os "impensados" agrupamentos (será de "fugir" com a municipalização, por muito que custe à civilizada ideia de poder local).

O Governo começou bem, mas foi só o início; nenhum sinal da simplificação de procedimentos e nem sequer as questões não financeiras e de ambiente democrático mereceram uma mudança. Mas não foi apenas o Governo. Também não se ouviu o parlamento ou o PR. Por outro lado, os serviços centrais do ME nunca detectaram, nos mais variados relatórios de avaliação externa, um qualquer indicador dos “absolutamente catastróficos” registados pela coordenadora do estudo.

"Os investigadores da Universidade Nova de Lisboa detectaram uma “correlação muito forte” entre o estado de exaustão emocional e a idade dos professores. Os níveis de exaustão são especialmente elevados nos professores com mais de 55 anos, que, de acordo com os últimos dados oficiais, representam quase 40% dos docentes ao serviço nas escolas nacionais. Outros factores que influenciam esta situação são questões de carreira (queixas sobre baixos salários e desejo de reforma antecipada), de organização (burocracia na escola e gestão hierarquizada), bem como a indisciplina dos alunos."

 

Nota: o estudo da Universidade Nova de Lisboa tem crédito, a amostra é significativa e sem paralelo e as respostas ao inquérito realizaram-se há meses e não nos últimos dias. Este último dado é importante para que não se julgue que o estudo foi influenciado pela situação vigente. Importa salientar que os mais de 12.000 professores que estão de baixa médica não responderam ao inquérito.



publicado por paulo prudêncio às 10:23 | link do post | comentar | partilhar

Quarta-feira, 04.07.18

 

 

 

E lá concluiremos que tudo começou com os professores titulares, com as inutilidades horárias, com a avaliação do desempenho (o pesadelo acordou com as progressões), com a hiperburocracia, com os horários ao minuto, com o inferno da medição, com os contratados eternos, com os concursos injustos, com os alunos por turma, com os horários zero, com o "cliente escolar tem sempre razão", com a escola a tempo inteiro a eito e com o aumento da idade da reforma. Mas, e acima de tudo, concluiremos que há uma doença grave, silenciosa e ubíqua, que destruiu a atmosfera relacional porque facilitou modelos "impensados" de autocracia e transportou para o interior da escola o pior da partidocracia (a tal teia autárquica de que se fala muito por estes dias): o nefasto modelo de gestão das escolas associado aos agrupamentos (será de "fugir" com a municipalização que se anuncia).

"Uma realidade profundamente hierarquizada, vigilante, corta a autonomia e tudo isso diminui a produtividade e leva ao adoecimento dos professores e dos profissionais que estão em 'burnout", diz Raquel Varela.

 

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Sexta-feira, 25.05.18

 

 

 

As grelhas são um modo de vida no tratamento da informação escolar. Mas se a coisa se intensifica nos finais de período, imagine-se nos finais de ano lectivo.



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Quinta-feira, 24.05.18

 

 

 

Não é surpreendente que se apontem as "empresas externas" (o conhecido outsourcing, predominante nas plataformas digitais) como a componente mais desfavorável para as organizações modernas: a opção facilitou o aumento da escala e desprezou a gestão de proximidade como valor precioso e inalienável. A "gestão do exterior" satisfez os investidores porque permitiu a subida dos lucros com a redução de profissionais. Essa supressão cerebral (na maioria dos casos, e incluindo o escolar, sem qualquer relação com a 4ª indústria ou com a robotização) deslocou para o exterior a definição da informação a obter.

As instituições deixaram de agir livremente sobre os sistemas de informação. Foi um perda com uma agravante: se antes da sociedade da informação e do conhecimento o poder era exercido por quem decidia sobre o financeiro, a partir daí surgiu um pólo paralelo: a informação. A "gestão do exterior" apoderou-se dos dois domínios. E por mais partilhado que fosse o período de análise dos sistemas, os decisores exteriores podiam sempre argumentar: "é uma boa ideia, realmente, mas impossível de concretizar". A dependência externa generalizou-se. Como disse Niklas Luhman, o homem perdeu "a posição de centralidade no organismo social e foi remetido para o exterior, passando a fazer parte do meio ambiente do sistema. Tornou-se uma causa para o aparecimento de problemas constantes e de complexidades crescentes" (no caso escolar, todos os actores foram remetidos para o exterior; com mais visibilidade para professores e restantes profissionais mas com consequências para os alunos).

 

Já usei parte desta 

argumentação noutros textos.

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publicado por paulo prudêncio às 21:46 | link do post | comentar | partilhar

Quarta-feira, 23.05.18

 

 

Li. Voltei a ler. Francamente que me surpreendi. Ou seja, os governantes não identificam a má burocracia na organização escolar. É até estranho. Às tantas, nunca leccionaram numa escola do não superior. Se não é assim, estão mal informados ou há qualquer outra explicação.

"(...)Na última reunião realizada com o Secretário de Estado da Educação e a Secretária de Estado Adjunta e da Educação, os governantes pediram que a FENPROF lhes enviasse uma lista de atividades que considera burocráticas, pois, em sua opinião, a maior parte delas não são dessa natureza.(...)"



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Quarta-feira, 18.04.18

 

 

 

O universo hiperburocrático escolar está inundado de siglas que sintetizam o fatal cruzamento dos excessos e inutilidades das ciências da educação com os atavismos das ciências da administração. É uma bactéria. O Governo eliminou a sigla NEE´s (Necessidades Educativas Especiais), porque é exclusiva, substituindo-a pela CJNMMASAI (Crianças e Jovens com Necessidade de Mobilização de Medidas Adicionais de Suporte à Aprendizagem e à Inclusão). Cresce a apreensão dos professores com sala de aula. É que, e em regra acentuada pela história recente, o cruzamento referido é useiro na complicação por siglas e a leitura dos documentos afirma-o.



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Domingo, 04.03.18

 

 

 

Diversos inamovíveis (alunos por turma, aumentos nos horários, carga curricular, regras para aposentação, hiperburocracia e desconfiança nos professores, modelo de agrupamento de escolas, estatuto da carreira e sociedade ausente), exigem que a maior parte dos professores se centre num único objectivo em nome da dignidade: que as aulas não se afastem muito do que seria possível. Só quem nunca passou uns anos a leccionar, é que confundirá o que escrevi com corporativismo.

 

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 Nota: alunos e outros profissionais escolares subscrevem a resposta "aos planos" do desenho do Quino; interrogação adaptada ao tempo do texto.



publicado por paulo prudêncio às 12:33 | link do post | comentar | partilhar

Segunda-feira, 22.01.18

 

 

 

 

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A confiança nos professores, e na sua autoridade enquanto educadores que transportam saberes nucleares, tem um relação decisiva com o futuro da democracia e com as boas aprendizagens dos alunos. A liberdade de aprender e ensinar é um direito inalienável para alunos e professores e há história suficiente para eliminar equívocos quanto aos efeitos. Há um património docimológico com exigências democráticas. É surpreendente que, na ânsia do controlo das salas de aula e num exercício de nivelamento por baixo (ou seja, constroem-se procedimentos centrados na "caça aos desvios", arrasta-se a organização para esse nível e elimina-se a ousadia), sejam os professores a dar corpo à conjugação obsessiva de verbos destinados ao controle burocrático e à consequente crise através do clima de faz de conta.

“(...)uma crise na educação suscitaria sempre graves problemas mesmo se não fosse, como no caso presente, o reflexo de uma crise muito mais geral e da instabilidade da sociedade moderna.(...)”.

Arendt, H. (2006:195).

Entre o passado e o futuro.

Oito exercícios sobre o pensamento político.

Lisboa: Relógio D´Água.



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Terça-feira, 09.01.18

 

 

 

 

O regresso da antiga flexibilidade curricular entrou na agenda mediática. Discute-se o efeito nos alunos e nos métodos de ensino. Compreende-se. Mas isso representa uma pequena parte do problema. Os alunos vão aprender como sempre e relacionarão, também como sempre, o que aprendem nas diversas disciplinas. Os professores vão ensinar com os métodos de "sempre". Aumentará a possibilidade de tratar um tema do programa de diversas disciplinas num mesmo momento, a exemplo da extinta área de projecto. Poderá ser positivo.

Mas grande parte do problema, e o que conduziu ao inferno a anterior experiência de gestão flexível dos currículos, centra-se na organização. Na marcação, em catadupa, de reuniões de agenda repetida, no tratamento da informação e em dois verbos infernais: articular e registar. E nada se lê sobre isso como componentes críticas. Pior: teme-se que nada se tenha aprendido. Há variáveis organizacionais que não correspondem directamente à análise dos resultados dos alunos nem aos métodos de ensino: são de gestão pura e dura. Os dois verbos referidos são modismos da linguagem escolar que determinam o "estar muito tempo juntos", mesmo que aconteça sem qualquer visão ou estratégia, sem instrumentos modernos de gestão e em reuniões de informação repetida. São dois verbos que remetem a burocracia escolar para o lugar dos procedimentos inúteis e do faz de conta. Quando se ouviram as conclusões dos arautos do duo verbal, encontrou-se pouco mais do que a socialização dos professores.

 

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Frase de #banksy

Imagem obtida em Agosto de 2017

 

(Já usei esta argumentação noutros posts)



publicado por paulo prudêncio às 14:12 | link do post | comentar | partilhar

Sexta-feira, 05.01.18

 

 

 

 

Cresce a apreensão com o silêncio sobre a plataforma digital única para o sistema escolar (a E-360). É um imperativo com cerca de duas décadas. Entretanto, continua a desordem da redundância com mais de vinte plataformas digitais. O tempo passa e a atmosfera acrescenta burnout aos profissionais que lançam informação, que se reforça com os dados não incluídos nas plataformas das empresas privadas. Mas mesmo os incluídos e devidamente tratados, como, por exemplo, os dos alunos, são "desconhecidos" por decisores e avaliadores, provocando a circulação infernal de ficheiros excel e word. É o tal mundo criativo da repetição e das inutilidades, estimulado a partir do poder central. É uma espécie de "brinquemos às escolas e à gestão". No mínimo, a governabilidade exigiria a inclusão de "toda" a informação nuclear nesse software como critério primeiro de licenciamento e a proibição de outras plataformas nos serviços centrais. A avaliação externa (Inspecção-Geral) "penalizaria" os desvios das escolas, com saliência para a obtenção da informação nas aplicações do office ou equivalente e para a impressão de documentos; a administração pública tem já exemplos, como é notório com o portal das finanças que até lida com um universo muito mais complexo no cruzamento de dados.

 

(Já usei esta argumentação noutros posts;

há quase duas décadas :))

 

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Segunda-feira, 25.12.17

 

 

 

 

Pouco antes da mudança de milénio, o sistema escolar português começou a eliminar os tradicionais livros de ponto através de aplicações informáticas desenvolvidas, na maioria dos casos, por empresas comerciais. A prática generalizou-se e é consensual que cresceu a hiperburocracia digital (conjunto de procedimentos "exteriores" à sala de aula) como forte contributo para um dos problemas de saúde mais frequente nos professores: o burnout. Podia ser diferente? Podia.

Analisemos as três variáveis do livro de ponto: sumários, faltas de alunos e de professores. Como ponto prévio, sublinha-se que a passagem do analógico para o digital deve obedecer a outra filosofia de gestão. Provocar-se-á hiperburocracia se o pensamento analógico se sobrepuser na transferência e haverá produção de conhecimento e melhoria da atmosfera organizacional se o pensamento digital for conhecedor da gestão da informação. A passagem referida deve substituir a ideia de "acrescentar ou manter procedimentos" pela de "eliminar procedimentos".

Analisemos cada uma das três variáveis com um pressuposto: o registo de faltas de alunos e professores não tem qualquer relação com os sumários no pensamento digital. 

O sumário tem um valor didáctico e histórico e o pensamento analógico acrescentou-lhe um tempo de registo - momento de abertura e de conclusão, por exemplo - sem base docimológica. O tempo do pensamento analógico deve ser eliminado. No pensamento digital, o tempo de registo deve ficar ao critério do professor e do seu grupo disciplinar, que devem ainda decidir por um tipo de registo mais alargado no tempo (aula, semanal, mensal, por período lectivo, ou no final de unidades de ensino). Importa que a organização conheça os conteúdos efectivamente leccionados. Não é tolerável que a passagem acrescente constrangimentos procedimentais que retirem tempo e tranquilidade aos professores para as tarefas do ensino.

O pensamento digital regista faltas de professores e de alunos; a presença é, obviamente, a consequência do não registo da falta. Os registos podem ser feitos em tempo de aula e por WEB ou podem ser  lançadas por um assistente operacional ou administrativo.

Este pequeno exemplo pode ser extrapolado para dezenas de procedimentos que hiperburocratizam a vida deste tipo de organizações. Não basta mudar os instrumentos, é necessário pensar a filosofia de gestão.



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Quarta-feira, 06.12.17

 

 

 

 

Ainda recentemente, dirigentes partidários e sindicais usaram os bons resultados internacionais dos alunos para defenderem as causas dos professores. E agora? Como é que fazem nos maus resultados? Os professores não precisam de entrar no argumentário demagógico que descredibiliza a política. Conhecem muito bem as percentagens comprovadas do sucesso escolar - não vou repetir em detalhe -: 60% para a sociedade (por defeito, para não eliminar o contraditório), 30% para a organização escolar e 10% para os insubstituíveis professores que, como repete o estudo, são amplamente reconhecidos por alunos e familiares. Para a defesa fundamentada das causas, basta a sala de aula no período abrangido: mais alunos por turma, mais turmas por professor em horários ao minuto recheados de inutilidades, congelamento das carreiras (facto exclusivo que os media se apressaram a falsificar e inverter), programas indecentes de aposentações, modelo "impensado" de gestão das escolas, hiperburocracia, atenuação do descontrole parental e do flagelo da desnutrição, tudo fazer na tal décima do sacrossanto acesso ao superior, substituição de assistentes sociais, psicólogos, médicos e electricistas de redes de computadores. Quando os dirigentes usam os resultados dos alunos para se justificarem ou promoverem, o que é que esperam da mediatização?

 

Nota para dois factos do período de escolaridade abrangido (2011-2016): aumento da pobreza e opções de Nuno Crato. 

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Domingo, 05.11.17

 

 

 

Não haja ilusões: enquanto uma décima for determinante no sacrossanto acesso ao ensino superior e a desconfiança se impuser como controlo burocrático das aulas que questionem - e das que não o façam, já agora - a normalização, adianta pouco discutir uma "outra escola" para o século XXI. A imagem da flexibilidade curricular está invertida com esse propósito.

Explico-me. Nem se trata de discutir se os alunos aprenderão mais ou menos com tecnologias e interdisciplinaridades decretadas ou se as escolas estão desde sempre em mudanças paulatinas. O que a realidade nos mostra, é que é um imperativo de consciência treinar os alunos para que "tudo tenha sido feito" na tal décima; e isso influencia o sistema desde a entrada na escola. É irreal pedir a redução desse treino sem alterar variáveis que construam uma sociedade diferente. Só em escolas sem secundário, ou que, tendo-o, grande parte dos alunos não se imagina no ensino superior, é que há espaço para reduzir o treino disciplinar em favor de uma suposta "escola do século XXI". E mesmo aí, a máquina do ME e a hiperburocracia dos excessos das ciências da educação (reuniões de agenda repetida) cruzada com os atavismos das ciências da administração (lançamento de informação inútil) tratam de esclarecer que tudo começa e acaba na tal décima.

Nota: nas "impossibilidades" portuguesas, há outras componentes críticas que levam ao burnout dos docentes e à redução drástica de jovens interessados nos cursos de formação de professores; noutro âmbito, A. Damásio refere "a necessidade de um pacto global sobre educação e insiste nas humanidades e nas artes para formar homens e cientistas" e alerta para "a bancarrota espiritual e moral das sociedades". 

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Quinta-feira, 07.09.17

 

 

 

 

"O número de professores que requereu a reforma é o mais baixo de sempre", concluía-se novamente num debate radiofónico. Repitamos: a causa está identificada: a idade da reforma está nos 66 anos com penalizações indecorosas nas antecipações, num grupo profissional que se reformava entre os 56 e os 58 (52 no pré-escolar e 1º ciclo) com 35 anos de serviço.

Como a degradação da carreira está inamovível - congelamentos, componente não lectiva em modo inútil, "legislês" nas reduções por idade, mais turmas com mais alunos em horários ao minuto, hiperburocracia, concursos com injustiças e horários zero -, temos os professores à beira de um ataque de nervos (há muitas escolas em que os mais jovens têm mais de 40 ou 50 anos de idade) quando se aproxima outro recomeço.

 

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 Imagem obtida na internet

sem referência ao autor

 

2ª edição



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Inauguração do blogue
25 de Abril de 2004
Autor:
Paulo Guilherme Trilho Prudêncio
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Mais até por uma questão estética, este blogue discorda ortograficamente
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