Em busca do pensamento livre.

Domingo, 23.09.18

 

 

 

"O fundamental é descobrir o fio à meada", disse Confúcio. Enquanto não temos mais classe média (o fio inquestionável da meada do sucesso escolar), o caderno de encargos da escola continua pesado. Mudar o acesso ao ensino superior (AES), por causa da saúde dos jovens e da industria dos exames e da desigualdade, será um fio comprovado que responsabilizará as instituições do ensino superior na escolha de alunos. A OCDE concluiu que os nossos estudantes são os mais ansiosos (e a Universidade do Minho diz "que a falta de autonomia dos nossos adolescentes é assustadora"), e haverá uns dois países, em quarenta e cinco, com um AES tão "stressante". Se dermos nomes às coisas, perceberemos a contradição educativa em manter este AES e, simultaneamente, lançar três eixos: flexibilidade curricular, inclusão e sucesso escolar.

O Governo ficou-se pelo mais fácil. Legislou os eixos e não tocou no AES. Parou a meio da ponte e estacionou as escolas por lá. Não teve suporte parlamentar, e muito menos selfie presidencial e autorização do eurogrupo, para o fundamental: a dimensão civilizada e democrática das escolas (mudar ordens de grandeza: turmas a eito, horários ao minuto - e recheados de trabalho inútil, esse flagelo da actualidade -, estatuto dos professores e de outros profissionais, mega-agrupamentos e gestão de escolas e hiperburocracia). Há um risco de derrapagem nas melhores intenções (flexibilidade curricular e inclusão) e de queda da exigência através de um sucesso escolar de gabinete e dos papéis. 

Obtive a imagem a meio do tabuleiro superior da Ponte D. Luís, no Porto. A ribeira é encantadora, mas a imagem não traduz a sua complexidade quando se passeia com atenção pelas ruas "ouvindo" portuenses e o que resta dos moradores: "estamos como um tolo no meio da ponte".

 

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Ribeira do Porto.

 

 



publicado por paulo prudêncio às 14:39 | link do post | comentar | ver comentários (2) | partilhar

Domingo, 09.09.18

 

 

 

Decorre mais uma tentativa de institucionalizar a antiga interdisciplinaridade. Não há nada de novo, nem sequer no universo vocabular. Há quase um século que a "escola" percebeu essa necessidade. Se compararmos com as recentes "reformas" anteriores - 1992 (área-escola) ou 1998 (área de projecto) - esta é menos "ousada" por receios financeiros. Esperava-se que se aprendesse com as componentes críticas anteriores: hiperburocracia, consubstanciada em inutilidades informacionais, e reuniões de agenda repetida. Mas teme-se que não. Por exemplo, as "aprendizagens essenciais" (uma competência macro que, a exemplo dos programas ou provas nacionais, tem indicadores que reduzem o grau de imprecisão e generalidade no país) não são localizáveis. São aprendizagens essenciais (e não, por exemplo, alternativas) exactamente por isso. Desde logo, um aluno pode mudar de escola sem ter de recomeçar um qualquer ciclo de escolaridade. A publicitação das "aprendizagens essenciais" é feita exclusivamente no site do Ministério da Educação e a operacionalização na gestão dos programas. A localização dos critérios e instrumentos de avaliação nem sequer pode ser muito diferenciada para as "aprendizagens essenciais". Iniciar um processo de construção de modelos de "aprendizagens essenciais" por agrupamento, escola, ano, disciplina, turma e alunos (recorrendo, em regra, às infernais grelhas e porta-folhas) é uma evidência, e uma inutilidade, a caminho da entropia informacional e um contributo essencial para o "burnout" dos profissionais. As experiências anteriores foram conclusivas: as variáveis inovadoras determinantes não se centram tanto no ensino ou nas didácticas, mas no domínio da organização e gestão e na relação com os sistemas de informação.

 

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 Nemo Science Museum. Amesterdam.

 



publicado por paulo prudêncio às 13:47 | link do post | comentar | partilhar

Segunda-feira, 23.07.18

 

 

 

No final do século passado, discutiu-se muito a gestão flexível dos currículos e as aulas de 90 minutos. Concluiu-se o óbvio e estabeleceu-se um consenso: as disciplinas têm necessidades horárias diferentes e os anos de escolaridade mais ainda. Há, como sempre houve, espaço para inovar e adequar o tempo das aulas às disciplinas e aos anos de escolaridade. Só vejo uma finalidade em se fazer tábua rasa (e com esta carga curricular) e regressar aos anos 1990 com aulas de 50 minutos para todas as disciplinas em todos os anos: lançar mais turmas nos horários dos professores de uma parte das disciplinas.



publicado por paulo prudêncio às 15:45 | link do post | comentar | partilhar

Quarta-feira, 18.07.18

 

 

 

Autonomia e Flexibilidade Curricular:

 

Decreto-Lei n.º 55/2018, de 6 de julho

Matrizes Curriculares-base - Decreto-Lei n.º 55/2018, de 6 de julho (editável)



publicado por paulo prudêncio às 18:44 | link do post | comentar | partilhar


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