Em busca do pensamento livre.

Sexta-feira, 13.07.18

 

 

 

A criação da comissão técnica para fazer as contas da recuperação do tempo de serviço dos professores remeteu a questão para a ausência mediática. Veremos o que se passará "hoje no debate da nação". No entanto, e por falar em contas, repita-se: o Ministério das Finanças apurou que "os custos das progressões dos professores em 2018 não são os 90 milhões projectados, mas uns reais 37 milhões". É um bocado como nas caixas dos supermercados. Se comparamos o preço por produto entre o monitor da caixa e a prateleira, registamos vários erros. Já o fiz várias vezes. Nunca encontrei um erro a meu favor, mas inúmeros no sentido inverso. A justificação é sempre a mesma: é o sistema, embora não me pareça que seja com ficheiros excel.



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Quarta-feira, 11.07.18

 

 

 

Após um mês de desgastantes greves e de quase um ano a ouvir que "não há dinheiro" (no início era a falácia do "não querem ser avaliados"), Governo e Plataforma de Sindicatos decidem esperar que "uma comissão técnica faça as contas" à recuperação do tempo de serviço?

Não, não é o 1 de Abril. É pior. É a traquitana do estado. Ainda há um mês, o blogue Assistente Técnico, no post "Palhaçada este controlo e monitorização das progressões... baseados em upload de ficheiros EXCEL!", fez um retrato de leitura obrigatória. Os serviços centrais do ME, e não é apenas pelas mais de vinte plataformas digitais quando uma seria moderno e razoável, têm serviços decisivos a viver há muito em derivas info-excluídas onde as redes com ficheiros excel são um modo de vida com estes resultados. E ninguém da mesa negocial se demite perante estas vicissitudes?

 



publicado por paulo prudêncio às 21:13 | link do post | comentar | ver comentários (4) | partilhar

 

 

 

"Mudar de maioria governativa implica trocar 4.000 empregos. Mas as máquinas têm ainda mais do que isso espalhado pelo país." Quando ontem ouvi que aumentaram os recibos verdes e que o acréscimo se deve "aos empregos partidários como formadores do IEFP e às avenças nas autarquias" (muito no espírito Tutti-Frutti), não só relacionei o acontecimento com os "4.000 empregos" como percebi o silêncio da generalidade dos partidos. Mas achei boa a sugestão de trocar anos de serviço dos professores por estes financiamentos todos. Pelo menos, o argumento financeiro esgotava-se.

É um pequeno contributo para a summit que ocorrerá esta tarde. Estava para repetir o português arcaico do título, "cimeira", mas dei-lhe um ar digital para ser positivo.



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Segunda-feira, 18.06.18

 

 

 

Os professores são, definitivamente, umas aves raras e estranhas. Por este andar, o apoio parlamentar circunscrever-se-á ao deputado do PAN por ser o único defensor assumido das espécies referidas. 

Nota: "PCP dificulta sucesso de iniciativa de professores no parlamento", "PSD recua e admite que "circunstâncias extraordinárias" podem justificar posições do Governo" e (numa versão saudosa do antigo arco governativo?) "Greve de professores. Pais ameaçam sair em defesa dos contratos com privados".



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Domingo, 17.06.18

 

 

 

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A iniciativa legislativa de cidadãos ultrapassou as 20.000 assinaturas (20254...) e o parlamento, devidamente escrutinado, posicionar-se-á em relação ao tempo de serviço dos professores.

Foi um acto importante que traduziu a saturação dos professores. A exigência nos procedimentos de assinatura reforçou o significado. Não é a primeira vez que, na última década e meia, acontece um fenómeno semelhante: o limite da tolerância ultrapassa governos, oposições e plataforma de sindicatos. As "novas" formas de comunicação acrescentaram capacidade de organização a grupos de cidadãos. Foram sempre acções pontuais destinadas a dois ou três objectivos. Os resultados nem sempre foram imediatos, mas o tempo demonstrou a importância das iniciativas e dissipou as nuvens da demagogia e do populismo. 

É falso que se "exijam" retroactivos (seriam mais de 9 mil milhões de euros) e sempre esteve presente a negociação de um faseamento. O que agudizou a saturação (e há tantas matérias a contribuir, como se sabe) foi a ideia inicial: os professores serão os únicos a não recuperar o tempo de serviço porque são muitos e a sua avaliação não é por pontos. Ou seja, uma verdade que reforça a sua importância e uma falácia intolerável.



publicado por paulo prudêncio às 16:36 | link do post | comentar | ver comentários (4) | partilhar

Domingo, 10.06.18

 

 

 

""Chumba" em avaliação polémicaDos 289 docentes avaliados(...)6 tiveram inadequado(...)uma das inadequadas, queixou-se do esforço e dispêndio de tempo que este sistema obriga(...)Não preenchi a plataforma. Quem as desenhou, colocando nos docentes o ónus do seu preenchimento, não pensou no tempo de trabalho despendido(...)defende que a avaliação não pode transformar-se num processo burocrático(...)uma das críticas mais ouvidas em 2008 prendeu-se com a carga burocrática que a construção de fichas e instrumentos de avaliação implicavam para os professores".

Quem foi a radical desobediente? Foi a ex-ministra da Educação Maria de Lurdes Rodrigues (a notícia é recente - 1º caderno do Expresso, 2017/12/16) de um Governo chefiado por José Sócrates ("os professores nunca foram avaliados", repetia o então PM) que usou os argumentos que se voltam a utilizar para meter os professores na ordem. Aliás, a guerra aos professores (confessada pelo próprio António Costa como um facto muito negativo "decretado" em conselho de ministros desse Governo e a não repetir) já rivaliza em tempo mediático e desinformação com o assalto à Academia de Alcochete e com os episódios do "animal feroz" que preside ao clube leonino. Esta repetição com os professores cansa. Mais de uma década com a carreira devassada e precarizada (não há outra carreira em estado sequer parecido), percebendo-se que a avaliação de desempenho na restante administração pública (SIADAP) é naturalmente um fingimento e em 95% das empresas não existe. Os professores são muitos e ponto final. É falso que alguma vez tenham "exigido" retroactivos (seriam mais de 9 mil milhões de euros) e aceitaram negociar um faseamento para que não sejam os únicos a não recuperar o tempo de serviço. Grande parte do argumentário que os guerreia toca no fanatismo.



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Quarta-feira, 06.06.18

 

 

 

Só numa sociedade doente, e que se ausenta da educação, é que as provas de aferição (como acontecia com as provas finais) das crianças abrem telejornais e fazem primeiras páginas. E não é apenas a mediatização dos resultados que nos caracteriza como uma sociedade desinformada. O que mais entristece é a "impossibilidade" de estabilizar calendários, universos a testar e finalidade das provas. Se o fizéssemos, cresceríamos como sociedade e não fazíamos tão má figura.

 

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Quinta-feira, 17.05.18

 

 

 

Vamos lá repetir:

qual é o país da OCDE onde os professores perdem mais tempo com a disciplina para começar uma aula?

É Portugal, onde existem inúmeras salas de aula em que "reina a "pequena indisciplina"". E não saímos disto, com o discurso circular de "especialistas" (em 07 de Fevereiro de 2017) a culpar "mais os professores do que os alunos". E se procurássemos, definitivamente, outras culpas?

Cerca de um ano depois, olhemos para as componentes críticas e para o que foi feito.

Sumariemos: escola "armazém", como resultado da sociedade ausente; aluno-cliente como negação dos elementares princípios docimológicos (não tarda e a publicitação da calendarização de testes chega ao primeiro ciclo para que um petiz convoque os advogados porque o professor o submeteu a um questionário de avaliação sem calendarização; isto sim, o nefasto "facilitismo"); uma década de devassa, mediatizada em primeira página, da carreira dos professores; indústria da medição, com os respectivas pautas e quadros de mérito para os resultados de crianças (é a preparação para a selva, dizem "especialistas da ordem contrária"); "supressão" de intervalos escolares; aulas de noventa minutos como receita do 5º ao 12º ano e em todas as disciplinas; mais alunos por turma; mais turmas por professor; terraplenagem do estatuto da carreira dos professores; agrupamentos de escolas com organograma "impensado" e com aumento da hiperburocracia como factor ilusório de controle; legislação de disciplina escolar na lógica de um "tribunal dos pequeninos"; e por aí fora.

Se nada de moderado, sensato e democrático acontecer, daqui por uma década voltaremos, seguramente, ao mesmo e, obviamente, aos culpados do costume.

 

2ª edição.

 



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Sexta-feira, 11.05.18

 

 

 

São tais as evidências, que a interrogação que ouvi faz sentido: é mais polvo ou mais pântano? Coabitam os dois fenómenos. Notam-se os tentáculos de um polvo, mas a existência de um pântano de dimensões apreciáveis é inquestionável. Digamos que são polvos (e polvitos) que se alimentam silenciosamente em pântanos aparelhados.

 

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Sexta-feira, 13.04.18

 

 

 

Vamos lá repetir:

qual é o país da OCDE onde os professores perdem mais tempo com a disciplina para começar uma aula?

É Portugal, onde existem inúmeras salas de aula em que "reina a "pequena indisciplina"". E não saímos disto, com o discurso circular de "especialistas" (em 07 de Fevereiro de 2017) a culpar "mais os professores do que os alunos". E se procurássemos, definitivamente, outras culpas?

Cerca de um ano depois, olhemos para as componentes críticas e para o que foi feito.

Sumariemos: escola "armazém", como resultado da sociedade ausente; aluno-cliente como negação dos elementares princípios docimológicos (não tarda e a publicitação da calendarização de testes chega ao primeiro ciclo para que um petiz convoque os advogados porque o professor o submeteu a um questionário de avaliação sem calendarização; isto sim, o nefasto "facilitismo"); uma década de devassa, mediatizada em primeira página, da carreira dos professores; indústria da medição, com os respectivas pautas e quadros de mérito para os resultados de crianças (é a preparação para a selva, dizem "especialistas da ordem contrária"); "supressão" de intervalos escolares; aulas de noventa minutos como receita do 5º ao 12º ano e em todas as disciplinas; mais alunos por turma; mais turmas por professor; terraplenagem do estatuto da carreira dos professores; agrupamentos de escolas com organograma "impensado" e com aumento da hiperburocracia como factor ilusório de controle; legislação de disciplina escolar na lógica de um "tribunal dos pequeninos"; e por aí fora.

Se nada de moderado, sensato e democrático acontecer, daqui por uma década voltaremos, seguramente, ao mesmo e, obviamente, aos culpados do costume.

 

Já usei esta argumentação noutros posts.

 



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Terça-feira, 30.01.18

 

 

 

Qual é o país da OCDE onde os professores perdem mais tempo com a disciplina para começar uma aula? É Portugal, onde existem inúmeras salas de aula em que "reina a "pequena indisciplina"". E não saímos disto, com o discurso circular de "especialistas" (em 07 de Fevereiro de 2017) a culpar "mais os professores do que os alunos". E se procurássemos, definitivamente, outras culpas? Um ano depois, olhemos para as componentes críticas e para o que foi feito.

Sumariemos: escola "armazém", como resultado da sociedade ausente; aluno-cliente como negação dos elementares princípios docimológicos (não tarda e a publicitação da calendarização de testes chega ao primeiro ciclo para que um petiz convoque os advogados porque o professor o submeteu a um questionário de avaliação sem calendarização; isto sim, o nefasto "facilitismo"); uma década de devassa, mediatizada em primeira página, da carreira dos professores; indústria da medição, com os respectivas pautas e quadros de mérito para os resultados de crianças (é a preparação para a selva, dizem "especialistas da ordem contrária"); "supressão" de intervalos escolares; aulas de noventa minutos como receita do 5º ao 12º ano e em todas as disciplinas; mais alunos por turma; mais turmas por professor; terraplenagem do estatuto da carreira dos professores; agrupamentos de escolas com organograma "impensado" e com aumento da hiperburocracia como factor ilusório de controle; legislação de disciplina escolar na lógica de um "tribunal dos pequeninos"; e por aí fora. Se nada de moderado, sensato e democrático acontecer, daqui por uma década voltaremos, seguramente, ao mesmo e, obviamente, aos culpados do costume.

 

Já usei esta argumentação noutros posts.



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Quinta-feira, 14.12.17

 

 

 

Ser professor é exigente. Claro que não se dá crédito às desconsiderações do costume, mas custa ouvi-las da presidente do Conselho Nacional de Educação. Só agora li integralmente a sua recente entrevista. Já tinha escrito que Maria Emília Brederode dos Santos "escolhe o ensino expositivo generalizado" como causa do abandono escolar e não menciona sequer outra variável. Mas mais: os professores são os culpados pela indisciplina dos alunos (relaciona-o com a idade avançada). Ou seja, um aluno não deve ser bem educado mesmo que não aprecie o ambiente das aulas. "Ainda recentemente", um estudo da OCDE concluía que os professores portugueses (os mais considerados por alunos e encarregados de educação) são os que perdem mais tempo para começar uma aula por causa do ruído comunicacional dos alunos. Será caso para algum humor: ainda antes de começaram a exposição, os professores provocam ruído comunicacional como princípio didáctico.

 

Nota: o estudo publicado pelo CNE deu origem a este título do Expresso: "Alunos que estão atentos às aulas têm boas notas"; esta descoberta da pólvora acrescenta: "resistem ao barulho e à desorganização". Isto só lá vai com uma visão humorada.

No site Shifter.pt, as declarações da presidente do CNE têm outro tratamento: "Os alunos portugueses continuam a ser dos que mais chumbam na Europa (por exemplo, 17% até ao 6.º ano).(...)Portugal tem a percentagem mais elevada de alunos do ensino secundário que recorre a explicações fora da escola.(...)Em Portugal, educar uma criança entre os seis e os 15 anos custa quase 63 mil euros."

 

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Imagem do blogue Diário de Bordo



publicado por paulo prudêncio às 09:59 | link do post | comentar | partilhar

Sexta-feira, 08.12.17

 

 

 

 

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Expresso, 1ª página, 08 de Dezembro de 2017

 

 



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Sexta-feira, 24.11.17

 

 

 

Há quem repita um hábito do bloco central: o PCP e os sindicatos são os obstáculos à boa governação. Teimam no raciocínio, em simultâneo com a eliminação de qualquer responsabilidade para a bancocracia e para a captura do orçamento do Estado. Nem uma linha nesse sentido. A dívida continua por reestruturar, os credores não se comovem, Bruxelas será "protectorado" de um sistema financeiro mais poderoso e o consumo interno entretém-se com fantasmas. Dá ideia que só somos nação quando pagamos o que devemos com o exclusivo contributo dos do costume.



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Quinta-feira, 16.11.17

 

 

 

É imparável a desconsideração associada à devassa mediática. Esperava-se este regresso da época oficial de arremesso ao professor. Para os saudosos das grandes caçadas sob alçada dos ddt's, é mesmo uma dependência. À vez, os defensores dessa década e meia apontam "privilégios" na comparação entre carreiras. Nunca vi um jornalista perguntar: quais exactamente? Que avaliação? Que progressão? E por aí fora. Nada. Só esmiúçam a dos professores. A avaliação do desempenho é "olhos-nos-olhos" ou entra em regime "faz de conta" (kafkiano se incluir quotas). O SIADAP (avaliações no estado) está assim. Até 2015, era comum arremessarem com privados e empresas. Também aí se decretou o silêncio com os estudos publicados: em 95% não existe e o propalado rigor tem um objectivo: precarização.

 

Nota: ouvi, há pouco, um "especialista" afirmar que a carreira dos professores deve exigir dez anos, e não quatro, em cada escalão. Diz que deve ser como nas outras carreiras; sem dizer quais exactamente, quais os requisitos de entrada e de progressão, em quantos escalões se desenvolvem e com que índices remuneratórios. Dá vontade de contraditar assim: na dos professores, como tem dez escalões, seriam 100 anos de carreira: os primeiros 40 em índices probatórios e os restantes 60 em progressões automáticas sem quotas nos últimos 20.

 

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Faces

Picasso

 



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Segunda-feira, 13.11.17

 

 

 

 

A ministra da educação do primeiro governo de Sócrates acha que quem discorda das medidas que aplicou está num processo de "alterações casuísticas ou determinadas apenas por quem tem mais voz". E é isto. Sem remédio. Tem que googlar a frase para encontrar o texto, porque não me apetece linkar a coisa.



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Segunda-feira, 30.10.17

 

 

 

Consta por aí, e não vou procurar a fonte, que descongelar a carreira dos professores, incluindo os últimos sete anos e actualizando os salários, exigiria mais 600 milhões de euros ao OE2018 que é o equivalente ao descongelamento das carreiras de toda a função pública em 2018 e 2019. Aliás, também consta que a dívida aos professores já vai em 5 mil e 400 milhões de euros. Pois bem. Que sejam esses os números. E o que é que os professores têm a ver com isso, a não ser o facto de terem contribuído como ninguém para a redução do défice e terem sido alvo do maior despedimento colectivo da história? São, por acaso, um grupo de excluídos? Se não se descongelar carreiras, não há qualquer aumento de despesa. Se é para descongelar, que se faça para todos e com o faseamento possível. Ou será que não estou a equacionar bem o problema?

O que consta por aí é o seguinte:

 

«Descongelar carreira para todos os professores, devolvendo as progressões perdidas nos últimos sete anos e atualizando integralmente os salários, custaria 600 milhões de euros ao Estado. É tanto quanto o valor que o Governo pretende gastar com o descongelamento das carreiras de toda Função Pública em 2018 e 2019.»



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Quarta-feira, 25.10.17

 

 

 

Nem há dois meses escrevi assim:

 

"Ficaram professores por colocar? Sim; em poucos grupos de recrutamento é um facto. Uma passagem pelas listas dos professores não colocados, ou de reservas de recrutamento, regista um número reduzido (ou ausência) de candidatos para várias disciplinas. É uma tendência que se agrava e que abrirá telejornais. Com a "eterna" precarização dos professores contratados associada ao estatuto de cobaia na avaliação kafkiana (e de moeda de troca entre governos e sindicatos) e passando por um processo de desconsideração profissional, é natural que os jovens desistam de "ser professor" e que os menos jovens optem por outra actividade no país ou no estrangeiro. PS: se nada se fizer no estatuto dos professores do quadro, as condições de aposentação associadas ao burnout provocarão uma avalanche de insubstituíveis. Aliás, basta que o inverno se imponha."

 

Dá ideia que se acorda para um problema com duas décadas, mas que se acentuou na última com a degradação da carreira. Os alunos consideram os professores, mas não querem seguir a carreira e não frequentam a formação inicial. Da leitura seguinte, salienta-se a posição de um ex-ministro percursor da queda e que insiste nos argumentos que mais influenciaram o plano inclinado.

 

"(...)A renovação do corpo docente poderá tornar-se um problema sério para o país no futuro próximo. De acordo com um estudo realizado para o Conselho Nacional de Educação (CNE), com base no relatório dos testes PISA 2015 da OCDE, apenas 1,5% dos estudantes de 15 anos - a maioria dos quais com desempenhos abaixo da média - admitem ser professores no futuro. E esta crise de vocações para o ensino surge na altura em que se prevê que, face ao forte envelhecimento da classe, dois terços dos atuais professores se reformem nos próximos quinze anos.(...)

David Justino, presidente do Conselho Nacional de Educação,(...) o desinteresse dos alunos está relacionado com a "representação social dos professores", que perdeu relevância devido aos critérios de seleção dos que lecionam nas escolas: "Se nós não fizermos algo que permita que haja alguma seletividade no acesso a professores e critérios de qualidade na sua formação inicial, vamos ter problemas, porque cada vez mais a profissão de professor é vista como desqualificada", considera.

"O atual sistema, sendo aparentemente igualitário, não permite ao Estado fazer a seleção dos melhores", acrescenta, relembrando o estudo "De onde vêm os professores", também do CNE. "Esses dados já são assustadores, porque revelam que uma grande parte das escolas que estão a fornecer os maiores contingentes de professores, nomeadamente para o ensino básico e educadores de infância, não são necessariamente as escolas mais reconhecidas pelos seus méritos", diz.

Mário Nogueira, secretário-geral da Federação Nacional dos Professores (Fenprof), até concorda com a ideia de que a profissão está desqualificada. Mas não por falta de qualidade de parte do efetivo: "Essa é uma opinião do professor David Justino desde o tempo em que era ministro", lembra. "Se as escolas não têm qualidade, fechem-nas", desafia.(...)"

 

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publicado por paulo prudêncio às 21:19 | link do post | comentar | ver comentários (2) | partilhar

Terça-feira, 24.10.17

 

 

 

 

Um discurso que não apreende, ou desconhece, o real torna-se irrelevante. Se o autor for um governante e repetir a insignificância, a impaciência dominará os governados. Nas fases sobreaquecidas, como a que vivemos, os discursos sem sala de aula transformam bons conceitos escolares em objectos de arremesso e crispação. 



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Quarta-feira, 18.10.17

 

 

 

 

Já não consigo ouvir os repetidores da urgência das "reformas estruturais". Foram tantos os reformadores que o Estado ficou sem norte. Quem os ouve, até julga que aterraram ontem. No caso das escolas, que conheço melhor e que foram alvo de reformas do outro mundo, só não caem em calamidade visível porque a natureza é outra e a mediatização também. Aliás, se em vez de autarquias tentadas a "gerirem" empresas, escolas, hospitais e tribunais, elegêssemos autarcas com competências, responsabilidades e instrumentos para a gestão do território, talvez a agenda mediática não desolasse tanto. É evidente que essa municipalização obedecia ao questionamento de uma qualquer, e poderosa, norma-travão-oligárquica que explica tragédias visíveis e um sem número de invisíveis.

 

Nota: as incontestáveis alterações do clima não explicam a desertificação do interior nem o abandono da floresta e da agricultura. Num momento destes, seria bom que os protagonistas políticos olhassem para a história das suas organizações.

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PATRÍCIA DE MELO MOREIRA / AFP / GETTY IMAGES



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Autor:
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