Em busca do pensamento livre.

Sábado, 07.07.18

 

 

Captura de Tela 2018-07-06 às 21.23.26

 Usei alguns argumentos num post recente.

 

Sabia-se deste caso de saúde pública, mas "metade dos professores com sinais "preocupantes" de exaustão emocional" ultrapassa os limites. Há muito que se concluiu da responsabilidade das denominadas "Novas Políticas de Gestão Pública" (perpetradas desde 2006, com sinais desde 2003, e que os países europeus sensatos nem quiseram ouvir falar) agravadas pelo radicalismo que a troika facilitou. A desconfiança nos professores tomou conta das escolas, com a seguinte cronologia: divisão da carreira, inutilidades horárias, avaliação do desempenho inaplicável, hiperburocracia, contratados eternos, "cliente tem sempre razão", escola a tempo inteiro a eito, horários ao minuto, inferno da medição, concursos injustos, alunos por turma, horários zero e idade da reforma. E depois temos a tal doença grave, silenciosa e ubíqua, que destrói a atmosfera relacional porque facilita modelos de baixo perfil (autocráticos e hiperburocráticos) e transporta a partidocracia para o interior da escola (a tal teia Tutti-Frutti autárquica): o modelo de gestão agravado com os "impensados" agrupamentos (será de "fugir" com a municipalização, por muito que custe à civilizada ideia de poder local).

O Governo começou bem, mas foi só o início; nenhum sinal da simplificação de procedimentos e nem sequer as questões não financeiras e de ambiente democrático mereceram uma mudança. Mas não foi apenas o Governo. Também não se ouviu o parlamento ou o PR. Por outro lado, os serviços centrais do ME nunca detectaram, nos mais variados relatórios de avaliação externa, um qualquer indicador dos “absolutamente catastróficos” registados pela coordenadora do estudo.

"Os investigadores da Universidade Nova de Lisboa detectaram uma “correlação muito forte” entre o estado de exaustão emocional e a idade dos professores. Os níveis de exaustão são especialmente elevados nos professores com mais de 55 anos, que, de acordo com os últimos dados oficiais, representam quase 40% dos docentes ao serviço nas escolas nacionais. Outros factores que influenciam esta situação são questões de carreira (queixas sobre baixos salários e desejo de reforma antecipada), de organização (burocracia na escola e gestão hierarquizada), bem como a indisciplina dos alunos."

 

Nota: o estudo da Universidade Nova de Lisboa tem crédito, a amostra é significativa e sem paralelo e as respostas ao inquérito realizaram-se há meses e não nos últimos dias. Este último dado é importante para que não se julgue que o estudo foi influenciado pela situação vigente. Importa salientar que os mais de 12.000 professores que estão de baixa médica não responderam ao inquérito.



publicado por paulo prudêncio às 10:23 | link do post | comentar | partilhar

Segunda-feira, 02.07.18

 

 

 

Contributo de Maria Silva (um comentário que passei a post).

 

"A má vontade mal resolvida contra os professores comporta vários fatores:


1- Um imaginário limitado em relação à importância da cultura e do saber, enformado por uma sociedade cujo perfil, no momento em que acontece o 25 de abril, apresenta a mais alta taxa de analfabetismo da Europa, situação que não foi resolvida, como deveria, com uma revolução cultural, mas que foi varrida para debaixo do tapete com a massificação da escola. Assim a massificação de diplomados que é hoje constituída por decisores e “opinion makers” deste país é oriunda deste perfil social e reconhece mais valor ao futebol do que ao teatro, por exemplo.
2- O facto da expetativa em relação à escola ser irrealista, de se atribuírem à escola missões impossíveis que obviamente só pode falhar. Por exemplo, espera-se da escola que descubra o brilhantismo oculto que existe em cada um nós, antes mesmo de que ele seja revelado perante o próprio. O professor tem o ónus de modelar mentes e vontades até ao infinito, tarefa que não se espera de psicólogos e psiquiatras que são especialistas na mente humana. A indefinição clara das incumbências da escola e das limitações da sua ação, servem a correlativa indefinição acusatória que flutua contra a escola e contra os seus agentes, os professores.
3- A assimetria social, não existem quotas de género para o grupo profissional dos professores, predominantemente constituído por indivíduos do sexo feminino. Esta situação é afetada por alguma simbologia social. O facto da sua imagem social não ser representada por executivos de fato e gravata, com um ar grave, influencia o estatuto social do grupo profissional dos professores, que são tuteados na praça pública com a familiaridade de quem vive na porta ao lado, sem se vislumbrar que a educação é um sector tão estratégico como as finanças, uma vez que a principal riqueza que este país possui são os recursos humanos, e todos: juízes, políticos, artistas, cientistas, metalúrgicos etc. são formados na escola.
A nossa sociedade atribui ao grupo profissional dos professores (apesar da exigente tarefa que lhe cobra) um estatuto remuneratório inferior ao de outros grupos profissionais com graus académicos equivalentes, porque aceita que o contributo para o orçamento familiar da mulher seja secundário em relação ao do homem.
O tradicional espírito de entrega e de sacrifício das mulheres e a sua capacidade de multitarefas, paradoxalmente, não ajuda ao seu reconhecimento."

 

Maria Silva.



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Domingo, 06.11.16

 

 

 

 

A relação entre a qualidade das escolas e a ambição escolar dos alunos é directa e proporcional. Embora seja difícil encontrar estudos empíricos concludentes, uma vez que as variáveis em causa requerem avaliações sistemáticas e modelos consolidados, podemos afirmar que o grupo de alunos é decisivo para os indicadores de qualidade de uma escola ou de um sistema escolar.

 

A ambição escolar parece ser mais determinante do que as condições socioeconómicas, apesar de serem igualmente decisivas. Num país como Portugal, que, depois de quarenta anos de democracia, apresenta taxas elevadas de insucesso e abandono escolares, é natural que a desorientação, e a constante alteração de políticas, seja simultaneamente causa e consequência e se transforme numa espécie de autofagia.

 

Há um refúgio justificativo no longo prazo e com razão. Encontramos uma boa explicação se nos compararmos com países que eliminaram o analfabetismo no século XIX e mesmo que essas sociedades tenham registado oscilações nas condições socioeconómicas, a ambição escolar é assumida, intergeracional e constante. Contudo, esse aconchego da consciência não deve ignorar o curto prazo. Em meia dúzia de anos, numa escola ou no sistema escolar, é possível erguer algo de significativo ou destruir o que se construiu.

 

A par da ambição escolar dos alunos, podemos situar a confiança nos professores. Se esse requisito relacional é um metabolismo basal nas sociedades em que se generalizou a ambição escolar, torna-se ainda mais decisivo nas sociedades como a nossa onde se exigem cuidados redobrados. E não se pense que há aqui qualquer espécie de corporativismo.

 

A desconfiança nos professores é intuída pelos alunos (mais grave ainda em alunos muito novos e é também por isso que a gestão escolar é muito diferente numa universidade se comparada com um jardim de infância ou com outro ciclo do não superior), desautoriza as salas de aula, prejudica o ensino, afecta todos os alunos e origina a escolha das escolas pelos que têm ambição escolar.

 

A segregação social dificulta a eliminação do abandono escolar. A miscigenação dos diversos níveis de ambição escolar é tão determinante para a qualidade dos sistemas escolares como é em sentido lato para o crescimento da decisiva classe média que fortalece a democracia.

 

Em Portugal, regrediu-se acentuadamente na confiança nos professores. Foi um choque de desconfiança. Se a avaliação de professores e o estatuto do aluno estão na memória colectiva, e com efeitos que ninguém se atreverá a refutar, o modelo de gestão escolar seguiu o mesmo caminho.

 

1ª edição em 10 de Maio de 2012



publicado por paulo prudêncio às 16:43 | link do post | comentar | ver comentários (2) | partilhar

Sexta-feira, 27.11.15

 

 

 

1ª edição em 10 de Maio de 2012

 

 

 

A relação entre a qualidade das escolas e a ambição escolar dos alunos é directa e proporcional. Embora seja difícil encontrar estudos empíricos concludentes sobre o assunto, uma vez que as variáveis em causa requerem avaliações sistemáticas e modelos consolidados, podemos afirmar, com segurança, que o grupo de alunos é decisivo para os indicadores de qualidade de uma escola ou de um sistema escolar.

 

A ambição escolar parece ser mais determinante do que as condições socioeconómicas, apesar de serem igualmente decisivas. Num país como Portugal que, depois de quarenta anos de democracia, apresenta taxas elevadas de insucesso e abandono escolares, é natural que a desorientação, e a constante alteração de políticas, seja simultaneamente causa e consequência e se transforme numa espécie de autofagia.

 

Há um refúgio justificativo no longo prazo e com razão. Encontramos uma boa explicação se nos compararmos com países que eliminaram o analfabetismo no século XIX e mesmo que essas sociedades tenham registado oscilações nas condições socioeconómicas, a ambição escolar é assumida, intergeracional e constante. Contudo, esse aconchego da consciência não deve ignorar o curto prazo. Em meia dúzia de anos, numa escola ou no sistema escolar, é possível erguer algo de significativo ou destruir o que levou anos a construir.

 

A par da ambição escolar dos alunos, podemos situar a confiança nos professores. Se esse requisito relacional é um metabolismo basal nas sociedades em que se generalizou a ambição escolar, torna-se ainda mais decisivo nas sociedades como a nossa onde se exigem cuidados redobrados e não se pense que há aqui qualquer espécie de corporativismo.

 

A desconfiança nos professores é intuída pelos alunos (mais grave ainda em alunos muito novos e é também por isso que a gestão escolar é muito diferente numa universidade se comparada com um jardim de infância ou com outro ciclo do não superior), desautoriza as salas de aula, prejudica o ensino, afecta todos os alunos e origina a escolha das escolas pelos que têm ambição escolar.

 

A segregação social dificulta a eliminação do abandono escolar. A miscigenação dos diversos níveis de ambição escolar é tão determinante para a qualidade dos sistemas escolares como é em sentido lato para o crescimento da decisiva classe média que fortalece a democracia.

 

Em Portugal regrediu-se acentuadamente na confiança nos professores nos últimos seis a sete anos. Foi um choque de desconfiança. Se a avaliação de professores e o estatuto do aluno estão na memória colectiva e com efeitos que ninguém se atreverá a refutar, o modelo de gestão escolar segue o mesmo caminho apesar de menos mediatizado.

 

 

 



publicado por paulo prudêncio às 11:06 | link do post | comentar | ver comentários (25) | partilhar

Quinta-feira, 25.09.14

 

 

 

Recebi por email com pedido de divulgação:

 

 

"Estimados bloguers,
 
Acompanho com assiduidade os blogues do quarteto educativo como outros que têm o mínimo de imparcialidade e rigor técnico, como forma de reconhecimento pelo trabalho apresentado, já que não possuo as qualidades para pertencer e colaborar nesses grupos que se destacam. Dito isto, envio em anexo um artigo de um comentador do jornal Expresso que me fez revolver as entranhas, levando à náusea. Simpatizo a quem é dirigido o artigo e com o conteúdo; apenas fiquei irado de jamais ter sido escrito um artigo nos mesmos termos em relação aos ‘colaboradores’ em funções públicas.
Confesso que me assaltaram imagens pouco civilizadas, fantasiando estar vestido de negro a degolar umas quantas personalidades perante a câmara de vídeo, tal foi a revolta, raiva e indignação com que fiquei, por constatar que quem trabalha na administração pública é menos considerado que o dejeto do cão no passeio da rua…
No que respeita ao artigo, declaro que existiram vários portugueses, nos quais me incluo, que consideravam há vários anos a administração BES criminosa; e quando o exprimiam em conversas, eram rejeitados e atacados pelos que lá trabalhavam, com a cartilha psicológica que lhes tinha sido impingida no ambiente laboral.
Talvez agora, finalmente(?), percebam os sentimentos de há muitos anos, daqueles que têm como patrão o governo, e que têm sido os bodes expiatórios dos vários 'Ricardos Salgados' que por lá passaram, sendo apelidados de privilegiados em vez de vitimas. Têm sido responsabilizados, como manobra de diversão, pela porcaria que os outros fizeram, odiados, desprezados e prejudicados fortemente nas suas profissões, que dão o peito às balas, e são simplesmente 'colaboradores' como todos os outros. Para esses, que também estão a explorar à custa deles, não foi escrito um artigo de jornal a encorajá-los...
Contudo, contrariamente ao estado geral da população, empatizo sempre com todos aqueles que são vitimizados pelas decisões dos outros e considero indecente, abjeto e imoral destruírem as vidas dessas pessoas que não contribuíram para o descalabro; é pena que não haja a mesma empatia com as pessoas que trabalham em funções públicas...
E mais não revelo o que vai na minha alma, tal seria a repulsa com que ficariam se o revelasse; apenas declaro o profundo desgosto e tristeza de viver numa merda de sociedade tão culturalmente pobre..."

 

 

Mário Silva

 

 

 



publicado por paulo prudêncio às 14:47 | link do post | comentar | ver comentários (1) | partilhar

Segunda-feira, 05.05.14

 

 

 

Um depoimento impressionante de um professor brasileiro por cortesia do José Mota.

 

 

"(...)Sou um “buscante” do conhecimento, mas nada me valia não aplicá-los um pouco que fosse, pois vivia encarcerado numa burocracia administrativa que particularmente me desumanizava.(...)"

 

 

 

 

 



publicado por paulo prudêncio às 13:41 | link do post | comentar | ver comentários (2) | partilhar

Quinta-feira, 01.05.14

 

 

 

 

"Por que será que se riem quando digo que trabalho muito?", interrogava-se há pouco um humorista. Compreendo-o. Fazer rir, como de resto acontece com a maioria das actividades culturais, fica além da compreensão dos do poder vigente. Para estes, um banqueiro ou um facilitador de negócios são o grau elevado do exercício profissional e o valor do trabalho restante mede-se pela "possibilidade" da sobrevivência para baixo; é disso que se riem.

 

Conheço bem o grupo profissional dos professores. Gozam de boa reputação, como trabalhadores, nos inquéritos junto das populações, mas "irritam" o poder político vigente na última década e meia em Portugal. Os professores são uma espécie de intelectualidade que incomoda e foram escolhidos, não apenas por serem muitos, como alvo a abater. E não foi apenas através da incerteza geral que assolou a Europa a partir da década de setenta do século passado e que só cá chegou perto da viragem do milénio (os atrasos também têm vantagens).

 

Por cá, as últimas políticas dirigidas à carreira dos professores dilaceraram a atmosfera relacional e instituíram a humilhação, a indignidade e o stress profissional em matérias diferentes das questões financeiras do empobrecimento para além da troika. Começou até antes da chegada dos credores. A "proibição" de se ser professor com mais idade e a eliminação por se ser jovem, iniciaram recentemente um ciclo ainda mais acentuado neste caso de saúde pública. Não é especulativo afirmar que todas as semanas ouvimos relatos da consequência devastadora da humilhação profissional que percorre silenciosa as mentes e os corações dos professores e que torna ainda mais insuportável o estado a que chegámos.

 

 

 

 



publicado por paulo prudêncio às 15:40 | link do post | comentar | ver comentários (2) | partilhar

Segunda-feira, 17.03.14

 

 

 

 

 

Os estudos valem o que valem, mas é interessante perceber os tipos e os graus de união dos portugueses.

 

E depois existem as conclusões mais ou menos óbvias a partir destes estudos: bombeiros, professores, polícias, médicos e enfermeiros e por aí fora são grupos muito considerados, enquanto que políticos profissionais e banqueiros aparecem no fim da lista; diga-se que não é injusto nem tem consequências: os primeiros vão sendo sugados pelos segundos.

 

 

 

 

Post actualizado às 21h19.

 

Noutro estudo, ficamos a saber que "(...)Os portugueses estão insatisfeitos com vários aspectos da democracia portuguesa. Quase 40 anos depois do 25 de Abril, sentem que há falta de controlo popular do poder político e que os governos não explicam as suas decisões aos eleitores.(...)"

 

 

 

 



publicado por paulo prudêncio às 20:36 | link do post | comentar | ver comentários (6) | partilhar

Quinta-feira, 03.10.13

 

 

 

 

Os portuguesses confiam mais nos professores do que no sistema escolar, os portugueses olham para os professores como uma das profissões mais confiáveis, mas não querem que os seus filhos exerçam essa profissão. Era óbvio que o caminho seria este. Há 7 ou 8 anos a fio que governantes e comentadores televisivos passam os dias a zurzir nos professores em termos mediáticos.

 

 

 

 



publicado por paulo prudêncio às 10:21 | link do post | comentar | ver comentários (3) | partilhar

Segunda-feira, 12.08.13

 

 

 



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Terça-feira, 11.06.13

 

 

 

Do verdadeiro prejuízo

 


"(...)E assim, senhores deputados, senhores ministros, meus caros concidadãos, estamos a caminhar para um futuro muito mais prejudicial para muitos mais alunos do que aqueles que vão fazer agora exame. Caminhamos para um futuro sem professores. E aqueles que houver, serão os menos qualificados, incapazes de entrar num curso “melhor”. Que ensino será, então, o nosso, com esses professores? Que será, então, dos nossos alunos?

 

Percebem agora o perigo do caminho que se está a seguir? Quem anda, afinal, a causar verdadeiramente prejuízo aos alunos?"






publicado por paulo prudêncio às 20:36 | link do post | comentar | ver comentários (1) | partilhar

Quinta-feira, 02.05.13

 

 

 

 

"A não-corporação dos professores" é o título de uma acertada crónica do Paulo Guinote no Público. Deve ser lida na totalidade, se me permitem, mas destaco o último parágrafo onde podemos incluir também aqueles professores que, estando nas escolas ou muitas vezes no MEC e afins, não têm sala de aula. Em regra, quanto mais incompetentes mais se acentua a sua prosápia anti-professor e, nalguns casos, até se armam em déspotas (os assustados são sempre assim).

 

 

"(...)É falso que só é professor quem não consegue fazer outra coisa. Mas é verdade que há quem logo que consiga ser algo diverso se esqueça que foi professor. E se torne um dos seus principais inimigos. Quantas vezes de forma bem explícita e provocatória. E é nesses momentos que me apetece defender, sem embaraço, a necessidade de um assumido e eficaz corporativismo docente."

 



publicado por paulo prudêncio às 16:26 | link do post | comentar | partilhar

Quinta-feira, 13.09.12

 

 

 

Os dados das aposentações nos últimos anos são inequívocos: os professores só esperam que a conjugação da idade com o tempo serviço lhes permita "fugir"; a penalização é secundária. O estado de sítio vai agravar-se com o aumento do horário lectivo dos professores associado ao aumento do número de alunos por turma e à desmiolada organização do serviço docente.

 

Somos um país à deriva e governado por impreparados. Propalamos que a idade da reforma tem de passar para os 65 e provocamos a saída entre os 55 e os 60 convencidos que reduzimos a despesa e que aumentamos o emprego jovem. Está comprovado que não é assim e só temos agravado a atmosfera relacional nas escolas e o clima organizacional.

 

Com o aumento da esperança de vida, para não falar da natalidade e da alteração dos fluxos migratórios, só podemos concluir: não tarda e não conseguiremos suportar o regime de pensões.

 

A redução da componente lectiva com a idade (algo que, com conhecimento, é possível em todos os ciclos de ensino sem aumento da despesa) é a solução justa em termos pedagógicos, profissionais e orçamentais. O ciúme profissional entre pares, o ciúme social, a ilusão da eterna juventude e outras coisa do género, exterminaram essa regulação profissional. Assisti, incrédulo, a todo esse rol de desrespeito pela profissionalidade dos professores e percebi que pagaríamos mais tarde. Não tarda e teremos os reformados a descontarem para pagaram aos pares.



publicado por paulo prudêncio às 13:10 | link do post | comentar | ver comentários (2) | partilhar

Terça-feira, 08.11.11

 

 

"O CEO da Covey Leadership Center e líder do Global Speed of Trust Practice já integrou a lista dos 25 americanos mais influentes da revista Time e esteve em Lisboa para a Happy Conference, onde falou sobre a importância vital da confiança no poder das organizações." (esta frase é da edição impressa da Pública e foi uma cortesia do José Mota).

 

A confiança poderá ser a nova moeda para a economia. Nos sistemas escolares é a palavra chave desde há muito. A confiança nos professores é decisiva para eliminar a má burocracia. A palavra de um professor vale menos que um qualquer relatório, mesmo que seja um copy and paste. O pior da quebra de confiança reflecte-se na indisciplina na sala de aula. A constante degradação mediática da imagem dos professores só é superada pelas políticas que os desacreditam no poder das organizações. É um ranking ensandecido. As crianças e os jovens intuem o estado de sítio. Tudo começa no estatuto do aluno, passa pelo dos professores e pela sua avaliação e prossegue nos modelos de gestão escolar. Se para Stephen Covey é esse o caminho que existe, para o sistema escolar trata-se de o recuperar. Quanto mais tarde o fizermos, mais depauperada ficará a democracia.



publicado por paulo prudêncio às 16:10 | link do post | comentar | ver comentários (1) | partilhar

Quarta-feira, 26.10.11

 

 

Os médicos tomaram uma atitude que deve dar que pensar a outras classes profissionais. O corporativismo pode ser criticado, mas também deve ser olhado como um dever inalienável de profissionalidade.

 

Reparem na cronologia destes acontecimentos com a data de hoje.

 

Às 16h44:

Médicos com Contrato Individual de Trabalho ameaçam rescisão em massa com o SNS 

Às 21h00:

 

Equiparação dos médicos com contrato individual aos salários da função pública só para novos contratos 

 

 

Lembrei-me que seria interessante se os professores abdicassem das menções de excelente e de muito bom atribuídas num modelo comprovadamente inaplicável e injusto.



publicado por paulo prudêncio às 21:57 | link do post | comentar | ver comentários (7) | partilhar

Sábado, 15.10.11

 

 

Os professores, por José Luís Peixoto



publicado por paulo prudêncio às 22:12 | link do post | comentar | ver comentários (4) | partilhar

Sábado, 18.06.11

 

É comum às sociedades o lugar cimeiro para a confiança nos professores e Portugal não foge a isso. Como é que isso se traduz na prática política é outro assunto. O que achei interessante no estudo que pode ler a seguir é o último lugar que a sociedade alemã atribui à confiança nos administradores de empresas. Deve ser um motivo de reflexão para os que não se cansam de elogiar o rigor e a seriedade das empresas alemãs.

 

Portugueses confiam em bombeiros, professores e carteiros

"(...)O estudo foi feito em 19 países europeus e consistiu  em determinar os níveis de confiança que os cidadãos têm em relação a 20  profissões e organizações profissionais. Os portugueses sãos dos mais descrentes  comparando com outros anos. Em relação a anos anteriores (o estudo faz-se desde 2008) os portugueses mostraram este  ano uma "significativa" quebra de confiança em praticamente em todas as profissões, especialmente em sindicatos, organizações de caridade, jornalistas, juízes e publicitários. (...)A Alemanha é o país onde menos se acredita nos administradores de empresas mas onde os advogados têm melhor aceitação, enquanto o Reino  Unido é o mais desconfiado em relação aos jornalistas. (...)Portugal acredita mais  nos professores e nos militares do que a média europeia,(...)

 

 

 



publicado por paulo prudêncio às 20:20 | link do post | comentar | ver comentários (3) | partilhar

Domingo, 01.05.11

 

Essas coisas das cópias e das imitações dão sempre maus resultados. Se fosse um professor português a dizer coisas como as que vai ler era um corporativo, mas como é um finlandês o comportamento muda: ouvem, engolem e amanhã já ninguém se lembra. Escolhi umas partes, mas se seguir o link lê a entrevista toda. É interessante.

 

 

Os finlandeses querem que os filhos sejam professores

(...)

Defende que um dos segredos do sucesso finlandês é a qualidade do ensino primário. Por que é que os professores da primária têm tanta popularidade? 
Tem muito a ver com a nossa história. A Finlândia só é independente há 100 anos e os professores primários eram colocados por todo o país para espalhar a identidade nacional. É umas razões que explicam uma popularidade tão alta. Ser professor primário é tão prestigiado como ser médico ou advogado: os pais querem que os filhos sejam professores primários e, quando perguntam aos miúdos que acabaram o secundário que carreira querem seguir, a profissão surge nos dois primeiros lugares.
E muitos dos que têm essa ambição não a conseguem alcançar, porque é muito difícil entrar para o curso. 

(...)

Por que é que ser professor primário é tão apelativo? 
Uma das coisas mais importantes é a autonomia, em que cada professor organiza o trabalho como entende, por isso a questão da avaliação é muito sensível. As aulas estão muito fechadas sobre si mesmas, o que é uma força do sistema mas também uma fraqueza. Mas o facto é que os pais confiam nos professores e nas escolas.

(...)

Moral da história? 
A forma como os países conseguem bons resultados é completamente diferente. Esse é o reverso da medalha destes estudos internacionais que incentivam a imitação. Os países podem aprender uns com os outros, mas tem que se ter muito cuidado em transplantar modelos.



publicado por paulo prudêncio às 18:27 | link do post | comentar | ver comentários (10) | partilhar

Quinta-feira, 28.04.11

 

 

Os professores portugueses andaram anos a fio a democratizar o acesso ao ensino com parcos recursos de gestão. Para além disso, desdobraram-se em tarefas de substituição das famílias, dos serviços sociais, dos serviços de saúde e de sei-lá-de-mais-o-quê. Os indicadores da respeitabilidade das classes profissionais junto dos portugueses colocam os professores no lugar cimeiro e em destaque; lá saberão o porquê.

 

Todavia, os governantes dos últimos anos designaram os professores do seu país como a classe maldita.

 

Por outro lado, o governador do Banco de Portugal (BdP), quase ignorado nas agendas mediáticas, disse ontem, que eu vi, que os governantes e os administradores públicos têm de ser responsabilizados pelo estado miserável das contas do país.

 

Dito isto, é com perplexidade que leio o chefe do governo de gestão em campanha considerar a avaliação de professores como uma das prioridade do seu programa de governo para a Educação. Quem conhece o estado das nossas escolas só pode confirmar o estado de perigosa alienação deste governante. Mas mais: no mesmo dia, a ex-ministra ML Rodrigues vem sentenciar que a suspensão da avaliação de professores foi um episódio sem significado no curto prazo. Parafraseando o governador do BdP: esta gente tem de ser responsabilizada mesmo; desde logo pelo voto, que raio.

 

Governador do Banco de Portugal quer que políticos sejam responsabilizados por incumprimentos



publicado por paulo prudêncio às 10:17 | link do post | comentar | ver comentários (2) | partilhar

Terça-feira, 19.04.11

 

 

Francamente, não sei. Tive uma professora de inglês no liceu que era cega e que ao fim de dois meses foi substituída. Nunca percebi o motivo. A questão que decidi colocar por aqui é assim: conseguiria uma pessoa cega leccionar nos nossos ensinos básico ou secundário? E no superior?

 

A resposta, mesmo que se fique pela dúvida, pode atestar da qualidade da nossa sociedade.

 

(2ª edição. 1ª edição em 13 de Março de 2010)



publicado por paulo prudêncio às 14:05 | link do post | comentar | ver comentários (24) | partilhar


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Autor:
Paulo Guilherme Trilho Prudêncio
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