Em busca do pensamento livre.

Segunda-feira, 21.05.18

 

 

 

 

Contributo de Mário Silva.

 

"Tanto os sindicatos como os docentes concentraram a pressão reivindicativa na recuperação do tempo de serviço de 9 anos, 4 meses e 2 dias (942), uma atitude da mais elementar justiça. Todavia, o mais grave tem sido ignorado desde 2012, não tendo sido rejeitado veementemente nem pelos sindicatos nem pelos docentes: a aplicação do nº3 do artº37º do ECD (obtenção de vaga para acesso ao 5º e 7º escalões). Será que interessa mais ao governo manter este artigo, criando uma manobra clássica de diversão, fingindo que o 942 é que é muito grave e importante, e deste modo não atraindo a reivindicação para a questão das vagas?

A reivindicação mais importante será exigir eliminar o nº3 do artº37º, em vez da recuperação do 942? Esta recuperação poderá ajudar os professores atualmente em funções, mas não ajudará os futuros professores. Quando se reivindica, deve ser para TODOS os profissionais e não só para casos de situações especificas, deixando que outros tenham prejuízos considerados suportáveis por quem negoceia.

Fazendo um exercício de cálculo, um docente com 25 anos de serviço, com 50 anos, colocado agora no 4º escalão (quando deveria estar no 7º), se não recuperar o 942 e só progredir em 2020 para o 5º escalão (sem o impedimento de vaga), teremos:

- 2020, 52 anos, 5º escalão

- 2022, 54 anos, 6º escalão

- 2026, 58 anos, 7º escalão

-2030, 62 anos, 8º escalão

- 2034, 66 anos, 9º escalão

- 2038, 70 anos, 10º escalão

Este cálculo permite demonstrar que este professor só tem hipótese de chegar ao topo antes da idade da aposentação, se em 2020 passar diretamente para o 7º escalão em vez de para o 5º e que para docentes mais novos existe a possibilidade de chegarem ao 9º/10º escalão antes da idade da aposentação; tendo as vagas para o 5º e 7º escalões, então a MAIORIA pode ficar anos a ‘patinar’ para subir ao 5º ou ao 7º, jamais tendo hipótese de ultrapassar o 6º escalão antes da aposentação!...

Assim, a reivindicação não se pode concentrar apenas no 942: também tem de se concentrar na eliminação das vagas para subida de escalão e na idade da aposentação não ser afetada pelo fator de sustentabilidade, de modo a abranger TODOS OS CASOS."



publicado por paulo prudêncio às 20:35 | link do post | comentar | partilhar

Domingo, 13.05.18

 

 

Segundo o Expresso, "3/4 dos empregos criados pagam menos de €900". Portanto, dá ideia que

"podemos chegar a um futuro em que uma parte da força de trabalho desenvolverá diferentes tarefas para assegurar o seu rendimento - pode-se ser um motorista da Uber, um shopper do Instacart, um anfitrião do Airbnb e um Taskrabbit", Klaus Schwab (2017:46), "A Quarta Revolução Industrial". 

Ou seja, é pertinente a interrogação que coloca os professores contratados neste nível de precariedade. Aliás, o facto da profissão de professor não aparecer nos quadros de probabilidades das profissões mais ou menos propensas à automatização só suprime ainda mais qualquer certeza sobre o futuro.

Mais à frente, o autor diz que

"(...)as vantagens para as empresas e, em particular, para as startups em rápido crescimento na economia global são claras. À medida que as plataformas de nuvem humana classificam os trabalhadores como independentes, ficam livres(...)dos aborrecimentos e regulamentos de empregos.(...)Para as pessoas que estão na nuvem,(...)será este o início de uma nova e flexível revolução do trabalho que capacitará qualquer indivíduo que tenha ligação à internet e que eliminará a falta de competências? Ou poderá desencadear o início de uma corrida inexorável para o fundo num mundo de exploração do trabalho virtual não regulamentado? Se o resultado for o último(...)será que isto poderá conduzir a uma poderosa fonte de instabilidade social e política?(...)"

 

2ª edição.



publicado por paulo prudêncio às 21:34 | link do post | comentar | ver comentários (2) | partilhar

Quinta-feira, 10.05.18

 

 

 

Contributo de Mário Silva.

 

"Na educação é permitida a ultrapassagem pela direita.

Durante anos, a indecência dos vários governos obrigou muitos profs a trabalhar sob regime de contrato a prazo quando a legislação obrigava a integrar no quadro. Em 2017, foi feito um concurso extraordinário para integrar legitimamente esses profs, mas com a resolução de uma ilegalidade criou-se uma injustiça para os profs do quadro (de carreira). A portaria n.º 119/2018 publicada no dia 04/05 (na sequência do parecer jurídico da PGR) vem permitir a contagem integral do tempo de serviço prestado por esses profs, mesmo durante os anos de ‘congelamento’. Desde que os docentes cumpram os requisitos exigidos (ter um número de horas de frequência, com aproveitamento, de formação, cumprido o requisito de observação de aulas quando aplicável e cumprido o requisito de obtenção de vaga, quando aplicável), são colocados no escalão correspondente aos anos de serviço que possuem. Para ilustrar, um prof do quadro com 25 anos de serviço que agora está colocado no 4º escalão, quando progredir será para o 5º escalão, quando devia ser para o 7º escalão; um prof. vinculado, cumprindo os requisitos, vai diretamente para o escalão correspondente aos anos de serviço que possui; o errado é o governo SÓ FAZER ESSA CONTAGEM INTEGRAL para os profs vinculados extraordinariamente.

Parece que os sindicatos aceitam esta injustiça em prol da resolução de uma estupidez legislativa iniciada em 2007, uma espécie de aceitação de danos colaterais, que é ignóbil para quem é a vítima

“- A presente portaria define os termos e a forma como se processa o reposicionamento no escalão da carreira docente dos educadores de infância e dos professores dos ensinos básico e secundário do pessoal docente com tempo de serviço prestado antes do ingresso na referida carreira.

- Aos docentes que (…) devam ser reposicionados para além do 2.º escalão aplicam-se sucessivamente as seguintes regras:

a) São reposicionados provisoriamente no 2.º escalão da carreira para o efeito do cumprimento do requisito da observação de aulas;

b) Após o cumprimento da regra anterior, e voltando a contabilizar -se o tempo de serviço prestado antes do ingresso na carreira, se este permitir o reposicionamento para além do 4.º escalão, os docentes são reposicionados provisoriamente neste escalão para os seguintes efeitos:

i) Cumprimento do requisito de observação de aulas;

ii) Obtenção de vaga para o 5.º escalão, caso não estejam dispensados da mesma, nos termos do n.º 4 do artigo 37.º do ECD;

c) Cumpridos os requisitos exigidos na alínea anterior, se a contabilização do tempo de serviço que o docente ainda detém permitir o reposicionamento para além do 6.º escalão, os docentes são reposicionados provisoriamente neste escalão para o efeito do cumprimento do requisito de obtenção de vaga para o 7.º escalão”.



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Domingo, 29.04.18

 

 

 

É justa a iniciativa de cidadania activa que visa a recuperação do tempo de serviço, como é justa a luta em relação às regras dos concursos de Agosto de 2017 que originaram a contenda constitucional entre o Governo e o Parlamento. Sublinhe-se que o direito abandou a visão positivista do primado absoluto da lei para integrar uma concepção mais moderna: "um ir e vir constante entre a norma e o caso". As fontes dos juízes continuam a ser as normas, mas também a jurisprudência e a jurisprudência dogmática (ou doutrina). A quebra de contratos administrativos (por exemplo, a "eliminação" de tempo de serviço) por parte do Estado em "domínios considerados com omissão de procedimentos" (DOCP) enquadra-se nessa discussão. Há, obviamente, um sobreaquecimento de posições derivado a dois fenómenos: tratamento diferente do Estado nos contratos DOCP com os fortes e alegada corrupção e degradação ética de actores fundamentais da democracia. Apesar de tudo, os promotores destas importantes iniciativas (contagem de tempo de serviço e concursos justos) mantêm a argumentação no essencial e ganham força porque não a deslocam para as preferências partidárias que tantas vezes prejudicaram a força da razão. É disto, na minha modesta opinião, que o país precisa.

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Sábado, 28.04.18

 

 

 

Agora A Cores… A Ver Se Chegamos Às 5500 Ainda Hoje



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Terça-feira, 24.04.18

 

 

Contibuto de Mário Silva.

 

"A ilusão criada pela "minoria absoluta""

"Acontece que o descongelamento das carreiras, incluído no OE 2018, e que estipula que os acréscimos remuneratórios decorrentes dos direitos acumulados serão repostos de forma faseada em 2018 e 2019, vem acompanhado de mais um ano (o nono) de congelamento nominal dos salários na administração pública, ao qual se junta o já anunciado e mais que certo congelamento em 2019. Já não há dúvidas de que o congelamento dos salários significa tudo menos reposição de rendimentos mas traduz, imagine-se, empobrecimento efetivo dos funcionários públicos, uma palavra proibida no atual ciclo. Se o congelamento se mantiver no horizonte do Programa de Estabilidade, que dura até 2021, a perda de poder de compra acumulada desde o início desta década ascenderá a 20%. Este não tem sido o único determinante da redução de rendimento real dos funcionários públicos. Com efeito, a redução real dos salários é acrescida num valor entre 3% a 6% decorrente do agravamento do IRS (em 2013), com a introdução da sobretaxa e a revisão dos escalões (novamente alterados em 2018 e com um impacto, pasmese, regressivo, ou seja, prejudicando os mais pobres) e a alteração das tabelas de retenção. A este agravamento de IRS somam-se ainda as subidas dos descontos para a Caixa Geral de Aposentações (CGA) de 10% para 11% e para a ADSE de 1,5% para 3,5%, não revertidas pelo actual Governo, e a subida generalizada de quase todos os impostos indirectos que agravou a carga fiscal em Portugal.

A austeridade não só não acabou — como se apregoa aos quatro ventos — como se agravou nos últimos anos. Mas com uma diferença, é uma austeridade salarial real e uma austeridade fiscal indirecta. A pergunta que o leitor se coloca por esta altura é a de saber se, ainda assim, e na actual legislatura, o descongelamento das carreiras permitirá compensar a redução de poder compra ditada pela manutenção dos salários nominais. Para não contrariar a Lei de Betteridge, bem conhecida no meio jornalístico, a resposta é uma vez mais não. Considere-se, a título de exemplo, um assistente operacional na 2.ª categoria e com um salário de €557,00 em Dezembro de 2017 e que terá direito a progredir uma posição remuneratória para €583,58, com aumento faseado durante os anos de 2018 e 2019 (25% Jan-Ago; 50% Set 2018 — Abril 2019; 75% Mai-Out 2019; 100% Nov 2019). No final do 2018, o rendimento anual nominal terá aumentado 1,619% face a 2017, subindo este valor para 3,494% no final de 2019. Ora este valor não compensa a perda de poder de compra dos salários nominais em resultado da inflação acumulada no período 2016-2018 (-3,64%) e 2016-2019 (-5,09%), pelo que o empobrecimento continuará, num grupo profissional já tão sacrificado desde o período pré-troika. A opção governativa actual parece clara: aumentar o peso do emprego público na economia e ajustar, pelo preço, o peso da massa salarial dos trabalhadores em funções públicas no PIB. Mais emprego público, mas com salários (e pensões de velhice) cada vez mais baixos em termos nominais e reais."

Jorge Miguel Bravo, Economista;

dirigente da Cidadania Social

 

"As perdas de dinheiros públicos e privados que deverão exceder os 30 mil milhões de euros: contabiliza-se nesta estimativa as perdas privadas e públicas com o BES até Dezembro de 2015 de 19 mil milhões de euros, 4 mil milhões de euros com o Banif, 3,9 mil milhões de euros com a recapitalização da CGD em 2017, e 3,9 mil milhões de euros das garantias contingentes sobre activos do Novo Banco, oferecidos pelo Governo à Lone Star, que se antecipa venham a ser plenamente exercidas."

Ricardo Cabral, economista



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Sexta-feira, 20.04.18

 

 

 

A média da idade dos professores subiu e sabemos os motivos. Mas não é apenas isso que explica a catadupa de baixas médicas por burnout. Os números são taxativos. O fenómeno detecta-se a partir dos 50 anos de idade ou mesmo antes. A degradação da carreira associada à hiperburocracia, à lógica do cliente escolar e à sucessão de nefastas e inconsequentes políticas educativas também explica o grave problema de saúde pública. 



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Segunda-feira, 16.04.18

 

 

 

Percebeu-se, pouco depois da mudança de milénio, que o arco governativo consertaria a precarização dos professores. Se o peso dos salários do Estado atinge valores de há 29 anos (11% do PIB - como em 1989 - de acordo "com as séries publicadas pela Comissão Europeia) a degradação da carreira associada às progressões remuneratórias recuará para níveis anteriores (de 160 mil professores em 2006 sobram menos de 100 mil e com uma descida da média salarial em velocidade de cruzeiro). Os professores, por serem muitos e por outras coisas mais, pagaram, como ninguém na administração pública, o desvario bancário (mas por que é que não se divulga a identidade dos grandes devedores?). Suportaram a ferocidade de Sócrates, a ideologia além da troika de Passos e olham perplexos para a confessada obsessão do Governo com o défice. Ou seja, precarizam, é factual, com a totalidade do parlamento.

 

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Segunda-feira, 09.04.18

 

 

 

"Podemos chegar a um futuro em que uma parte da força de trabalho desenvolverá diferentes tarefas para assegurar o seu rendimento - pode-se ser um motorista da Uber, um shopper do Instacart, um anfitrião do Airbnb e um Taskrabbit", Klaus Schwab (2017:46), "A Quarta Revolução Industrial". 

Ou seja, é pertinente a interrogação (bem fundamentada) que coloca os professores contratados neste nível de precariedade. Aliás, o facto da profissão de professor não aparecer nos quadros de probabilidades das profissões mais ou menos propensas à automatização só suprime ainda mais qualquer certeza sobre o futuro.

Mais à frente, o autor diz que

"(...)as vantagens para as empresas e, em particular, para as startups em rápido crescimento na economia global são claras. À medida que as plataformas de nuvem humana classificam os trabalhadores como independentes, ficam livres(...)dos aborrecimentos e regulamentos de empregos.(...)Para as pessoas que estão na nuvem,(...)será este o início de uma nova e flexível revolução do trabalho que capacitará qualquer indivíduo que tenha ligação à internet e que eliminará a falta de competências? Ou poderá desencadear o início de uma corrida inexorável para o fundo num mundo de exploração do trabalho virtual não regulamentado? Se o resultado for o último(...)será que isto poderá conduzir a uma poderosa fonte de instabilidade social e política?(...)"



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Terça-feira, 27.03.18

 

 

 

Com tanta precariedade e baixos salários, o que resta aos jovens entre os 20 e os 34 anos de idade? No caso do sistema escolar, será muito difícil renovar mais de 45 mil professores num espaço de dois ou três anos que se aproxima a toda a velocidade. É que para além do grave prolongamento da idade para a aposentação que originará a dificuldade da renovação referida, a atractividade da carreira de professor bateu no fundo.

 

"Portugal foi o país da União Europeia (UE) onde mais jovens no desemprego se mostraram disponíveis para sair do seu local de residência com o objectivo de conseguir um emprego em 2016, indicou esta terça-feira o Eurostat. Segundo o gabinete de estatísticas da União Europeia, apenas 29% dos jovens portugueses desempregados, com idades compreendidas entre os 20 e os 34 anos, não admitiam procurar emprego fora do seu local de residência, um número abaixo da média comunitária (50%).(...)"



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Sexta-feira, 23.03.18

 

 

 

Por muito que se apresentem estudos e mais estudos, e exemplos e mais exemplos, Portugal foi capturado pelo algoritmo da dívida, pela sociedade ausente e pelos "teóricos da selva". 

 

"(...)a Finlândia é apresentada como um modelo a seguir em matéria de ensino. Em entrevista à RTP, a ministra finlandesa da Educação aponta os professores como chave do sucesso finlandês e defende a aposta na formação de docentes. Sanni Grahn-Laasonen louva a autonomia escolar e insiste que a motivação dos alunos está relacionada com o sucesso escolar. Assume por isso o objetivo de tornar a escola "mais divertida" e sublinha que aprender passa também por deixar as crianças brincar e fazerem parte de um grupo.(...)O sucesso da educação finlandesa está associado a um sistema de ensino inteiramente gratuito, onde a escolaridade obrigatória só começa aos sete anos e as crianças passam menos tempo na escola do que em Portugal. Os trabalhos de casa são quase inexistentes e não há exames nacionais. Os professores têm autonomia para definir os recursos utilizados e não são avaliados.(...)"



publicado por paulo prudêncio às 16:04 | link do post | comentar | partilhar

Terça-feira, 13.03.18

 

 

 

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É notório que há uma nova corrida ao armamento. É interessante comparar os números e os argumentos de resgates a bancos e preços de porta-aviões gigantes. Vale mesmo a pena ler a seguinte opinião:

"(...)É que Portugal também já gastou em resgates públicos a bancos o equivalente ao fabrico de pelo menos um novo porta-aviões gigante. No caso de Itália, foram pelo menos dois. E no caso de Espanha um número ainda superior. Para não falar de outros casos na Irlanda, Bélgica, Holanda, França ou Alemanha.(...)"



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Domingo, 04.03.18

 

 

 

Diversos inamovíveis (alunos por turma, aumentos nos horários, carga curricular, regras para aposentação, hiperburocracia e desconfiança nos professores, modelo de agrupamento de escolas, estatuto da carreira e sociedade ausente), exigem que a maior parte dos professores se centre num único objectivo em nome da dignidade: que as aulas não se afastem muito do que seria possível. Só quem nunca passou uns anos a leccionar, é que confundirá o que escrevi com corporativismo.

 

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 Nota: alunos e outros profissionais escolares subscrevem a resposta "aos planos" do desenho do Quino; interrogação adaptada ao tempo do texto.



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Quinta-feira, 01.03.18

 

 

 

As regras da aposentação associadas a diversos inamovíveis (alunos por turma, aumentos nos horários, burocracia, modelo de agrupamento de escolas, sociedade ausente e estatuto da carreira), exigem que a maior parte dos professores se centre num único objectivo para salvar a dignidade: que as aulas não se afastem muito do que seria possível. Só quem nunca passou uns anos a leccionar, é que confundirá o que escrevi com corporativismo.

 

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Nota: desenho do Quino. Diálogo adaptado ao tempo do texto.

 



publicado por paulo prudêncio às 19:42 | link do post | comentar | ver comentários (4) | partilhar

Sexta-feira, 23.02.18

 

 

 

Contributo de Mário Silva.

 

"A vida real pessoal e pedagógica não é uma declaração jornalística...
 
Uma professora ficou sem voz e este facto permitiu refletir sobre 3 condições: 
1- uma ferramenta profissional essencial; 
2- a manutenção de uma crueldade social; 
3- a falácia da flexibilidade curricular.
 
1- Um docente sem voz não pode ensinar. Pode não ter membros, estar paraplégico ou até tetraplégico, que tendo voz, pode ensinar. O som é  uma ferramenta essencial no ensino.
2- O docente não tem voz mas mantém-se funcional em todos os outros aspetos; contudo, como não tem a ferramenta essencial, tem de declarar incapacidade temporária, para recuperar algo que demora aproximadamente 5 dias a ficar normal. No modelo social atual, implicaria apresentar atestado médico, sendo descontado integralmente 3 dias de salário e uma percentagem nos restantes, agravando o já degradado rendimento mensal. 
3- Para não perder um rendimento não desprezável, foi pedida uma coadjuvação voluntária. Na aula de uma turma do secundário, a coadjuvante servia de porta-voz, orientando a aprendizagem de acordo com o modelo de flexibilidade curricular que se quer generalizar. Neste modelo, o conceito de aprendizagem significativa é o cerne do processo; mas implica uma disponibilidade tanto dos alunos como de tempo letivo. O plano de aula desenvolveu-se de modo a que começou a mobilizar aprendizagens de outras áreas do conhecimento; apesar da produtividade, em determinado momento a colega sussurrou ao ouvido da coadjuvante: ”Já estou atrasada no programa relativamente ao outro colega que tem outra turma. Temos de abreviar”. E nesse momento, constata-se a falácia da flexibilidade curricular quando se tem a grilheta do programa obrigatório do exame nacional para cumprir, algo essencial ao destino dos alunos mas irrelevante para a aprendizagem significativa...
Essa falácia torna-se mais evidente quando os futuros alunos universitários constatarem que nesse modelo de ensino impera o expositivismo 'puro e duro', tendo de se desenrascarem sozinhos, sem terem acesso a serviços de apoio educativo, ocorrendo inevitavelmente um choque intelectual negativo."
 
E assim, as declarações dos pretensos modificadores de métodos de trabalho pedagógico em conferências de imprensa, artigos de opinião ou vídeos de divulgação, revelam-se desfasadas do que acontece no quotidiano real...
 
Mário Silva


publicado por paulo prudêncio às 14:13 | link do post | comentar | partilhar

Segunda-feira, 05.02.18

 

 

 

 

O perfil do professor assumirá como fundamental a competência numa parafernália de procedimentos digitais cuja (in)utilidade é um ilusório controle das salas de aula. O cumprimento de prazos insensatos reforçará o bom desempenho (associado à capacidade de fazer de conta). Essa hiperburocracia afirmará a crescente desconfiança nos professores e nivelará por baixo. Eliminará, como alguém disse, o carisma das salas de aula. Transformará as escolas em linhas de montagem avessas a qualquer tipo de ousadia ou poesia. Será uma precarização normalizada em ambiente administrativo ou indisciplinado. Não sobrará tempo, nem energia, para a aula. O desgaste será indisfarçável.

Já há história suficiente para não repetir o erro. Aliás, volta a ser recomendável o visionamento do "Clube dos Poetas Mortos" e sublinhar que a confiança nos profissionais (não aprecio mesmo as expressões recursos humanos ou colaboradores) é uma chave fundamental, como se percebe no estudo de qualquer organização bem sucedida.

 

Imagem do filme referido.

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publicado por paulo prudêncio às 13:55 | link do post | comentar | partilhar

Quinta-feira, 01.02.18

 

 

 

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O Expresso anuncia o seguinte: 

"Pretende ser o maior estudo de sempre sobre o desgaste emocional dos professores, “burnout” incluído”, e sobre as condições em que estes trabalham - se há cansaço, desânimo, desmotivação ou, pelo contrário, alegria. Ainda não há conclusões - essas serão divulgadas em junho - mas já há algumas certezas. “Estamos a assistir a um adoecimento inédito dos professores nas últimas quatro décadas”, diz Raquel Varela, investigadora da Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova e coordenadora de um estudo em curso sobre o desgaste dos professores, realizado em parceria com a Fenprof(...)"

Tenho a certeza que não há qualquer dúvida nos membros do Governo e das organizações sindicais sobre o estado das condições de realização da profissão de professor. Sabem-no e têm os números: das baixas médicas, por exemplo, dos inquéritos que não comprometem os actores e dos dados relativos à profissão docente. Também conhecem o rol de testemunhos da última década. Ou seja, para se decidir nesta matéria não são necessários mais estudos, embora o que acabei de escrever não injustifique o presente anúncio.

A investigadora acrescenta:

"(...)Isto é um estudo não só sobre o desgaste emocional e o chamado “burnout”, mas também sobre as condições de vida e sobre a vivência subjetiva dos professores nas escolas. Ou seja, o que eles sentem em relação aos alunos, em relação à gestão, em relação aos superiores hierárquicos e em relação aos seus colegas. Tudo isso será abrangido neste inquérito. Estamos a apontar para uma recolha individual de cerca de 40 mil inquéritos. Se conseguimos fazer isso, será de facto um dos maiores estudos realizados desde que existem estudos semelhantes, ou seja, desde os anos 70. Note-se que estamos a falar de uma categoria de profissionais que são responsáveis pelo futuro do país, que formam o país e os trabalhadores do país. As condições de vida e de trabalho desde 130 mil docentes são absolutamente essenciais para determinar como é que vão ser formados os atuais alunos.(...)



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Segunda-feira, 22.01.18

 

 

 

 

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A confiança nos professores, e na sua autoridade enquanto educadores que transportam saberes nucleares, tem um relação decisiva com o futuro da democracia e com as boas aprendizagens dos alunos. A liberdade de aprender e ensinar é um direito inalienável para alunos e professores e há história suficiente para eliminar equívocos quanto aos efeitos. Há um património docimológico com exigências democráticas. É surpreendente que, na ânsia do controlo das salas de aula e num exercício de nivelamento por baixo (ou seja, constroem-se procedimentos centrados na "caça aos desvios", arrasta-se a organização para esse nível e elimina-se a ousadia), sejam os professores a dar corpo à conjugação obsessiva de verbos destinados ao controle burocrático e à consequente crise através do clima de faz de conta.

“(...)uma crise na educação suscitaria sempre graves problemas mesmo se não fosse, como no caso presente, o reflexo de uma crise muito mais geral e da instabilidade da sociedade moderna.(...)”.

Arendt, H. (2006:195).

Entre o passado e o futuro.

Oito exercícios sobre o pensamento político.

Lisboa: Relógio D´Água.



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Quinta-feira, 11.01.18

 

 

 

Custa acreditar que o Governo, por questões financeiras (seria ainda pior se houvesse uma atitude revanchista coordenada pelos mesmos do período 2005-2009), use a avaliação kafkiana do desempenho dos professores para bloquear descongelamentos e progressões. Era preferível dizer que não existem euros suficientes e aplicar o princípio a toda a administração pública e não apenas aos professores. Ou seja, continua o raciocínio: excluímos os professores e desenvolvemos o calendário eleitoral. O vídeo seguinte explica bem os detalhes.

 

 



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Sexta-feira, 15.12.17

 

 

 

É um facto: os professores venceram muitas batalhas, mas perderam a principal. Mas leia e continue na ligação que vale a pena.

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"Não há nenhuma classe profissional tão hostilizada nos jornais como os professores. De um modo geral, todas as reivindicações dos professores são consideradas ilegítimas e a classe profissional é vista como detentora de uma força sindical da qual faz um uso abusivo. Diga-se, em boa verdade, que antes de enfrentar a hostilidade do jornalismo, os professores tiveram de enfrentar as hostilidades do modelo de gestão da escola e do ensino, numa guerra da qual saíram vencidos. Foi-se reduzindo progressivamente o tempo de trabalho autónomo, que era uma parte importante do tempo de trabalho de um professor (porque se entendia que o saber – manual ou intelectual, técnico ou teórico, académico ou não — é um direito à autonomia) e aumentando o tempo de trabalho controlado, que é hoje a quase totalidade do trabalho docente. O professor ficou assim submetido ao trabalho das classes proletárias, mas continua a recair sobre ele a imagem de que é um animal de luxo. E aí começa a caça ao professor. Há já algum tempo que começou a prosperar, por todo o lado, uma bibliografia que consiste em testemunhos desencantados de professores e ex-professores.(...)"



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