Em busca do pensamento livre.

Sábado, 07.07.18

 

 

Captura de Tela 2018-07-06 às 21.23.26

 Usei alguns argumentos num post recente.

 

Sabia-se deste caso de saúde pública, mas "metade dos professores com sinais "preocupantes" de exaustão emocional" ultrapassa os limites. Há muito que se concluiu da responsabilidade das denominadas "Novas Políticas de Gestão Pública" (perpetradas desde 2006, com sinais desde 2003, e que os países europeus sensatos nem quiseram ouvir falar) agravadas pelo radicalismo que a troika facilitou. A desconfiança nos professores tomou conta das escolas, com a seguinte cronologia: divisão da carreira, inutilidades horárias, avaliação do desempenho inaplicável, hiperburocracia, contratados eternos, "cliente tem sempre razão", escola a tempo inteiro a eito, horários ao minuto, inferno da medição, concursos injustos, alunos por turma, horários zero e idade da reforma. E depois temos a tal doença grave, silenciosa e ubíqua, que destrói a atmosfera relacional porque facilita modelos de baixo perfil (autocráticos e hiperburocráticos) e transporta a partidocracia para o interior da escola (a tal teia Tutti-Frutti autárquica): o modelo de gestão agravado com os "impensados" agrupamentos (será de "fugir" com a municipalização, por muito que custe à civilizada ideia de poder local).

O Governo começou bem, mas foi só o início; nenhum sinal da simplificação de procedimentos e nem sequer as questões não financeiras e de ambiente democrático mereceram uma mudança. Mas não foi apenas o Governo. Também não se ouviu o parlamento ou o PR. Por outro lado, os serviços centrais do ME nunca detectaram, nos mais variados relatórios de avaliação externa, um qualquer indicador dos “absolutamente catastróficos” registados pela coordenadora do estudo.

"Os investigadores da Universidade Nova de Lisboa detectaram uma “correlação muito forte” entre o estado de exaustão emocional e a idade dos professores. Os níveis de exaustão são especialmente elevados nos professores com mais de 55 anos, que, de acordo com os últimos dados oficiais, representam quase 40% dos docentes ao serviço nas escolas nacionais. Outros factores que influenciam esta situação são questões de carreira (queixas sobre baixos salários e desejo de reforma antecipada), de organização (burocracia na escola e gestão hierarquizada), bem como a indisciplina dos alunos."

 

Nota: o estudo da Universidade Nova de Lisboa tem crédito, a amostra é significativa e sem paralelo e as respostas ao inquérito realizaram-se há meses e não nos últimos dias. Este último dado é importante para que não se julgue que o estudo foi influenciado pela situação vigente. Importa salientar que os mais de 12.000 professores que estão de baixa médica não responderam ao inquérito.



publicado por paulo prudêncio às 10:23 | link do post | comentar | partilhar

Sexta-feira, 06.07.18

 

 

 

É importante centrar a discussão. A recuperação de todo o tempo de serviço não é um exigência dos professores: é um direito. O faseamento da recuperação é um princípio aceitável que deve ser aplicado a toda a administração central como aconteceu com os cortes. Já a idade para a aposentação conjugada com o tempo de serviço requer programas específicos dentro da administração central, uma vez que se reconhecem os corpos especiais. E os professores, como é de reconhecimento geral, exercem uma actividade em que a energia é vital. Leccionar com mais de 60 anos e com mais de 36 anos de serviço é uma "impossibilidade" e é nesses casos que se deve estudar a troca da recuperação de tempo de serviço por tempo para a aposentação de modo a acelerar processos em regime voluntário. Já agora, e tomando como outro exemplo os escalões com vagas (essa injustiça), recuperar o tempo de serviço tem de eliminar essa barreira artificial.



publicado por paulo prudêncio às 00:02 | link do post | comentar | ver comentários (2) | partilhar

Quinta-feira, 05.07.18

 

 

 

O post está no blogue "O Meu Quintal".

 

As Contas Erradas do (Gabinete do) Ministro

 

A argumentação é tão preciosa que a colo também por aqui.

 

"O ponto 1 e o ponto 6 da convocatória do ME contradizem-se.

No ponto 1 insiste-se na justiça e equidade baseada em contas erradas. E insistir nisso não é estar de boa fé.
 .
«Esta proposta do governo, fundada nos princípios de justiça e de equidade» e o resto do parágrafo é uma aldrabice. Não me admirava que o ministro tenha dado a convocatória a assinar à chefe do gabinete, com vergonha desse parágrafo. No ponto 6 fala-se em «boa fé negocial em todo este processo».
 .
O tempo deve ser contado em anos – seja para o trabalhador da carreira x seja para o da carreira y. Se contam 7 anos para uns devem contar 7 anos para outros. E se querem contar 2 anos e 9 meses para uns, devem contar 2 anos e 9 meses a todos.
 .
Mas as contas da “equidade e justiça” são contar 7 anos a uns, dizendo que esses 7 anos são 70% de um escalão de 10 anos. Logo contam 2 anos, 9 meses e 18 dias, que são também 70% de um escalão. Mas de um escalão de 4 anos.
 –
Usar percentagens de escalões com diferentes durações é como tentar trocar notas de euros à porta da casa de idosos.
 .
Levei 17,5 anos a chegar ao 2º escalão (16,5 dos quais no quadro). Tive um aumento bruto de 47 euros e uns cêntimos.
 .
Se o Estado me contabilizar menos um dia do que a outro funcionário da administração pública – seja de que carreira for – recorro ao tribunal, mesmo que tenha que o fazer sozinho.
 .
Os professores também são contribuintes, que iriam estar a pagar a outros funcionários da administração pública progressões baseadas em cálculos injustos e não equitativos.
 .
Entretanto o MN confunde tudo ao dizer que «o governo diz que são os 70% do 9a4m2d, que são 2a9m18d» no vídeo 2’30 até 2’45
.
O governo não diz isto. Até porque 70% dos 9 anos e 4 meses são 6 anos e meio.
.
Não sei se o MN e a SE estão meio perdidos com a matemática.
.
O ministro não está de certeza. Pode ser um boneco e ignorante na área da educação. Mas esta matemática é básica para ele, que sabe muito bem que a conta apresentada pelo governo é uma aldrabice.
.
Como é que um doutorado em bioquímica acredita que 70% de 10 é igual a 70% de 4?
.
Como acredita que são equivalentes, seja para obter “equidade” e “justiça” seja para fazer um cálculo no laboratório?
.
O argumento é sermos muitos e não haver dinheiro? Deviam ter pensado nisso antes de darem tempo de serviço a outros funcionários da administração pública. Se dão 7 anos a uns, dão 7 anos a todos, seja de que carreira for. Nem é uma questão que tenha que ser negociada. É uma obrigação constitucional.
.
Levei 17,5 anos a chegar ao 2º escalão (16,5 dos quais no quadro). Tive um aumento bruto de 47 euros e uns cêntimos,
.
Se o Estado me contabilizar menos um dia do que a outro funcionário da administração pública – seja de que carreira for – recorro ao tribunal, mesmo que tenha que o fazer sozinho.
.
Cumprimentos"
.
Rui Araújo


publicado por paulo prudêncio às 08:30 | link do post | comentar | partilhar

Terça-feira, 03.07.18

 

 

 

Os professores (e repito: como ficou claro em Outubro de 2017) não podiam ser os únicos excluídos da recuperação do tempo de serviço. Nunca os ouvi falar da impossibilidade de um faseamento a aplicar a toda a administração central. Declarar que não se recupera tempo de serviço porque é prioritário construir vias rodoviárias inadiáveis é colocar a discussão num nível inaceitável para o algoritmo (e para os princípios, já agora) enunciados pelo actual Governo.



publicado por paulo prudêncio às 12:31 | link do post | comentar | ver comentários (2) | partilhar

Segunda-feira, 02.07.18

 

 

 

Aquecimento-global-está-afetando-o-planeta-Terra-2

 

Começou em Outubro de 2017 mais uma devassa, a vigente, da carreira dos professores com uma declaração governativa: "os professores não recuperarão o tempo de serviço porque a sua avaliação é a única que não é por pontos e têm progressão automática". Falácias transformadas no conhecido arremesso mediático: não querem ser avaliados. Quase um ano depois, os professores conseguiram, mais uma vez, desconstruir a mentira. Nesta fase, prevalece o argumento financeiro (passou a prioridades) porque a avaliação dos professores é, afinal, das mais exigentes. Esta evidência tem história e mantém-se num patamar civilizado na maioria das democracias. Os EUA, onde tudo acontece, é um bom exemplo e merecia mais estudo para evitar as nossas cíclicas convulsões.

Escolhi dois exemplos que representam o esgotamento político do grande bloco central.

A mudança radical de posição de Diane Ravitch, ex-secretária de Estado na administração do Bush pai, lê-se em duas obras fundamentais onde expõe as reformas das últimas décadas nos EUA: "Reign of Error: The Hoax of the Privatization Movement and the Danger to America's Public Schools" (O reinado do erro: A farsa do movimento de desestatização e o perigo para as escolas públicas da América) e "Vida e morte do sistema escolar americano: como os testes padronizados e o modelo de mercado ameaçam a educação". Diane Ravitch critica os pressupostos ideológicos e denuncia os resultados. É enfática na critica aos modelos empresariais hierarquizados de escolha de profissionais (com recompensas e punições financeiras) que negligenciaram a dimensão pedagógica e política da educação.

Mais recentes são "os estudos" que "desacreditam de forma inapelável" "o novo sistema de avaliação de professores patrocinado pela Fundação Gates e pelas bolsas do "Obama Race to the To": foi uma experiência cara sem nenhum ganho para os alunos". O programa baseou-se na avaliação dos professores pelas pontuações dos testes dos alunos e na observação de aulas com base em métodos de ensino padronizados. O modelo pontuava e premiava os professores altamente eficazes; despedia os ineficazes. Alguns reformadores associavam-no à rápida melhoria dos resultados dos alunos, mesmo aos de baixo desempenho. Acreditou-se que desprezaria os factores socioeconómicos. Estas teorias erraram. Concluiu-se que os professores não resolvem os problemas educativos. Estes modelos empurram os bons professores para fora da profissão e desencorajam a candidatura dos jovens com melhores resultados. São responsáveis pela escassez de professores. Há ainda resultados graves associados ao burnout dos professores que se manifesta cada vez mais cedo. Aliás, a (im)paciência dos professores portugueses está num nível semelhante.



publicado por paulo prudêncio às 19:50 | link do post | comentar | partilhar

 

 

 

Contributo de Maria Silva (um comentário que passei a post).

 

"A má vontade mal resolvida contra os professores comporta vários fatores:


1- Um imaginário limitado em relação à importância da cultura e do saber, enformado por uma sociedade cujo perfil, no momento em que acontece o 25 de abril, apresenta a mais alta taxa de analfabetismo da Europa, situação que não foi resolvida, como deveria, com uma revolução cultural, mas que foi varrida para debaixo do tapete com a massificação da escola. Assim a massificação de diplomados que é hoje constituída por decisores e “opinion makers” deste país é oriunda deste perfil social e reconhece mais valor ao futebol do que ao teatro, por exemplo.
2- O facto da expetativa em relação à escola ser irrealista, de se atribuírem à escola missões impossíveis que obviamente só pode falhar. Por exemplo, espera-se da escola que descubra o brilhantismo oculto que existe em cada um nós, antes mesmo de que ele seja revelado perante o próprio. O professor tem o ónus de modelar mentes e vontades até ao infinito, tarefa que não se espera de psicólogos e psiquiatras que são especialistas na mente humana. A indefinição clara das incumbências da escola e das limitações da sua ação, servem a correlativa indefinição acusatória que flutua contra a escola e contra os seus agentes, os professores.
3- A assimetria social, não existem quotas de género para o grupo profissional dos professores, predominantemente constituído por indivíduos do sexo feminino. Esta situação é afetada por alguma simbologia social. O facto da sua imagem social não ser representada por executivos de fato e gravata, com um ar grave, influencia o estatuto social do grupo profissional dos professores, que são tuteados na praça pública com a familiaridade de quem vive na porta ao lado, sem se vislumbrar que a educação é um sector tão estratégico como as finanças, uma vez que a principal riqueza que este país possui são os recursos humanos, e todos: juízes, políticos, artistas, cientistas, metalúrgicos etc. são formados na escola.
A nossa sociedade atribui ao grupo profissional dos professores (apesar da exigente tarefa que lhe cobra) um estatuto remuneratório inferior ao de outros grupos profissionais com graus académicos equivalentes, porque aceita que o contributo para o orçamento familiar da mulher seja secundário em relação ao do homem.
O tradicional espírito de entrega e de sacrifício das mulheres e a sua capacidade de multitarefas, paradoxalmente, não ajuda ao seu reconhecimento."

 

Maria Silva.



publicado por paulo prudêncio às 13:51 | link do post | comentar | partilhar

Quinta-feira, 28.06.18

 

 

 

""Centeno quer funcionários públicos mais motivados e a faltar menos". O ministro das Finanças defendeu hoje funcionários "mais motivados", uma cultura organizacional "mais proativa" e programas de saúde ocupacional que combatam o absentismo por doença ou acidentes de trabalho", diz o Expresso. A notícia é longa. Não sei se Centeno excluiu a educação desta entrevista, mas no caso escolar as componentes críticas estão há muito identificadas. Absentismo? Mais do que conhecidas as causas. Cultura organizacional? Também estão bem identificadas as viráveis a mudar, embora os serviços centrais do ME "concluam" o contrário. Há anos que ajudam a descer com uma deriva info-excluída. É preciso alterar para escalas organizacionais com dimensão civilizada, humanizada e desburocratizada e com ambientes democráticos consolidados como a base para o que Centeno deseja. A menos que o ministro também já tenha sido absorvido pelo centralismo democrático neoliberal do eurogrupo.

A imagem que se segue é a que acompanha a notícia. Talvez seja isso: o ministro está a brincar.

 

mw-860

 



publicado por paulo prudêncio às 15:09 | link do post | comentar | partilhar

Segunda-feira, 25.06.18

 

 

 

 

O cepticismo, para quem já tem uma vida com alguma longevidade, é um sentimento egoísta em relação aos mais jovens? Percebe-se a resposta positiva, mas é refutável. Ouvi Pacheco Pereira dizer mais ou menos assim sobre o cepticismo relacionado com o estado da europa e do mundo: "Os alicerces da Europa foram minados pela corrupção. De cima para baixo e de baixo para cima. Basta olharmos à nossa volta." Há, portanto, fundamentos para o cepticismo. E se aplicarmos a interrogação inicial ao estado vigente na educação e se a longevidade dos professores é um dos factos que mais se evidencia, o cepticismo não pode ser um modo egoísta em relação aos jovens para que a esperança não ocupe o lugar dos mitos. Mas isso resolve-se, ou atenua-se, com factos e o cepticismo será um modo construtivo.

mitos-1254x640

 

 



publicado por paulo prudêncio às 22:18 | link do post | comentar | partilhar

Sexta-feira, 22.06.18

 

 

 

As novas contas do Ministério das Finanças ("os custos das progressões dos professores em 2018 baixam de 90 para 37 milhões"), escaparam a uma geometria política variável na manipulação de números e argumentos que há mais de uma década degrada a carreira dos professores. Ou seja, o concreto fragilizou a argumentação governativa. Tem sido assim com os últimos executivos e nem os governantes da educação diferem (dá ideia, tal o grau da coisa, que o presente é um ajuste de contas que vem de 2007 e 2008, como se não bastasse o desprezo profissional que se intensificou desde aí). Aliás, o que surpreendeu os governos, e quem os apoia de modo clubista, foi a capacidade dos professores mediatizarem argumentação e desconstruirem falácias com solidez. Já era tempo, e como sublinha Klaus Schwab (2017:64) na "A Quarta Revolução Industrial", de "(...)os governos se adaptarem ao facto do poder estar a mudar de agentes estatais para não estatais e de instituições estabelecidas para redes dispersas. As novas tecnologias e os grupos sociais e as interacções que promovem permitem que praticamente qualquer pessoa exerça influência de um forma que seria inconcebível há apenas alguns anos.(...)". A educação está num pré-caos e num impasse: o Governo terá de rebuscar o faseamento da recuperação do tempo de serviço e a plataforma sindical não poderá assinar uma versão que não o contemple. A mesa negocial não valorizou o aparecimento de um sindicato digital, nem, e pela enésima vez, o efeito das redes sociais e do grau de saturação dos profissionais, e o executivo adiou o inadiável. Agora, terá de ser célere e inteligente numa solução salvífica para as faces. 

 

33657730603_a63b85c6ef

Faces, Picasso



publicado por paulo prudêncio às 18:57 | link do post | comentar | ver comentários (4) | partilhar

Quinta-feira, 21.06.18

 

 

 

Recebi o texto que se segue por email devidamente identicado.

 

"Os factos da SE estão baseados em cálculos errados.

 

O que a SE está a fazer é misturar minutos com segundos. Ou euros com cêntimos.

As contas da SE estão erradas.(...)Imaginemos duas carreira, ambas correspondendo a técnicos superiores da administração pública. Uma tem 10 escalões de 4 anos e outra tem 4 escalões de 10 anos. Ambas perfazem um total de 40 anos.

E a média salarial mensal, ao longo desses 40 anos, até pode ser a mesma.

Agora usemos a mesma lógica da SE, mas para fazer outro cálculo.

Se for contado aos professores 2 anos, 9 meses e 18 dias, perdem 6 anos, 6 meses e 15 dias. Perdem o equivalente a 100% de 1 escalão e 62,5% de outro.

Então, pela justiça e equidade da SE todos devem perder o mesmo. Quem tem escalões de 10 anos deve perder 100% de um escalão e 62,5% de outro. Deve perder 16,25 anos de progressão.

É essa perda que fará os restantes técnicos superiores da administração pública perceberem o que querem tirar aos professores.

 

Rui Araújo"



publicado por paulo prudêncio às 23:11 | link do post | comentar | partilhar

 

 

 

É um bom exercício comparar o muito bom vídeo de Joana Mortágua (JM), que está mais abaixo, com "o texto de opinião" de Alexandra Leitão (AL) hoje no Público. Duas políticas jovens que pertencem à maioria que apoia o Governo. Espera-se que remem para o mesmo lado, embora devam discordar para que se iluminem. A 1ª informa. A 2ª desinforma. A 1ª é imparcial. A 2ª não o consegue e constrói os argumentos de modo a manipular quem a leia sem informação. Aliás, basta ver o vídeo de JM e ler de seguida o texto de AL. Serão 5 a 6 minutos elucidativos e é pena que assim seja.



publicado por paulo prudêncio às 12:55 | link do post | comentar | partilhar

Terça-feira, 19.06.18

 

 

 Um bom vídeo com 4 minutos.

 

 



publicado por paulo prudêncio às 10:29 | link do post | comentar | ver comentários (2) | partilhar

Sábado, 16.06.18

 

 

A 1ª página do Expresso diz assim:

 

Captura de Tela 2018-06-16 às 12.38.34

 

 



publicado por paulo prudêncio às 12:39 | link do post | comentar | ver comentários (4) | partilhar

Segunda-feira, 11.06.18

 

 

 

O Estado, e muito bem, considerou alguns grupos profissionais como corpos especiais da função pública. Professores, Magistrados, Militares e Polícias têm carreiras com regimes próprios, mas que respeitam a lei geral da administração central. Se olharmos para os grupos escolhidos, percebemos as especificidades e o desgaste a que estão sujeitos. Até pelo exposto, políticos e comentadores associados deveriam informar-se antes de opinarem sobre os conteúdos das carreiras.



publicado por paulo prudêncio às 20:23 | link do post | comentar | partilhar

Quarta-feira, 06.06.18

 

 

 

Faltarão professores se persistirmos na degradação da carreira. Aliás, já se sente a falta. Apenas algumas disciplinas ou ciclos registam um número de candidatos que satisfaz as necessidades. Mas sejamos claros: somos um país pobre (em grande parte por causa da corrupção), com baixos salários e com ofertas de emprego muito pouco atractivas. É o que explica a existência de professores nas listas de espera. Resumamos: ainda há professores por falta de alternativa. Mas mesmo isso, esgota-se. Não é avisado aplicar à carreira dos professores o "estatuto" que permitiu reduzir o desemprego. Basta olhar para os países europeus que seguiram esse caminho na educação; e com salários superiores aos nossos.

 

professores-sp-faltam-mais-20-dias-ano-noticias

 



publicado por paulo prudêncio às 17:47 | link do post | comentar | ver comentários (6) | partilhar

 

 

 

Há educação sem professores?

 

 

Captura de Tela 2018-06-06 às 17.08.59

 



publicado por paulo prudêncio às 17:09 | link do post | comentar | partilhar

Terça-feira, 05.06.18

 

 

 

O Governo argumenta com a avaliação para eliminar tempo de serviço (o ministro da educação recuperou o discurso das finanças, SE do emprego público, de Outubro de 2017). É inaceitável. São razões financeiras e ponto final. Se não existe financiamento, não se aplique a supressão apenas aos professores e negoceie-se. É difícil? Nunca ouvi dizer que a democracia não é exigente. O Governo diz que exclui por causa dos pontos. Diz o Governo que nas outras carreiras se obtém um ponto por ano até ao necessário à mudança de categoria e que nos professores é por menção qualitativa. Neste contexto, a distinção é uma falácia destinada à manipulação mediática. A menção é obtida, com quotas, numa escala de 0 a 10 pontos (por exemplo: 7.51 pontos é bom e 8.53 pontos é muito bom) e a mudança de categoria acontece também ao fim de x anos (algumas categorias obedecem a vagas). Era preferível o Governo pedir desculpa aos professores por os excluir como os anteriores e dizer a verdade: os professores são muitos.

Importa sublinhar, e prevendo já o argumentário habitual do "arremesso ao professor", que a sucessão de "reformas estruturais" deixou o Estado, e a sociedade, sem norte e a avaliação do desempenho é um espelho: no Estado (SIADAP) é um fingimento e em 95% das empresas não existe.

 

41841793304_f16753de1e

 

Imagem: Página 13 da edição impressa do Público de 15 de Fevereiro de 2014.

O estudo que concluiu que a avaliação do desempenho não era praticada em 95% das empresas foi publicado uma semana antes, salvo erro.

Os sindicatos de professores usaram, e bem, o argumento.



publicado por paulo prudêncio às 09:46 | link do post | comentar | ver comentários (2) | partilhar

Sexta-feira, 01.06.18

 

 

 

"O número de professores que requereu a reforma é o mais baixo de sempre", concluía-se novamente num debate radiofónico. A causa está identificada: idade da reforma aos 66 anos com penalizações indecorosas nas antecipações, num grupo profissional que se reformava entre os 56 e os 58 (52 no pré-escolar e 1º ciclo) com 35 anos de serviço.

Como a degradação da carreira está inamovível - contagem do tempo de serviço, componente não lectiva em modo inútil, "legislês" nas reduções por idade, mais turmas com mais alunos em horários ao minuto, hiperburocracia e horários zero -, temos os professores à beira de um ataque de nervos e não haja ilusões com o título do Público de hoje - "Há 96 mil candidaturas de professores para 3500 lugares no quadro. Número de vagas abertas para a entrada no quadro de professores está abaixo dos 3500. Mas houve 96.044 candidaturas". Basta ler com atenção e conhecer a realidade (por exemplo, um professor pode apresentar 3 ou 4 candidaturas e há milhares de professores do quadro que se candidatam para tentarem mudar de escola e nem se preocupam com as vagas declaradas) para se repetir a imagem do post: se nada se fizer, a prazo não haverá professores.

 

36892804821_9d1023e559

 



publicado por paulo prudêncio às 11:07 | link do post | comentar | ver comentários (2) | partilhar

Quarta-feira, 23.05.18

 

 

 

Um texto de Carmo Machado com um retrato do estado a que isto chegou. O texto foi publicado pela revista Visão e colo-o na totalidade porque é um testemunho impressionante.

 

"A Depressão dos Professores.

Deparamo-nos por essas escolas do país, com colegas que arrastam pelos corredores a sua precariedade gritante. E nós, os que ainda possuímos alguma sanidade, nada podemos fazer.

Muito se fala hoje de stress, de stress ocupacional e de burnout (reconhecido pela Organização Mundial do Trabalho como uma síndrome que afeta várias profissões) mas nem toda a opinião pública estará consciente do facto de que esta é uma doença ocupacional com sintomas físicos, psíquicos e comportamentais que tem nos professores o seu principal alvo. Muito se fala também da elevada percentagem de atestados médicos passados aos profissionais do ensino mas poucos tentarão ou conseguirão compreender as razões pelas quais é esta uma das classes profissionais que mais frequentes visitas faz ao psiquiatra.

Em três décadas de ensino, ganhei algumas (poucas) certezas. Uma delas é a de que é completamente impossível ensinar se não estivermos na posse de um equilíbrio emocional total. É terrível quando, perante situações sistemáticas de indisciplina, a ansiedade se instala em nós, o choro ocorre amiúde, a insónia se repete e o pânico de ter de voltar a enfrentar uma determinada turma se transforma na nossa realidade quotidiana. Já vi muitos colegas de profissão em situações como a que vos descrevi cuja única escapatória foi o atestado médico. A fobia escolar é, a meu ver, o pior que nos pode acontecer. Confesso mesmo que, ao longo da minha carreira, já experienciei esta fobia escolar relativamente a uma turma. A simples ideia de ter de enfrentar aqueles alunos insubordinados e insolentes provocava-me uma tamanha sensação de angústia que, pela primeira vez, coloquei a hipótese de abandonar o ensino.

Já o tenho dito várias vezes e repito: é impossível sofrer de depressão e ser professor. A profissão docente - e falo de ser professor à séria, com vocação e empenho, profissionalismo, competência pedagógica e científica, não daqueles meros vendedores de aulas que, por necessidade e como última alternativa, enveredaram pela carreira de professor - exige uma leveza de espírito, elevadas cargas e recargas diárias de energia, agilidade mental e física, capacidade rápida de resolução de problemas e de conflitos de vária ordem, adaptação a situações imprevistas, capacidade de resposta fácil e rápida dentro da sala, uma listagem infindável de competências incompatíveis com um professor cuja caixa de ressonância tenha avariado. E estar deprimido é isso mesmo.

SIM, sei do que falo porque também eu já estive à beira deste descalabro e lembro-me de que, por esses dias, tanto se me dava que houvesse indisciplina ou que os professores fizessem greve ou que fechassem a escola ou que o mundo acabasse. Basicamente, tudo o que vinha na minha direção e que à escola dizia respeito, fazia ricochete e não entrava. Eu encontrava-me à beira de mim própria e nesses casos, o que menos nos importa é exatamente aquilo que contribui para chegarmos a esse limite. Felizmente, consegui travar a situação a tempo, antes de atingir o precipício.

Mas nem sempre é assim. Todos conhecerão, nas suas escolas, um ou mais casos de colegas que, em situações de desequilíbrio emocional, insistem em manter-se ao serviço e cumprir com as suas obrigações profissionais, convictos de que o que estão a fazer é o melhor para si e para a escola. Alguns não querem faltar para não prejudicar os alunos, outros não têm noção do estado em que se encontram, outros ainda não saberiam mesmo o que fazer se tivessem de ficar em casa. E assim, deparamo-nos por essas escolas do país, com colegas que arrastam pelos corredores a sua precariedade gritante. E nós, os que ainda possuímos alguma sanidade, nada podemos fazer.

Não preciso de ser psiquiatra para saber que a minha colega sofre de depressão ou outro distúrbio do foro psiquiátrico e que precisa de ajuda especializada. O pior, porém, é que os alunos também sabem e não têm, perante ela, a mesma condescendência que nós tempos. Diria mais: não têm qualquer tipo de condescendência. Pelo contrário, as situações de humilhação em que os alunos colocam um professor nestas condições dentro da sala de aula são gritantes, obrigando muitas vezes os colegas da sala ao lado a intervir. E nós acudimos-lhe mas pouco mais podemos fazer. O pior de tudo é que nem a escola a pode ajudar... A escola pública parece não possuir um enquadramento legal que permita a um diretor retirar tempo letivo a um docente com estas características, atribuindo-lhe outro tipo de tarefas, menos humilhantes para a sua condição e nas quais se sentiria menos exposto.

E qualquer coisa pode acontecer numa sala de aula, sabemo-lo. Ter trinta alunos perante nós, se problemáticos e indisciplinados, exige uma enorme resistência e sagacidade que um professor, cuja caixa de ressonância avariou, deixou de possuir. Carl Jung escreveu: a depressão é como uma mulher vestida de preto. Se ela aparecer, não a afaste. Convide-a para entrar, ofereça-lhe um assento, trate-a como uma convidada e ouça o que ela tem a dizer. Mas primeiro, digo eu, temos de afastar de nós esses outros convidados que se encontram na sala, geralmente em número de trinta e a que chamamos alunos.

Não há como escapar a este flagelo. Todos os dias sou confrontada com situações angustiantes de colegas em sofrimento e não consigo, por mais que tente, ficar indiferente. É mesmo impossível ignorar a colega que literalmente, num passo arrastado, caminha como um autómato para a sala de aula onde, numa luta desigual, terá de enfrentar um grupo cruel de trinta adversários que, à mínima oportunidade, transformarão a aula numa batalha campal, derramando pelo chão os últimos restos de uma dignidade há muito perdida.

Carmo Miranda Machado é formadora profissional na área comportamental e professora de Português no ensino público há vinte e sete anos, tendo trabalhado com alunos do 7º ao 12º anos de escolaridade. Possui um Mestrado em Ciências da Educação (Orientação das Aprendizagens) pela Universidade Católica Portuguesa e tem como formação base uma Licenciatura em Línguas e Literaturas Modernas pela Universidade Nova de Lisboa. Tem dedicado a sua vida às suas três grandes paixões: o ensino, a escrita e as viagens pelo mundo. Colabora na Revista Mais Alentejo desde Fevereiro de 2010 como autora da crónica Ruas do Mundo, tendo ganho o Prémio Mais Literatura atribuído por esta revista nesse mesmo ano. Publicou até ao momento, os seguintes títulos pela editora Colibri: Entre Dois Mundos, Entre Duas Línguas (2007); Eu Mulher de Mim (2009); O Homem das Violetas Roxas (2011) e Rios de Paixão (2015)."



publicado por paulo prudêncio às 19:07 | link do post | comentar | ver comentários (2) | partilhar

Segunda-feira, 21.05.18

 

 

 

 

Contributo de Mário Silva.

 

"Tanto os sindicatos como os docentes concentraram a pressão reivindicativa na recuperação do tempo de serviço de 9 anos, 4 meses e 2 dias (942), uma atitude da mais elementar justiça. Todavia, o mais grave tem sido ignorado desde 2012, não tendo sido rejeitado veementemente nem pelos sindicatos nem pelos docentes: a aplicação do nº3 do artº37º do ECD (obtenção de vaga para acesso ao 5º e 7º escalões). Será que interessa mais ao governo manter este artigo, criando uma manobra clássica de diversão, fingindo que o 942 é que é muito grave e importante, e deste modo não atraindo a reivindicação para a questão das vagas?

A reivindicação mais importante será exigir eliminar o nº3 do artº37º, em vez da recuperação do 942? Esta recuperação poderá ajudar os professores atualmente em funções, mas não ajudará os futuros professores. Quando se reivindica, deve ser para TODOS os profissionais e não só para casos de situações especificas, deixando que outros tenham prejuízos considerados suportáveis por quem negoceia.

Fazendo um exercício de cálculo, um docente com 25 anos de serviço, com 50 anos, colocado agora no 4º escalão (quando deveria estar no 7º), se não recuperar o 942 e só progredir em 2020 para o 5º escalão (sem o impedimento de vaga), teremos:

- 2020, 52 anos, 5º escalão

- 2022, 54 anos, 6º escalão

- 2026, 58 anos, 7º escalão

-2030, 62 anos, 8º escalão

- 2034, 66 anos, 9º escalão

- 2038, 70 anos, 10º escalão

Este cálculo permite demonstrar que este professor só tem hipótese de chegar ao topo antes da idade da aposentação, se em 2020 passar diretamente para o 7º escalão em vez de para o 5º e que para docentes mais novos existe a possibilidade de chegarem ao 9º/10º escalão antes da idade da aposentação; tendo as vagas para o 5º e 7º escalões, então a MAIORIA pode ficar anos a ‘patinar’ para subir ao 5º ou ao 7º, jamais tendo hipótese de ultrapassar o 6º escalão antes da aposentação!...

Assim, a reivindicação não se pode concentrar apenas no 942: também tem de se concentrar na eliminação das vagas para subida de escalão e na idade da aposentação não ser afetada pelo fator de sustentabilidade, de modo a abranger TODOS OS CASOS."



publicado por paulo prudêncio às 20:35 | link do post | comentar | partilhar


Inauguração do blogue
25 de Abril de 2004
Autor:
Paulo Guilherme Trilho Prudêncio
Discordâncias:
Mais até por uma questão estética, este blogue discorda ortograficamente
arquivo
comentários recentes
A luta não terminou e deve ser levada para o quoti...
Boas, boas, boas, são mesmo as boas novas da Teres...
e entretanto vamos sendo brindados com esta grande...
subscrever feeds
mais sobre mim
Por precaução
https://www.createspace.com/5386516
ligações
blog participante - Educaá∆o - correntes .jpg
tags

antero

avaliação do desempenho

bancarrota

blogues

campanhas eleitorais

cartoon

circunstâncias pessoais

coisas tontas

concursos de professores

contributos

corrupção

crise da democracia

crise da europa

crise financeira

desenhos

direitos

economia

educação

escolas em luta

estatuto da carreira

falta de pachorra

filosofia

fotografia

gestão escolar

história

humor

ideias

literatura

luís afonso

movimentos independentes

música

paulo guinote

política

política educativa

professores contratados

público-privado

queda de crato

rede escolar

ultraliberais

vídeos

todas as tags

favoritos

bloco da precaução

pensar o sistema escolar ...

escolas sem oxigénio

e lembrei-me de kafka

as minhas calças brancas ...

as minhas calças brancas ...

reformas e remédios (1) -...

sua excelência e os númer...

posts mais comentados
Razões de uma candidatura
https://www.createspace.com/5387676