Em busca do pensamento livre.

Terça-feira, 31.07.18

 

 

É tal o desvario imobiliário na zona histórica de Lisboa, que uma casa com 11 cozinhas esteve à venda por quase 6 milhões de euros. O assunto mediatizou-se e revelou - na defesa e no ataque - o tradicional e nefasto clubismo: é nos clubes como nos partidos, nos países, nas cidades, nos bairros, nas escolas e até nas praias. E, como se vai percebendo, o fenómeno aprende-se de pequenino e parece em crescendo. Vá lá: o vereador proprietário das 11 cozinhas demitiu-se.



publicado por paulo prudêncio às 11:39 | link do post | comentar | partilhar

Sábado, 02.04.16

 

 

 

Para além de tudo, e quando se compara os sistemas desportivos com os escolares, há um dado antigo que volta a exigir reflexão: por que será que os desportos que especializam precocemente não se afirmam nas sociedades? Não é apenas por reduzirem o número de praticantes, é também porque impedem o "jogo de rua" e não criam massa crítica essencial à sua mediatização, capacidade negocial e "aceitação" pelas maiorias. Ficam minoritários, que não pode ser o objectivo de um sistema escolar; ou pode? Em Portugal tem sido quase sempre, para gáudio das "elites".



publicado por paulo prudêncio às 15:24 | link do post | comentar | partilhar

Domingo, 23.08.09

 

 

(encontrei esta imagem aqui)

 

No blogue do Ramiro Marques, aqui, encontrei um texto que deve merecer a sua atenção. Na minha modesta opinião, é apenas mais uma constatação de algumas evidências que o desastrado projecto de escola a tempo inteiro tentou contrariar através de um modelo único, apressado e desrespeitador da autonomia de cada uma das escolas, que foi espalhado pelo país.

 

"Estudos recentes mostram que os melhores programas educativos são os que equilibram as aulas com os tempos de brincadeira e de descanso. A brincadeira ao ar livre é tão importante para o desenvolvimento e o bem-estar das crianças como a aprendizagem da Matemática, da Leitura e da Escrita.

 

Um estudo publicado esta semana na revista Pediatrics mostra que as crianças de 8 e 9 anos que tiveram acesso a mais de 15 minutos de brincadeira ao ar livre por dia têm melhor desempenho escolar do que as que tiveram menos tempo. O estudo dirigido pela pediatra Romina Barros, professora na Faculdade de Medicina Albert Einstein, concluiu que é um erro manter as crianças muitas horas seguidas dentro da sala de aula em actividades formais de aprendizagem. Este estudo vem confirmar um outro, dirigido por professores da Universidade de Harvard e publicado no Journal of School Health, que concluiu pela existência de uma relação positiva entre a prática da educação física e o desempenho escolar nas áreas académicas.

 

Estes estudos revelam que a brincadeira ao ar livre e o contacto com a natureza são factores essenciais ao desenvolvimento, aprendizagem e bem-estar da criança. Estas conclusões arrasam o conceito de escola a tempo inteiro. Melhor seria que o ME apostasse no financiamento dos ATLs e colocasse um ponto final nas AECs."



publicado por paulo prudêncio às 13:36 | link do post | comentar | ver comentários (6) | partilhar

Terça-feira, 05.05.09

 

 

 (encontrei esta imagem aqui)

 

 

Pais divergem sobre educação pré-escolar obrigatória a partir dos três anos 

 

 

(...)"Segundo explicou ao PÚBLICO o presidente da Confap o objectivo é, até ao final da próxima legislatura (2013), conseguir-se uma “educação de qualidade e não apenas um espaço onde os pais depositam as crianças”. Para Albino Almeida é muito importante que as crianças entrem nas escolas antes do primeiro ciclo, já que “os estudos científicos mostram que estes meninos têm um desempenho e um rendimento superior”.

No entanto, para a presidente da Cnipe, não faz sentido acordar uma idade ideal “sem promover um debate alargado a nível nacional”. Maria José Viseu recordou, em declarações ao PÚBLICO, que “há vários países europeus que estão a defender a aproximação às famílias” e que o mais importante de tudo é assegurar que as crianças vão ser transportadas em condições de segurança e que não vão ser obrigadas a percorrer grandes distâncias para as escolas."(...)

 

 

Ora aqui está uma divergência que interessa seguir com toda a atenção, uma vez que, e nos últimos anos, a única voz que se fazia ouvir era a do representante da Confap. Não sei a que estudos científicos é que o senhor da Confap se refere, mas ao que julgo saber a escola só influencia em cerca de 40% o sucesso escolar (10% para os professores nesses quarenta) ficando a fatia maior, de 60%, para as responsabilidades familiares. Talvez seja por isso que a representante do Cnipe diz que “há vários países europeus que estão a defender a aproximação às famílias”. Bem sabemos que cada país é o que é, e que numa sociedade ausente como a nossa as escolas ainda têm que ajudar na "guarda" das crianças; mas isso não significa projectar uma escola a tempo inteiro com a desresponsabilização de todos os outros sectores da sociedade.



publicado por paulo prudêncio às 11:01 | link do post | comentar | partilhar

Terça-feira, 01.11.05

 

 

 

 

Texto publicado na "Gazeta das Caldas", jornal das Caldas da Rainha, algures em 1992. Em 2005 dei-lhe o título de "a política dos 10 por cento".

 

Porquê? É uma homenagem aos políticos que ainda não acreditam que as coisas bem feitas têm 10 por cento de inspiração e 90 por cento de trabalho.

 

Penso que é hoje consensual a necessidade de se fazer o ordenamento do território, realizando e cumprindo os Planos Directores Municipais, assegurando assim a qualidade de vida das populações e a preservação do meio ambiente.

 

As actividades físicas e desportivas enquadram-se nestes objectivos, não apenas por metáfora ou analogia pertinente, mas também por consenso. Mas será que se percebe ou discute o seu necessário ordenamento? Sabemos que os níveis de desenvolvimento destas actividades são variados (rendimento, lazer e formação), mas os destinatários são todos cidadãos e os indicadores principais são pois, a cidadania responsável e o bem-estar. Analisemos agora em pormenor, o que se passa com as actividades destinadas às crianças e jovens.

 

Importa antes de mais precisar, que penso que a este nível os pincípios orientadores devem ser comuns, pese embora as diferentes instituições que as promovem (clubes, escolas públicas ou privadas, associações,…). O grau biológico do esforço pretendido, o respeito pelos ritmos individuais de aprendizagem de cada um, as características psicossociais deste grupo etário, devem ser em qualquer circunstância escrupulosamente respeitados. Na nossa realidade, o que observamos são os extremos que se tocam, o caos "urbanístico" latente. É frequente e chocante, verificar o que se passa nos quadros competitivos das diversas instituições: escolta policial para os árbitros, uma pressão desmesurada sobre os jovens (com os próprios pais à mistura), "chicotadas psicológicas", falsificação das idades, jogos disputados em recintos não adaptados às possibilidades biológicas dos jovens, instituições públicas sem um mínimo de meios. Acresce ainda, a preocupação de alguns, que começam a falar de crianças maltratadas na especialização desportiva precoce. A política dos equipamentos desportivos, é realizada sem a preocupação de os rentabilizar, funciona com divórcios inexplicáveis.

 

As escolas, sem autonomia e dirigidas por um poder abstracto e através de ofícios ede circulares, são o exemplo acabado do que foi dito, tendo sempre grandes dificuldades em se integrar e servir os interesses das comunidades. As autarquias, procuram ultrapassar as ausências de actividade. Mas como?

 

Vejamos, como exemplo, as Caldas da Rainha.

 

Na escola preparatória e na secundária Rafael Bordalo Pinheiro, as dificuldades para realizar a disciplina de Educação Física e o desporto escolar de acordo com as legítimas aspirações da comunidade, são elevadas, por sobrelotação e ausência de espaços adequados. Sabemos que o horário "nobre" para realizar as actividades com este grupo etário, oscila entre as oito e as dezoito horas. Entretanto, a autarquia construiu um pavilhão na mata da cidade, que durante este período está invariavelmente vazio. Então? Não seria lógico e ordenado que o pavilhão estivesse na escola, gerido sem conflitos de interesses e ao serviço real da comunidade, sendo utilizado depois das dezoito horas pelos clubes? Com base em que estudo, se está a construir uma nova infraestrutura desportiva coberta, junto à universidade da cidade? Quem a vai utilizar durante o dia? Será a nova escola 1,2,3? E nos dias de chuva, em aulas de educação física de 50 minutos intervaladas por períodos de 10 minutos das restantes aulas, como é que os jovens se deslocam? Quem faz a gestão criteriosa das necessidades reais de equipamentos? Bom, estas e outras respostas deveriam ser dadas pela política participada de ordenamento.

 

Espera-se da escola, que facilite ao jovem depois de 12 anos de escolaridade (cerca de 700 horas de aulas de educação física), os conhecimentes e hábitos suficientes, que o levem a construir o seu próprio programa de actividade física (como vai à biblioteca escolher o livro sem o professor respectivo), que saiba escolher dentro das ofertas que recebe quais as que o beneficiam verdadeiramente e com atitudes e valores conducentes a uma cidadania responsável.

 

Espera-se do desporto escolar, um forte contributo na formação desportiva e integral dos jovens.

 

Espera-se do professor, que continue entusiasmado, que saiba gerir os seus conflitos com o sistema, mantendo a atenção e a lucidez para tentar ser feliz. 



publicado por paulo prudêncio às 19:51 | link do post | comentar | partilhar


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25 de Abril de 2004
Autor:
Paulo Guilherme Trilho Prudêncio
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