Em busca do pensamento livre.

Quarta-feira, 06.06.18

 

 

 

Faltarão professores se persistirmos na degradação da carreira. Aliás, já se sente a falta. Apenas algumas disciplinas ou ciclos registam um número de candidatos que satisfaz as necessidades. Mas sejamos claros: somos um país pobre (em grande parte por causa da corrupção), com baixos salários e com ofertas de emprego muito pouco atractivas. É o que explica a existência de professores nas listas de espera. Resumamos: ainda há professores por falta de alternativa. Mas mesmo isso, esgota-se. Não é avisado aplicar à carreira dos professores o "estatuto" que permitiu reduzir o desemprego. Basta olhar para os países europeus que seguiram esse caminho na educação; e com salários superiores aos nossos.

 

professores-sp-faltam-mais-20-dias-ano-noticias

 



publicado por paulo prudêncio às 17:47 | link do post | comentar | ver comentários (6) | partilhar

Terça-feira, 02.05.17

 

 

 

"Portugal é o terceiro país da Europa com mais trabalho temporário". E é assim. Se pedirem uma opinião aos outrora exemplares da bancocracia, decerto que ouvirão que não temos investimento por causa da rigidez do código do trabalho. Somos superados pelos "canalizadores" polacos e pelos "camareros" espanhóis. Sabe-se que Berlim é a cidade europeia com mais mini-jobs e que a Alemanha vive numa espécie de quadratura do círculo. Se continuar a aplicar a receita que destinava aos povos que se desorientam em vida desregrada, a extrema-direita terá espaço eleitoral para progredir.



publicado por paulo prudêncio às 11:39 | link do post | comentar | partilhar

Quarta-feira, 08.04.15

 

  

 

Nuno Crato revelou toda a impreparação em Maio de 2013. Daí para cá tem sido ainda mais penoso, uma vez que a demisão lhe está vedada e os "equívocos" sucedem-se. Dois anos depois, sabe-se que o seu MEC acrescenta o eduquês hiperburocrático, que tanto criticava, vezes dois: dezenas de objectivos, centenas de descritores e milhares de metas para o português, com a sublime contagem de 40 palavras lidas por minuto no 1º ciclo. Vale a pena ler a "Educação afunda-se com Nuno Crato no convés", em mais uma lúcida e demolidora crónica de Santana Castilho.

 

Recordemos um pico do plano que de inclinado passou a vertical.

 

 

 

 

O Público de 22 de Maio de 2013 retratou bem, com a seta para baixo, a condição de Nuno Crato.

 

Maria de Lurdes Rodrigues iniciou o exercício ministerial com um corte na redução da componente lectiva dos professores. Conseguiu uma rápida eliminação de mais de dez mil docentes e transformou-se numa "estrela financeira" por ser a única governante que conseguia cortar nas pessoas. Os professores foram colocados na linha da frente da enésima "reforma" da administração pública e animaram o ciúme social tão caro a quem espera por votos. Desenvolveram uma luta isolada e só não conseguiram mais vitórias porque foram traídos pelos seus sindicatos e pelos partidos políticos da actual maioria.

 

Nuno Crato já é uma "estrela financeira". Executou um despedimento colectivo de cerca de quinze mil professores e empurrou mais uns milhares para reformas com forte penalização. Aumentou os alunos por turma e os horários dos professores. É também o governante mais "premiado" no corte de pessoas. Vai à frente e bem isolado. Torna insuportável o exercício dos professores com mais idade e ameaça o grupo profissional com uma mobilidade especial intolerável que se alarga a toda a função pública. Mais uma vez a "festa" da luta começou com os professores e com os seus sindicatos. Os outros grupos profissionais, a maioria com menos voz, esperam pelos resultados. Os professores esperam que os seus sindicatos não os voltem a trair e que quem aspira a governar diga ao que vem e sem mentir.

 

 

Este post é de 22 de Maio de 2013.

Acrescentei-lhe os caracteres que estão acima da imagem.

 



publicado por paulo prudêncio às 14:49 | link do post | comentar | ver comentários (12) | partilhar

Quinta-feira, 13.11.14

 

 

 

"Só no ano passado emigraram 110 mil portugueses", o que dará quase meio milhão de pessoas desde 2010.

 

 

 

 



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Quinta-feira, 25.09.14

 

 

 

 

Falemos então de emprego

 

 

(Cortesia do António Ferreira)

 

 

 



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Sexta-feira, 05.09.14

 

 

 

 

 

Já sabíamos que há jovens portugueses, espera-se que estejam desiludidos ou em vias disso, nas fileiras jihadistas e agora ficamos a saber que Nuno Crato é das arábias ou pelo menos tem influências das terras da Mesopotâmia.

 

Quando ouvi o ministro dizer que os professores foram para as filas dos centros de emprego a 1 de Setembro porque quiseram e que tinham 90 dias para o fazer, considero estranho que Crato não saiba que os desempregados começam a ser remunerados a partir do dia de inscrição e que não devem estar em condições de dispensar 3 meses de remuneração.

 

Crato também disse que os professores com horário zero não seriam "ultrapassados" pelos professores da contratação inicial. Já se sabia que não ia ser assim e das duas uma: Crato desconhece os processos ou é mau propagandista. Vou mais pela segunda hipótese e recordo-me dos tempos de Lemos & Pedrosa tantas vezes catalogados na mesma área do célebre ministro iraquiano da informação. É uma piada gasta, mas aplica-se a esta versão de Crato-das-Arábias. E o pior é que tudo isto causa imenso sofrimento a milhares de pessoas.

 

 

 

 

 



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Domingo, 02.02.14

 

 

 

 

 

Há quem investigue dos 20 e pouco aos 40, ou mais, anos de idade, com bolsas sucessivas, mas esses não estão, para Nuno Crato, empregados. São uma espécie de párias. São pessoas a quem se está a prestar um favor de valor avaliável ao dia e que não merecem qualquer tipo de vínculo. Não merecem imaginar, sequer, que estão empregados.

 

O conceito de emprego evoluiu "para o não pode ser para a toda a vida através da necessidade imperativa de adaptação, de flexibilidade, de mobilidade, de selecção meticulosa dos melhores" e por aí fora. É bom que se sublinhe que é um conceito para ser vivido pelo outro e que não pode ser conjugado, por exemplo, com natalidade, estabilidade, bom uso do tempo ou apoio a idosos.

 

 

 

 

 

Página 4 do 1º caderno do Expresso de 1 de Fevereiro de 2014.

 

 

 



publicado por paulo prudêncio às 16:31 | link do post | comentar | ver comentários (4) | partilhar

Terça-feira, 29.10.13

 

 

 

 

 



publicado por paulo prudêncio às 09:52 | link do post | comentar | partilhar

Quinta-feira, 03.10.13

 

 

 

 

 

 

Alunos armazenados em salas de aula, horários de professores com mais turmas e outros cortes a eito originaram milhares de professores desempregados depois de anos a fio de serviço docente.

 

Começa a ser difícil disfarçar a onda de indignação.

 

 

 

 

 



publicado por paulo prudêncio às 17:56 | link do post | comentar | ver comentários (2) | partilhar

Domingo, 01.09.13

 

 

 

 

 

Se uma pessoa trabalhou 10 a 15 anos consecutivos para uma qualquer organização e se amanhã tem que se dirigir a um centro de emprego porque ficou sem vínculo laboral, é porque foi despedida. Ponto final. Se esse gesto for repetido por milhares de pessoas da mesma condição profissional, é um despedimento colectivo e novo ponto final. 

 

Foi exactamente isso que aconteceu nos últimos três anos aos professores e que se repete amanhã. Os cortes a eito, mais alunos por turma e redução da carga lectiva dos alunos, foram o caminho. São dezenas de milhares de professores inconstitucionais, situação condenada pela Comissão Europeia, e que o Governo, também "inconstitucional", ludibriou vinculando 3 professores.

 

O recente chumbo do tribunal constitucional aos despedimentos na função pública deixa estes milhares de professores perplexos com a inconstitucionalidade dos despedimentos. Até a mobilidade legislada por Sócrates (é bom que se recorde), estava em vigor há décadas nos professores. Assim de repente, passei, desde a década de oitenta do século passado, por Lisboa, Porto, S. João da Madeira, Chaves, Vila Real, Peso da Régua, Viana do Castelo, Beja, Benedita e Caldas da Rainha até conseguir alguma estabilidade.

 

Os professores perceberam que são o alvo porque são muitos e porque as nossas "elites" têm um qualquer problema mal resolvido com a escola. Estão cansados de serem os únicos. Não há grupo profissional, no público, no privado, nos encostados ao estado, nas autarquias, nos aparelhos partidários e por aí fora, que tenha sido alvo de um flagelo sequer semelhante. Amanhã recomeça a saga, desta vez com mais uns milhares nos centros de emprego e outros tantos colocados ainda mais longe de casa após 20 anos de serviço docente.

 

E já agora: será que os professores, e o fundamental planeamento da rede escolar, têm que carregar o caos organizacional de um país com uma trágica e corrupta (tudo comprovado) gestão do território em que, apenas como exemplo gritante, a sua importante administração foi entregue, por Durão Barroso e Passos Coelho, ao inenarrável Miguel Relvas?

 

Os professores contratados não desistem e no Expresso pode ler-se o seguinte:

 

 

 

 

 



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Terça-feira, 02.07.13

 

 

 

 

 


A par da surpresa com a estranha velocidade, já que se ia impondo a sua lentidão, com que Vitor Gaspar publicou uma carta de demissão, o espectáculo deprimente de total falência do sentido de Estado soma capítulos.


Vai ser uma noite alucinante para um país com mais de um milhão de desempregados, com a dívida a subir numa escalada inaudita e com a corrupção intocada e que faz temer que o regime está pior do que os cenários mais pessimistas.






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Sexta-feira, 21.06.13

 

 

 

 

 

 

 


Jorge Delmar 2012



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Terça-feira, 14.05.13

 

 

 

 

 Gráfico obtido no blogue do Arlindo Ferreira.





 

 

 Gráfico obtido no Pordata.

 

 

 

As palavras nunca estão gastas, mas cansa o retorno (eterno ou efémero?) do Governo à relação entre a natalidade e o número de professores, omitindo os achamentos essenciais, a estrutura curricular, a número de alunos por turma e a gestão escolar.

 

Se cruzarmos os dados dos dois gráficos, vemos que a natalidade desceu para cerca de metade de 1970 a 1990 (de 20,8 para 11,7), que de 1990 a 2010 teve uma ligeira quebra (de 11,7 para 9,2) e ninguém garante (a não ser o empobrecimento e o estímulo emigratório) que a curva não continue estável (o contrário levaria ao nosso desaparecimento e nem valia a pena estarmos com coisas).

 

Neste milénio, o número de matrículas no 1º ano de escolaridade atingiu um pico em 2006 e só agora é que esses alunos chegam ao 3º ciclo.


Ou seja, nos próximos sete a oito anos não vamos necessitar de menos professores (só se continuarmos com cortes a eito na carga curricular e com aumentos nos horários dos professores e no número de alunos por turma que baixarão ainda mais a qualidade do ensino) nos 2º e 3º ciclos e no ensino secundário e mais se evidencia se conseguirmos que cerca de metade dos alunos não abandonem a escolaridade no 10º ano.


Também concluímos que em 2016 precisaremos do mesmo número de professores que tínhamos em 2007 já que os alunos matriculados em 2010 eram em número semelhante a 2001. Se considerarmos a razia já realizada (os números de 2013 serão concludentes), haverá justificação para a redução de professores mas em número muito inferior ao já verificado.

 

Aconselho a leitura de um post que escrevi num momento também fastidioso sobre este assunto.

 

 

 

 

Já usei parte destes argumentos noutro post.



publicado por paulo prudêncio às 21:49 | link do post | comentar | ver comentários (18) | partilhar

Domingo, 21.04.13

 

 

 

 

A última semana ficou marcada pelo inacreditável erro em Excel que já empurrou milhões de pessoas para o desemprego. A tese, de 2010, que afirmava que acima dos 90% de dívida pública a recessão económica seria "irrefutável" prevaleceu como modelo matemático único e em Portugal também.

 

Sem sequer trazer para a discussão o espectro da corrupção que parece dominar o mundo financeiro, podemos considerar uma espécie de confronto entre racionalistas e empiristas.

 

Os primeiros têm vencido a contenda e os segundos não encontram voz que se exprima eleitoralmente. Como cedo se constatou, essa dicotomia expressava-se politicamente na tradicional diferença entre direita e esquerda, estando a principal força eleitoral da esquerda amarrada a esse género de racionalismo através da denominada terceira via.

 

Nos últimos anos assistiu-se há vitória da tecnocracia de gabinete que se foi transformando em tecnopolítica e que sobrepôs os saberes matemáticos à cultura. Foi também assim no sistema escolar com os achamentos curriculares de Nuno Crato.

 

Não será por acaso que se "recupera" Bachelard nos mais variados domínios.

 

 

 

 

 

Gaston Bachelard (1976:11). "Filosofia do Novo Espírito Científico".

Biblioteca de Ciências Humanas. Editorial Presença. Lisboa.



publicado por paulo prudêncio às 22:25 | link do post | comentar | partilhar

Sexta-feira, 19.04.13

 

 

 

 

O MEC abriu 618 vagas, há quatro anos foram 20.896, para professores do quadro (as informações são fornecidas pelas escolas e depois apuradas nos serviços centrais), mas declara 12.008 vagas negativas em diário da República.

 

O novo concurso de professores tira 12 mil lugares às escolas, conclui o Público. Na actualidade portuguesa é tudo na ordem dos milhares, realmente.

 

É o resultado dos cortes a eito derivados das políticas educativas que no verão de 2012 já tinham originado o despedimento de cerca de 10.000 professores contratados.

 

Ainda há dias ouvi uma deputada da maioria afirmar que se gastou exageradamente na Educação nas últimas décadas, como se fosse possível inverter a tragédia do abandono escolar sem construir escolas e contratar professores. Dentro de alguns anos conheceremos os resultados, mas os responsáveis já estarão sabe-se lá onde.



publicado por paulo prudêncio às 18:48 | link do post | comentar | partilhar

Segunda-feira, 11.03.13

 

 

 

 

"Pagar para trabalhar" é o título de um texto interessante que li no Público de Domingo e que encontrei no facebook na página de um dos autores.

 



MANUEL JOÃO RAMOS E RUI ZINK
Público, Domingo 10 Março 2013 

 

 


"Tiago regressa cansado a casa dos avós mas com um sorriso no rosto. É o seu primeiro dia de trabalho em muitos meses. Sentado no colchão de praia que lhe serve de cama desde que os pais devolveram a casa ao banco, sonha já em alugar finalmente um quarto. O Tiago não é caso único. Como outros jovens da sua geração, acredita que descobriu a solução para o desemprego crónico: decidiu pagar para trabalhar. E, tal como o seu patrão, agradece a oportunidade.

Os jovens portugueses, dos quais 45% nunca experimentaram as dores e alegrias do trabalho, estão fartos de ouvir a geração dos seus pais queixar-se dos cortes salariais, aumento de impostos, insegurança no emprego, da facilitação dos despedimentos. Os jovens não percebem o que isso é. Querem apenas trabalhar, contribuir para o desenvolvimento do país.

Sentem que está em curso uma guerra surda de gerações. Pouco lhes importam as minudências do 14.º mês, TSU, duodécimos. O facto é: os mais velhos têm emprego e eles não. Para eles, os velhos empregados só vêem interesses mesquinhos à frente do nariz, a árvore e não a floresta. Mais: o futuro é dos jovens, e para estes o tempo dos privilégios do emprego seguro (ainda por cima remunerado) nunca existiu.

Mais que ninguém, eles sabem que não há trabalho para todos. Que um velho empregado está a impedir o emprego de um jovem desempregado. O trabalho tornou-se um valor em si, um objecto de luxo. Por isso mesmo o trabalho deve custar cada vez menos. Portugal não pode ser excepção: estamos perante uma nova tendência internacional. Trabalhar por cada vez menos é o preço a pagar para ter um lugar ao sol. Neste novo paradigma económico, o custo do trabalho deve tender não para o zero relativo mas para o zero absoluto, na proporção inversa da sua escassez. Isto significa que:

1) Não havendo trabalho para toda a gente, a sua falta deve ser repartida equitativamente. Quem trabalha deve estar grato por ter trabalho. O espanto não é, então, que quem trabalhe seja mal pago. O absurdo é que quem ainda tem trabalho queira ser pago.

2) Sendo o trabalho um valor em si e um bem escasso, é o direito a usufruir desse privilégio que deve ser pago, não o contrário.

O custo do trabalho tem de baixar, já o disseram vários especialistas. Mas, como de costume, isso é apenas panaceia temporária, remendo a disfarçar a verdadeira essência do problema. A questão é mais estrutural: é preciso dar ao trabalho o seu verdadeiro e justo valor. É verdade que há já muita gente a trabalhar a título gratuito. Os voluntários em campanhas de solidariedade, as famílias que são porteiras a troco de comida, os estagiários que dão aulas nos liceus em troca de uma melhor qualificação profissional. Mas isso não chega. É preciso coragem política para assumir que não é possível, por muito mais tempo, ter trabalho, pago... ou mesmo gratuito. Não há almoços grátis. Qualquer economista o sabe. Por outras palavras: as pessoas têm de compreender que não podem por muito mais tempo trabalhar sem pagar por isso.

Jovens como o Tiago olham para Belmiro de Azevedo ou Pinto Balsemão e invejam-nos. Por que continuam estes idosos a trabalhar, quando podiam estar a jogar golfe numa ilha paradisíaca, ou mesmo em Tróia? Ora, os jovens desempregados sabem o que a maior parte das pessoas ainda não sabe: que o verdadeiro luxo é trabalhar, não é descansar.

Num futuro cada vez mais tecnológico, no qual a presença física seja cada vez menos necessária, o verdadeiro luxo é ter trabalho. Por isso, portugueses, preparem-se para o que é justo. Preparem-se para um Portugal melhor. Preparem-se para um Portugal onde, a bem do progresso, vão ter de pagar para trabalhar."



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Sexta-feira, 01.03.13

 

 

 

 

 

Nos últimos dias surgiram os primeiros ecos do retrocesso no sucesso escolar com o aumento de classificações negativas no 12º ano. Se é evidente que estes dados são insuficientes para uma conclusão, é natural que os números do insucesso e abandono escolares comecem a subir; desgraçadamente, acompanharão os do desemprego e da fome e contrariarão os que advogavam que tudo se resolvia com mais escola e com uma sociedade ausente.

 

No universo escolar também existem causas fortes e prontas a cobrar o fatalismo. Supressão de disciplinas, horas curriculares atribuídas no espírito de mais do mesmo, aumento do número de alunos por turma e quebra da proximidade relacional através de um modelo de gestão escolar único no mundo conhecido, são alguns exemplos do desmiolo que assolou o sistema escolar.

 

Para além disso, temos uma legião de professores em aguda instabilidade profissional, desesperançados e com anos de desconsideração social. Há cerca de meia dúzia de anos que a agenda mediática é preenchida por professores em protesto ou governantes e comentadores a zurzirem na sua profissionalidade. Os alunos intuem a desfaçatez, mesmo que não o verbalizem, e os que não querem aprender aumentam em número.

 

É evidente que as escolas do Estado estão mais expostas a este flagelo e os rankings, acompanhados da segregação social que sempre se acentua nos tempos de salve-se quem puder, farão o serviço que interessa a quem teima na privatização de lucros. Falta saber se tudo isto se desenvolverá como até aqui ou se a bancarrota nos fará arrepiar caminho por uns tempos.



publicado por paulo prudêncio às 21:15 | link do post | comentar | partilhar

Sábado, 12.01.13

 

 

 

 

 

 

 

 

O "expresso da meia-noite" da SICN, ontem à noite, teve quatro comentadores dominados pela cartilha da revolução ideológica em curso. Apenas um tergiversou e mesmo assim timidamente. O sistema escolar é escolhido, no lugar cimeiro, para os cortes.

Há uma terraplenagem indecente sobre os 10000 professores despedidos no último verão. O maior despedimento colectivo da História foi eliminado destas mentes que até dizem discordar dos indicadores do relatório-FMI por desactualização e falta de rigor. Vá lá perceber-se tamanha incoerência.

Dá ideia que já conheciam a primeira página do semanário que organiza o programa.

 

 

Os professores têm motivos para recuperarem um desenho de 2008.

 



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Sábado, 24.11.12

 

 

 

A banca andou anos a fio em ambiente de "festa brava" e o país entrou em bancarrota. É esta a verdade cruel dos números. 

 

Depois da sucessão de relatórios e de execuções orçamentais, e com todo o respeito por quem está no desemprego, recebe pensões de miséria ou passa fome, já ninguém duvida de que os professores foram os escolhidos. Não apenas por serem muitos, mas por razões ideológicas e porque os fortes interesses instalados assim o exigem. Mesmo na máquina do Estado. Ainda há uma semana escrevi assim:


"Nas autarquias não se toca porque boys e caciques fazem sempre falta, nos militares também não porque há golpe de estado, nas fundações e observatórios é a ladainha do costume, na saúde assobiam para o lado à primeira greve, nas empresas públicas ou municipais (estas são incontáveis, valha-nos sei lá o quê) há muito emprego de aparelho e ficaria aqui o dia todo."


Notícias do género"Menos 14% de despesa com pessoal à custa dos professores", inundam a imprensa mais livre.

 

A primeira página do Expresso tem duas notícias que explicam o que escrevi no primeiro parágrafo. A banca consome o dinheiro dos contribuintes, os professores são os principais atingidos e Nuno Crato não tem uma palavra em defesa da escola pública que tanto nos custou a construir.

 

 

 

 



publicado por paulo prudêncio às 09:18 | link do post | comentar | ver comentários (27) | partilhar

Sexta-feira, 16.11.12

 

 

 

 

Gráfico obtido no blogue do Arlindo Ferreira.

 

 Gráfico obtido no Pordata.

 

As palavras estão gastas e cansa o retorno (eterno ou efémero?) de Nuno Crato à relação entre a natalidade e o número de professores, omitindo sempre os achamentos essenciais, a estrutura curricular, a número de alunos por turma e a gestão escolar (sobre este último e decisivo assunto nem se sabe o que pensa).

 

Se cruzarmos os dados dos dois gráficos (é interessante fazer esse exercício), vemos que a natalidade desceu para cerca de metade de 1970 a 1990 (de 20,8 para 11,7), que de 1990 a 2010 teve uma ligeira quebra (de 11,7 para 9,2) e ninguém garante (a não ser o empobrecimento e o estímulo emigratório) que a curva não continue estável (o contrário levaria ao nosso desaparecimento e nem valia a pena estarmos com coisas).

 

Por outro lado, neste milénio o número de matrículas no 1º ano de escolaridade atingiu um pico em 2006 e só agora é que esses alunos chegam ao 2º ciclo. Ou seja, nos próximos sete a oito anos vamos necessitar de professores como nunca nos 2º e 3º ciclos e no ensino secundário e mais ainda se conseguirmos que cerca de metade dos alunos não abandonem a escolaridade no 10º ano. Ainda a partir deste gráfico concluímos que em 2016 precisaremos do mesmo número de professores que tínhamos em 2007 porque os alunos matriculados em 2010 eram em número semelhante a 2001.

 

Mas Nuno Crato está investido como secretário das finanças. Querem ver que depois de equacionar que os alunos do 3º ciclo passem para o politécnico também foi inspirado na passagem de alunos do final do 1º ciclo para o ensino profissional, digo dual, digo vocacional.

 

Aconselho a leitura de um post que escrevi num momento também fastidioso sobre este assunto.

 

Educação: Ministro admite mais saídas de professores

 

 

 



publicado por paulo prudêncio às 20:36 | link do post | comentar | ver comentários (9) | partilhar


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