Em busca do pensamento livre.

Quinta-feira, 28.12.17

 

 

 

Falemos de coisas óbvias: as organizações políticas, como os partidos, são imprescindíveis à democracia que as deve financiar com transparência; qualquer desvio nos métodos alimenta os inimigos da democracia e indigna os seus defensores. O que foi dito sobre a indignação exclui os arrependidos em modo depois da hora difícil de escrutinar.

 

democracia

 

 



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Sábado, 02.12.17

 

 

 

O sistema escolar desespera por um tempo de humanidade(s) - e de artes -: nos currículos, mas simultaneamente na ideia de escola. Se o Governo já cumpriu uma agenda e tenta a oxigenação do algoritmo de Costa&Centeno no sítio, quem diria, que o travou e desprezou, é tempo de olhar para o futuro do sistema escolar contrariando a absolutização do presente imposta recentemente. À desumanização da ideia de escola instituída por Sócrates&Rodrigues, seguiu-se a desumanização curricular de Passos&Crato. Esta última observação serve de memória para a primeira linha a inscrever no programa de afirmação do algoritmo.

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Imagem encontrada no blogue Dúvida Metódica



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Terça-feira, 11.08.15

 

 

 

 

A localização é taxativa: a acção cívica prejudica-me e sou um alvo a abater pelo poder político local dominante. Há muito que me repetem a condição. São conhecidas as provas e dois conselhos gerais escolares acentuaram as certezas de quem conhece os corredores destas decisões.

É natural, portanto, que pense no assunto e que faça um qualquer balanço.

Assim de repente, já disputei, em quase três décadas, duas dezenas de eleições escolares na espécie de Madeira em que habito. Sempre como alguém que faz da acção cívica na defesa da escola pública um exercício de risco. Mas uma defesa com provas dadas, também em nome da ambição organizacional, da inovação e da qualidade e como primeiro numa equipa ou em modelo unipessoal. Em mais de trinta anos de exercício profissional, nunca fui nomeado pelo poder central ou local. Os cargos que exerci foram sempre por eleição em sufrágio directo e universal com cadernos eleitorais abrangentes.

Das duas dezenas disputadas (e nem sempre apresentei candidatura), venci, ou vencemos, umas quinze. Das cinco não vencidas, duas foram listas únicas que não obtiveram, por um voto (por incrível que possa parecer a coincidência e com um intervalo de cinco anos), os 50% exigidos pela lei, uma outra registou um empate em votação nominal (o poder da altura nomeou a outra pessoa) e conhecem-se duas derrotas em votação colegial (as únicas em que os representantes partidários, e afins, votaram) precedida de um simulacro de concurso, sempre o mais difícil para alguém com estas características e com a particularidade de uma delas ter registado um empate na primeira volta seguida de uma derrota por um voto (parece uma sina). Essas duas candidaturas foram também em nome dos profissionais da Educação e de defensores da escola pública que não esquecerei.

Para alvo a abater não me parece um currículo desprezível.

Não me acomodo na muito respeitável crítica pela crítica, aguento-me bem ao estatuto determinado e nunca sabemos o que é que o futuro nos reserva. Em 2009, publiquei um texto, "O golpe", como denúncia da promiscuidade no público-privado nos assuntos escolares. Parece que foi demasiado incómodo e que acentuou o tal alvo a abater (expressão que não gosto nem uso, mas que me tem sido repetida por pessoas autorizadas). Cada vez que o releio, vejo-o mais certeiro e isso explicará muita coisa.



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Domingo, 22.06.14

 

 

 

 

 

 

 

 

 

"A competição em Nietzsche"

de F. Nietzsche,

editado pela Vega,

Lisboa, 2003.

 

 

 



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Terça-feira, 25.03.14

 

 

 

 

Cortesia do António Ferreira


publicado por paulo prudêncio às 09:25 | link do post | comentar | partilhar

Domingo, 23.02.14

 

 

 

Quantas vezes lemos ou ouvimos uma ideia que parece que está a ler a nossa mente? Cruzei-me outra vez com o fenómeno, mesmo que naturalmente banal, quando ouvia na antena 2 uma reportagem sobre as "correntes d´escritas 2014". Escutei sensivelmente o seguinte: " houve, na nossa democracia, inúmeras pessoas que se sentiam cómodas, nos valores e nas convicções, na ditadura em 24 de Abril de 1974 e que a 26 eram revolucionárias. Isso criou um problema. Mantiveram as convicções e os valores pelo tempo fora e até fizeram uma espécie de escola".

 

Tinha 14 para 15 anos no 25 de Abril de 1974 e fiz nos anos que se seguiram alguma aprendizagem política: teórica e empírica, digamos assim, e não apenas através da passagem da ditadura para a democracia. Vivia em Moçambique, onde nasci, e participei em acesos debates a propósito do racismo, do colonialismo, do imperialismo e por aí fora. Depressa percebi as tais passagens de 24 para 26 com navegação sem alteração de valores ou convicções e foi exactamente o que fui encontrando em Portugal a partir de 1976. A confusa associação entre democracia e prosperidade ou entre democracia e oportunidade de negócio com desprezo pelo bem comum, atravessou os partidos políticos e beneficiou da mentalidade (associação de convicções e valores) de 24 que "legalizou" a corrupção que nos consome a democracia. A ideia de bem comum não prevaleceu.

 

Era evitável o fenómeno de 24 para 26? Como é que isso se tinha concretizado? Não foi exactamente essa passagem que garantiu a paz democrática durante 40 anos? São perguntas com resposta difícil.

 

Contudo, a ideia de arco da governação que uma determinada direita não se cansa de repetir mais parece um forma de exclusão dos valores e das convicções do 25 de Abril de 1974. Não milito em nenhuma organização de fora do arco (onde também há muito desse 24), mas intuo que a queda a que chegámos permite-nos afirmar que o estado vigente garante o 24 que está alojado nas organizações que compõe o tal arco e basta olharmos para os aparelhos partidários dos partidos que, à vez, governam.

 

 

 

 



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Terça-feira, 11.02.14

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Os drones e a guerra higiénica

Pedro Xavier Mendonça
Sexta feira, 7 de fevereiro de 2014
 

"A guerra é uma questão de sangue. De muito e pouco. Muito, porque quer-se o sangue dos outros; pouco, porque procura-se poupar o próprio. A tecnologia surge precisamente neste duplo de destruição e proteção. Ao longo dos séculos, podemos ver nas armas a pretensão de destruir com mais precisão ou com maior massificação o inimigo, ao mesmo tempo que se tenta aumentar o nível de segurança do guerreiro. Umas armas tendem mais a um aspeto do que ao outro, mas têm-nos implicitamente no seu modo de ser. Uma espada é mais destruidora do que protetora e um escudo vice-versa. Uma bomba atómica destrói mais em massa do que um veneno, mas ambos, ao destruírem, protegem. As bombas atómicas lançadas pelos EUA no Japão na II Guerra Mundial foram um meio de destruição em massa que evitou que mais soldados americanos morressem. Diferentemente, na I Guerra Mundial, a inadaptação dos generais às novas máquinas de guerra lançou soldados para mortes estúpidas frente a um novo poder de fogo. Hoje, isto é cada vez menos provável.

 

A tendência para este binómio tem crescido. É visível o aumento da destruição ou da precisão da mesma e simultaneamente uma cada vez maior proteção do guerreiro. Os drones são o expoente máximo disto. São dispositivos robóticos que podem ser comandados à distância por terra ou ar. Destruindo com exatidão e por vezes em massa, protegem completamente o piloto, que fica no conforto do gabinete a conduzir o artefacto. Na lógica da segurança, atinge-se a despersonalização total do guerreiro. E uma desumanização ainda maior da guerra. Esta transforma-se numa espécie de jogo de computador, em que o sangue e a dor alheios são realidades tão distantes que se transformam em índices de ação em lugar de fatores de sentimento.

 

Ironicamente, a democracia favorece este tipo de guerra. Os soldados, em geral, neste regime, são mais preciosos do que numa ditadura. O comandante das forças armadas tem que responder perante os cidadãos. Veja-se o pudor que há nos EUA com os corpos dos militares mortos quando chegam a território americano. Explicar essas mortes não é fácil. Então passa a ser quase tão importante salvaguardar a vida do soldado como é destruir a do inimigo. É em democracia que o equilíbrio entre a necessidade de matar e a de proteger é maior. Por isso, ela favorece a dita despersonalização e uma perversão muito específica: apela-se aos direitos humanos na proteção do militar amigo ao mesmo tempo que esses direitos são desprezados no inimigo, por vezes de forma brutal. Basta ver como os atentados terroristas no Iraque são tratados como banalidades pelos media ocidentais comparando com a excecionalidade dos que ocorrem dentro das portas do ocidente. Por isso, para sair para a guerra há que ter a higiene da distância. A vitória mede-se nos ecrãs."

 

 

 

 

 



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Segunda-feira, 10.02.14

 

 

 

 

Vi a capa do DN de ontem numa área de serviço e não estranhei o título sobre a polémica das praxes. Não tenho feito posts sobre o assunto, mas vou captando alguns discursos. Estranhei, sou franco, o fervor com que se defendeu a tradição e a história das praxes. Pareceu-me que a tal lógica gananciosa tinha alguma relação com a coisa. O mercado está em todo o lado. Também me deixou perplexo a mistura das serenatas coimbrãs com o processo praxista. Ao que julgo saber, são manifestações académicas que não se relacionam. 

 

Sei que é matéria delicada para proibir, mas há um detalhe que considero primordial: nenhum jovem pode ser beliscado por recusar a suposta tradição e têm que ser garantidas as condições para o mais elementar exercício da liberdade.

 

 

 

 

 

 

 

 



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Sábado, 21.12.13

 

 

 

 

 

"(...)Onde há sofrimento há chão sagrado. Um dia compreenderás o que isto significa. Nada saberás da vida até que o compreendas.(...)" é o conselho de Oscar Wilde, na página 72 do De Profundis, numa carta que escreveu a quem o fez passar para o estado de miséria material.

 

 

 

 

 



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Segunda-feira, 14.10.13

 

 

 

 

Dá ideia que o Tribunal Constitucional impede o derrube definitivo da democracia. Nem sei se há governantes deliquentes, mas é seguro que há gente a sacar ao Estado ao ritmo de sempre. Ainda hoje se soube que o Hospital da Cruz Vermelha sacou ao Estado o triplo do necessárioE o que fez o ministro da pasta? Renovou o contracto por um terço.

 

Voltando ao constitucional, o Público de hoje tem uma crónica muito pertinente.

 

 

 

 

 

 

 

 



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Quinta-feira, 26.09.13

 

 

 

 



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Quarta-feira, 18.09.13

 

 

 

 

 

 

 

1ª edição em 8 de Julho de 2010.

 

 

Na entrada na puberdade as raparigas efectivam um avanço de cerca de dois anos no seu desenvolvimento. A questão que se pode colocar afirma uma situação de desigualdade de oportunidades que parece desfavorecer os rapazes, o que seria impensável questionar há cerca de vinte anos.

 

O sistema escolar é competitivo desde cedo e as turmas são constituídas em regime da paridade quanto ao número de elementos de cada sexo. Os processos de avaliação dentro dos grupos referidos sujeitam os alunos a frequentes procedimentos de comparação que evidenciam, em regra, um notório conjunto de melhores classificações para quem revele índices de maturidade mais elevados. Essa melhoria de resultados apresenta diferenças mais acentuadas à medida que os anos de escolaridade se somam.

 

Começa também a ser notória a presença de mais elementos do sexo feminino no ensino superior (dados do www.pordata.pt, indicam, em, 2009 115.372 matrículas pela primeira vez nesse grau de ensino, sendo 51.947 do sexo masculino e 63.425 do sexo feminino) onde chegam com classificações mais elevadas obtidas no final do ensino secundário, tendência que se verifica nos últimos 13 anos e de acordo com os dados do sítio da internet referido.

 

Peter Singer (2000,) no seu livro Ética Prática, desenvolve um conjunto de pressupostos, de reflexões e de interrogações sobre a aplicação da ética que parecem muito pertinentes e úteis para quem se dedica ao estudo destas matérias.

 

“(…) Não há qualquer razão logicamente imperiosa para pressupor que uma diferença de capacidade entre duas pessoas justifica quaisquer diferenças na consideração que damos aos seus interesses. A igualdade é um princípio ético fundamental, e não um enunciado de factos. Compreendê-lo-emos melhor se retomarmos a abordagem universal do juízo ético. (...) Mas o elemento fundamental - a consideração dos interesses das pessoas, quaisquer que sejam - tem de aplicar-se a todas as pessoas, independentemente da raça, sexo ou desempenho num teste de inteligência".

 

Parece que se justifica um qualquer movimento em defesa da igualdade de oportunidades para os rapazes. Era bom que estas e outras reflexões não fossem esquecidas pelos países do ocidente; a ousadia não paga imposto nem está sujeita a raitings. O fim da história foi sempre ontem.

 

Ps: bem sei que editar um post com este conteúdo é altamente desfavorável se se considerar o lóbi feminino existente (não estou a pensar no de Santo Onofre, juro que não); devo dizer, desde logo, que no meu argumentário inscreve-se uma óbvia verdade (assim mesmo): no estado adulto recuperamos e de que maneira; como se comprova, aliás.



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Domingo, 03.03.13

 

 

 

 

Desde as cidades da Grécia Antiga que se sabe que os ricos são a favor da oligarquia e os pobres da democracia. As oligarquias garantem a paz pela força ou pela ilusão de acolhimento da maioria. Se, como agora, o empobrecimento actua rapidamente sobre as classe média e baixa e as deixa sem ilusão, só restam dois caminhos: o da força e o da revolução democrática. Em 25 de Abril de 1974 escolheu-se o segundo para contrariar o primeiro.



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Quinta-feira, 17.01.13

 

 

 

 

 

 

 

Sentirei falta dos jornais impressos e não sei avaliar os riscos para a democracia dessa mudança tecnológica. Até aqui, e pensando na rádio, o mundo da comunicação alargou-se com o desuso desse meio, mas o registo sobreviveu. Espero que a situação não seja tão drástica como se anuncia. Não estou a ver como sobreviverão jornais como o JL e mesmo os diários e semanários de referência terão a vida muito dificultada.

 

Compro e assino alguns jornais, mas não são raros os dias em que nem lhes toco e vão directos para a reciclagem. Por isso, há muito que me deixei da aquisição diária e mesmo o Público ficou para a sexta-feira e fim-de-semana e actualmente só para a segunda opção. Imagino as dificuldades de quem gere essas empresas, para além da natural baixa das receitas com publicidade. A única coisa que posso garantir como consumidor é que efectuarei as assinaturas online.

 

Compreendo quando Balsemão acusa o Governo e "(...) apela a consenso para fazer os motores de busca pagarem uma contribuição aos autores pelos conteúdos que agregam.(...)". Não é justa a situação actual, em que os motores de busca recebem avultadas quantias em publicidade através das pesquisas que vão parar a conteúdos produzidos por outros.

 

"Corremos o risco de não ter jornais impressos dentro de alguns meses", avisa presidente da ERC



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Domingo, 02.12.12

 

 

 

A lógica da troca é quase tão antiga como o Homem.

 

Quando a prevalência do negócio se impõe ao funcionamento do mercado, o imperativo da regulação impõe-se.

 

No tempo em que os empresários investiam com os seus recursos ou as habitações só eram construídas por solicitação do cliente, a lógica de negócio era mais transparente. A absorção pela banca de quase 100% do investimento, associado à desregulação dos mercados, criou a "bolha" que comanda a tragédia vigente.

 

Muitos prognosticaram para o século XXI a tentativa de colocar os sistemas escolares na rota dos mercados e do negócio, como resposta à falência noutras áreas. É a isso que assistimos em Portugal e em Espanha e que é mais difícil de concretizar em sociedades civis fortes e com classes médias consolidadas, como ainda acontece em boa parte dos nossos parceiros europeus.



publicado por paulo prudêncio às 20:19 | link do post | comentar | ver comentários (2) | partilhar

Terça-feira, 06.03.12

 

 

José Gil foi, ontem, director do Público e escreveu este editorial. Muitos professores não deixarão de considerar acertadas as suas palavras.

 

"Vivemos num país desconhecido. Por baixo da informação tangível, dos números e das estatísticas, correm fluxos de acontecimentos inquantificáveis e que, no entanto, condicionam decisivamente a nossa vida. Quantas doenças psíquicas foram desencadeadas pela crise? Quanta energia vital se desperdiça na fabricação da imagem de um rosto jovem necessário exigido por tal profissão? São "dados" incognoscíveis ou imateriais, não susceptíveis de se tornarem informação. São não-notícias."



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Sexta-feira, 13.01.12

 

 

A propósito do momento, lembrei-me do que escrevi há tempos: "O meia-noite em Paris de Woddy Allen (2011) retrata a dificuldade da condição humana em valorizar devidamente o presente (...); a idade de ouro fica sempre no passado e pouco há a fazer.(...)"

 

Vivemos um período sobreaquecido e a dificuldade dos historiadores será a de sempre: retratar com rigor a realidade, tantos são os sinais de que os jogos subterrâneos minam uma democracia europeia frágil e recente.

 

Há uma espécie de profissionalidade que se vai evidenciando: são inúmeros os que fazem do poder a sua profissão e dos jogos de influência a fruição cultural. A obsessão com o controlo dos passos da sociedade aprisiona a democracia e a fuga à tragédia colectiva "supera-se" com a crença na solidariedade secreta e na salvação iniciática; um logro comprovado. Como é que a democracia pode sobreviver a esta predação? Exigindo-se mais democracia à nossa volta e com intransigência nos detalhes.

 

Afirma-se a ideia de que a democracia é uma construção diária e efémera.



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Sexta-feira, 06.01.12

 

 

 

 

Os tempos exigem que não nos cansemos de sublinhar o óbvio. Apesar de todas as teorias à volta da crise financeira, há muitos assuntos que não são directamente monetarista e que fazem a diferença entre a democracia e os regimes autoritários. A democracia exige uma permanente atenção aos detalhes e é uma construção diária. Há tempo escrevi assim:

 

"(...)O sistema iniciado na Grécia Antiga tem uma comprovação científica, por registo das ciências políticas, que lhe confere um lugar de primazia. Foi na democracia que se registaram os mais significativos progressos das sociedades.

 

De modo resumido poderemos caracterizá-la da seguinte forma:

    • pela renovação e legitimidade dos mandatos de poder - com limitação do número consecutivo nos exemplos mais avançados e prósperos - e pelo sufrágio directo e universal;
    • pela consequente divisão de responsabilidades, com aumento significativo da participação e da mobilização cívica e profissional;
    • pela liberdade de expressão e de circulação de ideias, que proporcionam níveis elevados de inovação e de espírito empreendedor;
    • pelos níveis de parcimónia, de transparência e de escrutínio na gestão dos bens comuns;
    • pela repartição da riqueza, pelos progressos no bem-estar das pessoas e nos indicadores de esperança de vida;
    • pelos inauditos níveis de desempenho profissional das pessoas e das organizações;
    • pela afirmação de lideranças fortes, segundo o seguinte princípio de simultaneidade: "os líderes sentem-se capazes do seu exercício e os liderados reconhecem essa autoridade".

Sabe-se que as organizações que adoptaram regimes democráticos obtiveram melhores resultados; também no mundo empresarial. (...)"



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Terça-feira, 03.01.12

 

 

Há asserções que se tornam clássicas e sou partidário de duas delas: "há pessoas que lideram em qualquer modelo" (e o contrário também é verdadeiro) e ”a democracia é o pior sistema de governo existente, excluídos todos os demais” (frase de Winston Churchill).

 

Nos últimos dias a agenda mediática da Educação voltou a pegar no modelo de gestão escolar por causa da avaliação dos directores e a fragilidade da democracia evidenciou-se na abertura à ditadura na Hungria.

 

A relação dos factos é óbvia e deve pôr muita gente a pensar nas duas asserções referidas. Um sistema ou país não se pode sujeitar ao fenómeno da "geração espontânea" no que se refere à escolha das lideranças. Os modelos têm de prevenir as autocracias e os absolutismos tão ao jeito das incompetências e dos oportunismos. Por isso é que o primeiro passo da afirmação das democracias é o sufrágio directo e universal aplicado a todas circunstâncias possíveis e com cadernos eleitorais com o máximo de espectro. Eliminar o voto e substituí-lo por nomeações ou votos restritos são tiques que abrem portas a totalitarismos.

 

Nos modelos de gestão escolar, esses tiques evidenciam-se também nos que defendem o exercício por nomeação dos cargos intermédios (da sua confiança) do que a eleição pelos pares. O medo do confronto, da democracia, portanto, é o ideário. São todos estes tiques somados que levam à naturalidade com que os conservadores húngaros, e quiçá, um dia, os seus congéneres lusitanos, propõem passos ditatoriais com a contemplação de uma maioria silenciosa que só se apercebe do mal em vigor quando o sente na pele.



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Sexta-feira, 04.11.11

 

 

 

 

 

 

O título diz tudo. A situação da Grécia contribuiu para o regresso do político. Tenhamos alguma esperança.

 

Amartya Sen

(Nobel da Economia 1998)

 

Foi a Europa que conduziu o mundo à prática da democracia. Por isso, é preocupante que os perigos do governo democrático de hoje cheguem pela porta de trás da prioridade financeira e não estejam a merecer a atenção que merecem. Há questões importantes que têm de ser discutidas, como é o caso da governação democrática da Europa poder estar a ser ameaçada pelo papel excessivo das instituições financeiras e das agências de rating, que agora imperam livremente em algumas zonas do terreno político da Europa.

Dois assuntos diferentes têm de ser tratados de forma diferente. O primeiro diz respeito às prioridades democráticas, incluindo aquilo que Walter Bagehot e John Stuart Mill viam como uma necessidade de “governo por discussão”. Supõe que aceitamos que os poderosos patrões da finança têm uma ideia realista daquilo que é preciso fazer, o que reforçaria a necessidade de dar atenção às suas vozes num diálogo democrático. Mas isso não significa permitir que instituições financeiras internacionais e agências de rating tenham o poder unilateral de comandar governos democraticamente eleitos.

Em segundo lugar, é muito difícil ver que os sacrifícios que os líderes financeiros têm vindo a pedir aos países em situação difícil podem levar à viabilidade desses mesmos países e garantam a continuação do euro sem que haja reformas da fusão financeira e sem uma alteração dos membros da zona euro. O diagnóstico dos problemas financeiros feito pelas agências de rating não é a voz da verdade, como ela pretendem fazer crer. Vale a pena recordar que as avaliações das agências de rating a instituições financeiras e empresas antes da crise económica de 2008 apresentaram uma diferença tão abissal com a realidade que o Congresso dos Estados Unidos está a debater a possibilidade de as levar a tribunal.

Uma vez que a maior parte da Europa está agora empenhada em conseguir uma rápida baixa dos deficits públicos através da drástica redução da despesa pública, é essencial controlar de forma realista que impacto terão essas políticas, tanto na vida dos cidadãos como na receita pública através do crescimento económico. A moral elevada do fazer “sacrifício” tem, evidentemente, um efeito intoxicante. É a filosofia do espartilho “certo”: “Se a senhora se sente absolutamente confortável é porque, certamente, vai precisar do tamanho abaixo”. No entanto, se as exigências de adequação financeira também estão ligadas mecanicamente a cortes imediatos, o resultado pode ser a morte da galinha dos ovos de ouro do crescimento económico.

Esta preocupação diz respeito a vários países, da Grã-Bretanha à Grécia.

O ponto comum da estratégia de “sangue, suor e lágrimas” para a redução do deficit dá uma aparente plausibilidade daquilo que está a ser imposto aos países mais precários, como a Grécia e Portugal. E torna mais difícil a existência de uma voz política unida da Europa que possa levantar-se contra o pânico gerado nos mercados financeiros.

Para além de uma maior visão política, há necessidade de um pensamento económico claro. A tendência para ignorar a importância do crescimento económico na geração de receitas públicas deve ser um dos principais assuntos a ser discutido. A forte ligação entre crescimento e receitas públicas pode ser constatada em vários países, como a China e a Índia, os Estados Unidos e o Brasil.

Também aqui há lições a tirar da história. As enormes dívidas públicas de muitos países, no fim da Segunda Guerra Mundial, causaram uma grande ansiedade, mas o seu peso diminuiu rapidamente graças a um rápido crescimento económico. Da mesma maneira, o grande deficit que o presidente Clinton encontrou quando chegou ao governo, em 1992, dissolveu-se durante a sua presidência, com a grande ajuda de um rápido crescimento económico.

O temor de uma ameaça à democracia não se aplica, evidentemente, à Grã-Bretanha, uma vez que estas políticas foram decididas por um governo legitimado em eleições democráticas. Mesmo que o desenvolvimento de uma estratégia que não tenha sido revelada na campanha eleitoral possa ser razão para uma pausa, este é o género de liberdade que o sistema democrático permite a quem vence as eleições. Mas isso não elimina a necessidade de mais discussão pública, até mesmo na Grã-Bretanha. Também há que reconhecer que as políticas restritivas autoimpostas no Grã-Bretanha parecem dar plausibilidade às ainda mais drásticas medidas impostas à Grécia.

Como é que alguns países europeus se meteram nesta confusão? A extravagância de ter uma moeda única sem maior integração política e económica desempenhou parte do papel, mesmo depois de se saber das transgressões financeiras, sem dúvida cometidas, no passado, por países como a Grécia e Portugal (e mesmo depois da importante afirmação de Mario Monti, segundo o qual uma cultura de “deferência excessiva” na UE permitiu que essas transgressões continuassem por verificar).

Há que elogiar o governo grego – e George Papandreou, o primeiro-ministro, em particular – por estar a fazer o melhor que pode, apesar da resistência política, mas a sofrida vontade de Atenas em cumprir não elimina a necessidade europeia de refletir sobre a razoabilidade das exigências – o dos prazos – impostos à Grécia.

Para mim, não é consolo recordar que sempre me opus firmemente ao euro, apesar de ser um fervoroso apoiante da unidade europeia. A minha preocupação em relação ao euro dizia, em parte, respeito ao facto de cada um dos países abrir mão da liberdade de ter a sua própria política monetária e de fazer ajustes nas taxas de câmbio, o que muito ajudou, no passado, os países em dificuldades, e evitaria a enorme desestabilização das vidas humanas num esforço frenético para estabilizar os mercados financeiros. Pode abrir-se mão da liberdade monetária quando também há integração política e fiscal (como acontece nos vários Estados dos Estados Unidos), mas a casa meio construída da zona euro foi a receita para o desastre. A maravilhosa ideia de uma Europa democraticamente unida foi criada para incorporar um programa precário de fusão financeira incoerente.

Reordenar a zona euro agora tem muitos inconvenientes, mas os assuntos difíceis têm de ser discutidos com inteligência, em vez de permitir que a Europa fique à mercê de ventos financeiros alimentados por mentalidades tacanhas com um histórico de pensamento terrível.

O processo tem de começar por uma restrição imediata do poder sem oposição das agências de rating para darem ordens unilaterais. Estas agências são difíceis de disciplinar, apesar do seu negro historial, mas uma voz bem definida de governos legítimos pode fazer uma grande diferença enquanto as soluções são trabalhadas, especialmente se as instituições financeiras internacionais também colaborarem. Parar a marginalização da tradição democrática da Europa tem uma urgência difícil de exagerar. A democracia europeia é importante para a Europa – e para o mundo.

 

Cortesia da Manuela Silveira.



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