Em busca do pensamento livre.

Terça-feira, 02.10.18

 

 

 

 

Para que não se diga que só partilho música de qualidade, pode contactar aqui com uma melodia vulgar.



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Quinta-feira, 05.07.18

 

 

Recebi as imagens seguintes por email identificado e com uma introdução: "Um editorial de Eduardo Dâmaso (revista Sábado)."

 

editorial (1)

editorial (2)

editorial (3) 

editorial (4)

 



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Segunda-feira, 02.07.18

 

 

 

Contributo de Maria Silva (um comentário que passei a post).

 

"A má vontade mal resolvida contra os professores comporta vários fatores:


1- Um imaginário limitado em relação à importância da cultura e do saber, enformado por uma sociedade cujo perfil, no momento em que acontece o 25 de abril, apresenta a mais alta taxa de analfabetismo da Europa, situação que não foi resolvida, como deveria, com uma revolução cultural, mas que foi varrida para debaixo do tapete com a massificação da escola. Assim a massificação de diplomados que é hoje constituída por decisores e “opinion makers” deste país é oriunda deste perfil social e reconhece mais valor ao futebol do que ao teatro, por exemplo.
2- O facto da expetativa em relação à escola ser irrealista, de se atribuírem à escola missões impossíveis que obviamente só pode falhar. Por exemplo, espera-se da escola que descubra o brilhantismo oculto que existe em cada um nós, antes mesmo de que ele seja revelado perante o próprio. O professor tem o ónus de modelar mentes e vontades até ao infinito, tarefa que não se espera de psicólogos e psiquiatras que são especialistas na mente humana. A indefinição clara das incumbências da escola e das limitações da sua ação, servem a correlativa indefinição acusatória que flutua contra a escola e contra os seus agentes, os professores.
3- A assimetria social, não existem quotas de género para o grupo profissional dos professores, predominantemente constituído por indivíduos do sexo feminino. Esta situação é afetada por alguma simbologia social. O facto da sua imagem social não ser representada por executivos de fato e gravata, com um ar grave, influencia o estatuto social do grupo profissional dos professores, que são tuteados na praça pública com a familiaridade de quem vive na porta ao lado, sem se vislumbrar que a educação é um sector tão estratégico como as finanças, uma vez que a principal riqueza que este país possui são os recursos humanos, e todos: juízes, políticos, artistas, cientistas, metalúrgicos etc. são formados na escola.
A nossa sociedade atribui ao grupo profissional dos professores (apesar da exigente tarefa que lhe cobra) um estatuto remuneratório inferior ao de outros grupos profissionais com graus académicos equivalentes, porque aceita que o contributo para o orçamento familiar da mulher seja secundário em relação ao do homem.
O tradicional espírito de entrega e de sacrifício das mulheres e a sua capacidade de multitarefas, paradoxalmente, não ajuda ao seu reconhecimento."

 

Maria Silva.



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Segunda-feira, 25.06.18

 

 

 

Contributo de Mário Silva.

 

"O próximo ataque do ME à reputação dos docentes.

 

Através do ‘Iavé’, o ME vai atacar a reputação dos professores no próximo mês de julho. Como? Quem acompanha os exames nacionais, detetou que houve alterações na estrutura deles e nas cotações (aumentaram nas questões de escolha múltipla). Estas alterações têm potencial para piorar as classificações dos exames e obviamente que isso será usado para atacar os professores com a falácia ‘estão-a-ver-esta-gente-a-reivindicar-que-lhes-paguem-as-progressões-e-afinal-os resultados-foram-piores’.

O ME que se arvora o protetor dos ‘coitadinhos-dos-estudantes-que-são-prejudicados-pelos-professores’, depois insidiosamente promove ações que prejudicam os mesmos estudantes nas suas médias de classificação final, usando subrepticiamente como ‘bode expiatório’ a classe docente; nem Maquiavel conseguia ser mais ignóbil…

“Os alunos concordaram que a derradeira questão da prova era a mais complicada e estavam também alinhados no principal assunto de quase todas as conversas: a estrutura do exame deste ano. Ao contrário do que vinha sendo habitual nos anos anteriores, o exame nacional de Matemática A foi dividido em dois cadernos.

«Nós somos sempre as cobaias do Iave», queixa-se Ana, já fora da escola. «Se quisesse voltar atrás a alguma das perguntas do 1.º caderno, não podia», explica.

 

Jornal Público (25/06/2018)



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Quinta-feira, 21.06.18

 

 

 

Recebi o texto que se segue por email devidamente identicado.

 

"Os factos da SE estão baseados em cálculos errados.

 

O que a SE está a fazer é misturar minutos com segundos. Ou euros com cêntimos.

As contas da SE estão erradas.(...)Imaginemos duas carreira, ambas correspondendo a técnicos superiores da administração pública. Uma tem 10 escalões de 4 anos e outra tem 4 escalões de 10 anos. Ambas perfazem um total de 40 anos.

E a média salarial mensal, ao longo desses 40 anos, até pode ser a mesma.

Agora usemos a mesma lógica da SE, mas para fazer outro cálculo.

Se for contado aos professores 2 anos, 9 meses e 18 dias, perdem 6 anos, 6 meses e 15 dias. Perdem o equivalente a 100% de 1 escalão e 62,5% de outro.

Então, pela justiça e equidade da SE todos devem perder o mesmo. Quem tem escalões de 10 anos deve perder 100% de um escalão e 62,5% de outro. Deve perder 16,25 anos de progressão.

É essa perda que fará os restantes técnicos superiores da administração pública perceberem o que querem tirar aos professores.

 

Rui Araújo"



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Quarta-feira, 30.05.18

 

 

 Contributo recebido por email.

 

"O texto que vai ler é da autoria de Teolinda Gersão. Escritora, Professora Catedrática aposentada da Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa. Escreveu-o depois de ajudar os netos a estudar Português. Colocou-o no Facebook.

 

"Vou chumbar a Língua Portuguesa, quase toda a turma vai chumbar, mas a gente está tão farta que já nem se importa. As aulas de português são um massacre. A professora? Coitada, até é simpática, o que a mandam ensinar é que não se aguenta. Por exemplo, isto: No ano passado, quando se dizia “ele está em casa”, ”em casa” era o complemento circunstancial de lugar. Agora é o predicativo do sujeito.”O Quim está na retrete”: “na retrete” é o predicativo do sujeito, tal e qual como se disséssemos “ela é bonita”. Bonita é uma característica dela, mas “na retrete” é característica dele? Meu Deus, a setôra também acha que não, mas passou a predicativo do sujeito, e agora o Quim que se dane, com a retrete colada ao rabo.

No ano passado havia complementos circunstanciais de tempo, modo, lugar etc., conforme se precisava. Mas agora desapareceram e só há o desgraçado de um “complemento oblíquo”. Julgávamos que era o simplex a funcionar: Pronto, é tudo “complemento oblíquo”, já está. Simples, não é? Mas qual, não há simplex nenhum, o que há é um complicómetro a complicar tudo de uma ponta a outra: há por exemplo verbos transitivos directos e indirectos, ou directos e indirectos ao mesmo tempo, há verbos de estado e verbos de evento, e os verbos de evento podem ser instantâneos ou prolongados; almoçar por exemplo é um verbo de evento prolongado (um bom almoço deve ter aperitivos, vários pratos e muitas sobremesas). E há verbos epistémicos, perceptivos, psicológicos e outros, há o tema e o rema, e deve haver coerência e relevância do tema com o rema; há o determinante e o modificador, o determinante possessivo pode ocorrer no modificador apositivo e as locuções coordenativas podem ocorrer em locuções contínuas correlativas. Estão a ver? E isto é só o princípio. Se eu disser: Algumas árvores secaram, ”algumas” é um quantificativo existencial, e a progressão temática de um texto pode ocorrer pela conversão do rema em tema do enunciado seguinte e assim sucessivamente.

No ano passado se disséssemos “O Zé não foi ao Porto”, era uma frase declarativa negativa. Agora a predicação apresenta um elemento de polaridade, e o enunciado é de polaridade negativa. No ano passado, se disséssemos “A rapariga entrou em casa. Abriu a janela”, o sujeito de “abriu a janela” era ela, subentendido. Agora o sujeito é nulo. Porquê, se sabemos que continua a ser ela? Que aconteceu à pobre da rapariga? Evaporou-se no espaço?

A professora também anda aflita. Pelo visto, no ano passado ensinou coisas erradas, mas não foi culpa dela se agora mudaram tudo, embora a autora da gramática deste ano seja a mesma que fez a gramática do ano passado. Mas quem faz as gramáticas pode dizer ou desdizer o que quiser, quem chumba nos exames somos nós. É uma chatice. Ainda só estou no sétimo ano, sou bom aluno em tudo excepto em português, que odeio, vou ser cientista e astronauta, e tenho de gramar até ao 12º estas coisas que me recuso a aprender, porque as acho demasiado parvas. Por exemplo, o que acham de adjectivalização deverbal e deadjectival, pronomes com valor anafórico, catafórico ou deítico, classes e subclasses do modificador, signo linguístico, hiperonímia, hiponímia, holonímia, meronímia, modalidade epistémica, apreciativa e deôntica, discurso e interdiscurso, texto, cotexto, intertexto, hipotexto, metatatexto, prototexto, macroestruturas e microestruturas textuais, implicação e implicaturas conversacionais? Pois vou ter de decorar um dicionário inteirinho de palavrões assim. Palavrões por palavrões, eu sei dos bons, dos que ajudam a cuspir a raiva. Mas estes palavrões só são para esquecer, dão um trabalhão e depois não servem para nada, é sempre a mesma tralha, para não dizer outra palavra (a começar por t, com 6 letras e a acabar em “ampa”, isso mesmo, claro.)

Mas eu estou farto. Farto até de dar erros, porque me põem na frente frases cheias deles, excepto uma, para eu escolher a que está certa. Mesmo sem querer, às vezes memorizo com os olhos o que está errado, por exemplo: haviam duas flores no jardim. Ou: a gente vamos à rua. Puseram-me erros desses na frente tantas vezes que já quase me parecem certos. Deve ser por isso que os ministros também os dizem na televisão. E também já não suporto respostas de cruzinhas, parece o totoloto. Embora às vezes até se acerte ao calhas. Livros não se lê nenhum, só nos dão notícias de jornais e reportagens, ou pedaços de novelas. Estou careca de saber o que é o lead, parem de nos chatear. Nascemos curiosos e inteligentes, mas conseguem pôr-nos a detestar ler, detestar livros, detestar tudo. As redacções também são sempre sobre temas chatos, com um certo formato e um número certo de palavras. Só agora é que estou a escrever o que me apetece, porque já sei que de qualquer maneira vou ter zero.

E pronto, que se lixe, acabei a redacção - agora parece que se escreve redação.O meu pai diz que é um disparate, e que o Brasil não tem culpa nenhuma, não nos quer impôr a sua norma nem tem sentimentos de superioridade em relação a nós, só porque é grande e nós somos pequenos. A culpa é toda nossa, diz o meu pai, somos muito burros e julgamos que se escrevermos ação e redação nos tornamos logo do tamanho do Brasil, como se nos puséssemos em cima de sapatos altos. Mas, como os sapatos não são nossos nem nos servem, andamos por aí aos trambolhões, a entortar os pés e a manquejar. E é bem feita, para não sermos burros.
E agora é mesmo o fim. Vou deitar a gramática na retrete, e quando a setôra me perguntar: Ó João, onde está a tua gramática? Respondo: Está nula e subentendida na retrete, setôra, enfiei-a no predicativo do sujeito.

João Abelhudo, 8º ano, setôra, sem ofensa para si, que até é simpática."

 



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Terça-feira, 22.05.18

 

 

 

 



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Segunda-feira, 21.05.18

 

 

 

 

Contributo de Mário Silva.

 

"Tanto os sindicatos como os docentes concentraram a pressão reivindicativa na recuperação do tempo de serviço de 9 anos, 4 meses e 2 dias (942), uma atitude da mais elementar justiça. Todavia, o mais grave tem sido ignorado desde 2012, não tendo sido rejeitado veementemente nem pelos sindicatos nem pelos docentes: a aplicação do nº3 do artº37º do ECD (obtenção de vaga para acesso ao 5º e 7º escalões). Será que interessa mais ao governo manter este artigo, criando uma manobra clássica de diversão, fingindo que o 942 é que é muito grave e importante, e deste modo não atraindo a reivindicação para a questão das vagas?

A reivindicação mais importante será exigir eliminar o nº3 do artº37º, em vez da recuperação do 942? Esta recuperação poderá ajudar os professores atualmente em funções, mas não ajudará os futuros professores. Quando se reivindica, deve ser para TODOS os profissionais e não só para casos de situações especificas, deixando que outros tenham prejuízos considerados suportáveis por quem negoceia.

Fazendo um exercício de cálculo, um docente com 25 anos de serviço, com 50 anos, colocado agora no 4º escalão (quando deveria estar no 7º), se não recuperar o 942 e só progredir em 2020 para o 5º escalão (sem o impedimento de vaga), teremos:

- 2020, 52 anos, 5º escalão

- 2022, 54 anos, 6º escalão

- 2026, 58 anos, 7º escalão

-2030, 62 anos, 8º escalão

- 2034, 66 anos, 9º escalão

- 2038, 70 anos, 10º escalão

Este cálculo permite demonstrar que este professor só tem hipótese de chegar ao topo antes da idade da aposentação, se em 2020 passar diretamente para o 7º escalão em vez de para o 5º e que para docentes mais novos existe a possibilidade de chegarem ao 9º/10º escalão antes da idade da aposentação; tendo as vagas para o 5º e 7º escalões, então a MAIORIA pode ficar anos a ‘patinar’ para subir ao 5º ou ao 7º, jamais tendo hipótese de ultrapassar o 6º escalão antes da aposentação!...

Assim, a reivindicação não se pode concentrar apenas no 942: também tem de se concentrar na eliminação das vagas para subida de escalão e na idade da aposentação não ser afetada pelo fator de sustentabilidade, de modo a abranger TODOS OS CASOS."



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Quinta-feira, 10.05.18

 

 

 

Contributo de Mário Silva.

 

"Na educação é permitida a ultrapassagem pela direita.

Durante anos, a indecência dos vários governos obrigou muitos profs a trabalhar sob regime de contrato a prazo quando a legislação obrigava a integrar no quadro. Em 2017, foi feito um concurso extraordinário para integrar legitimamente esses profs, mas com a resolução de uma ilegalidade criou-se uma injustiça para os profs do quadro (de carreira). A portaria n.º 119/2018 publicada no dia 04/05 (na sequência do parecer jurídico da PGR) vem permitir a contagem integral do tempo de serviço prestado por esses profs, mesmo durante os anos de ‘congelamento’. Desde que os docentes cumpram os requisitos exigidos (ter um número de horas de frequência, com aproveitamento, de formação, cumprido o requisito de observação de aulas quando aplicável e cumprido o requisito de obtenção de vaga, quando aplicável), são colocados no escalão correspondente aos anos de serviço que possuem. Para ilustrar, um prof do quadro com 25 anos de serviço que agora está colocado no 4º escalão, quando progredir será para o 5º escalão, quando devia ser para o 7º escalão; um prof. vinculado, cumprindo os requisitos, vai diretamente para o escalão correspondente aos anos de serviço que possui; o errado é o governo SÓ FAZER ESSA CONTAGEM INTEGRAL para os profs vinculados extraordinariamente.

Parece que os sindicatos aceitam esta injustiça em prol da resolução de uma estupidez legislativa iniciada em 2007, uma espécie de aceitação de danos colaterais, que é ignóbil para quem é a vítima

“- A presente portaria define os termos e a forma como se processa o reposicionamento no escalão da carreira docente dos educadores de infância e dos professores dos ensinos básico e secundário do pessoal docente com tempo de serviço prestado antes do ingresso na referida carreira.

- Aos docentes que (…) devam ser reposicionados para além do 2.º escalão aplicam-se sucessivamente as seguintes regras:

a) São reposicionados provisoriamente no 2.º escalão da carreira para o efeito do cumprimento do requisito da observação de aulas;

b) Após o cumprimento da regra anterior, e voltando a contabilizar -se o tempo de serviço prestado antes do ingresso na carreira, se este permitir o reposicionamento para além do 4.º escalão, os docentes são reposicionados provisoriamente neste escalão para os seguintes efeitos:

i) Cumprimento do requisito de observação de aulas;

ii) Obtenção de vaga para o 5.º escalão, caso não estejam dispensados da mesma, nos termos do n.º 4 do artigo 37.º do ECD;

c) Cumpridos os requisitos exigidos na alínea anterior, se a contabilização do tempo de serviço que o docente ainda detém permitir o reposicionamento para além do 6.º escalão, os docentes são reposicionados provisoriamente neste escalão para o efeito do cumprimento do requisito de obtenção de vaga para o 7.º escalão”.



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Terça-feira, 24.04.18

 

 

Contibuto de Mário Silva.

 

"A ilusão criada pela "minoria absoluta""

"Acontece que o descongelamento das carreiras, incluído no OE 2018, e que estipula que os acréscimos remuneratórios decorrentes dos direitos acumulados serão repostos de forma faseada em 2018 e 2019, vem acompanhado de mais um ano (o nono) de congelamento nominal dos salários na administração pública, ao qual se junta o já anunciado e mais que certo congelamento em 2019. Já não há dúvidas de que o congelamento dos salários significa tudo menos reposição de rendimentos mas traduz, imagine-se, empobrecimento efetivo dos funcionários públicos, uma palavra proibida no atual ciclo. Se o congelamento se mantiver no horizonte do Programa de Estabilidade, que dura até 2021, a perda de poder de compra acumulada desde o início desta década ascenderá a 20%. Este não tem sido o único determinante da redução de rendimento real dos funcionários públicos. Com efeito, a redução real dos salários é acrescida num valor entre 3% a 6% decorrente do agravamento do IRS (em 2013), com a introdução da sobretaxa e a revisão dos escalões (novamente alterados em 2018 e com um impacto, pasmese, regressivo, ou seja, prejudicando os mais pobres) e a alteração das tabelas de retenção. A este agravamento de IRS somam-se ainda as subidas dos descontos para a Caixa Geral de Aposentações (CGA) de 10% para 11% e para a ADSE de 1,5% para 3,5%, não revertidas pelo actual Governo, e a subida generalizada de quase todos os impostos indirectos que agravou a carga fiscal em Portugal.

A austeridade não só não acabou — como se apregoa aos quatro ventos — como se agravou nos últimos anos. Mas com uma diferença, é uma austeridade salarial real e uma austeridade fiscal indirecta. A pergunta que o leitor se coloca por esta altura é a de saber se, ainda assim, e na actual legislatura, o descongelamento das carreiras permitirá compensar a redução de poder compra ditada pela manutenção dos salários nominais. Para não contrariar a Lei de Betteridge, bem conhecida no meio jornalístico, a resposta é uma vez mais não. Considere-se, a título de exemplo, um assistente operacional na 2.ª categoria e com um salário de €557,00 em Dezembro de 2017 e que terá direito a progredir uma posição remuneratória para €583,58, com aumento faseado durante os anos de 2018 e 2019 (25% Jan-Ago; 50% Set 2018 — Abril 2019; 75% Mai-Out 2019; 100% Nov 2019). No final do 2018, o rendimento anual nominal terá aumentado 1,619% face a 2017, subindo este valor para 3,494% no final de 2019. Ora este valor não compensa a perda de poder de compra dos salários nominais em resultado da inflação acumulada no período 2016-2018 (-3,64%) e 2016-2019 (-5,09%), pelo que o empobrecimento continuará, num grupo profissional já tão sacrificado desde o período pré-troika. A opção governativa actual parece clara: aumentar o peso do emprego público na economia e ajustar, pelo preço, o peso da massa salarial dos trabalhadores em funções públicas no PIB. Mais emprego público, mas com salários (e pensões de velhice) cada vez mais baixos em termos nominais e reais."

Jorge Miguel Bravo, Economista;

dirigente da Cidadania Social

 

"As perdas de dinheiros públicos e privados que deverão exceder os 30 mil milhões de euros: contabiliza-se nesta estimativa as perdas privadas e públicas com o BES até Dezembro de 2015 de 19 mil milhões de euros, 4 mil milhões de euros com o Banif, 3,9 mil milhões de euros com a recapitalização da CGD em 2017, e 3,9 mil milhões de euros das garantias contingentes sobre activos do Novo Banco, oferecidos pelo Governo à Lone Star, que se antecipa venham a ser plenamente exercidas."

Ricardo Cabral, economista



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Terça-feira, 10.04.18

 

 

 

Contributo de Mário Silva.

"Com o advento e crescimento das redes sociais cibernéticas, a informação credível está em vias de extinção, pondo em perigo regimes políticos democráticos(?!) e promovendo outra vez regimes políticos autoritários, elitistas e tirânicos.

Veja-se que Hillary Clinton era a candidata dos media nacionais norte-americanos e, mesmo assim, perdeu a eleição. Talvez a explicação esteja, em parte, aqui: nos últimos três meses da campanha presidencial norte-americana de 2016, as 20 notícias falsas mais vistas no Facebook geraram mais partilhas e comentários do que as “20 mais” dos media mainstream norte-americanos. Dados idênticos existem, por exemplo, sobre o impeachment de Dilma no Brasil.

(...) Para além disso, estamos na era do “clickbait”: isto significa, para muitos operadores neste mercado, que se uma notícia não é partilhada, não é notícia. Alguns vão mesmo mais longe e confessam: “Não é importante se uma história é real, a única coisa que realmente importa é se as pessoas clicam nela” (Neetzan Zimmerman, ex-Gawker). Mas também estamos na era do microtargeting e da propaganda computacional. Obama, aliás, ganhou as eleições, já em 2008, com uma estratégia desse tipo, coordenada por Ken Strasma, seu targeting director.

(...) E surge a Cambridge Analytica. A verdade é que há muito que se dizia que esta empresa detinha uma base de dados com mais de cinco mil “data points” psicográficos e sociográficos de cada um de cerca de 220 milhões de americanos. A Cambridge não só ajudou a eleger Donald Trump como também terá tido um papel activo na vitória do “Brexit”, na campanha de Ted Cruz, etc. O que eles dizem que fazem é “engenharia social”, aliciam os eleitores para “correntes emocionais”, para falsas notícias e “dark posts” (também conhecidos por “unpublished page posts”, segmentados para perfis de utilizadores e ocultos para outros), manipulando a opinião, prevendo e mudando o comportamento do eleitor, influenciando-o através de agendas políticas específicas ou tão-somente de “junk news” e de “troll factories”. Daí que se diga que as eleições hoje dependem cada vez mais da propaganda computacional e dos automatismos criados em torno da mudança de comportamento político.

Francisco Rui Cádima,

Instituto de Comunicação da NOVA FCSH



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Quinta-feira, 05.04.18

 

 

 

 

 



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Sexta-feira, 23.02.18

 

 

 

Contributo de Mário Silva.

 

"A vida real pessoal e pedagógica não é uma declaração jornalística...
 
Uma professora ficou sem voz e este facto permitiu refletir sobre 3 condições: 
1- uma ferramenta profissional essencial; 
2- a manutenção de uma crueldade social; 
3- a falácia da flexibilidade curricular.
 
1- Um docente sem voz não pode ensinar. Pode não ter membros, estar paraplégico ou até tetraplégico, que tendo voz, pode ensinar. O som é  uma ferramenta essencial no ensino.
2- O docente não tem voz mas mantém-se funcional em todos os outros aspetos; contudo, como não tem a ferramenta essencial, tem de declarar incapacidade temporária, para recuperar algo que demora aproximadamente 5 dias a ficar normal. No modelo social atual, implicaria apresentar atestado médico, sendo descontado integralmente 3 dias de salário e uma percentagem nos restantes, agravando o já degradado rendimento mensal. 
3- Para não perder um rendimento não desprezável, foi pedida uma coadjuvação voluntária. Na aula de uma turma do secundário, a coadjuvante servia de porta-voz, orientando a aprendizagem de acordo com o modelo de flexibilidade curricular que se quer generalizar. Neste modelo, o conceito de aprendizagem significativa é o cerne do processo; mas implica uma disponibilidade tanto dos alunos como de tempo letivo. O plano de aula desenvolveu-se de modo a que começou a mobilizar aprendizagens de outras áreas do conhecimento; apesar da produtividade, em determinado momento a colega sussurrou ao ouvido da coadjuvante: ”Já estou atrasada no programa relativamente ao outro colega que tem outra turma. Temos de abreviar”. E nesse momento, constata-se a falácia da flexibilidade curricular quando se tem a grilheta do programa obrigatório do exame nacional para cumprir, algo essencial ao destino dos alunos mas irrelevante para a aprendizagem significativa...
Essa falácia torna-se mais evidente quando os futuros alunos universitários constatarem que nesse modelo de ensino impera o expositivismo 'puro e duro', tendo de se desenrascarem sozinhos, sem terem acesso a serviços de apoio educativo, ocorrendo inevitavelmente um choque intelectual negativo."
 
E assim, as declarações dos pretensos modificadores de métodos de trabalho pedagógico em conferências de imprensa, artigos de opinião ou vídeos de divulgação, revelam-se desfasadas do que acontece no quotidiano real...
 
Mário Silva


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Terça-feira, 20.02.18

 

 

 

Contributo de Mário Silva.

 

"As origens ideológicas do egoísmo emergente.

A influência de Ayn Rand no pensamento político nos EUA e outros países continua a ser forte e atual.

Egoísmo é uma palavra muito recente na história das civilizações. Vem da palavra latina “ego” para “eu” e constituiu pela primeira vez em 1751 uma entrada na Enciclopédia Francesa do Iluminismo. O significado inicial de egoísmo qualifica o comportamento das pessoas que se citam e falam muito delas próprias, das suas virtudes, da sua vida e do que lhes acontece. Este tipo de comportamento constituía uma forma de “vaidade, de soberba, de pequenez de espírito e, por vezes, de má educação”. Em Inglaterra, a palavra selfish só começou a ser usada no século XVII pelos Presbiterianos.

O egoísmo pode ser considerado de um ponto de vista descritivo ou normativo. No primeiro caso, temos a tese do egoísmo psicológico, segundo a qual a motivação de qualquer ação humana é sempre satisfazer o seu próprio interesse, mesmo quando alguns a possam interpretar como um exemplo de altruísmo. No segundo, o egoísmo ético é uma tese normativa na qual a condição necessária e suficiente para uma ação humana ser moralmente correta é maximizar o interesse próprio (Shaver, 2015). A defi nição de egoísmo racional obtém-se substituindo na definição anterior a expressão moralmente correta por racional. No Cristianismo e na tradição moral que legou ao Ocidente, ajudar os outros, especialmente os pobres, os famintos, os doentes e os abandonados, ou seja, praticar aquilo que mais tarde, em 1852, Auguste Comte designou por altruísmo, é considerado uma virtude redentora. Ao longo da história do Ocidente vários filósofos e teólogos salientaram ser racional o homem procurar o que lhe é útil e dá felicidade. Thomas Hobbes, na sua teoria sobre a natureza e a moralidade humanas, fortaleceu a afirmação do egoísmo na cultura Ocidental. Segundo ele, o homem é essencialmente uma criatura selfish, quezilenta e agressiva, pelo que apenas um Estado forte pode evitar uma “guerra de todos contra todos”. Hobbes foi o primeiro a defender que todo o comportamento humano é, em última análise, selfish, ou seja, a defender a teoria do egoísmo psicológico.

Alissa Rosenbaum, que mais tarde adotou o nome de Ayn Rand, nasceu em São Petersburgo numa família judia burguesa no ano de 1905. Desde muito cedo revelou uma extraordinária aptidão para escrever peças de teatro e novelas. Aos 12 anos assistiu à Revolução Russa e passados poucos anos os dirigentes bolcheviques confiscaram o negócio e os bens da família Rosenbaum, que fugiu para a Crimeia, onde viveu com grandes dificuldades e passou fome. Aos 20 anos conseguiu um visto para visitar familiares em Chicago e ao ver Manhattan do barco chorou, reconhecendo mais tarde serem “lágrimas de esplendor”. A sua visão política do mundo consolidou-se após a Grande Depressão de 1929, ao considerar as políticas de reformas financeiras e de programas de desenvolvimento do New Deal como uma forma de “coletivismo”, logo uma perigosa imitação do bolchevismo ao qual se opunha visceralmente.

As teorias que desenvolveu podem ser interpretadas como um esforço de justificação moral de uma política que literalmente inverte o Marxismo. Neste, os trabalhadores produzem todo o valor enquanto os capitalistas sugam os resultados do seu trabalho. Na análise de Ayn Rand, exposta nos seus livros de grande sucesso The Fountainhead (1943) e Atlas Shrugged (1957) (publicado pela primeira vez em Portugal em 2017 sob o título A Revolta de Atlas), os capitalistas são empresários com qualidades notabilíssimas de liderança, iniciativa e inteligência que criam riqueza para toda a sociedade, enquanto os trabalhadores das respetivas empresas beneficiam dessa riqueza, e viveriam muito pior se abandonados a eles próprios.

Ayn Rand organizou as suas ideias em torno de um conjunto de princípios a que pretendeu dar a respeitabilidade de uma teoria filosófica, com o nome de Objetivismo. A ideia central é a defesa de uma forma de egoísmo ético-racional que é a conjunção do egoísmo ético com o egoísmo racional, dado que no Objetivismo o egoísmo não pode ser justificado plenamente sem uma análise epistemológica baseada na razão. No seu livro The Virtue of Selfi shness (1964), explica detalhadamente o tipo de egoísmo normativo que defende e incita a sociedade a praticá-lo. Rand diz que “o Homem existe para si próprio e que a procura da sua própria felicidade constitui o seu propósito moral mais importante, pelo que não deve sacrificar-se pelos outros, nem sacrificar os outros para si próprio”.

A maioria dos filósofos contemporâneos rejeitam ou ignoram o Objetivismo devido à incoerência e confusão das suas ideias. Contudo,esta desvalorização não constituiu nenhum obstáculo para a divulgação e impacto que teve na sociedade americana. Pelo contrário, o Objetivismo permitiu defender o capitalismo radical como um sistema ético no qual os empresários de sucesso lideram o progresso da sociedade em benefício de todos.

Apesar do Objetivismo ter ficado limitado a um grupo restrito de seguidores do culto em Ayn Rand, conhecido ironicamente por “O Coletivo”, o facto importante é que a sua influência no pensamento político nos EUA, Reino Unido e outros países continua a ser forte. Atualmente, os livros de Ayn Rand são estudados, juntamente com os de Thomas Hobbes e Edmund Burke, em cursos de ciência política e economia em várias universidades dos EUA e através do mundo. No Reino Unido, o programa da disciplina pré-universitária de Política (A-Level Poltics) incluiu em 2016, pela primeira vez, a leitura dos livros de Ayn Rand.

Há um elevado número de políticos dos EUA, principalmente republicanos, que testemunham grande admiração pelos livros de Ayn Rand e afirmam terem sido influenciados pelas suas ideias. É o caso de Alan Greenspan, o economista que pertenceu ao “Coletivo”, foi presidente da Reserva Federal de 1987 a 2006 e que muitos consideram ter sido um dos principais responsáveis pela crise financeira de 2008-2009, devido às suas políticas de desregulação dos mercados financeiros. Num livro autobiográfico escreveu estar grato a Ayn Rand “pela influência que teve na minha vida. Eu era intelectualmente limitado até a encontrar”.

Na essência da visão do mundo defendida por Ayn Rand está a tentativa de promover o individualismo humano para construir uma elite de “super-homens” que lideram o progresso da civilização humana. Esta forma extrema de individualismo representa uma perigosa tentativa de contrariar a natureza social do homem, que potencialmente poderá conduzir a comportamentos individuais e coletivos auto-destruidores.

Ayn Rand cativa erroneamente os seus leitores acariciando-lhes o ego o convencendo-os que, cada um deles, seja quais forem as suas qualidades, pode ser um super-homem de sucesso se defender exclusivamente os seus interesses. Porém, considerar que o altruísmo não defende os interesses próprios é negar a felicidade e o bem-estar que resultam de ajudar os outros, especialmente os fracos e doentes, os pobres, os desalojados e os perseguidos. É negar que seja no nosso próprio interesse a contribuição, o empenhamento e, por vezes, o sacrifício feito na construção de uma sociedade mais justa e equitativa para bem de todos. Este tipo de negacionismo fundamenta e favorece a fuga ao pagamento de impostos, a utilização dos off shores, a desregulamentação financeira, a luta contra a progressividade dos impostos e as formas cada vez mais variadas, sofisticadas e ubíquas de corrupção que proliferam em todo o mundo. Favorece ainda a ascensão do 1% que já possui cerca de metade da riqueza mundial. Estamos perante um negacionismo que se está a fortalecer, especialmente nos EUA com o atual governo, e que conduz à sociedade do egoísmo. Prevalece a perceção de que os que praticam o egoísmo têm maior sucesso na conquista da prosperidade económica.

É pois muito provável que o desenvolvimento e o enobrecimento do egoísmo tenha constituído uma forma de adaptação na fase atual da evolução cultural dominada pelo consumismo e pela tecnologia. O egoísmo promove e está frequentemente associado à cupidez ou ganância, comportamento que está bem identificado desde tempos muito mais recuados do que o egoísmo. O egoísmo e a ganância são indissociáveis do atual paradigma civilizacional e, na prática, contribuíram para o seu sucesso e para a sua insustentabilidade. Como é possível termos um mundo sustentável do ponto de vista social, económico e ambiental se o egoísmo e a ganância forem os valores emergentes?

Maravilhados pelo sucesso, desvalorizamos a insustentabilidade, e corremos como se quiséssemos atingir os limites do egoísmo e da ganância, sem nos apercebermos de que essa ilusão destrói progressivamente o respeito, a convivência e a cooperação com os outros e finalmente acaba por destruir as regras da democracia e da paz."

Filipe Duarte Santos,

Professor da Universidade de Lisboa



publicado por paulo prudêncio às 09:58 | link do post | comentar | partilhar

Domingo, 21.01.18

 

 

 

 

 



publicado por paulo prudêncio às 17:01 | link do post | comentar | partilhar

Segunda-feira, 13.11.17

 

 

Contributo recebido por email

 

"O tempo decorrido entre Janeiro de 2011 e Dezembro de 2017 não vai ser tido em conta e a sua contagem será retomada a 1 de Janeiro de 2018. No caso dos professores, por exemplo, que precisam de quatro anos de serviço, há 49 mil docentes que em 2018 irão progredir. Os restantes terão de esperar que os quatro anos necessários se concretizem: por exemplo, uma pessoa que até 2011 contou três anos de serviço, só progride em 2019 ou uma pessoa que até 2011 contou um dia de serviço, só progride em 2022.
E isto se até lá não se aprovarem orçamentos que determinem a suspensão das progressões...
Se ainda adicionar que a progressão ao 5º e 7º escalões dependem de vagas determinadas pelo governo, é fácil calcular que dezenas de milhares de professores chegarão ao final da sua vida de trabalho posicionados entre o 5º e 7º escalões, com um valor da pensão de reforma calculado com base em salários base mais baixos durante anos...
Portanto, os sindicatos também deviam estar a encetar uma luta para eliminar as vagas na progressão a escalões, que apenas são obstáculos artificiais com o intuito de poupança orçamental, não tendo nenhuma relação com avaliação de desempenho.
 
 
Mário Silva"


publicado por paulo prudêncio às 09:28 | link do post | comentar | ver comentários (3) | partilhar

Sexta-feira, 03.11.17

 

 

 

Pode ler a entrevista aqui.

 

Entretanto, e na mesma linha, o cientista "alerta para a bancarrota espiritual e moral das sociedades".

 

Recebi um email devidamente identificado que coloca as seguintes interrogações sobre o tema.

 

"António Damásio retorna a Platão e a Freud? 
 

“[...] E a quem tentasse soltá-los e conduzi-los até cima, se pudessem agarrá-lo e matá-lo, não o matariam ?

— Matariam, sem dúvida – confirmou ele.”

Platão. República. Livro VII, 517a (excerto da ‘Alegoria da Caverna’) 
 

“A realidade por detrás de tudo isto, por mais que se prefira negá-la, é a de que o homem não é um ser frágil e carente de amor, que quando muito só age em sua defesa ao ser atacado. Pelo contrário, por entre os seus instintos herdados (Triebbegabungen) conta-se uma poderosa tendência para a agressão. Por esta razão, o outro não é apenas um objecto sexual ou alguém que o pode ajudar, é também uma tentação para satisfazer a agressividade, para explorar a sua força de trabalho sem qualquer compensação, para o usar sexualmente sem o seu consentimento, para se apropriar dos seus bens, para o humilhar, ferir, martirizar e matar. Homo homini lupus; depois de tudo o que a vida e a História mostraram, quem terá a coragem para contestar esta verdade?”

Freud (1930). O mal-estar na civilização. V. "



publicado por paulo prudêncio às 10:04 | link do post | comentar | ver comentários (2) | partilhar

Segunda-feira, 23.10.17

 

 

 

 

Alguns exemplos na carreira dos professores.

 

 

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Recebido por email devidamente identificado.



publicado por paulo prudêncio às 16:55 | link do post | comentar | ver comentários (7) | partilhar

Terça-feira, 11.07.17

 

 

 

A figura da direita é maior? Não. Se medir, verá que são iguais. A impressão é dominada por uma poderosa, e afunilada, ilusão que explica o processo de selecção que administra a rede pública de escolas e a sociedade. A formação avançada de crianças e jovens, também na ciência, cultura ou desporto, assenta na cooperação em base alargada. Os funis aparecem mais tarde. Os funis precoces também explicam os números de insucesso e abandono escolares. Soube-se, hoje, que, "em 2014, a taxa de escolarização (em crianças) baixou dos 100% pela primeira vez em 20 anos". Também será penalizador o número crescente de alunos do ensino secundário que "desistem" do ensino regular. Fazem-no ao ver a precarização, e emigração, dos jovens adultos com ensino superior e a incapacidade do orçamento familiar (propinas, alojamento e alimentação). É uma opção pragmática, mas também uma selecção. O que é mais difícil de compreender é o sonoro aplauso político.

 

image

 

Daniel Kahneman (2011:137), "Pensar, Depressa e Devagar".
Temas e Debates. Círculo de Leitores. Lisboa.



publicado por paulo prudêncio às 15:12 | link do post | comentar | ver comentários (2) | partilhar

Quinta-feira, 13.04.17

 

 

 

 

 

Sugerido por António Ferreira.



publicado por paulo prudêncio às 18:43 | link do post | comentar | partilhar


Inauguração do blogue
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Autor:
Paulo Guilherme Trilho Prudêncio
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