Saltar para: Post [1], Comentar [2], Pesquisa e Arquivos [3]

Correntes

em busca do pensamento livre

Correntes

em busca do pensamento livre

Substância

12.05.19

 

 

Captura de ecrã 2019-05-13, às 16.13.56.png

 

No vórtice em que vivemos, ampliado pela ubiquidade das notícias falsas que se estabeleceram nos órgãos de comunicação social e nas redes sociais, prevalece o efémero que se esgota em minutos, horas ou dias. Não há espaço mediático para a substância das coisas. As vitórias e as derrotas políticas têm a mesma vigência. Os professores viveram os dois estados numa luta desigual. Acima de tudo, e como os professores são muitos, as forças que controlam o OE não olharam a meios mediáticos. Como alguém disse, "a atitude leviana contaminou a política, a academia, a educação, a memória, a biografia". 

O antigo arco governativo (PS, PSD, e CDS), sobrepôs-se, em nome da responsabilidade, à geringonça. Era previsível. Os professores sabem, há muito, que estão irremediavelmente sós. Não estou a ser injusto para algumas forças políticas. Refiro-me às mudanças que contam. Quando os partidos passam à capacidade de decisão, alteram os compromissos em nome da "responsabilidade" ou do "amadurecimento". Aliás, há inúmeras questões não financeiras que institucionalizaram a desconfiança nos professores e que servem de exemplo. Se a actual solução governativa começou com outro algoritmo - a recuperação de rendimentos e direitos era, a par das exportações, a fórmula do crescimento económico e das boas contas -, nesta fase prevalece a redução do défice. 

Apesar de tudo, a verdade dos factos faz o seu caminho: se 100 mil professores avançassem amanhã um escalão (e há milhares impossibilitados por outros aspectos da lei), o total líquido atingiria 140 milhões de euros; tornou-se público que o índice remuneratório máximo a que um professor aspira é o 57º dos 115 da administração pública; percebeu-se que toda a administração pública recuperou 7 anos: faltam os 4 corpos especiais, onde se integram os professores que foram os únicos congelados nos governos de Sócrates (daí os 9 anos e não 7); concluiu-se que é justa a recuperação do tempo dos professores. O PM, que disse, em 2015, que "os professores foram vítimas de uma guerra injusta, que prometo que não se repetirá, decretada num conselho de ministros de que fiz parte em 2006", "recusa-se a mexer em dossiês de professores" que já nos remetiam para os extremos desses pesadelos neoliberais. Veremos. Os professores voltam a um registo conhecido: esperar por outro momento, para que a força da razão, e da substância, faça o seu caminho. 

Imagem: 1ª página do Expresso de 11 de Maio de 2019.

 

Comentar:

CorretorEmoji

Se preenchido, o e-mail é usado apenas para notificação de respostas.