Saltar para: Post [1], Comentar [2], Pesquisa e Arquivos [3]

Correntes

em busca do pensamento livre

Correntes

em busca do pensamento livre

"Se há vagas no público, os contratos acabam", disse o Ministro da Educação

24.05.16

 

 

 

Nunca um ministro disse algo que se aproximasse. Conheço bem o tema e estou à vontade para o sublinhado. A Secretária de Estado da Educação afirmou ontem, na mesma sessão, que finalizou um estudo sobre a rede escolar e que nos anos iniciais de ciclo não ficarão salas vazias nas escolas públicas que se situem "ao lado" de colégios financiados pelo Estado.

 

Escrevi muito sobre este assunto. Pode consultar nas etiquetas do blogue. Li muitas opiniões nos últimos dias. Recordei-me de Pedro Santos Guerreiro do Expresso a propósito do Panamá Leaks: precisamos que os cidadãos mantenham a pressão alta; os jornalistas caminham numa difícil pista de obstáculos.

 

Esta variável da rede escolar tem contornos semelhantes. Todos têm que fazer o seu papel. Não adianta atrasar mais esta nódoa na decisão política. Para além das questões que interessam aos alunos e a quem os educa (mesmo que desconheçam que lhes diz respeito em primeiro lugar), professores do público e do "privado" merecem decisões civilizadas. Há duplicação de despesa, ou de investimento se não se privatizassem lucros à custa da precarização de profissionais. É imperativo que em cada concelho se apurem números reais. Quando se deu o boom de 2005 com colégios ilegais, as escolas públicas tinham cargas curriculares muito superiores ao que existe hoje. Têm, portanto, mais capacidade para a frequência de turmas. Com a associação de outras variáveis, é possível encontrar soluções que minimizem os danos para as pessoas. Quanto mais tarde se resolver este problema, mais graves serão as consequências.

 

I002561.JPG

 

2 comentários

  • Sem imagem de perfil

    André Sousa

    02.05.16

    Existem várias zonas do país, onde o anterior governo (na verdade foram 2 governos) que promoveram os colégios privados. Alguns locais, passaram a ter 30 turmas de associação contra 15 na escola pública que fica do outro lado da rua. Interessante é que os alunos subsidiados que vão para esses colégios de associação, conseguem pagar 2500 euros, por ano, para terem aulas de equitação, natação e viagens de finalistas (no 6,7,8,9,10.11 e 12 anos).
    O que denota que existia uma protecção gigantesca dada aos colégios privados. Algumas escolas foram fechadas porque as turmas que possuiam já não compensavam ter a escola aberta, ao mesmo tempo, nascia um novo colégio, a menos de 500 metros de distância, que conseguia o contrato de associação para 20 turmas logo no primeiro ano.
    As manifestações de 2011, foram lideradas por 3 grandes grupos que possuem mais de 200 colégios privados em Portugal. Porque quem estava no governo queria baixar para 72000 euros o valor a pagar anualmente e rever as condições. O partido que ganhou essas eleições colocou o valor em 86500 euros... que baixou para 80500 em 2015.
    Interessante é que uma das razões para os protestos atuais, nem é a redução de turmas... é que o governo quer que os colégios apresentem as contas ligadas à pedagogia que seguem. E terem 3 ferraris ou gastarem 250000 euros, por ano, em viagens para destinos turísticos, não está dentro da pedagogia educativa...
  • Comentar:

    CorretorEmoji

    Se preenchido, o e-mail é usado apenas para notificação de respostas.