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Correntes

em busca do pensamento livre

Correntes

em busca do pensamento livre

professores descrentes, agastados ou radicalizados

06.10.18

 

 

 

A generalidade dos professores está descrente, agastada ou radicalizada. Como alguém disse, "só os alunos dão ânimo aos professores". Há mais de uma década que é assim. A mediatização abre com greves, manifestações, vigílias ou protestos pontuais e é intervalada por analistas, jornalistas, comentadores, tudólogos e dirigentes políticos que se entretêm no "arremesso ao professor". Quando se prova que mentiram, nada é reposto. É uma devassa inigualável.

Até quem não é professor conhece o consenso sobre a recuperação do tempo de serviço (justa mas "impossível") e reconhece os factos: em Outubro de 2017 uma greve terminou com um acordo parlamentar que incluiria no OE 2018 a recuperação faseada de todo o tempo de serviço. Como os professores são muitos ("a recuperação total impediria o tacitamente acordado com os restantes, e menos numerosos, corpos especiais", declarou um político distraído) os 9 anos e tal passaram a 2 e qualquer coisa. As longas greves às avaliações de Julho de 2018 foram suspensas por uma comissão técnica paritária que apuraria o financiamento exacto. O zero de apuramento passou à estória, mas decretou-se uma semana de greves para Outubro de 2018 com uma manifestação no final (quilómetros a fio para quem devia descansar) para nada acontecer. Isto já é o mainstream a gozar e, às tantas, haverá quem se sinta traído com o "apagão" acordado nas prolongadas, e "invisíveis", negociações noutros patamares. Por isso, é óbvia a descrença, o agastamento e a radicalização. Sublinhe-se que o tempo de serviço é a face mais visível das componentes críticas (algumas nem sequer são financeiras) mais profundas silenciadas pelo Governo e pela maioria parlamentar.

Nota: cansa a obscuridade na composição da plataforma sindical. Se o tal arremesso é também contra os do costume, estranha-se a ausência de escrutínio aos pequenos sindicatos com "mais dirigentes do que sócios". Em regra, esses dirigentes não põem, há décadas, os pés numa sala de aula, poucas pessoas nas escolas os conhecem e "concertam" as negociações. É uma venialidade premiada. São factos conhecidos por todos os intervenientes e com "desconhecimento" mediático.

 

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  Faces, Picasso