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Correntes

em busca do pensamento livre

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Obrigado Sampaio da Nóvoa

25.01.16

 

 

 

 

Trinta anos depois de ter assinado, em Chaves, uma lista de apoiantes da primeira mulher independente, Maria de Lurdes Pintasilgo (1986), candidata à Presidência, apoiei pela primeira vez publicamente (os tempos mediáticos são realmente muito diferentes e com influência decisiva no desfecho até de eleições presidenciais), e fui proponente, um candidato à Presidência: António Sampaio da Nóvoa (2016).

 

O candidato a Cidadão Presidente não venceu, mas voltaria a ter o meu apoio se o tempo recuasse os dias que entendesse. O seu discurso após os resultados eleitorais é elucidativo: parabéns a quem venceu,  com a elevação e a coerência que fez com que há muito o considerasse um muito bom candidato, mas também num registo comovido e alegre, solidário e feliz, autêntico e estruturado. Foi mais uma lição. Sampaio da Nóvoa é daquelas pessoas que os portugueses, de uma ponta à outra do espectro político, não se cansam de pedir que diga presente, mas que depois não é ouvido com toda a atenção porque os fanatismos (e os pântanos, já agora) se sobrepõem.

 

Não sei se voltarei a apoiar com convicção uma candidatura Presidencial e muito menos se esse facto demorará outros trinta anos. O que observei, e vivi e testemunhei, foi uma extraordinária candidatura apoiada por cidadãos envolvidos pela emoção e pelo voluntarismo. Foi muito bonito mesmo. Publico um vídeo que fiz na Aula Magna no encerramento. Muitas pessoas que viram as imagens em directo pelas televisões perguntaram-me se os momentos de apoteose eram, como parece habitual, encenados para as televisões. Nada disso. O que se vê no vídeo foi uma constante naquela hora e meia. Sampaio da Nóvoa era sistematicamente interrompido por aquele testemunho inesquecível.

 

Portugal mergulhou na prosa dominical do empobrecimento e ainda não foi desta que os eleitores deram lugar à prosa poética. A democracia (nesta fase, mais mediocracia) é assim e é também por isso que a defendemos. Faz escolhas que nem sempre são as nossas ou as mais inspiradoras, mas valeu a pena. Obrigado, Sampaio da Nóvoa.

 

 

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