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Correntes

em busca do pensamento livre

Correntes

em busca do pensamento livre

o "nunca", os migrantes e os desafios europeus

06.09.15

 

 

 

No relatório de Jacques Delors, "A educação - um tesouro a descobrir", as questões do multiculturalismo, das migrações e do relativismo cultural tiveram uma abordagem interessante e polémica.

Defendeu-se que o fenómeno do multiculturalismo contribuiu, na Europa, para acentuar as bolsas de "ghetização". Invocou-se como negativa a preservação a todo o custo das matrizes culturais de origem dos imigrantes.

 

O que se propunha era a ideia de interculturalidade, através da educação, para a "normalização" de costumes que assentassem num valor primeiro: a liberdade entendida como impossibilidade de invasão no espaço de liberdade do outro. Foi neste patamar de discussão que se colocou a questão dos "véus escolares" e dos fluxos migratórios.

 

Estaremos a entrar agora numa encruzilhada?

 

Claro que estaremos. Há vários caminhos, mas há um que me parece sensato: tolerância, muita persistência e uma corajosa atitude de não desistência em defesa da liberdade. A história não regista um qualquer caminho de luta pela liberdade que se tenha feito só com vitórias e sem vítimas brutais e injustiçadas. É assim a natureza humana e os tempos nunca mudam tão depressa: só o afastamento histórico nos permite perceber melhor as épocas que fomos vivemos.

 

O que me fez escolher o título para este post, prende-se com a atitude de alguns herdeiros de Maio de 1968. Defendiam a liberdade sem limites, opuseram-se à proibição do uso do vestuário que impedia a identificação das pessoas e confundiam o direito de asilo com o de migração noutra condição. Por outro lado, quem advogou a proibição defendia a liberdade das jovens a exemplo da proibição da mutilação genital feminina em crianças como agora distingue quem desespera por um asilo de quem pede residência por outro motivo. Há sempre uma interrogação barómetro que se pode fazer: de que lado é que está a defesa da liberdade?

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