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Correntes

da pedagogia e em busca do pensamento livre

Correntes

da pedagogia e em busca do pensamento livre

O novo Governo e a Educação

05.04.24

Apresentados os governantes, resta conhecer o programa de Governo e as possibilidades de aplicação; e não desvalorizar o tempo de duração do próprio Governo. Mas sabendo-se os nomes, as ideias e o programa eleitoral, resuma-se o natural e possível estado de espírito de quem estuda a Educação e vive a escola.

Antes do mais, resuma-se as características das sociedades que mais avançaram: democracia, políticas inclusivas consistentes e continuadas, liberdade em respeito pela liberdade do outro, climas de miscigenação, ensino público sem margem para lucros privados através dos orçamentos dos estados nem avaliação do desempenho de professores com base nos resultados dos alunos. Foram uns rapazes de Chicago (1960) que destruíram este clima de progresso e confiança e os resultados comprovam-se diariamente na falta estrutural de professores, no aumento brutal das desigualdades educativas e na queda das aprendizagens dos alunos. 

Acima de tudo, foram óbvias as vantagens do ensino público de qualidade. Como se comprovou, as políticas da direita ultraliberal aplicadas à Educação foram desastrosas e contaminaram os partidos mainstream. E o que é aflitivo, por cá também, é a sucessão de ciclos supostamente de alternância como se nada se aprendesse. E à medida que o tempo passa, os momentos políticos tornam-se ainda mais cruciais para a sobrevivência da própria democracia.

Lucros privados com verbas dos orçamentos dos estados, modelos uni-pessoais e autocratas de gestão de escolas com uma palavra final dos municípios na escolha de dirigentes, liberdade de escolha das escolas, concursos de professores realizados pelas escolas alargando apressadamente o leque de candidatos sem formação, avaliação de professores com base nos resultados dos alunos em exames ou provas, desconfiança nos professores materializada por má burocracia de controlo, cortes curriculares, aumento do número de alunos por turma e ambiente digital com conteúdos massificados por gigantes tecnológicas para substituir professores, são as "novidades" da nova roupagem dos rapazes de Chicago. Os nórdicos são os únicos que se afastaram desta receita, mas é, naturalmente, cada vez mais difícil fazê-lo (dá ideia que a economia da guerra e a extrema-direita nacionalista tratarão de nivelar por baixo o que ainda lhes resta).

Não haja ilusões: isto interessa ao poder financeiro globalizado e acima das nações; a receita é pagar menos impostos e desvalorizar os serviços públicos. O problema é o que nos diz a História: quando se instala o caos, a tragédia faz dos pobres as primeiras vítimas mas acaba por atingir todos. Aliás, se o Ocidente viveu de 1950 a 1970 o período menos desigual na História dos rendimentos, isso deveu-se à eliminação das grandes fortunas na segunda-guerra mundial.

A pergunta impõe-se: cruza-se os braços? Não. Há pequenas soluções que estão nas nossas mãos e que pode ler nestes textos. Urge devolver à escola um ambiente inequivocamente democrático que oxigene, no mínimo e desde logo, o essencial num sistema educativo: a esperança dos professores.