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Correntes

em busca do pensamento livre

Correntes

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Do Dever de Indignação

10.11.19

 

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O último "prós e contras" abriu com o testemunho de um professor: "já fui agredido sete vezes". Para além da coragem, não é difícil imaginar a brutalidade que um depoimento destes acarreta. Pelo que percebi, e com excepção da moderadora, não se registou a solidariedade ao agredido que estava presente e que até fez mais do que uma intervenção. Ao que saiba (e é seguro dizê-lo propositadamente quase uma semana depois), o Governo não emitiu uma nota indignada e solidária com o agredido e nem sequer ocorreu uma selfie do PR; e convém recordar o que disse um antigo PR sobre o "direito à indignação": "a indignação pode tornar-se violenta se o Governo ignorar o povo". 

A prevenção da "banalização do mal" - esse lento e eficaz processo de vinculação à indiferença - exige o dever de indignação. A agressão a um professor é intolerável. Não é preciso recuar muito para se perceber que era um escândalo numa comunidade. E importa precisar que não há estudos empíricos que concluam da especial violência de uma dada geração. A propósito, um conferencista inglês lançava frases do género, "esta geração de jovens está perdida", intervaladas pelos aplausos da plateia; datou-as no fim: Grécia Antiga, Antiga Roma, Idade Média, Renascimento, Iluminismo e actualidade.  Para além disso, sempre foi complexo liderar uma sala de aula. A liderança é um misto de factores inatos e adquiridos em percentagens impossíveis de normalizar. Os professores não são todos iguais e exige-se o dever de os alunos os respeitarem. Se se subvaloriza a pequena indisciplina, que exige a indignação imediata de todos (a OCDE concluiu, em 2017, que somos os primeiros nesse parâmetro - e há causas identificadas -), a grande indisciplina tem as portas abertas e não apenas sobre os professores.

 

Imagem: registei esta imagem em Vila Nova de Cerveira, no Minho. É a região onde reside e lecciona o professor que testemunhou no programa.

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