Saltar para: Post [1], Comentários [2], Pesquisa e Arquivos [3]

Correntes

em busca do pensamento livre

Correntes

em busca do pensamento livre

não têm emenda

29.06.14

 

 

 

 

Insisto na recente afirmação de António Costa, "o Governo de Sócrates promoveu uma injusta guerra aos professores", porque o signatário fez parte desse Governo durante os dois ou três primeiros anos, tem fortes possibilidades de ser primeiro-ministro e parece transportar os mentores de tão grave e comprovado acto. Costa sabe do que fala e fez a afirmação, inédita entre os socialistas conhecidos, porque quis. Não deve, portanto, acontecer um qualquer apagão com os beligerantes a desenvolverem os tradicionais revisionismos históricos.

 

Nem de propósito Lurdes Rodrigues é entrevistada pelo Expresso desta semana. Sem o relevo doutros tempos, mas com um título digno de quem lida amiúde com engenharias sociais tão caras aos totalitarismos. Sou franco: há muito que perdi a paciência para esta personagem que mistura fanatismo com um desconhecimento arrepiante da cultura organizacional das escolas e que não tem qualquer prova dada nesse último domínio.

 

A entrevista tem vários aspectos com que concordo; desde logo com a crítica aos ensinos dual e vocacional e com outros postulados do mesmo nível.

 

Contudo, sublinhei a vermelho os que evidenciam a desumanidade dos generais tresloucados que provocam guerras e que, naturalmente, não têm emenda.

 

Do estatuto do aluno à relação da autonomia das escolas com a necessidade de mais burocracia para prestação de contas, conclui-se o que sempre se desconfiou: Lurdes Rodrigues está ao nível da repartição pública anterior à sociedade da informação e do conhecimento e comparou as carreiras dos professores ao que se passa nas instituições militares. Recorde-se que esta ex-ministra também considerou a autonomia despesista (percebe-se ainda melhor o seu conceito burocrático de prestação de contas talvez inspirado num qualquer euroviete supremo) e foi no seu mandato que se inventou o desmiolado modelo de gestão escolar em curso.

 

Mas vai mais longe: não reconhece, naturalmente, a irracionalidade da torrente alicerçada em critérios administrativos (porquê sete anos?) que designou por concurso para professores titulares ou a brutalidade daquela avaliação desenhada no MEC com 4 dimensões e 25 domínios que resultaram em 100 indicadores e 1000 (sim, 1000) descritores inaplicáveis para pontuar professores de 1 a 10 e com o uso de quotas. Esta dilaceração da atmosfera relacional era "sempre para ontem" (a senhora tinha epifanias vincadas e generalas) e acabou por ser classificada como "fascismo por via administrativa" por um dos primeiros arrependidos. E conclui sem qualquer emenda: "os governos recuam porque a contestação fica insuportável".

 

É, portanto, fundamental que fique claro o papel destes actores beligerantes.

 

 

 

 

 

 

 

 

8 comentários

Comentar post