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Correntes

em busca do pensamento livre

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"Metade dos professores com sinais "preocupantes" de exaustão emocional"

07.07.18

 

 

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 Usei alguns argumentos num post recente.

 

Sabia-se deste caso de saúde pública, mas "metade dos professores com sinais "preocupantes" de exaustão emocional" ultrapassa os limites. Há muito que se concluiu da responsabilidade das denominadas "Novas Políticas de Gestão Pública" (perpetradas desde 2006, com sinais desde 2003, e que os países europeus sensatos nem quiseram ouvir falar) agravadas pelo radicalismo que a troika facilitou. A desconfiança nos professores tomou conta das escolas, com a seguinte cronologia: divisão da carreira, inutilidades horárias, avaliação do desempenho inaplicável, hiperburocracia, contratados eternos, "cliente tem sempre razão", escola a tempo inteiro a eito, horários ao minuto, inferno da medição, concursos injustos, alunos por turma, horários zero e idade da reforma. E depois temos a tal doença grave, silenciosa e ubíqua, que destrói a atmosfera relacional porque facilita modelos de baixo perfil (autocráticos e hiperburocráticos) e transporta a partidocracia para o interior da escola (a tal teia Tutti-Frutti autárquica): o modelo de gestão agravado com os "impensados" agrupamentos (será de "fugir" com a municipalização, por muito que custe à civilizada ideia de poder local).

O Governo começou bem, mas foi só o início; nenhum sinal da simplificação de procedimentos e nem sequer as questões não financeiras e de ambiente democrático mereceram uma mudança. Mas não foi apenas o Governo. Também não se ouviu o parlamento ou o PR. Por outro lado, os serviços centrais do ME nunca detectaram, nos mais variados relatórios de avaliação externa, um qualquer indicador dos “absolutamente catastróficos” registados pela coordenadora do estudo.

"Os investigadores da Universidade Nova de Lisboa detectaram uma “correlação muito forte” entre o estado de exaustão emocional e a idade dos professores. Os níveis de exaustão são especialmente elevados nos professores com mais de 55 anos, que, de acordo com os últimos dados oficiais, representam quase 40% dos docentes ao serviço nas escolas nacionais. Outros factores que influenciam esta situação são questões de carreira (queixas sobre baixos salários e desejo de reforma antecipada), de organização (burocracia na escola e gestão hierarquizada), bem como a indisciplina dos alunos."

 

Nota: o estudo da Universidade Nova de Lisboa tem crédito, a amostra é significativa e sem paralelo e as respostas ao inquérito realizaram-se há meses e não nos últimos dias. Este último dado é importante para que não se julgue que o estudo foi influenciado pela situação vigente. Importa salientar que os mais de 12.000 professores que estão de baixa médica não responderam ao inquérito.

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