Mas é óbvio que há professores pouco educados
Sempre que há um excesso nos protestos de professores, emerge de imediato uma legião de comentadores que alinha o discurso: "até concordo com as causas da sua luta, mas é inadmissível que se formem professores com estes comportamentos". Ou seja: nunca explicam as tais causas, nunca se comprometem com a defesa do exercício de professor, mas aproveitam para umas beliscadelas generalizáveis; e essa devassa mediática também explica o estado de fuga a ser professor. Não a crítica dos excessos, claro. O silêncio em tudo o resto é que isola a defesa do imperativo democrático.
Até porque é óbvio que há professores pouco educados, como nas restantes funções e profissões. Há professores que cometem crimes de dolo e de falsificação de documentos ou que se apropriam do bem comum usando os cargos que ocupam para actos parciais e de amiguismo como se fossem lugares para a vida. Mas alguém tem dúvidas disso ou da falta de eficácia e de celeridade do MP e inspecções?
É por isso que os modelos e os seus contrapesos são cruciais. Na educação, e para as funções de avaliação e administração educacionais, deu-se primazia a uma formação acrescida, em regra, irrelevante, e eliminou-se a eleição de lideranças pelo reconhecimento das características pessoais e profissionais. O que existe permite que um indivíduo dirija arbitrariamente uma organização onde nunca seria eleito pelos profissionais que a constituem; e com uma limitação de mandatos irrisória. E, sublinhe-se, que a manutenção deste modelo interessa à indústria da formação e que a coragem para desmontar esta máquina de perversidades é um dos desafios mais difíceis que Portugal tem que enfrentar na educação pública.
