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Correntes

em busca do pensamento livre

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Mais Alunos no Secundário e menos no Superior

08.01.19

 

 

 

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A conclusão é da OCDE e accionou os alarmes de circunstância: temos mais alunos do que a média da OCDE a frequentar o secundário (89%) e muito menos o superior (37%). Em Portugal, que tem uma histórica sociedade ausente que sobrecarrega a escola com uma agenda incumprível, a frequência obrigatória é elevada (foi assim na 4ª classe, no ciclo preparatório, mais tarde no 9º ano e actualmente no 12º). Não interessa o "como" da frequência. Como as escolas abrem todas em Setembro e sossegam as consciências, só segue para além do obrigatório quem tem retaguarda financeira ou ambição escolar familiar. 

A discussão centra-se no fim das propinas. Concordo que a gratuitidade teria importância, mas não me parece a causa primeira e surpreendem-me alguns recém-convertidos. Há, desde logo, que resolver o apoio da sociedade aos estudantes, do superior também, desde a entrada na escola. É aí que a exclusão começa.

Para além disso, o custo de vida nas cidades com mais ensino superior é insuportável (principalmente para quem vem de "fora") e da responsabilidade de toda a sociedade.

Por outro lado, o profissional exige mudanças: a organização é um inferno de inutilidades burocráticas e os currículos reduziram demasiado o essencial (sublinhe-se que cerca de 80% dos alunos não vai para o superior; 50% dos alunos do secundário frequenta este profissional e são muitos os decisores que se gabam disso). 

E depois temos o acesso ao superior. O superior deve organizá-lo. Seria mais democrático se acabassem os numerus clausus (os especialistas dizem que é possível) para evitar o clientelismo nas entradas. O secundário deve certificar o fim de um ciclo de estudos (que não é o mesmo que o fim da exigência, como há muito se comprovou). É uma mudança difícil, mas haverá mais sociedade e melhor escola e (é bom que esteja sentado) com crianças com mais tempo para brincar e adolescentes mais saudáveis. O regime actual estimula, e desde os seis anos de idade, mais trabalhos de casa, mais provas nacionais a eito (é uma praga cíclica), mais explicações, competição excessiva nos primeiros ciclos de escolaridade e exaustão de adolescentes. Não há regimes de acesso perfeitos, mas o existente tem consequências negativas directas e indirectas que explicam conclusões como esta da OCDE.