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Correntes

em busca do pensamento livre

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Infelizmente Não Há Luar!

19.05.19

 

 

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O crescimento económico ainda não será a "maré enchente que fará subir todos os barcos" e usemos a escola como exemplo.

Quem inscreve a ambição escolar da família, e ainda um bom estatuto sócio-económico, aprende em qualquer sistema e com mais ou menos interdisciplinaridade ou exames. "Só" precisa de currículos sensatos e de aulas exigentes. Esses, sempre integraram o "primeiro mundo". O nosso eterno problema é elevar os que "não querem aprender". O fenómeno atenua-se quando diminui a pobreza. As escolas só ajudam se forem inclusivas para alunos, professores e restantes profissionais (leu bem). Mas não é suficiente. O interesse dos alunos exige a supremacia da docimologia (e dos vários, e não hierarquizáveis, modos de ensinar) e da aprendizagem de conhecimentos e atitudes, onde se inclui a autonomia e a responsabilidade. É um processo com inúmeras variáveis. Exige tempo, requer uma atmosfera moderna (alunos por turma e por aí fora), é difícil e tem as mesmas exigências da educação para a democracia: ambiente democrático sem hesitações. Esta semana, conheceram-se duas conclusões (OCDE) chocantes: "28% dos alunos frequentaram escolas públicas que usaram notas como critério de admissão (sobe para 82% nas "privadas" e nas privadas); Portugal, que tem dois milhões e meio de pobres (500 mil crianças) em 10 milhões de habitantes, está entre os países "que têm mais colégios só com “gente rica”".

Como tudo se relaciona, a indecência continuou a diferenciar a injecção financeira nos bancos do caso da nação (tempo de serviço dos professores). Recapitulemos: as duas rubricas entram no OE, contribuem para o défice e financiam-se nos impostos; os banqueiros e os grandes empresários são menos confiáveis financeiramente do que os professores porque estes pagam impostos pontualmente e sem mácula; somos o único país que ainda financia o desvario bancário que eclodiu em 2007 e que se deveu à corrupção; os mais de 20 mil milhões de euros injectados na banca são equivalentes ao financiamento estrutural de todo o tempo dos professores durante 60 anos.

Só que Portugal não escapa à condição de "protectorado". É o estatuto das nações que têm uma dívida astronómica e pouco poder. Para os credores externos não interessa se foi por causa da corrupção. Essa, é paga pelos "credores" internos como os professores. Aliás, a voz dos implacáveis e poderosos credores externos sentenciou por estes dias e com todo o desplante: "FMI prevê défice zero em 2020, mas avisa contra grupos de pressão despesistas.(...)" E lembrei-me da fotografia em que captei a estátua de Dante Alighieri (o poeta florentino nascido no século XIII, que viajou pelos nove círculos do inferno, pelo purgatório e pelo paraíso) a servir-nos a luz de uma lua que terá iluminado dois séculos depois o voador Leonardo da Vinci e o realista Nicolau Maquiavel. O segundo prevaleceu. Olharia para o estado vigente e concluiria que infelizmente não há luar!

Imagem: Piazza Dante, Nápoles, Abril de 2019.

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