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Correntes

da pedagogia e em busca do pensamento livre

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Heranças Escolares

02.05.20

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É redutor aprender somente porque se quer ser melhor do que os outros ou porque se tem uma recompensa material. Em contraposição, é mais abrangente aprender porque se quer saber mais e porque se tem curiosidade. Não é fácil conjugar as duas asserções e a natureza humana tem requerido diversas combinações.

A experiência portuguesa tem acentuado a via métrica e pavloviana com um pico exponencial na vigência de Nuno Crato. Mas não foi apenas aí: por exemplo, este acesso ao ensino superior existe há muito e condiciona todo o edifício escolar que o antecede. A fórmula encontrada já neste milénio, e apesar de assegurar algum elevador social que atenua uma sociedade muito desigual, sustenta-se no "lobismo" de fortes interesses financeiros e permite um inédito "não é nada connosco" ao ensino superior. Pensou-se que a tragédia da Covid-19 seria uma oportunidade para, no mínimo, moderar a fórmula do acesso. Mas não; pelo contrário: o acesso ao superior não só se manteve no essencial como a sua atmosfera gerou um mar de indecisões em todo o sistema que elevou os níveis de ansiedade, incerteza e ruído comunicacional e não clarificou as funções formativas por internet ou televisão. Se é sensata a solução italiana e espanhola de adoptar o fim imediato do ano lectivo para todo o sistema (e preparando, desde logo, o novo ano lectivo de Setembro) com adaptações no acesso ao superior, e neste detalhe acompanhada também por britânicos e franceses, já o universo português não se liberta de um património moral desequilibrado que as próximas gerações rejeitarão, espera-se, como herança.

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