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Correntes

em busca do pensamento livre

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Escolas de Primeira e de Segunda

13.10.19

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Enquanto as escolas de primeira recuperam o grego e o latim, inauguram o mandarim e o russo e alargam ao primeiro ciclo os ensinos da história e da filosofia, as escolas de segunda mitigam os saberes humanísticos e artísticos, introduzem o empreendedorismo e transformam a cidadania num instrumento transversal de interminável burocracia. Enquanto nas escolas de primeira a avaliação contínua é um instrumento de exigência e rigor assente na confiança nos professores, nas escolas de segunda a avaliação dá primazia a um inferno processual. Enquanto nas escolas de primeira as regras disciplinares são simples, sensatas e "ancestrais", nas escolas de segunda há um guião prévio, com duas dezenas de formulários, para que se tente perceber a "criança" de 18 anos que agrediu a professora que a mandou calar enquanto falava. E num elenco de intermináveis argumentos - desde a restrição dos telemóveis para uns até ao "sempre-ligado-e-intocável" para outros -, há uma evidência a sublinhar: as escolas de segunda deixarão os pobres mais excluídos. Claro que tudo isto não é novo. O que cansa, é assistir à repetida contradição escolar de quem tem governado: é que ao contrário da persistente atmosfera vigente, o que os mais frágeis precisam é de mais sociedade enquanto acedem aos saberes estruturantes que os capacitam para a inscrição em pé de igualdade no mundo do trabalho do futuro. Para isso, precisam de currículos eclécticos e equilibrados e de escolas saudáveis, bem dimensionadas e modernas. Necessitam de escolas com ambientes decentes para o ensino e que não mergulhem numa tormenta burocrática que proclame as "boas" intenções dum centralismo que tem uma visão muitíssimo distante (alguns investigadores preferem o nome aversão) das salas de aula e uma forte tendência para sofisticar até à exaustão a administração de inutilidades.

Uma pequena nota: para além de tudo, um mundo cada vez mais autoritário só se combaterá com apurado sentido crítico, pensamento autónomo e sólido conhecimento da história e da cultura.

2 comentários

  • Um abraço também, Carlos.
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