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Correntes

da pedagogia e em busca do pensamento livre

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Escola do Tempo Líquido

15.02.20

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Vivemos em tempos líquidos. Nada foi feito para durar”, são ideias conhecidas do sociólogo Zygmunt Bauman (1925-2017) que se podem aplicar à escola actual numa modernidade repleta "de sinais confusos, propensos a mudar com rapidez e de forma imprevisível".

Habituámo-nos às escolas do tempo sólido que abrem, há mais de 30 anos, todas em Setembro: listas das turmas e horários são suficientes para que tudo comece. Mas seria insuficiente para o resto do ano, se não se confirmasse (OCDE - 2019) que "os professores portugueses são os melhores a adaptar as aulas às necessidades dos alunos)". No tempo sólido, e apesar de políticas educativas comprovadamente contraditórias e líquidas, uma sociedade mais desenvolvida e escolarizada melhorou a generalidade dos indicadores da administração escolar. Só que os efeitos do tempo líquido, e que se reflectem dentro das paredes de cada sala de aula, são quase insondáveis.

Mas qualquer que seja o ângulo de análise, na escola do tempo líquido é ainda mais fundamental reforçar pilares insubstituíveis como os professores. E para assegurar o imperativo inclusivo e democrático da escola, é fundamental não os excluir num (brutalmente) injusto, irreparável em demasiados domínios e insuportável estatuto que trava progressões (com cotas, vagas e tempo por recuperar) através de uma farsa avaliativa exclusivamente burocrática silenciada por um modelo de gestão que, ao "querer" legitimar uma ideia alargada de representatividade, reforçou a exclusão dos professores da massa crítica escolar. 

Para além disso, é oportuna a ideia de Bauman em "Capitalismo Parasitário": "sem meias palavras, o capitalismo é um sistema parasitário. Como todos os parasitas, pode prosperar, durante certo período, desde que encontre um organismo ainda não explorado que lhe forneça alimento. Mas não pode fazer isso sem prejudicar o hospedeiro, destruindo assim, cedo ou tarde, as suas condições de prosperidade ou mesmo de sobrevivência." E a escola do tempo líquido está ainda mais exposta ao "capitalismo parasitário"; e oportunista. Há uma industria da educação que, ao advogar a "necessidade" parasita da mudança radical e cíclica de toda a administração do ensino e das aprendizagens, gera desorientação e acaba por regressar à cave deixando o "hospedeiro" em precárias "condições de prosperidade ou mesmo de sobrevivência"; o parasita esperará, pacientemente, pela próxima vaga reformista.

Nota: encontrei a imagem no site "pensamento líquido" sem referência ao autor.

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