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Correntes

em busca do pensamento livre

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Em Vão

06.03.19

 

 

 

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Macron, aflito e inspirado no desenho do Quino, inscreve "o renascer europeu" para transformar a Europa num pólo de "liberdade, protecção e progresso" (LPP). A Europa perdeu esse espaço porque ficou refém dos mercados financeiros. Cada vez mais europeus esperam pelo comboio LPP; em vão. Em 2016, Joseph Stiglitz antecipou: "não é correcto chamar de populista um candidato que diz preocupar-se com os 90% de pessoas que um governo deixou para trás. Não é merecedor de crítica. O populismo pode ser um remédio contra o elitismo." O Nobel da economia (2001) preferiu o termo demagogia e deu um exemplo: "Números "surgidos" do nada como o limite de 3% do défice."

Os portugueses duplicam a espera pelo LPP; em vão. É um desfile carnavalesco único na Europa, se considerarmos que já não há país com a banca neste estado por causa de 2007. Para além da disciplina orçamental, os portugueses ainda têm a banca. O que esperam que seja explicado no Novo Banco, e a partir de hoje no Parlamento e pondo nomes a escriturários, compradores e vendedores, é simples se imaginarmos o seguinte exemplo: um activo imobiliário foi escriturado em 2006 por 10 milhões, foi hoje vendido pelo valor executável de 4 milhões (portanto, 6 milhões de imparidades suportados por empréstimos dos contribuintes a 30 anos) e amanhã é comprado por 9 milhões. 

Os professores assistiram, neste Carnaval, a mais um desfile do "arremesso ao professor". Já não há paciência para desconstruir as acusações (e muita desconsideração) de intransigência e progressões automáticas, nem sequer para a epifania dos 600 milhões. Para além disso, os "tudólogos", e as "tudólogas", são transversais. É mentira que os professores queiram um regime de excepção na contagem do tempo de serviço. A generalidade da administração pública já o contou na totalidade, bem como os professores das regiões autónomas (mesmo que de forma faseada). Por incrível que pareça, sobram os corpos especiais (professores, magistrados, militares e polícias). Afinal, o estatuto de especial triplica a espera, em vão, LPP: défice orçamental, banca e sacerdócio.