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Correntes

da pedagogia e em busca do pensamento livre

Correntes

da pedagogia e em busca do pensamento livre

Eleições e Coligações

05.05.19

 

 

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Nas legislativas não se vota num primeiro-ministro; elegem-se deputados. Os deputados integram partidos políticos. Os partidos formam uma maioria que permitirá ao PR nomear quem estiver em melhores condições para aprovar um programa de Governo e o respectivo OE. O Parlamento aprovou, apenas na especialidade e só com o voto contra do PS, a recuperação integral do tempo de serviço dos professores. Fala-se de coligação negativa do PCP, BE, PSD e CDS. Os professores dizem que é positiva. Foi também assim quando se formou a coligação governativa: PS, BE e PCP, que estão nos opostos em relação a eixos fundamentais como a UE e a NATO, foram negativos ou positivos consoante os interesses. Veremos como PR e Tribunal Constitucional reconhecem as decisões do Parlamento ou como é que este vota, ou não vota, em plenário.

Os professores já nem estranham o regresso dos não avaliados e inflexíveis. Percebem, desde 2006, que os cortes a eito nos professores são um oxigénio orçamental. Aliás, o corte acima dos 30% de professores do quadro é elucidativo. Os professores são muitos e os cortes na sua massa salarial bruta ajudam bastante o orçamento e fazem brilhar quem o constrói. O resto é tergiversação e falta de decoro. Para além disso, são infalíveis a pagar IRS, CGA e ADSE. O ministro Centeno confessou, há dias no parlamento, que as suas contas não incluem a receita para o OE, em IRS e excedentes da ADSE, incluída na massa salarial dos professores; é mais de 30% do total ilíquido. E depois temos as contas da CGA em que os professores voltam a ser muitos; o que é diferente de receber um líquido elevado. Era preferível dizer que tudo se fará para que os professores se reformem antes de chegarem ao topo da sua carreira (é o 57º topo nos 115 índices remuneratórios na administração pública; o topo é superior em 120% à média e, para além disso, consulte-se os valores das pensões pagas em Portugal). Os professores são muitos e os credores do país, através da UE, sublinham a condição de protectorado muito endividado. Nada mudaria se PSD e CDS formassem Governo e BE e PCP syrizavam se não "amadurecessem". Os professores, que estão irremediavelmente sós, ainda respiram, apesar de serem o grande problema da nação e o único motivo que justifica dramáticas eleições antecipadas e coligações de pasmar. No fundo, é como na imagem: se repararem, o beco tem na ida uma escapatória para a direita que na volta é para a esquerda.

 

Imagem: Beco em Bolonha. Abril de 2019.

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