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Correntes

da pedagogia e em busca do pensamento livre

Correntes

da pedagogia e em busca do pensamento livre

dos optimismos e dos pessimismos

24.01.14

 

 

 

 

Acompanho há algum tempo a mediatização à volta da privatização da rede escolar. Quem conhece a constituição portuguesa, e concorda com o texto como é o meu caso, sabe que está previsto o ensino gerido por particulares (privado ou cooperativo). São poucos os que advogam a "impossibilidade" desse tipo de ensino.

 

Desde que se tornou demasiado evidente a privatização de lucros associada à ilegalidade na edificação de escolas e à precarização ilegal de professores, a mediatização foi em crescendo atingindo anteontem mais um pico. São processos que também acontecem nas democracias. É evidente que era bom que não fosse assim. As reacções pessimistas são as habituais: não dá em nada, é sempre a mesma coisa, estão todos alinhados e por aí fora.

 

Sejamos francos: existe matéria divulgada pela comunicação social a que ninguém ficou indiferente e, pelo que se sabe, o poder judicial também. Há um ano, no mínimo, que anda a investigar e fica a ideia que o processo investigativo vai para além das vontades partidárias. É a justiça a funcionar e, pelo que se lê, há pessoas dos mais variados géneros partidários a serem investigadas.

 

É vulgar dizer-se, e bem, que se deve esperar pelo veredicto da justiça. Os que fazem do exercício da cidadania um dever, têm o quarto poder (hoje mais vasto do que nunca) para dar corpo ao seu "optimismo". Sim, porque sem algum optimismo e sem uma crença, mesmo que mínima, na democracia, não é possível ajudar a que a justiça funcione.

 

 

 

 

 

 

2 comentários

  • Sem imagem de perfil

    João Pereira

    26.01.14

    É preocupante como um educador confunde as noções de fascismo e de "pidesco".

    Então, denunciar ilegalidades, ter coragem em dizer a verdade é uma forma de fascismo e quem o faz é "pidesco"?

    Segundo o dicionário: "Fascismo: tendência para o excesso de autoritarismo ou para o controlo ditatorial".

    Não será o anónimo uma vítima de fascismo? Terá inveja de quem ergue a voz, sem medo, clamando por justiça, transparência e igualdade?

    A circunstância de se apresentar como "anónimo" retira-lhe toda a credibilidade. Em vez de se refugiar nesse estado, não deveria parar para pensar nos motivos que o levam a não ter coragem para assinar pelo seu próprio nome?

    Terá medo de represálias por parte de quem lhe garante o emprego?

    Não será, repito, o anónimo vítima de "excesso de autoritarismo ou de controlo ditatorial"?

    É que os professores que têm lutado contra a corrupção e a mentira têm nome e dão a cara (a começar pelo autor deste blogue que, desde sempre, tem manifestado a sua opinião de forma aberta e nunca anónima...)!

    Quando os professores do ensino particular se consideram professores como os seus colegas do público, têm razão para o fazer, mas... falta-lhes aquilo que sobra no nosso meio: tomar uma posição, adoptar atitudes e comportamentos que mereçam o reconhecimento e a admiração dos seus pares.

    Podem começar por também denunciarem as ilegalidades. Por que não o fazem? Porque têm de manter o emprego, certo? Isso é compreensível, mas está na hora de abrirem bem os olhos e perceberem quem é que vos quer fazer mal: se quem os humilha e maltrata, se os colegas que, através da sua luta, também conseguem ganhos para os docentes do ensino particular.

    Não se sentem, nem por um momento, usados?

    Então, leiam isto (pronto, é a comunicação social que inventa... aliás, a comunicação social só tem inventado coisas sobre o ensino particular, pelo menos, desde 2009... aliás, é a comunicação social, os jornalistas corajosos que vêm defendendo a verdade, que ostenta uma fortuna em carros topo de gama...):

    "Critério de atribuição dos subsídios eram pouco claros antes de ser fixado um valor por turma e estão debaixo da mira dos investigadores
    Os magistrados do Departamento de Investigação e Acção Penal (DIAP) de Lisboa e os inspectores da Polícia Judiciária (PJ) que há um ano estão a investigar a gestão dos colégios GPS suspeitam que os seus responsáveis poderão ter inflacionado, durante anos, os valores dos gastos com professores para conseguirem maiores subsídios do Estado.

    Segundo averiguou o i, os critérios da concessão de subsídios que estavam em vigor antes de as regras serem alteradas, no final de 2010, estão a ser vistos à lupa pelos investigadores. José Sócrates e Isabel Alçada, então ministra da Educação, mudaram as normas e estabeleceram que esse subsídio era o equivalente a um montante fixo por turma. Mas a legislação que vigorou entre 1980 e 2010 não era tão clara: estabeleciam um valor variável, por aluno, tendo em conta vários aspectos como o custo de manutenção e funcionamento. As despesas com professores, ao que o i apurou, acabariam por contar para o cálculo - quanto mais altas fossem, maiores os benefícios.

    O i sabe que os relatórios da Inspecção-Geral de Educação e Ciência (IGEC) sobre os colégios GPS deram pistas essenciais ao trabalho dos investigadores que na passada terça-feira conduziram mais de duas dezenas de buscas pelo Centro do país.

    As seis auditorias, recorde-se, traçaram um retrato arrasador dos estabelecimentos de ensino particular financiados pelo Estado para garantirem ensino gratuito a alunos que supostamente não teriam lugar na rede pública.

    Foram detectadas irregularidades como cobranças indevidas de taxas de matrículas, excesso ou escassez de alunos, falta de professores e irregularidades nos horários: cerca de 85% tinham períodos de trabalho consecutivo de mais de oito horas.

    Os procuradores da 9ª secção do DIAP de Lisboa e os inspectores da Unidade Nacional de Combate à Corrupção (UNCC) da PJ pretendem agora confirmar se os colégios do grupo terão adulterado os números de professores e os seus horários para receberem mais dinheiro do Estado."

    Notícia no "i", aqui:

    http://www.ionline.pt/artigos/portugal/colegios-gps-suspeitos-inflacionarem-gastos-professores/pag/-1

    85%: Está tudo dito
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    CorretorMais

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