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Correntes

em busca do pensamento livre

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(Des)Orientações

31.03.19

 

 

 

O injusto acesso ao ensino superior - que adoece alunos e professores e que espera por alterações que envolvam todas as candidaturas -, teve uma mediatização deslocada do essencial com o "fim dos exames para os alunos dos cursos profissionais". Sublinhe-se que democracia e educação requerem políticas inclusivas na sociedade, e escolhas pedagógicas consolidadas na escola, que possibilitem maioritárias classes médias bem escolarizadas durante décadas. Saberes estruturantes (ciências, humanidades, línguas, artes e desportos), autoridade dos professores e avaliação contínua dos alunos - formativa e sumativa - são, há muito, atributos essenciais desse escolar democrático. Não caminhámos nesse sentido. Há demasiado tempo que o poder político se congratula com 50% dos alunos do secundário a frequentar "cursos profissionais" (10% candidata-se ao superior), quando, pelo contrário, a democracia exigia o aumento substancial de alunos no ensino regular de um sistema público com civilizadas condições de realização do processo de ensino e de aprendizagem.

Mas o fenómeno explica-se: só um país com "elites" desvairadas é que apresenta, depois de mais de 40 anos de democracia e de 3 décadas de fundos estruturais, 2,5 milhões de pobres (500 mil crianças) em 10 milhões de habitantes, 3 crianças reprovadas, em cada 100, logo no 2º ano e 12% de alunos reprovados ainda no 1º ciclo ("relatório "Estado da Educação 2017" do Conselho Nacional da Educação"). A taxa de insucesso sobe nos ciclos seguintes até à tal frequência de 50% nos "cursos profissionais". Como as estatísticas internacionais nos "envergonham" na conclusão de cursos superiores, e como há, e no exemplo mais mediatizado, instituições do ensino superior de cidades do interior sem alunos (arrepia pensar que algumas "só" formam professores), recorre-se a estas "reformas" parcelares que se refugiam na estafada mudança de paradigma e mergulham o sistema escolar numa clareza próxima da imagem (Kandinsky perdoar-me-á a comparação de uma obra sua com um organograma).

Nota: há bons cursos profissionais, alunos que os frequentam como primeira opção e que depois seguem, ou não, para o ensino superior. Mas isso é outra discussão.

Unknown

Imagem: Continuous Stretch de Kandinsky.

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