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Correntes

da pedagogia e em busca do pensamento livre

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da pedagogia e em busca do pensamento livre

Dançar Kyrlián, Bigonzeti e Duato

09.01.20

CNBkyllian.jpg

2ª edição. 1ª edição em 5 de Abril de 2006.

Tive uma fase na vida em que pensei na coreografia como a minha futura actividade profissional. Desde cedo que percebi que a dança, como espectáculo, podia ser a totalidade: misturava-se a encenação com a música através da mais bela expressão corporal; e na maioria dos casos, e no que à dança contemporânea se refere, o tempo consomia-se de enfiada. A primeira vez que fiz um pequeno estágio com um coreógrafo profissional, algures na década de 70, foi um deslumbramento: para um jogador de basquetebol, foi uma surpresa marcante perceber as similitudes que o meu querido jogo tinha com a mais exímia das artes corporais. Ficou, definitivamente, inscrita na minha massa cinzenta. Tenho sido um cliente mais ou menos assíduo do inesquecível Ballet Gulbenkian. Mas a companhia, obedecendo aos doutos critérios da sua administração, fechou as portas. Ao que julgo saber, o seu público, fiel e apaixonado, procura a redenção na Companhia Nacional de Bailado. Com residência no parque das nações, mais propriamente no moderno Teatro Camões, a CNB, criada em 1977, tem desde 2002 como Director Artístico Mehemet Balkan. A Direcção da CNB resolveu homenagear o Ballet Gulbenkian. Escolheu três coreógrafos, todos eles figuras fundamentais da dança contemporânea europeia, revelados ao público português pela extinta companhia. Jirí Kyrlián, Nacho Duato e Mauro Bigonzetti, montaram um espectáculo muito interessante. Senti-o na noite de 25 de Março de 2006. Mauro Bigonzetti coreografou “Kasimir´s Colours”, com referência ao pintor russo Kazimir Malevich e com música de Dimitri Shostakovich. Resultou bem. Os contrastes e as simetrias das colorações do pintor traduziram uma forte alegria em palco. A coreografia foi dançada a pares, estando, por vezes, dois e três em palco. O último movimento tinha 18 bailarinos, aspecto que me fascinou de modo particular. Jirí Kyrlián optou por “Return to a Strange Land”, uma coreografia intimista e muito exigente, composta apenas por grupos de dois e de três. Cenários minimalistas, jogos suaves de luz e música de Leos Jonácek. Belíssimo. Por fim a festa. Nacho Duato trouxe-nos “Por vos Muero”, inspirado na música espanhola dos Séculos de Ouro e numa ideia inter-classista que reflectia, na dança, a cultura dos séculos XV e XVI. Sempre com grupos de 6 em palco e com cenários lindíssimos, Nacho Duato encheu-me a alma. A companhia tem excelentes executantes e uma característica a reter: tem gente das mais variadas partes do mundo. Uma lamentação (eu sei que não podiam estar todos): gostava que tivessem convidado o inigualável Ohad Naharin - quem não se lembra de Axioma 7, Minus 7 ou Queens/Black Milk.

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