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Correntes

da pedagogia e em busca do pensamento livre

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Da queda no PISA 2022 ao lamaçal na política nacional

06.12.23

A propósito da queda no PISA 2022, que vai muito para além da pandemia, e do lamaçal na política nacional, lembrei-me deste texto recente que começa assim:

"As políticas inspiradas nuns rapazes de Chicago triunfaram em toda a linha, e o capitalismo democrático tornou-se incapaz de redistribuir melhor e remunerar bem o emprego. Martin Wolf, do Financial Times, resume o desespero: "estamos numa batalha para convencer as pessoas que a democracia é o melhor sistema”. O regime está ameaçado a partir do seu interior e do topo. Olhe-se para as eminências instaladas e para os pequenos tiranetes: crescem em número, sentem-se impunes e julgam-se invisíveis. Não se culpe os extremos nem a rua pela corrosão. 

A Educação está no centro do turbilhão, e a escola faz escola. Pensar o seu futuro exige recuar à natureza das coisas e às causas da falta estrutural de professores e do aumento brutal das desigualdades educativas: cortes na percentagem do produto interno produto para a Educação (PIBEd); cheque-ensino ou políticas afins, com o Orçamento do Estado (OE) a financiar fracassadas empresas privadas da Educação; carreira de dirigentes escolares organizada em associações de classe e desligada do ensino real; sobreposição dos encarregados de educação nas decisões científicas e pedagógicas do professor; avaliação do professor baseada nos resultados dos alunos em exames - e remunerações em função disso - e com uma insana burocracia de prestação de contas; eliminação das reprovações, sem respostas não administrativas para os alunos "que não queriam aprender"; e racionamento curricular nos saberes humanísticos e artísticos, com quebra na qualidade das aprendizagens.

Esse vendaval chegou à Educação portuguesa nos governos de Durão Barroso e de José Sócrates, e a abordagem escolar dos 50 anos do 25 de Abril será em revolta contida. Objectivamente, a percentagem do PIBEd desceu, entre 2000 e 2021, de 6,3 para 4,6 e a perda do poder de compra no ensino será de 30% em comparação com 2009. (...)"

E, já agora, termina assim: "(...)Em suma, a Educação promoveu as novas armas das democracias: divisão e separação. Foram duas décadas a consolidar o ambiente distópico da desconfiança, da desigualdade, do sofrimento e da autocracia. O momento é moralmente crítico. Crescem os extremismos e temem-se dias ainda mais tristes. A libertação exige o regresso ao equilíbrio, à esperança e à não desistência. Crie-se um novo organograma e um clima saudável. Há soluções sustentáveis. Estude-se o que aqui se propôs antes das últimas legislativas e recomece-se."