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Correntes

da pedagogia e em busca do pensamento livre

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Da mudança do currículo nas escolas

19.02.17

 

 

 

O "Governo vai mudar o currículo das escolas" contrariando decisões muito desfavoráveis aos alunos, principalmente aos mais jovens, promovidas por Crato com o empobrecimento curricular. É o passo seguinte depois do questionamento saudável a uma variável da mesma família: a indústria dos exames. É mais um motivo de esperança no sentido da moderação e da sensatez. Mas não chega. É preciso eliminar o que resta dos procedimentos da "guerra" aos professores, e à organização das escolas, da autoria de Lurdes Rodrigues.

A "nova" gestão flexível dos currículos eleva a exigência da escola (se a municipalização se abstiver). Não bastará disseminar directrizes centrais. Será preciso mais estudo, mais autonomia e mais responsabilidade, para que se afirmem valores de liberdade, maturidade e transparência. E tudo isto apela a profissionais não preenchidos por burnout e sentimentos de "fuga", precarizados ou rodeados de má burocracia num clima de desconfiança na democracia. Estas componentes criticas são mesmo os riscos a contrariar num ambiente de mudança curricular.

 

mw-960

 

4 comentários

  • Desculpe Ana, mas leu mesmo o post?

    Começa assim: "O "Governo vai mudar o currículo das escolas" contrariando decisões muito desfavoráveis aos alunos, principalmente aos mais jovens, promovidas por Crato com o empobrecimento curricular. É o passo seguinte depois do questionamento saudável a uma variável da mesma família: a indústria dos exames. É mais um motivo de esperança no sentido da moderação e da sensatez." Para contrariar o radicalismo de Crato que fez tábua rasa de tudo o que existia em termos curriculares antes de si.

    O resto do post corresponde às suas preocupações.

    Tem na etiqueta exames

    http://correntes.blogs.sapo.pt/tag/exames

    muito do que penso sobre o assunto no que se refere aos alunos mais jovens; e aos outros também, claro.
  • Sem imagem de perfil

    ana

    20.02.17

    Se não parecesse brincadeira de mau gosto, eu começaria a minha resposta por: "Desculpe, Paulo, mas leu mesmo o meu comentário?"

    Eu li o seu post com muita atenção, Paulo.
    Embora não concorde com muito do que Crato fez, ainda que com consciência de que algumas das suas façanhas foram arquitetadas pelos seus antecessores (pela terrificamente imbatível Maria de Lurdes Rodrigues) e apenas consumadas por ele, insurjo-me bastante com o que ele não fez, como por exemplo: combater o esvaziamento de certas componentes do currículo do Ensino Básico, como a História.
    A verdade é que também não concordo que a agora anunciada (re)introdução de áreas como a Educação Cívica e a outra de Projeto venha promover algum enriquecimento curricular, pois, para além de estas deverem ser áreas transversais à generalidade das disciplinas, não se traduzem em aprendizagens significativas desgarradas dos domínios do conhecimento como a Língua, a História, a Geografia, a Arte...
    Aliás, as experiências do passado terão comprovado que a então designada por Formação Cívica, de lecionação normalmente atribuída aos diretores de turma, era o território da administração da assiduidade dos alunos e da apreensão de regras de conduta disciplinada, na maior parte das escolas. Poderá ter sido uma subversão do objetivo para que foi criada, mas a verdade é que, não havendo grupo disciplinar específico para essa lecionação e estando ainda no ativo os mesmos agentes educativos, dificilmente o futuro trará melhores experiências nesta matéria.
    Eu gostaria de ver, isso sim, uma reforma do currículo com o objetivo de valorizar todas as áreas de desenvolvimento humano e de formação integral do aluno, mas as que já existem, algumas delas deliberadamente tratadas de forma iníqua, com uma redistribuição mais equilibrada, reformulando os programas e as metas curriculares que transformaram o trabalho do professor numa "check-list" de conteúdos "à la carte", muitos deles pouco relevantes para a construção do perfil ideal de um aluno na escolaridade básica.
    Também gostaria de ver uma reformulação da avaliação externa no final da escolaridade básica, de modo a que contemplasse outras componentes do currículo que não apenas o Português e a Matemática, em sintonia com a valorização das outras disciplinas.
    Vejo com muito maus olhos o regresso a um passado que, podendo não ter sido tão castrador como o de Crato, também não se refletiu em bons resultados dos alunos ou em melhor formação integral. E acho um desrespeito total remeter para as escolas a responsabilidade de definirem conteúdos essenciais sem alterar programas ou metas curriculares, acompanhando essa indicação com epítetos de autonomia. Isso não é autonomia, é batota e faz pensar no triste adágio: "Com papas e bolos se enganam os tolos".
    Pois então, Paulo, parece-me que nenhum de nós revela défice de compreensão da leitura, mas ambos temos opiniões diferentes sobre o que está a ser preparado para a Educação.

    Acrescento que conheço bem o que o Paulo foi publicando na etiqueta EXAMES e nas outras, pois tenho acompanhado sempre o seu blogue, quase diariamente, em tempos até comentando amiúde
    [Estou mais velha e cansada agora. :)]
  • Quando perguntei se a Ana leu mesmo o post não estava a brincar. É que o post responde às preocupações levantadas nos dois comentários. Claro que reconheço a Ana, só que não tinha a certeza se era a mesma pessoa.

    Concordo com essas preocupações (dos 2 comentários) que considero fundamentais para o debate. A minha intenção foi apenas focar nas "devastações" cratianas nas crianças. Se se fizerem a maioria das sugestões do post, recuperamos moderação e sensatez. Se Crato fez a terraplanagem que se sabe, não podemos agora manter o legado intocável com o argumento de que estamos sempre a mudar.

    Ou seja, é um post sobre o geral já que os detalhes exigem muitos mais caracteres.
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