Em busca do pensamento livre.
Sexta-feira, 25 de Abril de 2014

 

 

 

 

 

É indisfarçável: qualquer troca de opiniões sobre política tem conclusões comuns: os poderes financeiro, económico, comunicacional e tecnológico apoderaram-se da democracia e os políticos profissionais já nem se caracterizam pelo apego primeiro à cor partidária: sobrepõe-se o interesse pessoal.

 

No dia 22 de Abril de 2014 viajei de automóvel entre as Caldas da Rainha e Lisboa e ouvi na antena 2 uma entrevista a um recém-doutorado (pareceu-me que se apresentou como politólogo, mas não fixei o nome) sobre a lei de ferro das oligarquias (LFO) nos partidos políticos. Já googlei o assunto e a matéria passou ao lado dos média mainstream. O conceito LFO foi primeiramente observado por um sociólogo alemão (Robert Michels) no início do século XX e explicava o modo como se escolhiam as liderança partidárias nos partidos de governo. Mais do que os eleitores em geral ou os militantes partidários, essas escolhas que originam as chefias dos governos são determinadas pela LFO.

 

O doutorado português olhou para o nosso momento e encontrou a LFO nos principais partidos aos mais diversos níveis. O PS e o PSD têm as oligarquias muito estruturadas: mais o primeiro do que o segundo.

 

Estas conclusões não são uma novidade e até parecem naturais e capazes de proteger as sociedades dos populismos. Partidos políticos, sindicatos e inúmeras organizações abertas são basilares para a democracia e até agrupamentos secretos, a maçonaria (a regular; o GOL que ao que me dizem tem centros comercias muito underground com diversidade de lojas; e uma versão feminina) e a opus dei (ao que me dizem há também a opus night e a opus octopus), representam o seu papel.

 

A História diz-nos que os diversos tipos de sociedades tiveram um destino comum, por mais elevados que fossem os princípios ideológicos: o colapso. A dificuldade em fiscalizar a ganância deitou tudo a perder, ou dito de outro modo, a prevalência do mal, e a sua contrução sistémica, originou as quedas.

 

Percebe-se a preocupação com o estado da nossa democracia que se espelha nas mais variadas latitudes. A promiscuidade entre partidos e sindicatos, e entre os citados e as organizações secretas ou do mundo financeiro, associada à sofisticação tecnológica e comunicacional, entrou em roda livre. A incapacidade para mudar o estado das instituições existentes, nomeadamente a devolução dos destinos da sociedade à política sufragada, aumenta o receio de que a queda sem fim só termine com uma grande convulsão.

 

Bem sei que hoje não é dia para pessimismos, mas uma reflexão é determinada pelas circunstâncias históricas.

 

 

 

 



publicado por paulo prudêncio às 19:31 | link do post | partilhar

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