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Correntes

em busca do pensamento livre

Correntes

em busca do pensamento livre

Da hiperburocracia escolar como causa do burnout

25.12.17

 

 

 

 

Pouco antes da mudança de milénio, o sistema escolar português começou a eliminar os tradicionais livros de ponto através de aplicações informáticas desenvolvidas, na maioria dos casos, por empresas comerciais. A prática generalizou-se e é consensual que cresceu a hiperburocracia digital (conjunto de procedimentos "exteriores" à sala de aula) como forte contributo para um dos problemas de saúde mais frequente nos professores: o burnout. Podia ser diferente? Podia.

Analisemos as três variáveis do livro de ponto: sumários, faltas de alunos e de professores. Como ponto prévio, sublinha-se que a passagem do analógico para o digital deve obedecer a outra filosofia de gestão. Provocar-se-á hiperburocracia se o pensamento analógico se sobrepuser na transferência e haverá produção de conhecimento e melhoria da atmosfera organizacional se o pensamento digital for conhecedor da gestão da informação. A passagem referida deve substituir a ideia de "acrescentar ou manter procedimentos" pela de "eliminar procedimentos".

Analisemos cada uma das três variáveis com um pressuposto: o registo de faltas de alunos e professores não tem qualquer relação com os sumários no pensamento digital. 

O sumário tem um valor didáctico e histórico e o pensamento analógico acrescentou-lhe um tempo de registo - momento de abertura e de conclusão, por exemplo - sem base docimológica. O tempo do pensamento analógico deve ser eliminado. No pensamento digital, o tempo de registo deve ficar ao critério do professor e do seu grupo disciplinar, que devem ainda decidir por um tipo de registo mais alargado no tempo (aula, semanal, mensal, por período lectivo, ou no final de unidades de ensino). Importa que a organização conheça os conteúdos efectivamente leccionados. Não é tolerável que a passagem acrescente constrangimentos procedimentais que retirem tempo e tranquilidade aos professores para as tarefas do ensino.

O pensamento digital regista faltas de professores e de alunos; a presença é, obviamente, a consequência do não registo da falta. Os registos podem ser feitos em tempo de aula e por WEB ou podem ser  lançadas por um assistente operacional ou administrativo.

Este pequeno exemplo pode ser extrapolado para dezenas de procedimentos que hiperburocratizam a vida deste tipo de organizações. Não basta mudar os instrumentos, é necessário pensar a filosofia de gestão.

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