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Correntes

da pedagogia e em busca do pensamento livre

Correntes

da pedagogia e em busca do pensamento livre

Da Ascensão da Extrema-Direita

02.01.20

 

A riqueza acumulada numa minoria não é taxada, nem redistribuída, e acentua as desigualdades. O crescimento económico não será a "maré enchente que subirá todos os barcos" porque os governos não têm meios jurídicos para contrariar o neoliberalismo vigente em modo global e agrava-se porque a história da distribuição da riqueza é política e, repitamos, lê-se em dois clássicos: "Riqueza das Nações" de Adam Smith e "O capital no século XXI" de Thomas Piketti. Apesar da globalização ter permitido um inédito controle da fome, das epidemiais e das guerras, há uma perigosa ganância em roda livre facilitada pela "ausência" de fronteiras. 

A história recente inscreve o triunfo do liberalismo de Milton Friedman (fora de Keynes, Adam Smith ou Stuart Mill), que derivou para um neoliberalismo de poderes não eleitos e que não prestam contas. A desregulação dos impostos (década de 90 do século XX), inspirada na visão optimista de que os grandes financeiros exerciam melhor a responsabilidade social do que os estados, "deslegitimou-se". O capital em offshores não é regulado e só a crise de 2008 - e os processos "leaks" -, fez tremer o processo. O que resta aos governos? Taxar, com impostos directos e indirectos, e gerar uma imprevisível revolta. As classes médias pagam a dívida e os juros que "consomem" os orçamentos dos estados. A prazo, as sociedades terão mais muito ricos (chegarão a 5% da população) e aumentarão exponencialmente os frágeis, e precarizados aos mais diversos níveis, membros da classe média baixa, e de pobres (mesmo que em menor número), sem qualquer capacidade de poupança e vulneráveis ao tal voto de protesto que se torna incontrolável quando toma o poder; e que não se comove com arrependimentos. O norte-americano Joseph Stiglitz foi taxativo em 2009: "há uma luta de classes derivada da corrupção ao estilo da pátria do neoliberalismo (a sua)". É, de certo modo, semelhante às duas décadas que antecederam a segunda-guerra mundial e que registaram o florescimento da extrema-direita na Europa com os resultados que a história mundial regista; e por muito optimistas que possamos ser com o controle da fome, das epidemias ou das guerras, são imprevisíveis as consequências da ascensão ao poder de forças totalitárias com os meios tecnológicos actuais e futuros.

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