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Correntes

em busca do pensamento livre

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Crato é muito à frente e adoptou a teoria do treino

18.05.14

 

 

 

 

 

Nuno Crato cita muitas vezes o anterior ministro da Educação (houve uma fugaz Carmo Seabra pelo meio) da maioria que está no poder, David Justino, que por sua vez se acha o mentor ministerial em terras lusitanas de uma série de políticas que vão dos ganhos de eficiência às disciplinas estruturantes.

 

Noutro dia, mais precisamente no 15 de Maio (recordo-me porque é feriado nas Caldas da Rainha), vi uma parte de uma entrevista a David Justino na RTP2 (programa livre pensamento(?), não sei bem o nome). Consegui apanhar duas pérolas. "Um aluno que entra agora no sistema faz em média 15 anos de escolaridade e temos a obrigação de tentar adivinhar os saberes fundamentais daqui a década e meia: e o ex-MEC não tem dúvidas: cálculo, leitura e língua franca. Claro que rematou: os saberes acessórios também devem continuar." É triste constatar estes "ganhos de eficiência", mas um país que tem raciocínios visionários destes (a história, a filosofia, as ciências, as artes, os desportos em geral e por aí fora talvez nem existam em 2029: será só calcular e para isso será imperativo interpretar o texto que obriga ao cálculo e em inglês) deve temer o pior, como se comprova.

 

Mas mais: o ex-MEC rematou mesmo. Enalteceu a metodologia do treino do futebol para justificar um género de cortes curriculares. A sério que o fez. "O treino do futebol tem hoje mais intensidade do que volume, ou seja, treina-se menos tempo mas com mais intensidade". Para David Justino, um atleta actual passa menos tempo em exercício e o "futebol está muita à frente da Educação". Portanto, devemos ter menos disciplinas e com menos aulas mas tudo muito mais intenso.

 

Não nos admiremos que Crato opte por um sistema intensivo com "mais exames do que aulas" e em que os ganhos de eficiência liderem todos os cortes em solo português com mais de mil milhões de euros em três anos. Não agrada a todos? Agrada aos credores que por sua vez agradam a 1% (ou são mesmo essa ínfima porção) da população a quem estas pessoas parecem prestar a única vassalagem. E já agora, o Público de hoje tem um editorial com alguma sensatez sobre exames, embora se deva considerar a distância da realidade e algum natural desconhecimento da história da docimologia.

 

 

 

 

 

 

 

 

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