Em busca do pensamento livre.
Segunda-feira, 12 de Março de 2018

 

 

 

"Aulas no século XXI são um escândalo. Com aulas ninguém aprende.", diz o professor José Pacheco ligado ao projecto "Escola da Ponte".

Esta antiga discussão (o fim anunciado da secular escola-indústria) emerge quando mudam governos e se lançam "novas" reformas. Foi assim, por exemplo, "na segunda metade do século XX" com Freinet, Montessori e Summerhill e mais recentemente com as plataformas de comunicação como o Moodle. No último caso, e o que pode ser uma solução prometedora com adultos ou jovens adultos, torna-se um processo descontrolado se generalizado com crianças e mais ainda em turmas numerosas. E depois há os extremos. Os entusiastas dos modismos que se apressam a classificar de acomodados os tradicionalistas da escola-indústria ou os radicais da tradição que se acham no fim da história por "irrefutabilidade" do modelo vigente.

Há alternativas. Exigem estudo e obrigam a testar (sim: testar; experimentar por amostra).

Exemplos? Se terminamos com campainhas, não o fazemos de supetão. Começamos pelo início das aulas mantendo os toques que indicam o fim dos intervalos maiores, de seguida vamos às extremidades horárias e por ai fora. Se compete ao professor decidir pelo momento de intervalar aulas de 90 minutos, escolhemos primeiro algumas disciplinas de anos iniciais de ciclo e vamos generalizando com a preocupação de manter o silêncio nos corredores. Se introduzimos telemóveis nas aulas, ou sofás como é moda nesta altura, usamos uma progressão disciplinar. Se queremos eliminar manuais e trabalhos de casa, introduzimos progressivamente versões digitais e asseguramos apoio ao estudo bem criterizado. Se acabamos com "aulas de substituição", responsabilizamos os alunos pelas escolhas "escolares" alternativas. Se precisamos de provas para avaliação externa, escolhemos os anos, mantemos o modelo durante anos e contrariamos as tentações internas de criar provas globais por disciplina e ano de forma a não condicionarmos a liberdade de aprender e ensinar e de procurar soluções que busquem a asserção fundamental: há poetas vivos.

2ª edição.



publicado por paulo prudêncio às 18:50 | link do post | comentar | partilhar

2 comentários:
De mario silva a 14 de Março de 2018 às 17:22
Nada contra a pedagogia da Escola da Ponte mas é incompatível com o modelo de exames nacionais (como aliás José Pacheco assertivamente rejeita). Mas os exames determinam o destino dos alunos e por isso a escola não os pode ignorar e tem de trabalhar para preparar os alunos (e é sabido que não vão acabar tão cedo porque a sua função principal é selecionar alunos para a universidade).
Tudo o resto depende de uma coisa básica cada vez mais rara: responsabilidade individual. No modelo autoritário 'tuga', muito jovens só são funcionais se forem 'mandados' e quando trabalham com um prof.com esse modelo pedagógico modernista, reclamam 'o professor não manda'...


De paulo prudêncio a 15 de Março de 2018 às 21:13
Nem mais.


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