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Correntes

em busca do pensamento livre

Correntes

em busca do pensamento livre

à volta do cheque-ensino

24.05.14

 

 

 

 

Parece que o Governo só consegue adiar a regulamentação do cheque-ensino. Esta alínea do ultraliberal guião da reforma do Estado é apenas um detalhe de um conjunto comprovadamente nefasto de políticas educativas que foram definitivamente abaladas com os resultados dos testes internacionais do PISA (Programme for International Student Assessment, do TIMMS (Trends in International Mathematics and Science Study) e do PIRLS (Progress in International Reading Literacy Study). Até a Suécia, farol das políticas de privatização da gestão escolar, está já a discutir a nacionalização das escolas e o abandono do precipitado programa de "liberdade de escolha da escola" iniciado em 1992; e não é o único país que chega a conclusões semelhantes, uma vez que este tipo de políticas acentua a segregação social associada à quebra de resultados escolares da maioria dos alunos.

 

Nada disto é surpresa para quem se dedica a estudar de forma "desinteressada" a importância da escola pública.

 

Em Portugal há dois grupos ligados à privatização da gestão das escolas: os privados que se financiam em propinas e que não se revêem no referido guião da reforma do Estado e os pseudo-privados (que parecem "odiar" a escola pública) que vivem integralmente do orçamento do Estado, que implementam nas suas instituições regras não transparentes de contratação de profissionais associadas a regimes de precariedade laboral e que praticam a privatização de lucros. É este segundo domínio que Portugal precisa de corrigir e que uma parte da maioria que apoia o Governo pretende manter; o adiamento é puro oportunismo eleitoral.

 

 

A parte final da entrevista indicada no link é elucidativa em relação ao atraso do actual Governo na implementação do cheque-ensino. Parece que têm medo. É natural. Se a ideia é entregar o cheque às entidades privadas e não às famílias carenciadas, o cheque-ensino pode começar de forma muito perversa a servir para alimentar os tais pseudo-privados.

 

 

 

 

 

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