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Correntes

em busca do pensamento livre

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A escola a tempo inteiro e a avaliação dos deputados do PS

30.09.16

 

 

 

 

Passar do eduquês I (escola a tempo inteiro com afectos) para o eduquês II (escola a tempo inteiro com exames) é "suportável" uma vez. A rotatividade "eterna" (temos décadas de alternância) explica o burnout de professores e os persistentes números de insucesso e abandono escolares.

 

Centremos o debate no seguinte ângulo de análise: o importante estudo do cérebro continua a concluir que é mais correcto falar em ignorância do que em conhecimento sobre o seu funcionamento; António Damásio, por exemplo, sublinha-o no sentido do texto na imagemO ensino, a aprendizagem e os desenhos curriculares não escapam a isso. O alargamento curricular tem fundamentos e só em discussões ideológicas datadas é que se advoga o regresso ao back to basics (ler, escrever e contar). Quando um sistema escolar está "tão avançado" que se dá ao luxo de cortar investimentos, o conhecimento exige que o faça por igual nas diversas áreas.

 

É precisamento por isso que a humildade é inalienável. Quando se decide nestes domínios, avalia-se o estado em que se encontra essa qualidade imprescindível a um sistema escolar. Nuno Crato e Lurdes Rodrigues eliminaram-na, embora a "rotatividade" eduquesa tenha raízes anteriores. É o espaço de fusão entre as duas versões do eduquês que parece, fatalmente, de pedra e cal. Os deputados do PS que o digam a propósito da avaliação da sua produtividade.

 

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Daniel Kahneman (2011:73), "Pensar, Depressa e Devagar", Temas e Debates, 

Círculo de Leitores, Lisboa.

4 comentários

  • E lá usei, com a devida autorização, a sua ideia "Passar do eduquês I (escola a tempo inteiro com afectos) para o eduquês II (escola a tempo inteiro com exames)". Obrigado.
  • Sem imagem de perfil

    Fernanda

    01.10.16

    Pois. Reparei.
    Não tem de agradecer.

    O que me aborrece mais é as comissões de "sábios" e "catedráticos" e mais as CNEs e mais os Blooms recuperados e mais os Perrenoud também recuperados e mais a escola do sé XXI, e mais as pedagogias diferenciadas e as flipped classrooms e as escolas com paredes de vidro e tudo e tudo o mais e outra vez os afectos dos bjs e dos exames que se revezam sucessivamente como as estações do ano, reproduzindo a vida familiar do vais para a cama sem ver TV ou toma lá mais um gadject e vai à caça dos Pokemons Go e isso.

    Entretanto, a organização da escola mantém-se inalterável, a gestão tb, as turmas de 30 tb , as aulas de 90 tb , as carreiras congeladíssimas tb, a reposição dos cortes salariais a conta gotas ( e a gente espanta-se com as manchetes na comunicação social, como se isto fosse um miminho).

    E mais esta situação que se agrava à medida que avançamos na idade e no tempo de serviço, por força da aplicação do artigo 79º do ECD. Isto é, as reduções de componente lectiva por idade e tempo de serviço que foram criadas para aliviar os horários dos docentes, passaram a penalizá-los fortemente pois passaram a ser usadas para tudo o que é actividade e/ou cargo.

    Falem com os psis e médicos de outras especialidades....eles sabem.
  • Nem mais. Neste caso, já tenho escrito exactamente sobre isso e há variáveis menos financeiras que se só sobrevivem porque fazem parte de vários ideários conhecidos e experimentados.
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