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Correntes

da pedagogia e em busca do pensamento livre

Correntes

da pedagogia e em busca do pensamento livre

"a luz dos astros, essa não morre"

29.11.17
                              (imagem com autor desconhecido)     Uma lâmpada cheia de azeite vangloriava-se, uma noite, perante os que passavam ao pé de si, que era superior à estrela da manhã, pois projectava uma luz mais forte que todas. De repente, sacudida por um sopro de vento que se levantou, apagou-se. Alguém, que a reacendeu, disse-lhe: "Brilha, mas deixa-te estar calada, ó lâmpada; a luz dos astros, essa, não morre". Bábrio   Antologia da Poesia Grega (...)

Da chegada do Outono

22.09.17
        Era uma folha pousada no cotovelo do vento; e pairava, deslumbrada, entre morte e movimento. Era uma folha: lembrava, de tão frágil, o momento em que a vida ficava escrava do teu juramento. Era uma folha: mais nada. Antes fosse esquecimento! David Mourão-Ferreira Obra Poética 1948-1988 Editorial Presença (2006,p:109)

Horto de Incêndios

20.06.17
        neste Horto de incêndios, onde chamas ceifam vidas, não há fogo no coração dos homens, que não se cansam de chamar a guerra.       Imagem de Rui Duarte Silva Expresso        

Rilke para o último dia de Abril

30.04.17
      A poesia de Rainer Maria Rilke não é fácil. Exige leitura repetida. O resultado é sublime. É um dos meus poetas preferidos. Uma das suas obras maiores, "As elegias de Duíno", confunde-se com a aura do local onde o poeta a iniciou: o castelo de Duíno, que se situa perto da cidade de Trieste sobre o mar Adriático. Deixo-vos uma parte - na tradução de Maria Teresa Dias Furtado - da primeira elegia.      Se eu gritar quem poderá ouvir-me, nas hierarquias (...)

Era uma folha

03.04.17
        Era uma folha pousada no cotovelo do vento; e pairava, deslumbrada, entre morte e movimento.   Era uma folha: lembrava, de tão frágil, o momento em que a vida ficava escrava do teu juramento.   Era uma folha: mais nada. Antes fosse esquecimento!       David Mourão-Ferreira Obra Poética 1948-1988 Editorial Presença (2006,p:109)  

Do jogo infinito

09.02.17
    No seu grave recanto, os jogadores Deslocam os peões. O tabuleiro Tem-nos até à alva do altaneiro Âmbito em que se odeiam duas cores.   Dentro irradiam mágicos rigores As formas: torre homérica, ligeiro Cavalo, alta rainha, rei postreiro, Oblíquo bispo e peões agressores.   Quando os jogadores se houveram ido, Quando o tempo os tiver já consumido, Nem por isso terá cessado o rito.   A leste se ateou uma tal guerra Que hoje se propaga a toda a terra. Como o outro, este (...)

Nona elegia

02.02.17
        A nona elegia. Porquê, se é possível viver o prazo da existência, até ao seu termo, como loureiro, um pouco mais escuro do que todos os outros tons de verde, com pequenas ondas no rebordo da folhagem (como o sorriso de um vento) -: porquê então esta forçosa existência humana -, e, evitando o destino, ter saudades do destino?... (continua) Rainer Maria Rilke. As Elegias de Duíno, Tradução de Maria Teresa Dias Furtado, Assírio & Alvim.

Pontes e poetas

27.12.16
      Gosto de pontes. Gosto de olhar para a célebre ponte romana de Chaves. Sempre que estou em trás-os-montes, lembro-me das fragas, de Torga e dos poetas.   Recordo o final de um poema que Torga dedicou aos poetas.   (...) Homens do dia-a-dia  Que levantem paredes de ilusão.  Homens de pés no chão,  Que se calcem de sonho e de poesia  Pela graça infantil da vossa mão.   Miguel Torga, in 'Odes'    Acrescento uma fotografia, da ponte romana de Chaves, que tirei em 24 (...)

idade da poesia

22.11.16
           Narração de um homem em Maio (1953-60).   Mexo a boca, mexo os dedos, mexo a ideia da experiência. Não mexo no arrependimento. Pois o corpo é interno e eterno do seu corpo. Não tenho inocência, mas o dom de toda uma inocência. E lentidão ou harmonia. Poesia sem perdão ou esquecimento. Idade de poesia.   Herberto Helder em Poesia Toda.   Para acompanhar o poema escolhi uma das 100 fotografias mais influentes da história para a revista Time.