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Correntes

da pedagogia e em busca do pensamento livre

Correntes

da pedagogia e em busca do pensamento livre

dúvida

18.01.08




Foi o último espectáculo que vimos no ano de 2007: deslumbrante.

Aquele quarteirão da cidade de Lisboa, onde se situa o conjunto de salas do cinema King - debaixo da eterna ameaça de demolição - e a respectiva livraria - em tempos ocupada, quase na totalidade, pelas edições da Assírio e Alvim, hoje em extinção, parece-me - tem sido responsável por inesquecíveis momentos das belas artes de representar. O Teatro Municipal Maria Matos, situado em paredes meias com os citados espaços, levou à cena a "Dúvida", do americano John Patrick Shanley, prémio "Pulitzer Award 2005", com encenação de Ana Luísa Guimarães. A ficha técnica tinha um dos percussionistas que mais admiro: José Salgueiro. Fiquei atento. No fim, confesso, reparei que nunca mais me lembrei de estar atento às suas batidas.

A extraordinária Eunice Muñoz - uma diva -, o excelente Diogo Infante e as desconhecidas, para mim claro, Isabel Abreu e Lucília Raimundo, compunham um elenco que se certificou ser de primeiríssimo plano. Regressámos a casa preenchidos e sem dúvidas: tínhamos assistido a um dos mais belos espectáculos do ano.

"1964. Uma igreja e escola católicas. Bronx. Nova York. Um Padre é suspeito de assediar sexualmente uma criança de 12 anos. A Madre Superior acusa-o. O Padre reclama a sua inocência. Será ele culpado ou inocente? O que fazer quando não temos a certeza?"

Foi só começar.

Apenas mais uma coisa a que sou particularmente sensível, e que, invariavelmente me distrai do texto: a cenografia. João Mendes Ribeiro realiza um trabalho que acompanha a excelência de toda a produção.