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Correntes

em busca do pensamento livre

Correntes

em busca do pensamento livre

golpe

16.02.11

 

 

 

 

Foi por volta da década de noventa do século passado que se percebeu que o orçamento da Educação era demasiado apetitoso para que a ganância, que se afirmou através do PSD e do PS (o CDS e outros ficaram com empregos e sobras), o deixasse sossegado; potenciais PPP´s ainda sem dono.

 

As agendas mediáticas foram paulatinamente preenchidas pelo "tudo está mal na escola", enquanto se edificavam escolas cooperativas em regime de excesso de oferta e em clima de quase mercado. Essa agenda foi levada até às últimas consequências, e com sonoro e central aplauso, a partir de 2005, através da destruição do poder democrático da escola.

 

Quando eclodiu a crise financeira, o PS foi apanhado de forma flagrante do lado predador. A mudança de agulha fez-se com a naturalidade de quem começa a mentir logo ao pequeno almoço. Passou-se para um suposto lado contrário da agenda gananciosa com mais uma epifania pato-bravista e de reanimação económica de imobiliários aflitos: a parque escolar. Estava quase tudo encenado para umas próximas legislativas e só faltava um detalhe precioso: somos os defensores da escola e até retirámos financiamento aos nossos cooperativos que se dedicaram à privatização de lucros.

 

Os últimos dias foram hilariantes (ou trágicos; é só escolher o lado). Ex-ministros do bloco central desceram da estratosfera e sentenciaram: escola do estado que seja pior fecha em favor da vizinha privada. Foi uma espécie de derradeiro serviço (consciente ou não), já que um deles até ameaçou desistir se a coisa não avançar de vez, numa intervenção que baralhou uma série de conceitos com a famigerada autonomia na mistura.

 

Ou seja: edificaram inconstitucionalmente junto às escolas do estado - tentaram derrotar-lhes a fama e cobiçar-lhes os melhores alunos -  inflacionaram as notas, construíram os rankings e já só falta subtrair uma boa fatia aos orçamentos. Uns grandes profissionais, sem margem para dúvidas. Um golpe perfeito, digamos assim. O pessoal da escola pública é bem mais naif e resistente.

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